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Os filmes de heróis atingiram nossas expectativas em 2017?

No começo do ano reunimos a equipe a equipe do Redação Multiverso em um artigo para falar sobre as expectativas para as produções baseadas em super-heróis que chegariam aos cinemas neste ano. Agora que todos os sete filmes foram lançados, os mesmos colaboradores retornam para apontar suas impressões sobre Lego Batman, Logan, Guardiões da Galáxia Vol. 2, Mulher-Maravilha, Homem-Aranha: De Volta ao Lar, Thor: Ragnarok e Liga da Justiça. Os filmes estão listados por ordem de lançamento.

Fevereiro: Lego Batman

por Émerson Vasconcelos

Lego Batman foi uma grata surpresa logo no início de 2017, se firmando como o primeiro grande sucesso da DC Entertainment no ano. Embora quase tenha passado batida pelos fãs habituais de filmes de heróis antes do lançamento, a animação alcançou a aprovação da crítica e agradou a maior parte do público. O Batman apresentado originalmente no filme Uma Aventura Lego ganhou todo um ambiente próprio, com direito a aliados e vilões, apresentados em versões caricatas, mas que brincam justamente com características facilmente reconhecidas nestes personagens. Só que depois de estabelecer um universo de paródia para o Homem Morcego, o filme vai além e, de forma caótica, mistura elementos das mais variadas franquias da Warner à trama. E isso garante diversão em um nível que nenhum outro filme de herói conseguiu entregar no ano. Quer ver Voldemort e Coringa lutando lado a lado? Não perca tempo, Batman Lego é para você, assista. Para mim, de todos que chegaram aos cinemas, é o melhor filme com heróis lançado neste ano.

Março: Logan

por Marina de Campos

Ainda é cedo pra dizer se Logan vai entrar pro hall dos melhores do gênero, mas já dá pra afirmar que ele é o filme de herói que todos concordaram ser um acerto em 2017. Uma história honesta e concisa, que se distancia do clichê de destruir ou salvar o mundo para falar de pessoas, suas relações, seus traumas e os pequenos atos de coragem que dão sentido a toda uma vida.

Belo e triste como deve ser esse misto de western e road movie para lugar nenhum, Logan é uma despedida à altura da entrega de Hugh Jackman ao papel por tantos anos, que junto com o diretor James Mangold bancou o risco de um filme diferente, do jeito que imaginavam. Visual sujo, trilha sonora autêntica, mais silêncios e expressões e menos explicações, violência e perdas duras assim como na vida real – nada muito comum em Hollywood ultimamente.

Entre pontos altos e baixos, a atuação de Dafne Kneen como Laura é fascinante e entrega ainda mais do que o esperado, representando um fio de esperança para preencher o vazio deixado por Wolverine, enquanto que a inserção de um determinado vilão – único ponto de maior discórdia entre os fãs – é mesmo uma escolha duvidosa que destoa, mas não compromete o conjunto. No fim Logan consegue algo raro: ser reconhecido como uma boa adaptação dos quadrinhos, mas também como um bom filme mesmo fora do gênero.

Abril: Guardiões da Galáxia Vol. 2

por Lucas Gonçalves

Guardiões da Galáxia Vol. 2, que teve crítica escrita pelo Jonathan Nunes aqui no Redação Multiverso, foi um dos filmes mais esperados do ano, e a cada novo trailer, foto, notícia, os fãs ficavam mais e mais ansiosos com a promessa do novo longa dirigido pelo James Gunn. Não foi nenhuma surpresa o filme ter alcançado o sucesso, ganhado mais fãs e consolidado o grupo no grande escalão da Marvel, mas, infelizmente, o a produção peca no seu principal elemento: o humor. Isso quer dizer que o filme é ruim? Longe disso, Guardiões da Galáxia Vol. 2 conseguiu se superar com louvor visualmente e, principalmente, na trilha sonora , coisa que por si só já é algo memorável.

Além disso, James Gunn expande de forma orgânica e criativa o universo galáctico da Marvel, mas o único problema grave é a forma como o filme insere suas piadas. Toda ação gera um momento cômico, o que tira, em certas cenas, toda a carga dramática do momento. Não é nada fácil superar o sucesso que foi o primeiro GdG, mas se Gunn e sua equipe balancearem melhor os momentos de drama e de comédia, acredito que os próximos Guardiões da Galáxia poderão ser comparados à franquia Star Wars.

Junho: Mulher-Maravilha

por Guilherme Wunder

Talvez este longa tenha sido a única unanimidade da DC Comics em todo o seu universo até agora. Talvez não, ele foi mesmo. Apesar de não ser um filme perfeito, a produção da Warner finalmente entregou tudo o que os fãs queriam, sem tirar e nem por. Obviamente a obra não é perfeita e tem alguns problemas, seja na computação gráfica ou na construção de seu vilão.

Entretanto, pela primeira vez desde que lançou o seu universo, a DC conseguiu construir um filme coeso, mesclando muito bem os dramas com as brincadeiras e apresentando a personagem que queríamos ver. Ao meu ver, Gal Gadot entrega a Mulher-Maravilha definitiva. Isso indo contra as perspectivas e desconfianças existentes sobre a atuação da israelense. Além disso, o filme é um marco para os movimentos feministas, pois apresenta uma protagonista feminina forte e foi dirigido por uma mulher.

Julho: Homem-Aranha: De Volta ao Lar

por Leonardo Mello de Oliveira

Homem-Aranha: De Volta ao Lar conseguiu uma proeza que a franquia de filmes anterior, O Espetacular Homem-Aranha, fracassou magistralmente em atingir e a primeira trilogia de Sam Raimi nem sequer tentou fazer: apresentar um Homem-Aranha para uma nova geração com a cara de uma nova geração. O herói mostrado no filme podia ter modificações, estar tecnológico demais, mas sua essência adolescente estava lá, de uma forma atual, para que os jovens de hoje se sentissem mais representados.

E Homem-Aranha não é sobre isso mesmo, representação? Não há como não se sentir cativado pelos conflitos do Peter Parker de Tom Holland, que o interpretou com uma paixão notável, e pelo elenco de coadjuvante da escola, dignos de John Hughes. Além disso, a Marvel Studios nos apresentou um de seus melhores vilões com o Abutre de Michael Keaton, um personagem com bem mais camadas que sua contraparte nos quadrinhos, que permitiu o florescimento da característica essenciais do Cabeça de Teia: a responsabilidade acima de qualquer coisa. Uma história divertida, com reviravoltas e conflitos constantes, como uma boa história do Aranha deve ser.

Novembro: Thor Ragnarok

por Jonathan Nunes

As primeiras peças promocionais e trailers do terceiro longa do Deus do Trovão animaram o grande público de maneira quase unânime. A fotografia do filme e a direção de Taika Waititi prometiam um dos melhores filmes já produzidos pela casa das ideias no cinema, repleto de menções aos clássicos visuais de Jack Kirby. Porém, apesar de Thor: Ragnarok ser sem dúvida o melhor filme do herói nórdico da Marvel, o longa acaba se perdendo em um senso de humor que por vezes pesa na mão e pende ao exagero, deixando a trama sem a profundidade que necessita na hora em que o drama se apresenta. Thor: Ragnarok, como apontei na crítica que escrevi, no fim das contas acabou se mostrando um bom filme, que acabou perdendo a chance de ser ótimo.

Novembro: Liga da Justiça

por Émerson Vasconcelos

Um sinal claro de correção de curso do universo cinematográfico da DC, Liga da Justiça conseguiu agradar à maioria dos espectadores, embora tenha dividido a crítica. Apesar de ter sido avaliado como positivo por mais críticos quando comparado a Esquadrão Suicida e Batman v. Superman, segundo o agregador Rotten Tomatoes, o filme está longe de ser uma unanimidade para os analistas. Mesmo assim, a boa avaliação do público, exposta pelo mesmo site,  mostra que as críticas não afetaram a opinião dos fãs. No entanto, a baixa bilheteria (menos de 100 milhões de dólares nos Estados Unidos no final de semana de estreia) pode ter sido causada pelo marketing confuso que precedeu o lançamento do filme. Seria imprudente culpar a crítica, uma vez que a maioria das pessoas que assistiram avaliaram positivamente e que os filmes anteriores foram massacrados pelos críticos, e mesmo assim alcançaram números muito melhores.

Fato é que faltou Superman na divulgação para evitar um spoiler do qual todos já sabiam. Ter um ícone deste peso e não usar pode ter sido fatal para a divulgação. No saldo, como apontei na crítica que escrevi sobre o filme, Liga da Justiça é muito bom e estabelece caminhos para futuros filmes. Atingiu as minhas expectativas, mas, infelizmente, até o fechamento deste texto, ainda estava longe de atingir às expectativas financeiras da Warner, o que pode selar o destino da franquia e de todo o universo DC nos cinemas. Cruzemos os dedos!

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