artigos

Zerar numeração ainda é uma boa ideia?

A indústria de quadrinhos de super-heróis começou a tomar a forma que tem hoje em 1938, com o surgimento do Superman. Em 80 anos, é perfeitamente compreensível que tenham sido necessários reboots e relançamentos de tempos em tempos. Afinal, os mais importantes personagens se tornaram franquias e fenômenos de merchandising, e colocar um ponto final real em suas histórias seria suicídio comercial. Por outro lado, fazer com que esses personagens envelheçam em tempo real e mudem suas características físicas relativas à idade também não é muito viável. Um Batman de mais de cem anos de idade pulando de prédio em prédio não é exatamente o que os leitores esperam.

Então, começo aqui admitindo que sim, reiniciar a cronologia, como a DC já fez algumas vezes, ou fazer ajustes cronológicos através de retcons, como é mais típico da Marvel, é necessário para o andamento da indústria. Além disso, nestes casos, quando uma mudança grande acontece, seja cronológica ou de status quo dos heróis, é justo tanto com novos quanto com antigos leitores que um novo nº 1 seja estampado na capa. Por outro lado, entendo também que numerações baixas fazem bem para o marketing em qualquer ramo do mercado editorial, não apenas de quadrinhos. Portanto, o “mix mudanças radicais + renumerações” é uma receita para o sucesso, pelo menos por algumas edições.

Agora, o que acontece quando a renumeração começa a se tornar tão frequente que nem dá tempo de alguma mudança real no status quo dos personagens realmente ocorrer entre uma e outra?

Entre 2011 a DC radicalizou e comprimiu sua cronologia em apenas cinco anos, mudando passados de personagens, apagando outros e recomeçado alguns do zero. Ali não tinha alternativa, senão zerar tudo. Foi uma aposta arriscada, que se desgastou em poucos anos e, em 2016, foi substituída pela iniciativa Renascimento, que assume o fato de que a cronologia foi alterada nos Novos 52 e incorpora isso à narrativa. Mesmo assim, é impossível esconder o gosto amargo da derrota comercial. Se a empreitada de 2011 tivesse dado certo, ela não precisaria ser desmontada. Passados quase dois anos do começo do Renascimento, a DC não estampa mais o selo na capa dos títulos, dando uma ideia de que as coisas poderão simplesmente seguir seu curso, sem um novo relançamento em poucos anos. Logo, também sem novos números #1. Infelizmente, pelo menos para quem acreditou nisso e ficou feliz, a DC já anunciou que Superman voltará ao número #1 quando Brian Bendis assumir a HQ, ainda no primeiro semestre de 2018. Não haverá mudança cronológica, até onde se sabe pelo menos, a revista continuará abordando a dinâmica familiar dos Kent, segundo o próprio Bendis, então é praticamente impossível justificar com algo além do marketing essa renumeração.

Estampar nomes de iniciativas na capa também é uma prática da Marvel desde 2012, com Marvel Now. Desde então foram diversas reinicializações, sempre voltando aos números #1 de seus principais títulos ao final de cada uma, com exceção da mais recente, Marvel Legacy, que fez o caminho inverso. Ou seja, em Legacy a editora somou os números de todos os volumes de suas HQs e passou a estampar numerações altíssimas nas capas, dando uma ideia de tradição e retomada de conceitos clássicos.  Legacy deu esperança também a leitores como eu, que pararam de acompanhar a Marvel como universo (admito, jamais larguei o Homem-Aranha e sempre dou aquela olhadinha nos títulos dos mutantes) justamente pelo excesso de novos selos, iniciativas e números #1. Ver tanto Marvel quando DC abraçando seus legados e retomando conceitos era tudo que um fã das duas editoras poderia querer. Pena que durou pouco, já que a Casa das Ideias anunciou que ainda no primeiro semestre inicia a fase Fresh Start, que sucede Legacy, com uma enxurrada de novas “primeiras edições”.

O que me incomoda em cada uma das editoras não é ter um novo número #1 ou um novo nome de iniciativa. O problema é quando isso se torna um padrão, que leva a um relançamento atrás do outro, em espaços de cinco anos, três anos, ou até menos. A mesma DC Comics que segurou uma cronologia e numerações por 25 anos, agora vai partir para o terceiro Superman #1 em menos de 7 anos.

Eu nem sei dizer quantos número #1 de cada um dos seus heróis a Marvel lançou nos últimos anos e posso lembrar de quando eles falaram, há poucos meses, do acerto que era assumir os números altos nas capas. Entendo que numa época em que as HQs concorrem com games e serviços de vídeo por streaming, os setores de marketing precisam trabalhar mais e que algumas medidas desesperadas têm que ser tomadas, mas o potencial consumidor não tem a memória tão curta.

Lembro da promessa de que a iniciativa Legacy era o melhor para o futuro da Marvel, feita pela editora há poucos meses. Aguardava ansioso pela chegada da nova fase no Brasil, mas com o anúncio de Fresh Start e, mais uma vez, o discurso de que esse é o futuro da editora, me senti enganado, e não lerei a maioria dos títulos. Portanto, um potencial consumidor não se tornará consumidor e, muito menos, leitor. Quantos mais tiveram o mesmo sentimento? Centenas? Milhares? Talvez seja hora das estratégias de marketing serem repensadas nas duas casas dos maiores heróis da cultura pop.


Mais Injustiça para Superboy/Conner Kent?

Conner Kent, o Superboy clone, também conhecido como Kon-el, ou ainda Superboy do Havaí, pelos mais saudosistas, é notavelmente um dos personagens mais injustiçados da DC Comics. Criado por Karl Kesel e Tom Grummett como um dos substitutos do Homem de Aço durante o período da Morte e Retorno do Superman, o jovem herói, apesar de possuir uma grande base de fãs, de tempos em tempos cai no limbo editorial.

Depois da reinicialização da DC com a fase Os Novos 52, Kon-El ganhou uma nova versão, com origem totalmente alterada. Em vez de um clone do Superman, ele havia sido clonado de um filh das versões futuras de Clark Kent e Lois Lane. Ele jamais foi chamado de Conner e os fãs sequer o reconheciam como o mesmo personagem.

Com a chegada da fase Renascimento a versão Novos 52 foi apagada e, mesmo com a retomada de diversos conceitos e personagens anteriores ao reboot, a versão antiga de Conner não foi retomada. Mesmo nos flashbacks da saga O Retorno do Superman, não havia registros de um Superboy clone, apenas dos outros três substitutos (Aço, Superciborgue e Erradicador). Aliás, o título de Superboy, no presente, passou a ser usado por Jon Kent, o jovem filho do casal Lane-Kent.


Enquanto muitos fãs já estavam conformados com o descarte do personagem por tempo indeterminado, os últimos meses mostraram que a editora não esqueceu do clone. Uma versão futura dele apareceu no arco Super Sons of Tomorrow e explicou ao Superman que não podia contar quem ele era, já que isso poderia causar um paradoxo na linha temporal. Como é sabido que dez anos de cronologia sumiram na fase Renascimento, voltou a esperança de que Conner pode retornar em um futuro próximo, mas ninguém esperava pelo que veio a acontecer poucas semanas depois desta aparição.

Injustiça

Enquanto a volta de Conner continua sendo apenas uma promessa na cronologia principal, a HQ digital semanal Injustice 2, que narra os acontecimentos entre os dois games de mesmo título, trouxe um retorno surpreendente. Já era sabido, desde a série anterior de Injustice, que quando o Superman se tornou um déspota e implementou seu regime, Conner o enfrentou em um embate direto. Kal-El atravessou o peito de seu clone com um soco, mas, para salvar a vida do jovem, o enviou para a Zona Fantasma.

Agora, com Superman já detido, Conner foi retirado da prisão dimensional e passou por um transplante de coração, recebendo o órgão direto do peito do falecido General Zod. Mais do que isso, ele recebe dos Kent o antigo uniforme do Homem de Aço e, logo depois da cirurgia, quando ainda devia estar em recuperação, parte para o campo de batalha ao lado de Batman e Mulher-Maravilha, estabelecendo uma nova Trindade de heróis.

No entanto, a ausência de Conner no segundo game da franquia e o fato dele entrar em batalha ainda no período pós-operatório, deixa a dúvida se a nova jornada do personagem nesta Terra alternativa é algo que vai ser duradouro ou apenas mais uma falsa esperança para os fãs. Estaria Conner Kent prestes a sofrer mais uma injustiça histórica? Ou, pelo contrário, a franquia Injustiça pode dar a Conner Kent e a seus fãs uma esperança de valorização?

Limbo

A fase atual não é a primeira que coloca Conner no limbo editorial ou à margem dos principais títulos da editora. A situação ocorreu em pelo menos outras três ocasiões. A primeira delas foi quando seu título mensal, iniciado na década de 1990, chegou ao número #100, em 2002.

Conner passou a ser visto apenas nas páginas de Justiça Jovem, também cancelada meses depois. Depois disso, se estabeleceu como um dos personagens principais nos Novos Titãs escritos Geoff Johns, onde desenvolveu ainda mais seus poderes e ganhou uma origem, que o colocava como uma peça ainda mais complexa no Universo DC. Se antes se pensava que Conner era um clone híbrido do Superman com um ex-diretor nada relevante do Projeto Cadmus, Johns revelou que na verdade metade do DNA do herói veio de Lex Luthor.

Foram três anos nos quais a importância do jovem crescia de forma exponencial na DC. Só que no mundo real a editora enfrentava uma batalha judidical pela marca Superboy, que era requerida pela família de seu criador, Jerry Siegel. Com isso, a saída encontrada foi simplesmente matá-lo na saga Crise Infinita, quando enfrentou o Superboy Primordial (que a partir daí foi chamado de Superman Primodial), para salvar o universo.

Foram mais de dois anos sem a presença de Conner e mesmo menções ao nome Superboy eram evitadas de todas as formas. Só em Legião dos Três Mundos, uma ramificação de Crise Infinita, em 2009, Conner saiu do limbo e ressuscitou, quando um acordo já estava costurado entre a DC e os Siegel.

O que se podia esperar com o que se viu logo após o retorno era uma fase brilhante. Conner passou a protagonizar um arco escrito por Geoff Johns e desenhado por Francis Manapull em Adventure Comics. A saga o restabeleceu em Smallville, agora morando com Martha Kent e lidando com a perda de Jonathan Kent, que ele já via como sua família, e que havia falecido meses antes. Paralelamente, Conner buscava respostas sobre ser mais parecido com Superman ou Lex Luthor. Após a conclusão do arco, o herói ganhou um título próprio, escrito por Jeff Lemire e desenhado por Pier Gallo. A HQ, com um tom fantasioso e psicodélico, introduzia um novo elenco de apoio e prometia aumentar ainda mais a mitologia em torno de Conner.

No entanto, Lemire precisou encerrar suas ideias de forma abrupta na edição #11, devido ao reboot, que lançou a versão Novos 52 do Superboy. Desde então, aquele clone nunca mais fez parte do universo DC, considerando que após o relançamento ele era outro personagem, inclusive com genética diferente e sem jamais assumir a identidade de Conner.


Guia dos estrangeiros no Alley da CCXP 2017

Falta muito pouco para a Comic Con Experience 2017 e, para os fãs de quadrinhos, é hora de explorar todas as possibilidades do gigantesco Artists Alley desta edição, montar o próprio roteiro e começar a se preparar para mergulhar em um universo paralelo onde seus heróis e ídolos estão ali sentados em uma mesa à sua espera.

Além dos mais de 400 artistas nacionais que materializam dentro da convenção a incrível diversidade dos quadrinhos brasileiros, o espaço ainda conta com a presença de um seleto grupo de nomes estrangeiros, acessíveis como nunca. Por isso o Redação Multiverso mapeou os quadrinistas internacionais do Artists Alley deste ano, trazendo um breve perfil e uma galeria de imagens que inclui possíveis sketches e artes originais para você cobiçar desde já (sem esquecer que deve investir uma grana e enfrentar filas inevitáveis). Ainda que incluídos nessa lista, alguns nomes como Paul Pope e Gail Simone autografam no estande da Chiaroscuro Studios em horários determinados. A lista abaixo segue a ordem alfabética, com a devida indicação da posição das mesas no mapa.

Mapa do Artists Alley CCXP 2017

Amy Chu, C19-20

Reforçando o time feminino de convidados estrangeiros da CCXP 2017, a editora e roteirista Amy Chu retorna ao evento com trabalhos como o título da Hera Venenosa, especiais da Mulher-Maravilha e passagens por revistas como Deadpool, X-Files, Red Sonja e Kiss. Amy também é uma das fundadoras da Alpha Girls Comics, editora que publica trabalhos de mulheres como Girls Night e The VIP Room.

Ariel Olivetti, A34-35

f718b9b28df4e0b3dea2ffffb34192bc

O argentino Ariel Olivetti ilustrou nada menos do que a célebre minissérie Space Ghost, da DC Comics, que pela primeira vez imprimiu tom de realismo ao clássico herói das animações. Embora este seja certamente um marco em sua carreira, é impossível listar em poucas linhas todos os títulos relevantes nos quais trabalhou. Na DC se destacou também em O Reino (continuação direta de Reino do Amanhã), ao lado do roteirista Mark Waid, e na minissérie Superman e Batman vs. Aliens e Predadores. Seu trabalho de destaque mais recente em títulos mainstream foi publicado pela Marvel, no título Venom: Space Knight. Além disso, lançou a HQ independente HQ ICH, que foi publicada no Brasil pela Jambô Editora de forma quase simultânea ao lançamento na Argentina.

Arthur Adams, F23-24

Revire a estante, separe seus gibis dos X-Men e aproveite a presença de Arthur Adams no Alley da CCXP. Lendário desenhista de vários títulos mutantes e outros clássicos como Homem-Aranha, Hulk, Batman, Superman, Rockeeter e The Authority, ele vem ao Brasil pela primeira vez acompanhado da esposa e também artista Joyce Chin. Os dois chegaram a ser anunciados em 2016 e cancelaram a participação, mas pagam a promessa em 2017 com mesas no Alley e tudo que tem direito.

Ben Templesmith, B21-22

Ben Templesmith sabe assustar e encantar como poucas pessoas. Sua arte caricata finalizada no photoshop causa uma sensação incômoda, prendendo o leitor em um pesadelo vivo em forma de quadrinhos. Ao lado do autor Steve Nilles, Templesmith criou a premiada minissérie 30 Dias de Noite, que deu uma nova e horripilante roupagem à mitologia dos vampiros. Seu trabalho mais recente foi o primeiro arco da HQ “Gotham By Midnight”, escrita por Ray Fawkes, que revitalizou o Espectro durante a fase dos Novos 52 da DC, dando ao personagem uma aparência mais condizente com seu nome. Apesar do trabalho conhecido pelos efeitos digitais, seus sketches não ficam nada trás.

Bernard Chang, A12-13

O artista Bernard Chang já trabalhou com alguns dos maiores heróis da Marvel e da DC Comics, depois de uma longa passagem pela Valiant. Dentre os ícones que já tiveram seus títulos retratados pelo traço de Chang estão: X-Men, Novos Notantes, Cable, Superman, Supergirl e Mulher-Maravilha. Atualmente, na fase Renascimento da DC Comics, ilustra a série do Batman do Futuro, publicada periodicamente pela Panini em encadernado. Os volumes podem ser encontrados nas bancas e comic-shops e certamente estarão disponíveis nos estandes CCXP para quem quiser comprar e conseguir um autógrafo.

Bill Sienkiewicz, F01-02

billdd

Pegue um pouco de Led Zeppelin, misture com arte moderna, um tiquinho de Neal Adams e muita, mas muita atitude. Junte isso com os melhores roteiros dos anos 1980 (como o clássico Elektra: Assassina, ao lado de Frank Miller), asse com técnicas avançadas e voilá! Assim nasce Bill Sienkiewicz, um dos desenhistas mais originais que você verá nas HQs. O artista já é nome carimbado na CCXP, mas isso não quer dizer que as filas diminuam de tamanho de um ano pro outro: pelo contrário, seus sketches em estilo inconfundível são alguns dos mais cobiçados do evento sempre que está entre os convidados.

Carlos Pacheco, B43-44

O artista espanhol Carlos Pacheco é velho conhecido dos leitores de quadrinhos de super-heróis Marvel e DC, tendo produzido dezenas de trabalhos para ambas as editores. O desenhista foi responsável por ilustrar e coescrever uma das melhores fases do Quarteto Fantástico nas últimas décadas, publicada pela Panini no começo dos anos 2000. Na DC Comics tem em seu currículo o aclamado especial JLA/JSA – Vícios e Virtudes, ao lado dos roteiristas Geoff Johns e por David S. Goyer. A HQ foi lançada pela Panini anos atrás e está prometida para breve pela Eaglemoss. Recentemente Pacheco ilustrou para a Marvel a série Occupy Avengers, ainda inédita no Brasil.

David Mack, F05-06

Fazer uma bela pintura demora muito tempo, mas para David Mack, seu processo criativo dá conta de fazer capas para diversas HQs em um único mês. Mack começou a ganhar destaque durante a sua curta fase como roteirista na mensal do Demolidor, mas foi graças às suas capas na série Alias, protagonizada por Jessica Jones, que o artista ganhou fama no meio dos quadrinhos. Com uma arte incrivelmente sensível, Mack une aquarela e colagens, criando pequenas obras-primas. Além disso, o artista é o criador das heroínas Kubiki e Echo, sendo que a última chegou a se tornar uma Vingadora durante a fase do Brian Michael Bendis nos Vingadores. Vale a pena conferir a mesa do artista e sair de lá com um print para colocar na parede.

Denys Cowan, Denys Cowan

O artista americano Denys Cowan é co-criador do Super Choque, icônico personagem da editora Milestone Media que se tornou popular com a série animada. Foi indicado ao Eisner por sua atuação na revista Questão ao lado do roteirista Dennis O’Neil, na série que reformulou o herói e o tornou um dos mais relevantes da DC Comics. Vencedor do prêmio Humanitas Award, ele também trabalhou no meio da TV em uma série de shows da Fox, ABC, Disney e Nickelodeon.

Gail Simone*

Uma das roteiristas mais premiadas presentes no evento será Gail Simone. Contudo, sua participação não deve atrair apenas leitores que conhecem seus prêmios, mas também o público que admira seu ativismo referente a igualdade de gênero. Isso porque Gail trabalha fortemente junto aos movimentos feministas e podemos enxergar isso nos seus trabalhos mais recentes na DC Comics, como Mulher-Maravilha e Batgirl. *Gail não vai estar propriamente no Alley, mas bem pertinho: ela autografa em horários programados no estande da Chiaroscuro Studios.

Glenn Fabry, B19-20

Glenn Fabry não é para todos os gostos, mas para quem gosta de quadrinhos alternativos ele é o destaque desta edição. O capista britânico famoso por imortalizar a saga de Preacher em suas 66 edições também tem no currículo títulos como Hellblazer, Thor: Vikings, Transmetropolitan, Batman, Authority, Juiz Dredd e recentemente a adaptação de Deuses Americanos para os quadrinhos. Suas lendárias capas sujas, realistas e incômodas rendem prints que são verdadeiras obras de arte underground pra colocar na parede, e apesar de seu trabalho habitual exigir pintura, texturas e muitos detalhes, seus sketches conseguem manter a essência de seu estilo único.

Humberto Ramos, C21-22

Ame-o ou deixe-o. O traço extremamente estilizado de Humberto Ramos é motivo de críticas por parte de muitos fãs que preferem um estilo mais clássico, mas ao mesmo tempo arrebata uma gigantesca legião de fãs. Seus desenhos são extremamente expressivos e o artista se destacou na DC Comics na série Impulso, protagonizada por um dos mais queridos integrantes da família Flash. Na Marvel já trabalhou com os principais heróis da editora, tendo destaque especialmente no título do Homem-Aranha, dada a sua habilidade para trabalhar com cenas que precisam expressar dinamismo e movimento. Grande parte dos números das revistas mensais do Homem-Aranha publicadas pela Panini nos últimos anos possuem desenhos de Ramos. Portanto, material para pegar autógrafo existe em abundância no mercado.

Jim Calafiore, A30-31

Alçado ao estrelato por sua longa passagem na série Exilados, que retrata a carreira de um grupo de X-Men formado por integrantes de realidades alternativas que percorrem o Multiverso, o desenhista Jim Calafiore se tornou um dos mais respeitados quadrinistas do mercado norte-americano, por ser exímio cumpridor de prazos e manter o padrão da arte. Na DC Comics fez diversos trabalhos na linha Batman, tendo assumido a arte de Batgirl e Gotham City Underground. Em seu portfólio consta também grande parte de um manual de como fazer quadrinhos, lançado no começo do século 21 pela revista Wizard.

Joyce Chin, F25-26

A desenhista Joyce Chin e seu marido Arthur Adams marcam presença na CCXP este ano depois de ter que cancelar a participação na última edição por problemas de saúde. Dessa vez a artista divide sua arte com os fãs no artists alley do evento, com um currículo que inclui títulos como Spider-Man, Hulk, Vampirella, Xena, Superman: Silver Banshee, Tomb Raider e Red Sonja, além de capas para a Marvel e DC de personagens como Thor, X-Men, Ms. Marvel, Capitão América e Mulher-Maravilha.

Marc Andreyko*

Marc Andreyko é nada menos que um dos vencedores do Eisner de 2017. O prêmio, que é uma espécie de Oscar dos quadrinhos, reconheceu o trabalho do artista como curador e editor do projeto Love is Love, graphic novel com temática LGBT produzida para apoiar as famílias das vítimas do ataque à boate Pulse, em Orlando, no ano passado. O projeto foi lançado recentemente no Brasil, então é uma boa oportunidade para adquirir e conseguir aquele autógrafo. Isso sem falar que o roteirista também tem trabalhos na DC Comics, como em Batman ’66. *Andreyko não vai estar propriamente no Alley, mas bem pertinho: ele autografa em horários programados no estande da Chiaroscuro Studios.

Matteo Scalera, F27-28

Neste ano Matteo Scalera vem como um dos representantes da ótima fase que vive a Image Comics. Além de diversas passagens por Marvel e DC Comics, atuando com personagens como Deadpool, Vingadores, Hulk e Batman, o artista é responsável pelo sucesso de Black Science, da Image, e outros títulos como Dynamo 5 e PopGun. Com um estilo próprio que vai do super colorido ao máximo de contraste em preto e branco, Scalera promete uma mesa com belos prints e quem sabe um sketch caprichado.

Paul Azaceta, B41-42

Paul Azaceta é um artista com uma carreira relativamente nova nos quadrinhos. Apesar de já ter trabalhos na Marvel, como em O Espetacular Homem-Aranha e Demolidor, Azaceta ganhou destaque quando assumiu os desenhos da HQ Outcast, de Robert Kirkman. Isso porque a obra já está sendo adaptada para o canal Cinemax – atualmente está na segunda temporada. Na série de TV temos momentos onde a arte de Azaceta é reproduzida fielmente. Na CCXP, o artista participará da programação do evento e também do Artist’s Alley. Infelizmente, Outcast ainda não está sendo publicada no Brasil, mas vale a pena buscar um autógrafo ou uma commission.

Paul Pope*

batman-year-100-teeth-paulpope

Um dos nomes mais alternativos da lista de convidados da CCXP, Pope tem um traço tão estranho quanto atraente, que no Brasil pode ser visto nas HQs autorais 100% e Bom de Briga, mas também em sua peculiar versão do Homem-Morcego para a DC Comics em Batman Ano 100. Não deixe de pegar um sketch desse Batman bizarro se tiver a chance. *Pope não vai estar propriamente no Alley, mas bem pertinho: ele autografa em horários programados no estande da Chiaroscuro Studios.

Simon Bisley, A32-33

Is that a fact now?|Lobo punches first then asks the questions by Simon Bisley|Lobo|lobo,naked

Reza a lenda que seu nanquim é feito com sangue de demônio e ferro líquido, mas preferimos acreditar que Simon é apenas o desenhista mais durão dos quadrinhos, que imortalizou a versão definitiva de Lobo, passou por Hellblazer e fez até capas de discos para o macabro Danzig. O artista retorna ao Brasil após o sucesso de sua participação na CCXP do ano passado, e promete formar filas de fãs gladiadores se matando por um autógrafo.


As espadas e bruxas de Esteban Maroto

Querendo ou não, nossos sonhos são aquilo que nos move e move o mundo ao nosso redor. Sonhamos com sucesso e realização, sonhamos em namorar aquela linda mulher (ou aquele lindo rapaz, a escolha é sua), comprar um belo carro… E acredite, alguns sonham com a oportunidade de lançar uma editora de quadrinhos e espalhar pelo mundo realidades paralelas bizarras habitadas por feiticeiros demoníacos, bravos guerreiros e, novamente, lindas mulheres. É graças a esses sonhos inusitados que podemos ver chegar às livrarias nacionais uma obra como Espadas e Bruxas, de Esteban Maroto, primeiro lançamento da editora Pipoca & Nanquim.

Magistralmente desenhado pelo artista espanhol, Espadas e Bruxas é uma compilação que reúne as histórias dos bárbaros Wolff, Manly/Dax e Korsar, personagens que chegaram a ser publicados no Brasil pela Ebal e RGE nos anos 1980 e que influenciaram muita coisa no gênero Espada & Magia nos quadrinhos, até mesmo nas histórias de Conan. E verdade seja dita: o Pipoca e Nanquim acertou demais ao começar com essas histórias.

Abrindo com uma introdução feita pelo escritor de ficção científica Juan Miguel Aguilera, Espadas e Bruxas começa com as histórias de Wolff, um guerreiro que deseja se vingar pelo assassinato da sua família e tribo por bruxos praticantes de magia negra. Escrita por Luís Gasca Burgués, mais conhecido como “Sadko”, a história contém todos os clichês que uma trama de bárbaros pode ter, mas é importante lembrar que Wolff foi um dos primeiros quadrinhos do gênero, antecedendo até mesmo a primeira revista de Conan na Marvel, escrita por Roy Thomas com arte de Barry Windsor Smith. Além das belas mulheres desenhadas por Maroto, o grande charme da HQ é o plot twist que aos poucos vai sendo revelado para o leitor.

A edição continua com Manly/Dax, e, sem sombra de dúvida, é o ponto alto do encadernado e até mesmo do trabalho de Esteban Maroto. Convidado pela Warren Publishing para fazer uma HQ no estilo de Wolff na revista da Vampirella, Maroto criou Manly que, de última hora, migrou para a revista Creepy. Com liberdade para escrever suas próprias histórias, o artista fugiu do senso comum com o então entitulado Dax, um guerreiro que só deseja paz de espírito e liberdade em um mundo cheio de violência, bruxos e demônios. O roteiro é de uma beleza extraordinária, conseguindo mesclar horror, aventura e momentos de pura melancolia. E o que falar da arte então? Cada página é uma obra-prima, fazendo o leitor perder horas observando cada detalhe de seu traço. Destaque para a última belíssima história, que adapta o mito de São Jorge.

Por fim, o encadernado fecha com as aventuras de Korsar, um ex-escravo que se junta com Sayda, “aquela que domina todas as artes do amor”, em uma busca por liberdade e noites de paixão, mesmo que isso signifique fazer sexo com alienígenas e seres moribundos. Misturando erotismo e aventura, essa é a história mais fraca do encadernado, que vale apenas para mostrar todo o talento do artista em desenhar mulheres pra lá de sensuais. Além de cada arco conter uma desculpa esfarrapada para mostrar alguma cena de nudez, Maroto sabe mesmo como demonstrar toda a sensualidade feminina com seu texto e arte.

O encadernado em si mantém o mesmo padrão de beleza das histórias: com formato magazine (21 x 28 cm), capa dura e 256 páginas, Espadas e Bruxas justifica seu preço salgado, principalmente pelo tratamento refinado com a revisão e tradução. É preciso também parabenizar o canal Pipoca e Nanquim, criado pelos editores da Panini Comics Alexandre Callari, Bruno Zago e Daniel Lopes. Como todo bom leitor de quadrinhos, os três sonhavam em trazer obras diferenciadas ao Brasil e, em parceria com o site Amazon, conseguiram criar seu próprio selo.

Espadas e Bruxas é uma HQ que vale o alto investimento, principalmente para quem deseja conhecer e se esbaldar com a arte de Esteban Maroto. Com um belo começo e diversos outros lançamentos de qualidade (Cannon e Moby Dick), o Pipoca e Nanquim já chega prometendo ser uma das melhores editoras de quadrinhos atuais. Agora é só esperar e sonhar com mais HQs tão boas quanto essa.


Os filmes de heróis atingiram nossas expectativas em 2017?

No começo do ano reunimos a equipe a equipe do Redação Multiverso em um artigo para falar sobre as expectativas para as produções baseadas em super-heróis que chegariam aos cinemas neste ano. Agora que todos os sete filmes foram lançados, os mesmos colaboradores retornam para apontar suas impressões sobre Lego Batman, Logan, Guardiões da Galáxia Vol. 2, Mulher-Maravilha, Homem-Aranha: De Volta ao Lar, Thor: Ragnarok e Liga da Justiça. Os filmes estão listados por ordem de lançamento.

Fevereiro: Lego Batman

por Émerson Vasconcelos

Lego Batman foi uma grata surpresa logo no início de 2017, se firmando como o primeiro grande sucesso da DC Entertainment no ano. Embora quase tenha passado batida pelos fãs habituais de filmes de heróis antes do lançamento, a animação alcançou a aprovação da crítica e agradou a maior parte do público. O Batman apresentado originalmente no filme Uma Aventura Lego ganhou todo um ambiente próprio, com direito a aliados e vilões, apresentados em versões caricatas, mas que brincam justamente com características facilmente reconhecidas nestes personagens. Só que depois de estabelecer um universo de paródia para o Homem Morcego, o filme vai além e, de forma caótica, mistura elementos das mais variadas franquias da Warner à trama. E isso garante diversão em um nível que nenhum outro filme de herói conseguiu entregar no ano. Quer ver Voldemort e Coringa lutando lado a lado? Não perca tempo, Batman Lego é para você, assista. Para mim, de todos que chegaram aos cinemas, é o melhor filme com heróis lançado neste ano.

Março: Logan

por Marina de Campos

Ainda é cedo pra dizer se Logan vai entrar pro hall dos melhores do gênero, mas já dá pra afirmar que ele é o filme de herói que todos concordaram ser um acerto em 2017. Uma história honesta e concisa, que se distancia do clichê de destruir ou salvar o mundo para falar de pessoas, suas relações, seus traumas e os pequenos atos de coragem que dão sentido a toda uma vida.

Belo e triste como deve ser esse misto de western e road movie para lugar nenhum, Logan é uma despedida à altura da entrega de Hugh Jackman ao papel por tantos anos, que junto com o diretor James Mangold bancou o risco de um filme diferente, do jeito que imaginavam. Visual sujo, trilha sonora autêntica, mais silêncios e expressões e menos explicações, violência e perdas duras assim como na vida real – nada muito comum em Hollywood ultimamente.

Entre pontos altos e baixos, a atuação de Dafne Kneen como Laura é fascinante e entrega ainda mais do que o esperado, representando um fio de esperança para preencher o vazio deixado por Wolverine, enquanto que a inserção de um determinado vilão – único ponto de maior discórdia entre os fãs – é mesmo uma escolha duvidosa que destoa, mas não compromete o conjunto. No fim Logan consegue algo raro: ser reconhecido como uma boa adaptação dos quadrinhos, mas também como um bom filme mesmo fora do gênero.

Abril: Guardiões da Galáxia Vol. 2

por Lucas Gonçalves

Guardiões da Galáxia Vol. 2, que teve crítica escrita pelo Jonathan Nunes aqui no Redação Multiverso, foi um dos filmes mais esperados do ano, e a cada novo trailer, foto, notícia, os fãs ficavam mais e mais ansiosos com a promessa do novo longa dirigido pelo James Gunn. Não foi nenhuma surpresa o filme ter alcançado o sucesso, ganhado mais fãs e consolidado o grupo no grande escalão da Marvel, mas, infelizmente, o a produção peca no seu principal elemento: o humor. Isso quer dizer que o filme é ruim? Longe disso, Guardiões da Galáxia Vol. 2 conseguiu se superar com louvor visualmente e, principalmente, na trilha sonora , coisa que por si só já é algo memorável.

Além disso, James Gunn expande de forma orgânica e criativa o universo galáctico da Marvel, mas o único problema grave é a forma como o filme insere suas piadas. Toda ação gera um momento cômico, o que tira, em certas cenas, toda a carga dramática do momento. Não é nada fácil superar o sucesso que foi o primeiro GdG, mas se Gunn e sua equipe balancearem melhor os momentos de drama e de comédia, acredito que os próximos Guardiões da Galáxia poderão ser comparados à franquia Star Wars.

Junho: Mulher-Maravilha

por Guilherme Wunder

Talvez este longa tenha sido a única unanimidade da DC Comics em todo o seu universo até agora. Talvez não, ele foi mesmo. Apesar de não ser um filme perfeito, a produção da Warner finalmente entregou tudo o que os fãs queriam, sem tirar e nem por. Obviamente a obra não é perfeita e tem alguns problemas, seja na computação gráfica ou na construção de seu vilão.

Entretanto, pela primeira vez desde que lançou o seu universo, a DC conseguiu construir um filme coeso, mesclando muito bem os dramas com as brincadeiras e apresentando a personagem que queríamos ver. Ao meu ver, Gal Gadot entrega a Mulher-Maravilha definitiva. Isso indo contra as perspectivas e desconfianças existentes sobre a atuação da israelense. Além disso, o filme é um marco para os movimentos feministas, pois apresenta uma protagonista feminina forte e foi dirigido por uma mulher.

Julho: Homem-Aranha: De Volta ao Lar

por Leonardo Mello de Oliveira

Homem-Aranha: De Volta ao Lar conseguiu uma proeza que a franquia de filmes anterior, O Espetacular Homem-Aranha, fracassou magistralmente em atingir e a primeira trilogia de Sam Raimi nem sequer tentou fazer: apresentar um Homem-Aranha para uma nova geração com a cara de uma nova geração. O herói mostrado no filme podia ter modificações, estar tecnológico demais, mas sua essência adolescente estava lá, de uma forma atual, para que os jovens de hoje se sentissem mais representados.

E Homem-Aranha não é sobre isso mesmo, representação? Não há como não se sentir cativado pelos conflitos do Peter Parker de Tom Holland, que o interpretou com uma paixão notável, e pelo elenco de coadjuvante da escola, dignos de John Hughes. Além disso, a Marvel Studios nos apresentou um de seus melhores vilões com o Abutre de Michael Keaton, um personagem com bem mais camadas que sua contraparte nos quadrinhos, que permitiu o florescimento da característica essenciais do Cabeça de Teia: a responsabilidade acima de qualquer coisa. Uma história divertida, com reviravoltas e conflitos constantes, como uma boa história do Aranha deve ser.

Novembro: Thor Ragnarok

por Jonathan Nunes

As primeiras peças promocionais e trailers do terceiro longa do Deus do Trovão animaram o grande público de maneira quase unânime. A fotografia do filme e a direção de Taika Waititi prometiam um dos melhores filmes já produzidos pela casa das ideias no cinema, repleto de menções aos clássicos visuais de Jack Kirby. Porém, apesar de Thor: Ragnarok ser sem dúvida o melhor filme do herói nórdico da Marvel, o longa acaba se perdendo em um senso de humor que por vezes pesa na mão e pende ao exagero, deixando a trama sem a profundidade que necessita na hora em que o drama se apresenta. Thor: Ragnarok, como apontei na crítica que escrevi, no fim das contas acabou se mostrando um bom filme, que acabou perdendo a chance de ser ótimo.

Novembro: Liga da Justiça

por Émerson Vasconcelos

Um sinal claro de correção de curso do universo cinematográfico da DC, Liga da Justiça conseguiu agradar à maioria dos espectadores, embora tenha dividido a crítica. Apesar de ter sido avaliado como positivo por mais críticos quando comparado a Esquadrão Suicida e Batman v. Superman, segundo o agregador Rotten Tomatoes, o filme está longe de ser uma unanimidade para os analistas. Mesmo assim, a boa avaliação do público, exposta pelo mesmo site,  mostra que as críticas não afetaram a opinião dos fãs. No entanto, a baixa bilheteria (menos de 100 milhões de dólares nos Estados Unidos no final de semana de estreia) pode ter sido causada pelo marketing confuso que precedeu o lançamento do filme. Seria imprudente culpar a crítica, uma vez que a maioria das pessoas que assistiram avaliaram positivamente e que os filmes anteriores foram massacrados pelos críticos, e mesmo assim alcançaram números muito melhores.

Fato é que faltou Superman na divulgação para evitar um spoiler do qual todos já sabiam. Ter um ícone deste peso e não usar pode ter sido fatal para a divulgação. No saldo, como apontei na crítica que escrevi sobre o filme, Liga da Justiça é muito bom e estabelece caminhos para futuros filmes. Atingiu as minhas expectativas, mas, infelizmente, até o fechamento deste texto, ainda estava longe de atingir às expectativas financeiras da Warner, o que pode selar o destino da franquia e de todo o universo DC nos cinemas. Cruzemos os dedos!


O que Bendis pode fazer pelos jovens heróis da DC?

Com o anúncio da entrada de Bendis na equipe criativa da DC Comics, depois de mais de 17 anos como um dos principais roteiristas da Marvel, rapidamente começaram as especulações a respeito de quais títulos ele pode assumir em sua nova casa. Logicamente os mais ventilados são os mais populares, que ficam entre Liga da Justiça, Superman, Mulher-Maravilha e, o mais especulado: Batman. No entanto, o repertório de histórias de Bendis permite que se pense nele atuando em outros cantos do Universo DC, especialmente quando o assunto são heróis jovens, algo que ele já mostrou que domina na concorrência.

A equipe do Redação Multiverso listou as principais franquias de jovens heróis que podem ser revitalizadas por Bendis. Aliás, é curioso notar que, na lista, a vontade de ver o roteirista atuando no universo do Batman prevaleceu, uma vez que mais da metade dos títulos listados são protagonizados por algum Robin.

Superboy (Kon-El)

Por: Émerson Vasconcelos

Embora o posto de Superboy atualmente esteja ocupado pelo filho do Superman, Jonathan Kent, a DC Comics vem reintroduzindo o conceito do clone Kon-El, que ocupou o manto a partir da década de 1990 e foi peça fundamental tanto na Justiça Jovem de Peter David quanto nos Novos Titãs de Geoff Johns. Atualmente o clone é considerado um personagem que sumiu da cronologia, desde que uma versão futura de Tim Drake chegou ao presente e percebeu que Kon não era lembrado por ninguém. Mesmo assim, a simples menção do jovem herói reascendeu as esperanças dos fãs, que esperam pelo seu ressurgimento desde o início da fase Renascimento. Com o anúncio de Bendis na DC é fácil imaginá-lo assumindo os roteiros de um título solo do jovem herói, que sempre teve um elenco de apoio adolescente e interações muito similares às que o roteirista desenvolveu para Peter Parker começo de Ultimate Spider-Man. A fase de Jeff Lemire no título do Superboy, e o período em que Geoff Johns explorou seus conflitos internos, por ser clone de Superman e Lex Luthor ao mesmo tempo, são sólidas bases para que Bendis possa fazer o que sempre fez de melhor em HQs protagonizadas por jovens heróis.

Justiça Jovem

Por: Émerson Vasconcelos

A equipe que reunia os jovens heróis da DC Comics no final da década de 1990, em uma série desenhada por Todd Nauck e escrita por Peter David, jamais foi esquecida pelos fãs, sendo lembrada com carinho mesmo após sua dissolução em 2005. Prova disso é que a animação baseada na equipe vai ganhar sua terceira temporada, após um longo hiato. Com a DC Enterteinment resgatando o time na versão animada não seria surpresa se ela recuperasse também seu espaço nas HQs. O tom leve, com personagens carismáticos e muitas vezes voltados ao humor lembra a dinâmica que Bendis estabeleceu para sua versão dos Guardiões da Galáxia. Somando esta experiência à já citada maestria do roteirista para tratar de jovens heróis, o escritor seria uma escolha perfeita para reestruturar a equipe.

Titãs

Por: Jonathan Nunes

Depois da mais recente fase de Bendis nos Jovens X-Men, imaginar o roteirista guiando uma nova fase do mais famoso grupo jovem da DC Comics não seria algo surpreendente. Além disso, a revitalização que Bendis promoveu em personagens clássicos da Marvel, vista no universo Ultimate da editora, talvez seja exatamente o que os Titãs precisam para voltar a ter destaque em novas e grandiosas aventuras, visto que os títulos protagonizados pelos jovens heróis não tem sido, nem de longe, o mesmo sucesso de público e crítica que costumavam ser antes da fase Novos 52.

Asa Noturna

Por: Jonathan Nunes

É provável que entre todos os Robins que já permearam as revistas do Batman, Dick Grayson seja o que mais fez sucesso entre o público tanto como o garoto prodígio, quanto com a identidade heroica que veio a assumir na luta solo ao crime, Asa Noturna. Porém, talvez o que ainda falte para o vigilante sejam histórias com mais profundidade e consequências, dois fundamentos que já foram vistos em diversos trabalhos de Bendis ao logo de sua trajetória nos quadrinhos. Histórias como Powers, e a própria fase do Demolidor e do Cavaleiro da Lua na Marvel, são bons exemplos disso. Ver Bendis explorando a persona de Dick Grayson em todas as suas facetas, pode ser a receita certa para um grande clássico do personagem – ainda mais se a parceria com Alex Maleev se repetir em um possível título vindouro.

Flash (Wally West)

Por: Leonardo Mello de Oliveira

Wally West se consolidou como o Flash definitivo para muitos fãs através da lendária fase de Mark Waid à frente do personagem nos anos 90. Muito disso se deu devido à personalidade carismática de Wally desenvolvida por Waid, mostrando um herói de legado que vai crescendo aos poucos. Bendis tem trabalhado com personagens de legado ultimamente, com suas criações próprias Miles Morales (Homem-Aranha) e Riri Willians (Ironheart), e mostrou que tem domínio sobre narrativas que envolvem o amadurecimento dos protagonistas. Além disso, Bendis consegue construir personagens jovens e carismáticos, que ganham o coração do público. Uma revista solo do Wally clássico nas mãos do escritor seria a oportunidade ideal de desenvolver melhor o novo Flash dentro do atual universo DC, além de apresentá-lo para uma nova geração de leitores e desenvolver toda a capacidade de um dos heróis mais adorados pelos leitores.

Robin Vermelho

Por: Leonardo Mello de Oliveira

Sendo o Robin preferido de muitos fãs e ganhando cada vez mais destaque dentro da trama maior do Universo DC, Tim Drake sem dúvida carregaria sem problemas uma revista própria com aventuras solo. Bendis tem experiência com heróis adolescentes  e geniais, visto sua larga fase à frente do Homem-Aranha Ultimate. Aliado a isso, sua capacidade em escrever histórias urbanas e de detetive como poucos, provada em obras como Alias e Demolidor, seria perfeita para desenvolver todo o potencial narrativo do Robin Vermelho. Focando de um lado nas tramas e dúvidas do lado jovem de Tim e de outro no lado obscuro das ruas protegidas pelo herói, Bendis aliaria duas de suas maiores qualidades como escritor de quadrinhos.Tim é considerado um detetive tão bom quanto o próprio Batman, e Bendis é a escolha ideal para resgatar esse conceito, que vem sendo pouco explorado nos últimos tempos.

Robin (Damian Wayne)

Por: Lucas Gonçalves

Um personagem que cairia como uma luva para Brian M. Bendis é o atual Robin, Daiman Wayne, filho de Bruce Wayne com Talia Al Ghul. Extremamente habilidoso, mas rabugento e orgulhoso, Damian é a oportunidade perfeita do Bendis não só usar seus diálogos bem humorados e inteligentes, como explorar todo o legado e a família do Batman, enriquecendo e expandindo a história do Robin criado por Grant Morrison e Andy Kubert. Outro aspecto de Damian que Bendis pode abordar é o dilema de ser o filho do Cavaleiro das Trevas e o neto de um de seus piores inimigos, o tirano Ra’s Al Ghul. Como é a vida de uma criança que foi treinada desde a infância para se tornar um guerreiro assassino e, depois, o futuro herdeiro do manto do Batman?

Besouro Azul (Jaime Reyes)

Por: Leonardo Mello de Oliveira

Jaime Reyes, o atual Besouro Azul, é um estudante de descendência mexicana que combate o crime usando uma armadura alienígena e, de quebra, conta com a ajuda de Ted Kord, um herói/cientista aposentado que já usou o título de Besouro Azul. Se você prestar atenção, verá que Jaime Reyes é quase uma junção dos últimos trabalhos do Bendis na Marvel: Homem Aranha Miles Morales, Guardiões da Galáxia e Coração de Ferro, sendo que o autor sabe como usar a seu favor temas como representatividade, heróis tecnológicos e a importância do legado. Um outro ponto a favor de Bendis no título é a volta de Ted Kord no universo DC. Mesmo não tendo indícios da existência da Liga Cômica na atual cronologia da DC, Bendis pode muito bem trazer de volta a amizade hilária de Ted com Michael Carter, o Gladiador Dourado, um dos elementos fundamentais dessa fase tão querida e engraçada. A HQ do Besouro Azul é uma ótima porta de entrada, e um belo desafio, da DC para Bendis.


Artistas reinterpretam The Spirit em tributo a Eisner

Claiton Silva

No ano que marca o centenário de Will Eisner, artistas de todo o Brasil se reuniram em uma homenagem baseada na reinterpretação de The Spirit, sua principal criação. O resultado pode ser conferido na exposição virtual 100 Spirits, organizada pelo ilustrador gaúcho Vilmar Rossi Jr.

Participam da iniciativa cartunistas, designers e ilustradores como Bira Dantas, Eduardo Vetillo, Will Sideralman, Jader Domingues Corrêa e Gilmar Fraga. A ação tem como objetivo ser um tributo à obra de Eisner através de releituras das famosas capas da revista que trazia o nome do personagem. “Ele é um dos quadrinistas mais influentes do século XX e se manterá neste patamar por muito tempo”, afirma Rossi.

Filho de imigrantes austro-húngaros, William Erwin Eisner nasceu em 06 de março de 1917, em Nova Iorque, no bairro do Brooklyn. Escritor, ilustrador, empresário, pesquisador e professor, Eisner criou The Spirit em 1940. A HQ narra a história de Denny Colt, detetive considerado morto, que vivia secretamente como um anônimo combatente do crime.

Arte: Silvia Boriani

O legado

A obra de Will Eisner ajudou a mudar a perspectiva sobre as histórias em quadrinhos, valorizando-a como arte. Foi a partir de seu trabalho que se cunhou a expressão graphic novel, que traduz de forma mais adequada o valor da HQ como peça gráfica e literária.

O Eisner-Iger Studio, fundado em parceria com o cartunista Jerry Iger em 1937, contou com a contribuição de nomes como Bob Kane (um dos criadores do Batman) e Jack Kirby, outra lenda dos quadrinhos, corresponsável pela criação do universo Marvel e idealizador do Quarto Mundo, na DC Comics?—?que apresenta personagens icônicos como Darkseid e os Novos Deuses.

O artista, falecido em 05 de janeiro de 2005, foi um dos principais responsáveis pelas histórias em quadrinhos se tornarem uma área de estudo. Para Rossi, suas aulas, transformadas em livros, abriram caminhos inexplorados das HQs como linguagem narrativa e como técnica. “As explorações narrativas de Eisner foram revolucionárias tanto na forma como no conteúdo”, salienta.

Arte: Zé Borba

Dialogando com outras realidades

Uma característica das ilustrações de Eisner era a diversificação do lettering?—?técnica de desenho de letras combinando formas projetadas e desenhadas com um propósito específico, sem o uso de tipos?—?da palavra Spirit nos títulos internos das histórias. “Esse foi um ponto bastante explorado nas reinterpretações. Nossas capas respeitam a obra original, mas dialogam com temas e acontecimentos atuais. Nesse contexto, o estilo do mestre representa um grande facilitador”, destaca Zé Borba, ilustrador porto-alegrense que assina duas obras na exposição.

Para Silvia Boriani, ilustradora italiana radicada em Curitiba (PR), a mistura de estilos em projetos artísticos colaborativos representa um processo amplo, que funciona como uma janela aberta a diferentes públicos. “Apesar do meu estilo de desenho ser diferente, a arte do Eisner sempre foi uma grande influência para mim. Adorei ter trabalhado na capa que fiz. Adaptar algo tão clássico e cartunesco a outro estilo e homenagear um mestre é bastante assustador e ao mesmo tempo excitante”, relata.

Todas as capas produzidas podem ser conferidas no blog https://100spirits.blogspot.com.br


Entrevista: Kim W. Andersson no Brasil!

Claiton Silva

Autor do bem recebido quadrinho de terror adolescente Alena, lançado aqui este ano pela AVEC Editora, o autor sueco Kim W. Andersson esteve no Brasil na última semana, e foi um dos convidados estrangeiros da 63ª Feira do Livro de Porto Alegre. O canal BlogBuster esteve presente e bateu um papo descontraído com o quadrinista, que vem ganhando destaque internacional com traduções de sua obra, além da adaptação de Alena para o cinema em 2015. Atualmente ele produz a aventura de ficção científica Astrid pela editora americana Dark Horse, que também tem planos de ser publicada no Brasil. Em entrevista ao canal, Kim fala sobre anti-heróis, Alan Moore e protagonistas femininas, confira.

Claiton: Antes de mais nada, peço desculpas pelo meu inglês Joel Santana. E parabéns, eu me diverti com o quadrinho. Gostei muito de Alena.

Kim: Antes de mais nada, eu já ouvi inglês pior. E muito obrigado.

C: Você é um cara muito legal.

K: Até agora!

C: O seu primeiro trabalho “Love Hurts”, uma série de contos. E li algumas matérias a respeito. A HQ ainda está para ser lançada no Brasil, esperamos que pela AVEC, o Artur é nosso amigo, um cara bacana. Fale um pouco sobre “Love Hurts”.

K: Quando eu comecei a produzir HQs, eu era como muitos outros quadrinistas iniciantes, queria criar um projeto de um grande épico, com centenas de páginas. Cheguei a ter um projeto desses, mas o meu mentor, Peter Snejbjerg, um quadrinista dinamarquês, que trabalhou em títulos como Batman, B.P.R.D., Preacher, um verdadeiro desenhista de quadrinhos…

C: Preacher é f…

K: É, né?

K: Ele me disse: faça quadrinhos pequenos. Essa é a única maneira de você aprender a criar histórias em quadrinhos. Você precisa terminar uma história para aprender com ela. E é muito mais fácil finalizar uma história pequena do que uma grande. Então eu finalmente o ouvi e criei essa história pequena chamada “Love Hurts”. E eu criei algumas limitações. Elas são todas romances, são todas histórias de horror e todas possuem uma reviravolta. Geralmente eu uso diferentes identidades de homens e mulheres e equidade de gênero, o que eu acho bastante interessante. Mas claro, como é uma história curta, não há como ir muito a fundo nos personagens, você tem que lançar mão de arquétipos, personagens que nós já meio que “conhecemos”.

C: E há mais liberdade. Eu posso imaginar o que quiser a respeito da história…

K: Sim, sim.

C: Recentemente eu li “A vida secreta de Londres”, que traz Neil Gaiman, Alan Moore e outros autores. Histórias pequenas que são como um soco no estômago. Qual a principal diferença entre escrever “Alena” e essas histórias mais curtas?

K: Antes de mais nada, eu fiz uma porção de histórias curtas antes de começar a fazer “Alena”, porque eu queria sentir que estava pronto para começar. É um esforço gigante produzir uma graphic novel, levas anos para construir um livro como esse.

C: Você disse. Um ano e meio apenas para desenhá-la.

K: Sim. Apenas para desenhar.

K: Mas é desenhar, arte-finalizar, colorir. É basicamente tudo após terminar o roteiro. Leva de um ano e um ano e meio. É louco, né? O que eu posso fazer em uma história grande, e não é possível fazer em uma curta, é abordar temas mais sérios. Porque você precisa ser mais cuidadoso quando aborda temas mais sérios. Você precisa respeitar e dar mais tempo a eles, pois eles são mais difíceis de trabalhar.

C: Você tem a necessidade de construí-los de uma forma mais crível.

K: Sim. Eu posso criar personagens que não são os personagens típicos em uma história. Eu posso realmente dar a eles personalidade, para que eles pareçam mais humanos.

C: Fugir dos estereótipos.

K: Sim, fugir dos estereótipos. O que eu também fiz nas minhas histórias mais curtas, porém de uma forma muito mais brutal. Eu apenas os subvertia. Desta vez, eu pude conhecer meus personagens de uma forma diferente. Dá muito mais trabalho, é claro, pois é tão mais extenso, mas você acaba trabalhado a partir de uma perspectiva mais profunda de você mesmo. São temas mais sensíveis. Eu sinto que quando crio uma história curta é mais como se divertir. E eu adoro criar essas histórias, elas são super inspiradoras. Eu fiz isso por anos, mensalmente. Elas eram publicadas em uma revista. Então, em um mês eu assisti muito a filmes de kung-fu. Eu estava tão envolvido com o tema que eu fiz uma HQ sobre kung-fu. Uma HQ que misturava romance, horror e kung-fu. No mês seguinte, eu estava muito envolvido com sereias. Então eu fiz uma HQ romântica de horror com sereias. Eu fazia algo que estava relacionado àquilo em que eu me envolvia na época. Era muito inspirador. E foi a melhor maneira para mim aprender a ficar bom nesse lance de fazer quadrinhos.

C: E tudo isso traz a você uma base de fãs estruturada a partir de meninas adolescentes. Alena foi uma HQ feita pensando nessas garotas?

K: Eu acho que a história de “Alena” vem crescendo dentro de mim há muito anos. Eu vinha meio que “escrevendo com a mão esquerda”, enquanto realizava outros projetos for muitos anos antes de decidir “Isso é o que eu vou fazer!” e, como você disse, “Love Hurts” se tornou popular entre as meninas adolescentes. E eu levei isso para o meu coração. E fiquei muito feliz com isso. Eu as encontrava em sessões de autógrafos e elas eram tão legais, tão queridas. Eu senti realmente uma conexão com essas garotas. Então foi algo como “Eu vou dar a vocês, garotas, uma história”. Mas é claro é apenas uma questão de gênero. Você irá apreciar tanto quanto elas. A história parte de mim e eu sou um homem. Apenas “vesti” os personagens como garotas. Bullies! Eu acho que essas experiências do bullying e equidade sexual ou orientação sexual é tão universal, se aplica tanto a garotas quanto a garotos. Simplesmente, gosto de desenhar garotas.

C: Focando no roteiro. Alena começa como um filme de adolescente normal. Nós temos a garota que possui um o trauma, nós temos os bullies e, como eu disse antes, de repente tudo fica insano! Como foi o processo?

K: Eu acho que uma das razões para que isso tenha ocorrido é o fato de que eu estava muito influenciado por filmes de horror, muitos filmes americanos de horror. E eu senti que, subconscientemente, eu estava tentando mesclar muito subgêneros diferentes de horror, e eu tentei usar muitos deles. Eu acho que “Alena” começa dentro de um desses subgêneros, como uma história de fantasmas, e então evolui para uma outra, numa espécie história de horror adolescente e assustadora.

C: Na verdade, teve uma hora em que eu achei que Josefin estava viva. “Eu disse a mim mesmo: Essa mina tá viva!”

K: E meio que tudo termina como um verdadeiro “splatter movie”. Como um clássico “splatter movie” dos anos 80, você lembra desses filmes…

C: Eu li em uma entrevista que afirmou que “Alena” foi como uma terapia.

K: Há muito de mim no livro. Definitivamente, eu acho que há algo meu em todos os personagens. É claro que eu nunca matei ninguém, espero que você perceba isso.

C: Eu espero que não.

K: Ainda. Hahaha!

K: São questões sobre as quais eu pensava em desenhar. Como eu mencionei, é uma história que eu tinha em mente. De um certo modo faz sentido, pois eu era muito jovem. É muito íntimo, foi muito terapêutico escrever. Quando fizemos o filme sobre o livro eu fui convidado a voltar e rever o roteiro e todo meu trabalho relacionado ao livro. Eu reli tudo e eu percebi que aquela era uma pessoa diferente daquela que eu sou hoje. Eu não conseguiria escrever esse mesmo livro hoje. E eu fico feliz com isso, porque acho que sou uma pessoa mais feliz agora do que quando eu escrevi a HQ. Foi muito terapêutico.

C: E como foi a experiência com o filme?

K: Foi fantástico, é claro. Foi um sonho se tornando realidade. Na verdade não, pois eu nunca ousei sonhar com isso. O que é louco ver acontecendo. O filme acabou sendo bem sucedido e eu pude fazer parte disso, trabalhando no roteiro, da escolha do elenco, do figurino, das locações. Eu participei de toda pré-produção e quando eles começaram a rodar, me afastei. “Esse filho é do diretor, agora. É responsabilidade dele produzir um belo filme”. E ele realmente o fez. Daniel di Grado é o nome dele. Ele fez um filme lindo, do qual eu me sinto muito orgulhoso. E eu pude estar no filme. Fiz uma pequena participação no filme, o que fui muito legal.

C: Nós dois compartilhamos uma paixão. Ambos amamos Alan Moore.

K: Sim, com certeza!

C: Eu fiquei muito feliz quando você disse isso, antes.

K: Sim, no painel.

C: Ele é o Deus dos quadrinhos. Falando nisso, qual a sua maior influência? Stephen King, Alan Moore, Sam Kieth… Quais os seus autores preferidos?

K: Eu não sei se eu possuo um favorito. Eu realmente amo Alan Moore. Adoro o fato de que ele possui um tremendo respeito pela mídia dos quadrinhos. Ele realmente a compreende. Eu acho que ele tem falado comigo através de seus quadrinhos. As possibilidades da mídia. As histórias que você pode contar através dos quadrinhos. A forma com a qual você as pode contar. A força que as HQs possuem. Isso as fazem ainda mais legais, mágicas e excitantes que os filmes, a literatura e as outras mídias. Os quadrinhos possuem sua própria força e eu penso que Alan Moore é muito bom no uso dessa força. Eu acho que quadrinistas deveriam fazer isso. Alguns quadrinhos, quando eu leio, penso: “Isso deveria ser um filme, um romance, deveria ser literatura. Por que eles fizeram uma HQ? Leva tanto tempo para fazer um quadrinho! Faça um livro!”

C: Alguns livros dele simplesmente são impossíveis de se tornar um filme.

K: Sim. Eles tentaram…

C: E eles falharam.

K: Eu não sei. Eu gostei de “Watchmen”, foi ok. Mas acho que se resume a esse. E ele odeia os filmes.

C: Todos nós odiamos.

K: Sim, sim. Hehehe!

C: Finalizando, vamos falar de “Astrid”. Uma saga espacial bizarra que eu espero poder ler em breve.

K: Sim! Acho que vamos publicar aqui no Brasil, com certeza.

C: Conte um pouco para nós sobre a trama principal.

K: É meio que uma mistura de “Love Hurts” e “Alena”. Eu quis pegar a excitação e a inspiração, sentimentos que eu tive quando criei “Love Hurts”, e queria ter a oportunidade de ir fundo nos personagens como o fiz em “Alena”. E em cima disso eu queria criar uma protagonista, Astrid, que você irá realmente gostar, alguém por quem você irá torcer. Ela não consegue as coisas facilmente, mas você quer que ela as conquiste. Ela é uma pessoa boa de verdade e isso não é algo fácil de escrever. Mas você não pode ser bom o tempo todo, isso a faria inverossímil, desagradável. É claro que ela possui defeitos, mas ela é batalhadora. Eu acho que consegui transmitir isso. Eu realmente amo Astrid. Ela se tornou um personagem que eu gosto de verdade.

C: Isso nos dá um pouco de esperança.

K: Sim. Eu acho que sim. É um personagem inspirador.

C: Nós já temos um monte de anti-heróis.

K: Sim, eu estou farto de anti-heróis. É uma coisa tão anos 90.

C: É um momento para heróis, também.

K: Eu acho que sim. E há, também, o fato de ela se uma mulher. Creio que nós precisamos uma boa heroína. Eu criei uma galáxia fantástica repleta de monstros e criaturas extraordinárias para ela e suas aventuras. Há também questões políticas. É uma galáxia de ficção cientifica muito instigante. Basicamente criei o meu próprio Star Wars, entende?

C: Cara, muito obrigado.

K: Eu que agradeço.

C: Espero que você aproveite a Feira do Livro. É um evento que nos dá orgulho.


Filmes de heróis precisam seguir fórmula ou gênero?

Não é pecado pensar nos filmes de super-herói como um gênero cinematográfico, mas ignorar outras possibilidades para lidar com estas franquias é o caminho mais rápido para que o tema caia na repetição e logo cause um enjoo nos espectadores. O gênero super-herói pode sim ser constituído nos cinemas, mas até que ponto vale se apegar a ele? A temática permite que se trabalhe em diversos gêneros, sem necessidade de se encaixotar em uma fórmula única.

Até o momento, o que se vê são filmes que seguem três caminhos claros. Um deles começou em 1978, com o Superman de Richard Donner, e mostra um herói, ou grupo de heróis, que lida com um a ameaça e precisa sair de sua zona de conforto para enfrentá-la. Essa forma seria a base de um suposto gênero de super-heróis. Já vimos ela ser flexionada em dois formatos, um deles flerta com o drama, e foi este o usado em Superman – O Filme, por isso será chamado aqui de “fórmula Donner”. Os primeiros cinco filmes do Homem-Aranha produzidos pela Sony, por exemplo, seguem esta vertente.

O segundo caminho é o flerte com o humor, que teve tentativas fracassadas em Batman Eternamente e Batman & Robin, mas que encontrou o sucesso nas incursões da Marvel Studios e, por isso, é amplamente conhecido como “fórmula Marvel”.

Já o terceiro caminho, na verdade, é um leque de múltiplos caminhos, e, por isso, não pode ser rotulado, já que se entrelaça com vários gêneros e seriam filmes com super-heróis, mas não necessariamente seguiriam as fórmulas básicas. São os casos da trilogia Batman de Christopher Nolan e de filmes como Deadpool, Logan e, ao que parece Novos Mutantes. É justamente a existência desta terceira via, e a consistência das produções que se encaixam nela, que mostra que os super-heróis não precisam ficar presos a um único gênero e, muito menos, a uma ou duas fórmulas que o integram.

Fórmula Donner

A fórmula Donner reinou absoluta até a primeira década do século 21. As tentativas dos estúdios de se distanciar dela derraparam entre as décadas de 1980 e 1990, enquanto aquelas que apostaram no desenvolvimento dos conflitos do herói foram, com mais frequência, sucessos de bilheteria. Não raramente a vida amorosa dos protagonistas na fórmula Donner é conturbada.

A identidade secreta é uma constante e, com ela, a preocupação de manter seguras aquelas pessoas que o protagonista ama. Enquanto isso, a escalada de maldades do vilão faz com que o herói coloque sua própria vida, ou identidade secreta, em risco. Por padrão, isso resulta em sofrimento e desenvolvimento dramático.

Claro que algumas produções falharam miseravelmente em seguir esta fórmula, e filmes como Demolidor, Elektra e os filmes do Homem-Aranha dirigidos por Mark Webb são exemplos disso. Atualmente o universo cinematográfico da DC Comics tem apostado novamente neste terreno com frequência. O Homem de Aço e Mulher-Maravilha seguem à risca a estrutura da fórmula Donner, com o drama em primeiro plano e o humor entrando timidamente para quebra de tensão ou para pontuar característica de personalidade de algum personagem, seja ele principal ou não. Já Batman v. Superman pode ter problemas de montagem e de roteiro, mas o básico da fórmula Donner está ali, com a ameaça que motiva cada herói e o foco, inegavelmente exagerado nesse caso, no drama.

Fórmula Marvel

Embora a Marvel não tenha inventado a roda do sucesso para os filmes de super-herói, foi ela que conseguiu lapidar a fórmula tentada pela Warner nos anos 90 e fazê-la agradável para toda a família. No meio dos absurdos cometidos pelo diretor Joel Schumacher nos filmes do Batman, era clara a intenção de trazer a diversão para o universo dos heróis. Época errada, personagem errado, dose errada e piadas erradas, mas ainda assim uma tentativa válida. A existência destes filmes de Schumacher serviu para que Fox, Sony e Warner evitassem a proximidade demasiada de suas franquias com o humor.

Já a Marvel, por outro lado, preferiu não se intimidar e se aventurou lançando Homem de Ferro com muito humor na fórmula, mas um humor melhor distribuído e com piadas que funcionavam e eram verossímeis. Vale pontuar, no entanto, que no mesmo ano a mesma Marvel lançou O Incrível Hulk, totalmente calcado na fórmula Donner. A empresa conhecia os riscos de se aventurar em uma fórmula que já tinha sido rejeitada nos filmes do Batman e, possivelmente por isso, resolveu arriscar apenas em uma das produções. Claro que os absurdos estéticos e de diálogos dos filmes de Schumacher nunca foram seguidos pela Marvel, a semelhança está apenas na intenção de se fazer humor dentro do embate herói versus vilão.

De 2008 a 2017 a Marvel raramente se afastou de sua fórmula, o que garantiu muitos sucessos de bilheteria e uma consolidação de marca. Essa consolidação é tamanha que permitiria ao estúdio arriscar em outros formatos com certa frequência, mas até agora só vimos uma desviada de curso em Capitão América – Soldado Invernal, que se aproximou da fórmula Donner. No entanto, a preferência tem sido pisar em terreno conhecido e até mesmo personagens que, em essência, clamam por uma abordagem dramática, acabam ganhando um tom leve e, às vezes, cômico. Quem imaginaria uma abordagem bem humorada do Thor ou do Doutor Estranho em alguma mídia antes da implementação da fórmula Marvel?

Paralelamente, quem se aventurou a produzir filmes tentando seguir a fórmula Marvel fora da Marvel Studios até agora só cometeu gafes. Motoqueiro Fantasma 2, da Sony, beira o abismo (ou talvez caia nele) com suas tentativas falhas de piadas. A DC tentou duas vezes, com Lanterna Verde e depois com Esquadrão Suicida e é quase impossível determinar qual dos dois falhou mais.

Terceira via

A terceira via, que consiste basicamente em não enquadrar o filme em um “gênero super-herói” e sim buscar fórmulas estruturais de outros gêneros para produzir um conteúdo com super-heróis também começou falha. Superman 3 nada mais era do que uma comédia de Richard Pryor, com um super-herói. Só que se a fórmula Marvel permite que elementos de humor sejam incorporados em qualquer herói, desde que as piadas funcionem, não é bem assim quando se tenta incorporar o herói em um outro gênero, seja ele de comédia ou qualquer outro. Uma comédia do Superman não consegue ser nada além de ridícula, afinal, consiste em satirizar um personagem tradicionalmente sério. Só que a mesma estratégia, com o personagem correto inserido no gênero correto, pode render ótimos filmes.

A trilogia Batman de Christopher Nolan absolutamente abandona a necessidade de mostrar um filme de super-herói e se foca na estrutura de outros gênrros. Batman Begins é um filme policial que foca no combate à máfia e à banda podre da própria corporação, enquanto naquela Gotham City um herói surge, e luta com um vilão que vê a podridão da cidade como algo irreversível. A vitória de Batman não resolve os problemas apresentados no filme, apenas dá a Gordon a chance de seguir a limpeza da polícia e da cidade. Em O Cavaleiro das Trevas mais uma vez vemos um filme policial, focado dessa vez no lado humano do tira que quer se aposentar (Bruce Wayne) para viver um grande amor e no tira que quer assumir a limpeza da cidade (Harvey Dent), enquanto nenhum dos dois está preparado para enfrentar um mal diferente (Coringa). No fim, ambos pagam caro por quererem assumir um papel que não podem. O Cavaleiro das Trevas Ressurge, então, é um filme sobre como uma lenda pode inspirar um povo a conquistar a liberdade. Poderia ser um filme do Rei Arthur, mas, por acaso, é do Batman.

A Fox acertou em cheio duas vezes na inserção de heróis em outros gêneros. Deadpool é uma comédia e uma grande comédia sobre… super-heróis. O personagem sempre teve uma veia cômica e a sua tendência a quebrar a quarta parede possibilitou um filme que está para os super-heróis como Todo Mundo em Pânico está para o terror. Até mesmo a grande batalha final é uma paródia de outros filmes. A própria escolha do ator Ryan Reynolds leva a piadas sobre suas participações terríveis em filmes anteriores de super-heróis. Deadpool + Ryan Reynolds eram os elementos perfeitos para uma comédia.

Já no segundo acerto, a Fox trabalhou todo o marketing de Logan como um filme de estrada e entregou algo além disso. O que foi entregue nas telas misturou o que já se podia prever pelos trailers com um clima de western futurista e rendeu possivelmente o melhor filme com heróis de 2018. No caso de Logan vale pontuar que o estúdio poderia ter ousado mais. A inserção de uma batalha final com um vilão sem personalidade, típica dos filmes de super-herói, não era realmente necessária, embora não estrague o filme e nem o encaixote no “gênero super-herói”.

Às vezes para se marcar a inserção em um gênero é necessário ser justamente genérico, já nos materiais de divulgação, que incluem cartazes e trailers. Quem acusa Thor Ragnarok de parecer uma comédia pastelão nos trailers ou Novos Mutantes de ter um “trailer genérico de terror”, só está constatando as marcas que os estúdios quiseram evidenciar. A Marvel parece, pela primeira vez, estar indo além do gênero super-herói e abraçando o gênero comédia. Enquanto isso, a Fox segue suas experimentações e faz questão de deixar isso evidente quando lança o trailer dos mutantes mais jovens em uma sexta-feira 13, abusando dos clichês do gênero terror.

Afinal, super-herói é gênero?

Como tentei deixar claro no decorrer de todo este texto e resumo aqui, super-herói pode ser um gênero e dentro deste gênero cabem seus clichês e suas fórmulas. No entanto, este pode ser o caminho mais curto para uma saturação. O que acredito é que sim, em poucas décadas, talvez até menos de uma década, as fórmulas estarão desgastadas e veremos muito mais filmes de outros gêneros com super-heróis do que vemos hoje. Se os estúdios insistirem nas fórmulas, o risco real é de uma diminuição drástica do número de filmes, devido à saturação. Isso já aconteceu antes, quando o western se focava basicamente em mocinho versus bandido ou caubóis versus índios, em um cenário rico que poderia ter abrigado infinitos gêneros. O encaixotamento dos super-heróis em um gênero próprio é artificial, já que com eles é possível operar em qualquer tipo de história e isso já foi provado recentemente pelos exemplos citados.


Dark Nights: Metal – Quem são os Gaviões da DC Comics?

Desde maio de 2016, com o lançamento de DC Universe Rebirth #1, a DC Comics implanta em sua linha de quadrinhos a retomada de conceitos e personagens clássicos que foram abandonados ou simplesmente ignorados com o reboot dos Novos 52, de 2011. Vários deles têm aparecido aqui e ali em diferentes títulos, e muitos que foram prometidos pelo editorial aguardam o momento de seu retorno. Apesar de não estar ligada diretamente à trama principal da iniciativa Renascimento, a saga atualmente em publicação Dark Nights: Metal, de Scott Snyder e Greg Capullo, está catapultando de volta aos holofotes dezenas dessas ideias que ainda não haviam sido exploradas na cronologia atual. Nesta série de artigos, explicamos cada uma delas, seu histórico dentro da editora e o papel que desempenham no novo evento.

Gavião Negro e Mulher-Gavião

Dark Nights: Metal inicia dando foco para os personagens e resgatando os conceitos originais de reencarnações e mantendo a origem estipulada por Geoff Johns e David Goyer. Ainda não foram totalmente explicados os papéis de ambos dentro da saga ou se há alguma relação entre Carter Hall e o Katar Hol do universo dos Novos 52, que morreu recentemente na minissérie The Death of Hawkman. Metal coloca Carter como um explorador, com ligação com as tribos primordiais da humanidade e com uma espécie de seita que reúne alguns dos personagens imortais da DC Comics. Além disso, Snyder e Capullo trazem de volta outros conceitos perdidos junto com o retorno dos Gaviões, como os Desafiadores do Desconhecido, os Falcões Negros, o Tornado Vermelho e o Homem Borracha. Sabe-se que, atualmente, Carter está perdido no Dark Multiverse, depois de liderar uma expedição para explorar o universo de matéria negra.

Kendra Saunders, estabelecida como a Mulher-Gavião na fase de Johns e Snyder, também retornou em Metal, dessa vez como líder do Esquadrão dos Falcões Negros, a Lady Falcão Negro. Ela é a atual reencarnação de Chay-Ara e lidera uma missão para impedir que o Batman seja usado pelo demônio Barbatos como um portal para que ele seja libertado do Dark Multiverse.

Com certeza, Metal ainda vai trazer novas possibilidades para os Gaviões e sua mitologia. Mais respostas para os mistérios dos dois heróis devem vir com o one-shot Hawkman Found #1, que chega em  20 de dezembro com roteiros de Jeff Lemire e arte de Bryan Hitch e Kevin Nowlan.

Mas para entender a importância destes personagens no Universo DC, é preciso mergulhar nas suas trajetórias. Os Gaviões têm origens muitas vezes contraditórias, que acabaram embasando uma rica mitologia que envolve viagens planetárias, egito antigo e reencarnações.

Mitologia complexa

Criados por um dos nomes mais importantes dos quadrinhos, o roteirista Gardner Fox, o Gavião Negro e a Mulher-Gavião foram dois importantes personagens da Era de Ouro, com papeis centrais dentro da Sociedade da Justiça da América. Nesta primeira encarnação, o casal de heróis alados era formado por Carter Hall e Shiera Sanders, que descobrem ser a reencarnação dos príncipes egípcios Khufu e Chay-Ara. Khufu e Chay-Ara foram mortos pelo sacerdote maligno Hath-Set com uma adaga de Metal Enésimo, o que fez com ficassem presos em um eterno ciclo de reencarnações. Carter e Shiera utilizam o Metal Enésimo como material para os seus cintos, o que lhes dá a habilidade de voar e atuar como Gavião Negro e Mulher-Gavião.

Quando a DC decidiu reformular vários dos heróis da Era de Ouro para a Era de Prata, Gardner Fox criou uma nova origem para os personagens. Agora, o Gavião Negro era Katar Hol, um policial do planeta Thanagar que veio para a Terra atrás do criminoso Byth Rok. Fascinado pelo nosso mundo, Katar se muda para a cidade de Midway City com sua esposa, Shayera, adota o nome de Carter Hall e vira o curador do museu da cidade. Utilizando suas habilidades de policial e o equipamento Thanagariano, como o cinto de anti-gravidade feito de Metal Nth, os dois se tornam os heróis Gavião Negro e Mulher-Gavião, membros valorosos da Liga da Justiça. Agora, o casal de heróis apresentado na Era de Ouro vivia na Terra 2, enquanto os reformulados habitavam a Terra 1.

O que fez com o Gavião Negro se tornasse um dos personagens com uma das cronologias mais bagunçadas já vistas foi o estabelecimento da extinção das Terras paralelas com a chegada da Crise nas Infinitas Terras. A partir daí, por um longo período, não se conseguiu firmar uma cronologia sólida para o Gavião, sendo que, a cada retcon que era contado, mais sua história ficava confusa. Apesar dessa fase cobrir um elogiado run do roteirista e artista Timothy Truman à frente do personagem, não vale a pena mencionar todos os remendos cronológicos que foram sendo feitos até o papel do Gavião Negro dentro da história da DC ser finalmente estabelecido, no início dos anos 2000.

Com a história O Retorno do Gavião Negro, escrita por Geoff Johns e David S. Goyer dentro da revista da SJA, o casal de Gaviões recebeu uma cronologia definitiva. Khufu e Chay-Ara entraram em contato com o Metal Nth através de uma nave thagariana que havia caído no Egito Antigo. Além disso, agora Carter e Shiera foram os Gaviões que integraram a Liga da Justiça originalmente. Ambos ficaram presos na dimensão do Limbo junto dos demais membros da Sociedade da Justiça por um período. Neste meio tempo, dois novos casais ocuparam os mantos: o espião híbrido humano/thagariano Fel Andar e a terráquea Sharon Parker, e os policiais de Thanagar Katar Hol e Shayera Thal. Carter e Shiera voltaram do Limbo, mas durante os eventos da saga Zero Hora acabaram morrendo. A alma de Carter se fundiu com a de Katar Hol, o Gavião Negro da época, para formar o avatar do Deus Gavião, uma entidade extradimensional. No entanto, o poder foi demais para Katar, que perdeu o controle e acabou banido para o Limbo depois de virar uma ameaça à Terra.

A alma de Shiera foi habitar o corpo de Kendra Saunders, neta do seu primo Speed Saunders, no momento em que a jovem tentou suicídio. No entanto, Shiera continuou acreditando que era Kendra, mantendo as memórias da garota. Speed de certa forma reconheceu a mudança de Kendra e a influenciou para que se tornasse a nova Mulher-Gavião. Kendra só descobre sua conexão com Shiera depois de ser levada a Thanagar por uma ordem de sacerdotes que buscam um campeão para derrotar o ditador tirânico Onimar Synn. Sabendo do laço da nova Mulher-Gavião com Carter Hall, eles a utilizam para reviver o Gavião original, que retorna do Limbo, agora retendo algumas características de Katar Hol, como o cabelo preto. Carter retoma o manto e volta a ser um membro crucial da SJA, além de reatar sua relação com Shiera, apesar da mesma não reter as memórias das vidas passadas dos dois.

Depois de mais uma rodada de mortes e ressurreições, ocorridas durante a saga A Noite Mais Densa, os gaviões retornam e, desta vez, Shiera volta com plena noção de seu amor por Carter e não se reconhece mais como Kendra. No entanto, a felicidade dos dois dura pouco. Na saga O Dia Mais Claro, Shiera morre mais uma vez e não retorna até o reboot da cronologia da editora, ocorrido pouco depois.

Com a chegada dos Novos 52, todo o conceito de reencarnações e a conexão com o Egito Antigo foram esquecidos. O Gavião Negro agora era novamente Katar Hol, um policial do planeta Thanagar. Shayera Thal agora era uma princesa thanagariana, sem conexões com o manto de Mulher-Gavião. Na Terra-2, uma nova versão da Mulher-Gavião foi apresentada, dessa vez encarnada por uma nova Kendra Saunders, também sem ligação com a mitologia original dos Gaviões. Com a morte de Katar, o encerramento da série da Terra-2, e os recentes acontecimentos de Dark Nights: Metal, o futuro destas versões, assim como de grande parte da cronologia da fase Novos 52, é incerto.

 


Redação Multiverso é o site colaborativo de produção de conteúdo sobre quadrinhos
da Produtora Multiverso, em uma iniciativa paralela e complementar à realização da
ComicCON RS – principal convenção de quadrinhos e cultura pop do Rio Grande do Sul.