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O que Bendis pode fazer pelos jovens heróis da DC?

Com o anúncio da entrada de Bendis na equipe criativa da DC Comics, depois de mais de 17 anos como um dos principais roteiristas da Marvel, rapidamente começaram as especulações a respeito de quais títulos ele pode assumir em sua nova casa. Logicamente os mais ventilados são os mais populares, que ficam entre Liga da Justiça, Superman, Mulher-Maravilha e, o mais especulado: Batman. No entanto, o repertório de histórias de Bendis permite que se pense nele atuando em outros cantos do Universo DC, especialmente quando o assunto são heróis jovens, algo que ele já mostrou que domina na concorrência.

A equipe do Redação Multiverso listou as principais franquias de jovens heróis que podem ser revitalizadas por Bendis. Aliás, é curioso notar que, na lista, a vontade de ver o roteirista atuando no universo do Batman prevaleceu, uma vez que mais da metade dos títulos listados são protagonizados por algum Robin.

Superboy (Kon-El)

Por: Émerson Vasconcelos

Embora o posto de Superboy atualmente esteja ocupado pelo filho do Superman, Jonathan Kent, a DC Comics vem reintroduzindo o conceito do clone Kon-El, que ocupou o manto a partir da década de 1990 e foi peça fundamental tanto na Justiça Jovem de Peter David quanto nos Novos Titãs de Geoff Johns. Atualmente o clone é considerado um personagem que sumiu da cronologia, desde que uma versão futura de Tim Drake chegou ao presente e percebeu que Kon não era lembrado por ninguém. Mesmo assim, a simples menção do jovem herói reascendeu as esperanças dos fãs, que esperam pelo seu ressurgimento desde o início da fase Renascimento. Com o anúncio de Bendis na DC é fácil imaginá-lo assumindo os roteiros de um título solo do jovem herói, que sempre teve um elenco de apoio adolescente e interações muito similares às que o roteirista desenvolveu para Peter Parker começo de Ultimate Spider-Man. A fase de Jeff Lemire no título do Superboy, e o período em que Geoff Johns explorou seus conflitos internos, por ser clone de Superman e Lex Luthor ao mesmo tempo, são sólidas bases para que Bendis possa fazer o que sempre fez de melhor em HQs protagonizadas por jovens heróis.

Justiça Jovem

Por: Émerson Vasconcelos

A equipe que reunia os jovens heróis da DC Comics no final da década de 1990, em uma série desenhada por Todd Nauck e escrita por Peter David, jamais foi esquecida pelos fãs, sendo lembrada com carinho mesmo após sua dissolução em 2005. Prova disso é que a animação baseada na equipe vai ganhar sua terceira temporada, após um longo hiato. Com a DC Enterteinment resgatando o time na versão animada não seria surpresa se ela recuperasse também seu espaço nas HQs. O tom leve, com personagens carismáticos e muitas vezes voltados ao humor lembra a dinâmica que Bendis estabeleceu para sua versão dos Guardiões da Galáxia. Somando esta experiência à já citada maestria do roteirista para tratar de jovens heróis, o escritor seria uma escolha perfeita para reestruturar a equipe.

Titãs

Por: Jonathan Nunes

Depois da mais recente fase de Bendis nos Jovens X-Men, imaginar o roteirista guiando uma nova fase do mais famoso grupo jovem da DC Comics não seria algo surpreendente. Além disso, a revitalização que Bendis promoveu em personagens clássicos da Marvel, vista no universo Ultimate da editora, talvez seja exatamente o que os Titãs precisam para voltar a ter destaque em novas e grandiosas aventuras, visto que os títulos protagonizados pelos jovens heróis não tem sido, nem de longe, o mesmo sucesso de público e crítica que costumavam ser antes da fase Novos 52.

Asa Noturna

Por: Jonathan Nunes

É provável que entre todos os Robins que já permearam as revistas do Batman, Dick Grayson seja o que mais fez sucesso entre o público tanto como o garoto prodígio, quanto com a identidade heroica que veio a assumir na luta solo ao crime, Asa Noturna. Porém, talvez o que ainda falte para o vigilante sejam histórias com mais profundidade e consequências, dois fundamentos que já foram vistos em diversos trabalhos de Bendis ao logo de sua trajetória nos quadrinhos. Histórias como Powers, e a própria fase do Demolidor e do Cavaleiro da Lua na Marvel, são bons exemplos disso. Ver Bendis explorando a persona de Dick Grayson em todas as suas facetas, pode ser a receita certa para um grande clássico do personagem – ainda mais se a parceria com Alex Maleev se repetir em um possível título vindouro.

Flash (Wally West)

Por: Leonardo Mello de Oliveira

Wally West se consolidou como o Flash definitivo para muitos fãs através da lendária fase de Mark Waid à frente do personagem nos anos 90. Muito disso se deu devido à personalidade carismática de Wally desenvolvida por Waid, mostrando um herói de legado que vai crescendo aos poucos. Bendis tem trabalhado com personagens de legado ultimamente, com suas criações próprias Miles Morales (Homem-Aranha) e Riri Willians (Ironheart), e mostrou que tem domínio sobre narrativas que envolvem o amadurecimento dos protagonistas. Além disso, Bendis consegue construir personagens jovens e carismáticos, que ganham o coração do público. Uma revista solo do Wally clássico nas mãos do escritor seria a oportunidade ideal de desenvolver melhor o novo Flash dentro do atual universo DC, além de apresentá-lo para uma nova geração de leitores e desenvolver toda a capacidade de um dos heróis mais adorados pelos leitores.

Robin Vermelho

Por: Leonardo Mello de Oliveira

Sendo o Robin preferido de muitos fãs e ganhando cada vez mais destaque dentro da trama maior do Universo DC, Tim Drake sem dúvida carregaria sem problemas uma revista própria com aventuras solo. Bendis tem experiência com heróis adolescentes  e geniais, visto sua larga fase à frente do Homem-Aranha Ultimate. Aliado a isso, sua capacidade em escrever histórias urbanas e de detetive como poucos, provada em obras como Alias e Demolidor, seria perfeita para desenvolver todo o potencial narrativo do Robin Vermelho. Focando de um lado nas tramas e dúvidas do lado jovem de Tim e de outro no lado obscuro das ruas protegidas pelo herói, Bendis aliaria duas de suas maiores qualidades como escritor de quadrinhos.Tim é considerado um detetive tão bom quanto o próprio Batman, e Bendis é a escolha ideal para resgatar esse conceito, que vem sendo pouco explorado nos últimos tempos.

Robin (Damian Wayne)

Por: Lucas Gonçalves

Um personagem que cairia como uma luva para Brian M. Bendis é o atual Robin, Daiman Wayne, filho de Bruce Wayne com Talia Al Ghul. Extremamente habilidoso, mas rabugento e orgulhoso, Damian é a oportunidade perfeita do Bendis não só usar seus diálogos bem humorados e inteligentes, como explorar todo o legado e a família do Batman, enriquecendo e expandindo a história do Robin criado por Grant Morrison e Andy Kubert. Outro aspecto de Damian que Bendis pode abordar é o dilema de ser o filho do Cavaleiro das Trevas e o neto de um de seus piores inimigos, o tirano Ra’s Al Ghul. Como é a vida de uma criança que foi treinada desde a infância para se tornar um guerreiro assassino e, depois, o futuro herdeiro do manto do Batman?

Besouro Azul (Jaime Reyes)

Por: Leonardo Mello de Oliveira

Jaime Reyes, o atual Besouro Azul, é um estudante de descendência mexicana que combate o crime usando uma armadura alienígena e, de quebra, conta com a ajuda de Ted Kord, um herói/cientista aposentado que já usou o título de Besouro Azul. Se você prestar atenção, verá que Jaime Reyes é quase uma junção dos últimos trabalhos do Bendis na Marvel: Homem Aranha Miles Morales, Guardiões da Galáxia e Coração de Ferro, sendo que o autor sabe como usar a seu favor temas como representatividade, heróis tecnológicos e a importância do legado. Um outro ponto a favor de Bendis no título é a volta de Ted Kord no universo DC. Mesmo não tendo indícios da existência da Liga Cômica na atual cronologia da DC, Bendis pode muito bem trazer de volta a amizade hilária de Ted com Michael Carter, o Gladiador Dourado, um dos elementos fundamentais dessa fase tão querida e engraçada. A HQ do Besouro Azul é uma ótima porta de entrada, e um belo desafio, da DC para Bendis.

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