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O que define um super-herói enquanto personagem?

As histórias de super-heróis possuem características em comum que possibilitam agrupá-las em um gênero narrativo próprio. Isto é, para um conjunto de histórias poder adquirir status (capital simbólico, reconhecimento público, etc.) e independência suficiente, ele precisa satisfazer alguns critérios estipulados pela comunidade especializada, a saber: possuir uma pré-história, um ciclo evolutivo e características primárias exclusivas. Além disso, dentro do seio de uma comunidade (de pessoas leitoras/consumidoras, produtoras), esse conjunto de histórias precisa ser nomeado como tal e as suas características primárias precisam estar suficientemente enraizadas de modo a permitir a imitação, a repetição e a paródia. Essas questões já foram abordadas em outra ocasião (leia aqui). Subtraindo essas questões, resta perguntar: quais são as características primárias exclusivas nas histórias de super-heróis?

O gênero do super-herói está, assim como o gênero policial, vinculado ao super-herói enquanto personagem. Isto é, para se identificar as características do gênero do super-herói, importa, antes, definir o que (ou quem) é um super-herói.

Algumas definições

De acordo com Nildo Viana, em seu livro Heróis e Super-heróis no Mundo dos Quadrinhos, “heróis possuem habilidades excepcionais mas humanamente possíveis enquanto que os super-heróis possuem habilidades sobre-humanas”.

Já para Will Eisner, em seu livro Narrativas Gráficas, define o super-herói como “[…] um estereótipo dos quadrinhos inerente à cultura americana. Vestido com uma roupa derivada da clássica vestimenta dos homens fortes dos circos, ele é adotado em histórias que enfocam vingança e perseguição. Esse tipo de herói geralmente tem poderes super-humanos que limitam as possibilidades do roteiro. Como ícone, ele satisfaz a atração popular nacional pelo herói que vence mais por sua força do que pela malícia”.

Para Jeph Loeb e Tom Morris, em seu texto intitulado “Heróis e Super-heróis”, na coletânea “Super-heróis e a Filosofia”, definem o super-herói como “[…] um herói com poderes sobre-humanos, ou pelo menos habilidades sobre-humanas, o [sic] que se desenvolveram a um nível super-humano”.

Já Peter Coogan, no livro “Superhero genre”, elabora um conceito ao estilo de dicionário especializado: “Su*per*-*he*rói (super’ er’?j) n., pl. – róis. Um personagem heroico com uma missão pró-social altruísta; com superpoderes — habilidades extraordinárias, tecnologia avançada ou capacidades físicas, mentais ou místicas altamente desenvolvidas; que tem uma identidade de super-herói corporificada em um codinome e em uma fantasia icônica, a qual expressa tipicamente sua biografia, seu caráter, seus poderes, ou sua origem (a transformação de uma pessoa comum em um super-herói); e que é genericamente distinto, i.e. pode ser diferenciado de personagens de gêneros relacionados (fantasia, ficção científica, detetive, etc.) por uma preponderância de convenções genéricas. Frequentemente super-heróis possuem duplas identidades, sendo uma comum que é normalmente um segredo bem guardado. — super-heroico, adj.” (Tradução minha).

Portanto, as histórias de super-heróis serão histórias fantásticas sobre feitos extraordinários, realizados por pessoas extraordinárias, com uma identidade definida, heróis e heroínas, e, portanto, envolverão elementos de aventura, relacionados à “Jornada do Herói”. Além disso, há sempre de se considerar também que super-heróis são personagens “salvadores”. Logo, uma história de super-herói sempre será, em última instância, uma “história de salvação”.

Não por fim, vale ressaltar que essa história de salvação cujo protagonista é alguém super-humano é estruturalmente similar ao gênero da “aventura”, de modo que Nildo Viana, por exemplo, propõe nomear o conjunto de histórias de super-heróis como o gênero da “superaventura”. O que pode causar certa estranheza é o fato, conforme lembrou o autor no livro supracitado, de o imaginário comum associar frequentemente “aventura” com histórias que se passam na selva (talvez, por um dos primeiros expoentes do gênero ter sido Tarzan, na década de 1920). O gênero da “aventura” se caracteriza por focar em um protagonista principal, um indivíduo, o “herói” ou a “heroína”. Segundo Viana, “o gênero aventura se caracteriza pela aventura, uma narrativa seqüencial longa, realizada por um herói, um indivíduo com capacidades humanas extraordinárias (força física, atributos morais etc.), que deve realizar uma missão: lutar pela justiça”.

E, como afirmado em O alienígena e o menino, sem polemizar essa categorização, o fato é que as narrativas dos super-heróis não deixam de ser aventuras que retratam a jornada de um herói, que sustenta todos os atributos típicos do herói (força, coragem, atributos morais), mas com superpoderes. Ao conceituar o gênero como superaventura, a ênfase não recai sobre o personagem — o que não significa necessariamente que este é subtraído na trama ou que se torna menos importante para ela — mas na aventura, isto é, no desenvolvimento da história que se desenvolve, da qual o super-herói é o personagem singular. Essa ênfase é crucial, pois potencializa a percepção do enredo, das diferentes aventuras com as quais o super-herói se depara a cada nova edição ou filme, e consequentemente de como ele, naquela trama, se superará ou resolverá os conflitos emergentes, ao invés de restringir essa percepção ao personagem.

*Ilustrações do post: Michael Cho

Para saber mais

REBLIN, Iuri Andréas. O alienígena e o menino. Jundiaí: Paco Editorial, 2015. Cap. 2. Tópico 2.2.2

E também a entrevista aos Quadrinheiros disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=51MWvji5nHw


Cinco HQs para conhecer os Guardiões da Galáxia

De membros D na lista do panteão de personagens Marvel a populares astros da noite para o dia, os Guardiões da Galáxia viram o sol brilhar mais quando a Marvel Studios resolveu lhes dar uma chance no cinema em 2014. Extremamente bem adaptados pelo diretor James Gunn, Senhor das Estrelas, Gamora, Drax, Rocky Racum e Groot ganharam o coração de vários fãs, e esse mês voltaram às telas com seu segundo filme. Selecionamos cinco HQs com os personagens para quem quiser conhecer melhor a excêntrica equipe cósmica da Marvel.

Guardiões da Galáxia – Legado


Os roteiristas Dan Abnett e Andy Lanning já orquestravam um bem-sucedido universo cósmico de títulos na Marvel quando resolveram revitalizar o conceito dos Guardiões da Galáxia, inicialmente uma equipe de um futuro alternativo. Abnett e Lanning, junto ao desenhista Paul Pelletier, juntaram um improvável time de personagens para formar um esquadrão de proteção do espaço, que tinha como meta evitar que grandes catástrofes cósmicas acontecessem. Formado por Peter Quill, o Senhor das Estrelas, a equipe contava com Gamora, Drax, Rocky, Groot, Adam Warlock, Quasar (Phyla-Vell) e Mantis, além de ser auxiliada pelo cão astronauta soviético Cosmo. O primeiro arco mostra os personagens enfrentando a ameaça da Igreja da Verdade Universal, além de interagirem com os Guardiões originais Vance Astro e Águia Estelar. Em um clima divertido, com depoimentos dos personagens comentando os acontecimentos, como num reality show, foi nessa HQ que o potencial dos membtos foi desenvolvido, mostrando que antigas e obscuras criações cósmicas da editora ainda tinham fôlego para novas histórias. O primeiro arco foi publicado no Brasil três vezes, duas pela Panini em encadernados e uma pela Salvat, na Coleção Heróis Mais Poderosos da Marvel. A Panini prometeu republicá-lo mais uma vez esse ano, agora dando continuidade à fase de Abnett e Lanning, que exploraram muito mais os divertidos heróis.

Guardiões da Galáxia – Vingadores Cósmicos

Adiantando a estreia do primeiro filme, a Marvel relançou os Guardiões junto da iniciativa Marvel NOW!, em 2013. Escrito por Brian Michael Bendis e desenhado por Steve McNiven, o primeiro arco mostra o Senhor das Estrelas reagrupando a equipe, que havia se separado depois dos eventos da saga O Imperativo Thanos. Apesar de não ser uma fase tão inspirada quanto a de Abnett e Lanning, o run de Bendis conseguiu apresentar bem os Guardiões a um novo público, explorando a interação entre eles e suas personalidades conflitantes. A equipe passou a ter um papel importante dentro do Universo Marvel a partir deste período, se encontrando constantemente com outros heróis. No primeiro arco, Vingadores Cósmicos, eles recebem a visita do Homem de Ferro, que os ajuda na luta contra o pai de Peter Quill, J’Son, o imperador de Spartax. A nova fase também tratou de estabelecer a nova origem de Peter. Bendis ficou no título até recentemente, e estabeleceu vários conceitos durante esse período, como o namoro entre Peter e Kitty Pride, a inclusão de Flash Thompson como o Agente Venom na equipe, a origem alienígena do simbionte e o Vórtice Negro. A Panini está publicando a fase atualmente dentro dos encadernados da Nova Marvel e, até o momento, já lançou dois volumes.

Guardiões 3000

Apesar de terem tido relativa importância no final dos anos 70 e ganhado uma série solo de sucesso por Jim Valentino nos anos 90, os Guardiões da Galáxia originais nunca conseguiram se firmar dentro do Universo Marvel. Com a ascensão dos “Guardiões do presente”, a equipe do ano 3000 ganhou mais uma chance em 2014, pelas mãos do roteirista Dan Abnett e do desenhista Gerardo Sandoval. Na história, o time formado por Vance Astro, Yondu, Martinex, Águia Estelar e Charlie-27 se encontra numa batalha habitual contra os violentos aliens da raça Badoon. No entanto, eles percebem que algo muito mais perigoso do que a ameaça dos Badoons pode estar a caminho, algo que vai quebrar todo o tecido do tempo. Junto de Geena Drake, a humana com o destino do tempo em suas mãos, os Guardiões precisam encontrar uma maneira de parar a ameaça iminente. Abnett mais uma vez mostra suas habilidades com o universo cósmico da Marvel, criando um futuro estranho e quebrado, recriando conceitos para esse novo período, como a tecnologia Stark, a Tropa Nova e a Zona Negativa. Com a possibilidade de alguns personagens dos Guardiões originais aparecerem no novo filme, a HQ se mostra como uma divertida ficção científica para conhecê-los melhor. A HQ foi publicada aqui pela Panini em 2015, na revista mensal dos Guardiões da Galáxia.

Star-Lord – First Flight

Originalmente criado por Steve Englehart nos anos 70, Peter Quill era um astronauta que recebeu o manto de Senhor das Estrelas do Mestre do Sol, virando uma espécie de policial interplanetário. Ao longo dos anos, vários retcons foram mudando a origem e a personalidade de Quill, principalmente durante a fase de Abnett e Lanning nas HQs cósmicas, até que ficou estabelecido que o Senhor das Estrelas original de Englehart pertencia a uma realidade alternativa. Apesar de manter algumas características básicas da origem primordial, como ser filho de uma humana com um alien, os primeiros passos do novo Senhor das Estrelas foram sendo contados aos poucos. Através de um arco de 5 edições da curta revista do personagem durante a All-New, All-Different Marvel, o escritor Sam Humphries e o artista Javier Garrón mostram como Quill foi parar no espaço. Buscando inspiração nos conceitos do Senhor das Estrelas original e na origem do personagem no filme de 2014, Humphries apresenta Peter como um jovem aspirante a astronauta que trabalha como mecânico e faz-tudo na NASA. Após roubar uma nave Kree da instalação, Peter é capturado pelos Ravagers de Yondu, uma espécie de Piratas Espaciais. Assim, vemos Peter tentando provar a todos sua capacidade como piloto e até onde pode ir para alcançar o que quer. Infelizmente, a Panini ainda não publicou a HQ no Brasil, mas ela pode ser encontrada como encadernado nos sites de HQs importadas, tanto no formato físico quanto no digital.

Rocky Racum e Groot

Dois dos personagens mais carismáticos da equipe, o guaxinim Rocky Racum e a árvore Groot ganharam sua própria revista solo durante a iniciativa All-New, All-Different Marvel, em 2016. Escrito por Skottie Young e desenhado por Filipe Andrade, o título é uma comédia leve e muito divertida, mostrando as aventuras da dupla pelo espaço. O primeiro arco mostra Groot indo atrás de Rocky, que agora virou o imperador maligno Lorde Rakzum. Para isso, ele conta com a ajuda da dupla de mercenários Pocky (um rato) e Shrub (uma árvore). O texto engraçado de Young nunca se leva a sério, de modo que sempre vemos uma piada aqui e ali. A HQ rende momentos hilários, como a posição de Rocky como um imperador maldoso e mimado, além das discussões e diálogos da dupla, o que rende um bom mecanismo para a veia cômica de Rocky. A arte de Andrade consegue manter um equilíbrio entre o traço infantil e o regular, dando ênfase às expressões faciais, lembrando muito um desenho animado. Para quem curte um gibi leve e divertido, é uma ótima pedida. A HQ é publicada atualmente pela Panini, dentro da revista mensal dos Guardiões da Galáxia.


Quadrinhos têm que ser arte?

A relação entre Arte e Quadrinhos é um assunto que geralmente surge nos bate-papos, sejam digitais ou não, dos nerds que se interessam pelo assunto. Atualmente, é fato consumado que podemos chamar as histórias em quadrinhos de Arte e, a não ser que você ainda esteja vivendo no século retrasado, acorrentado em direção à parede de uma caverna iluminada por uma fogueira, contestar isso se torna um argumento empoeirado e bolorento. Mas a questão é: as HQs precisam mesmo desta carteirinha de clube das Belas Artes para se manter?

Vamos começar pelo conceito de Arte que é tão nebuloso e abrangente que entra para a lista de coisas que ninguém sabe explicar direito o que é, como as histórias do Morrison e as letras do Djavan.

Mas de uma forma um tanto grosseira, podemos cair em duas formas de definição. Uma formulação mais popular em que Arte pode se enquadrar em tudo, o problema é que sendo tudo, ela se torna nada ao mesmo tempo, um artista pode ser tanto Mozart quanto um participante do Big Brother. Portanto, creio que devemos partir para uma abordagem mais acadêmica do conceito. Nesta, Arte é tudo aquilo em que primariamente, envolve os sentidos, mexe com inconsciente, cria experimentações sensoriais, o plano da razão estaria relegado a um cantinho da sala com um chapeuzinho de burro. Concordo que é um conceito limitante, mas só com limitações podemos ter definições de algo.

Nesse espectro as histórias em quadrinhos (tirando as HQS mais experimentais) se parecem muito mais com uma peça publicitária do que com Arte. A narrativa inteligível, a fluidez do desenho, a clareza das ideias, a necessidade de uma comunicação bem-sucedida e exata (ou quase) entre autor e leitor, são características que nos trazem mais perto de uma manifestação criativa que depende muito mais do lado racional do que a tal Arte pura se pretende. Você não precisa entender Pollock para apreciar, mas precisa entender o que Rob Liefield está desenhando para… bem, você entendeu.

É claro que, levando este conceito adiante, também teríamos que tirar boa parte da literatura e do cinema do âmbito artístico e este é um dos motivos pelos quais talvez devêssemos repensar o porquê de ser tão importante que as HQs estejam neste clube nem um pouco seleto.

 

 

 

 

Quando Will Eisner deu um upgrade (ou gourmetização, segundo alguns) nos gibis denominando-os de Graphic Novels, foi uma coisa absolutamente necessária numa época em que os comics só eram vistos como coisa de criança. Mas este passo importante já foi dado, hoje em dia vivemos uma época de games, internet, cinema 3D, os tipos de manifestações criativas cada vez mais se ampliam. Talvez não precisemos mais da legitimação do carimbo de “Artes” nos quadrinhos para eles serem levados a sério.

Quadrinhos são uma das coisas mais sensacionais do mundo, são momentos em pequenos frames imortais e coloridos. Se quiser chamá-los de Arte, ótimo, mas saiba que mesmo se não forem, continuam sendo legais.

Veniet Cito.

 

Jader Domingues Corrêa é formado em Arte-Educação, trabalhou muitos anos como chargista e hoje é integrante do Dínamo Estúdio. Faz ilustrações para livros, quadrinhos e sketch cards para o mercado americano, e lançou neste ano a HQ Natureza Artificial.


25 Capas de Glenn Fabry que são obras de arte

Glenn Fabry elevou o ofício de capista a outro patamar. Algumas de suas capas são verdadeiras obras de arte, muitas vezes contrariando o sentido mais óbvio da expressão e arrancando beleza do grotesco, do sórdido e do perturbador, como poucos têm coragem de fazer.

Cultuado pelo trabalho em séries populares da Vertigo como Preacher e Hellblazer, o artista britânico possui um extenso currículo que inclui títulos como 2000 AD, Juiz Dredd, Sláine, Lugar Nenhum de Neil Gaiman, The Authority e Transmetropolitan, e até especiais de personagens tradicionais como Thor, Hulk e Batman, em sua interpretação mais ácida e sombria. Uma capa de Glenn Fabry é quase como um selo de qualidade, e uma explícita indicação de que a obra em questão leva doses de sarcasmo, agressividade, imoralidade ou qualquer um desses elementos que se aproximem do universo underground do qual ele vem e onde se sente em casa.

Em uma breve conversa com o Redação Multiverso às vésperas de sua vinda para o Brasil para a CCXP Tour em 2017, Glenn Fabry contou um pouco sobre o processo de criação das capas de Preacher ao lado Garth Ennis, Steve Dillon e o editor Stuart Moore. “Para os primeiros doze números, eu lia os roteiros e vinha com 3 ou 4 ideias diferentes, e então Garth e Stuart escolhiam seus favoritos. Às vezes algumas ideias antigas ressurgiam mais tarde, mais depois de um tempo os prazos ficaram tão apertados que Garth me ligava e explicava o que estava imaginando. Às vezes eu precisava ligar para Steve para saber como os novos personagens daquela edição se pareciam”.

Ainda que esse contato pareça simples hoje em dia, ele lembra que aqueles eram os anos 1990. “Tudo isso era feito através de uma máquina de fax, ninguém tinha um computador naquela época, era ridículo! Todo mundo estava realmente sob pressão, mas conseguimos fazer tudo funcionar no tempo certo”. Estampando todas as 66 edições de Preacher, assim como os 6 especiais, suas capas possuem tanta importância para o conjunto da obra quanto o roteiro e a arte, porque realmente ajudam a contar a história e expandir todo um imaginário cheio de elementos bizarros e ao mesmo tempo atraentes, em um estilo sujo e realista que se tornou inconfundível e eternamente vinculado ao clássico.

Sobre seguir uma forte tradição underground em sua arte, onde sexo, violência, sujeira e feiura são aceitos, e o fato desse estilo parecer perder espaço a cada dia conforme os quadrinhos vão se tornando mais populares ou “mainstream”, o britânico opina de forma bem-humorada. “Talvez! Mas pessoas ainda me pedem para fazer minhas pinturas e desenhos, graças a Deus. Eu sou o cara certo para as ‘coisas feias’, todos dizem isso – se você quiser algo grotesco, chame Glenn Fabry!”. O artista honra assim uma herança europeia com seu traço que se distancia do “belo” e do convencional e evoca diferentes sensações com atmosferas incômodas, lembrando artistas como Richard Corben e Tanino Liberatore, de Ranxerox, e o clima de publicações clássicas como Métal Hurlant e Heavy Metal.

Fabry também fala de sua expectativa sobre o Brasil e a participação na CCXP Tour neste fim de semana, em Recife, quando participa de painéis e sessões de autógrafos com o público. “Eu estou realmente ansioso para isso, nunca visitei o país antes. Foi muito legal terem me convidado! Verei todos vocês em breve”.

Para comemorar sua passagem pelo país, selecionamos 25 capas de diferentes momentos de sua carreira (resistindo à vontade de incluir todas as 66 capas de Preacher, e muitas outras mais), em uma fascinante galeria que resume a genialidade totalmente fora do padrão de Glenn Fabry.

 

Preacher

 

Hellblazer

 

Batman: Vengeance of Bane

 

Greatest Hits

 

Marvel Knights Double Shot

 

Preacher

 

Thor Vikings

 

Preacher Special: Saint of Killers

 

Hellblazer

 

Preacher

 

The Trenchcoat Brigade

 

Hellblazer

 

Preacher

 

The Authority: The Magnificent Kevin

 

Preacher

 

Predator vs Judge Dredd vs Aliens

 

Preacher

 

Hellblazer

 

Neverwhere

 

Preacher Special: One Man’s War

 

Preacher Special: Arseface

 

Transmetropolitan

 

The Incredible Hulk

 

American Gods

 

Preacher


15 HQs da Marvel que merecem republicação no Brasil

No atual mercado brasileiro de quadrinhos, é comum vermos republicações de materiais diversos e de diferentes épocas. A Marvel Comics atende por boa parte dessa fatia de republicações, de forma que é fácil compor uma biblioteca variada com encadernados nacionais. No entanto, há várias fases espetaculares de grandes heróis da Marvel que ainda não deram as caras por aqui recentemente. A seguir, selecionamos 15 títulos que agradariam os colecionadores brasileiros fãs da Casa das Ideias.

Confira também: 10 HQs da DC que merecem republicação no Brasil

Capitão América por Mark Waid

Mark Waid, junto do prolífico desenhista Ron Garney, construiu uma das melhores fases do Capitão América durante o final dos anos 90. Waid substituiu o roteirista Mark Gruenwald, responsável pelo Capitão há anos, em um período bem complicado para o personagem: Steve Rogers havia morrido devido à perda do Soro do Supersoldado, e era missão de Waid trazê-lo de volta. Para isso, o escritor resgatou a antiga parceira do Capitão, a Agente 13, Sharon Carter, e fez o herói lutar ao lado do Caveira Vermelha. A fase foi interrompida pela iniciativa Heróis Renascem, quando o Capitão sofreu um reboot e ficou a cargo de Rob Liefield. Waid se recusou a continuar escrevendo a revista, e só voltou um ano depois, quando o malfadado projeto foi cancelado. Com 43 edições, o run foi publicada aqui em Marvel 1998, Marvel 2000 e Grandes Heróis Marvel, pela Abril, além de ter ganhado um encadernado com as 10 primeiras edições de Waid e Garney, lançado pela Panini em 2009.

Homem-Aranha por Roger Stern

Um dos mais subestimados roteiristas de sua época, Roger Stern foi responsável por uma bem-sucedida fase das revistas do Homem-Aranha no início dos anos 80, que conta com aproximadamente 45 edições dos dois títulos do herói na época. Além do clássico e emocionante one-shot “O Garoto que Colecionava Homem-Aranha”, o escritor criou um novo duende para antagonizar o Teioso, o Duende Macabro, cuja identidade se tornou um grande mistério que ele não conseguiu revelar durante seu run. Anos depois, Stern voltaria ao Aranha para deixar as coisas como ele havia planejado para o vilão. Dentre os artistas que trabalharam com ele, destaca-se a participação de John Romita Jr., que continuava o legado de seu pai como desenhista do personagem e que co-criou o Duende Macabro. Stern entendeu o que fazia as histórias do personagem ficarem interessantes, resgatando vários conceitos do run de Stan Lee. A fase saiu completa no Brasil apenas pela editora Abril, na revista própria do Aranha.

Doutor Estranho por Steve Englehart

Steve Ditko e Stan Lee já haviam criado uma vasta e interessante mitologia para o Dr. Estranho nos anos 60, consolidando uma legião de fãs das HQs psicodélicas do Mago Supremo. Steve Englehart assumiu o segundo volume da revista do personagem, logo após escrever uma história polêmica do Doutor envolvendo temas religiosos em duas edições de Marvel Premiere. Englehart admitiu que utilizava drogas para criar as histórias, o que as deixava tão loucas quanto às clássicas de Ditko. O hábito não era exclusivo do escritor, visto que vários outros artistas dos anos 70 faziam o mesmo. A arte de Frank Brunner e Gene Colan é uma atração à parte, indo da característica psicodélica até a traços de terror, especialidade de Colan. Contando com cerca de 20 edições, a aclamada fase saiu por aqui em Superaventuras Marvel, da Abril, e parte dela deve ser relançada pela Coleção de Graphic Novels da Salvat ainda este ano.

Vingadores por Kurt Busiek

A fase de Kurt Busiek nos Vingadores fez parte da tentativa de retorno da Marvel após o fracasso de Heróis Renascem e sua falência no final dos anos 90. Junto de George Pérez, que o acompanhou como desenhista por boa parte do run, Busiek utilizou de seu conhecimento de quadrinhos para trazer os Vingadores de volta como uma importante equipe do Universo Marvel. Utilizando os principais heróis que fizeram a história do time e os vilões mais icônicos e ameaçadores (principalmente Ultron e Kang, o Conquistador), Busiek conseguiu dar novamente relevância aos Vingadores, abrindo caminho para o grande ápice de popularidade da equipe em Novos Vingadores, de Brian Michael Bendis. Com mais de 50 edições, entre números da série regular, anuais e minisséries, a fase foi publicada originalmente em Grandes Heróis Marvel, da editora Abril, além do arco Ultron Unlimited ter sido publicado na Coleção Heróis Mais Poderosos da Marvel, da Salvat.

X-Factor por Peter David

Peter David é conhecido por conseguir escrever grandes fases de personagens, mantendo de forma estável a qualidade do título. Já tendo escrito um longo run do segundo volume de X-Factor nos anos 90, David voltou à revista em 2005, reformulando o conceito do time e transformando-o em uma equipe investigativa, liderada por Jamie Madrox, o Homem Múltiplo. A capacidade de David de compor personagens extremamente carismáticos junto ao clima noir da HQ fez dela uma das melhores e mais adoradas versões do X-Factor, e também um respiro de novidade dentro da linha mutante. Contando com aproximadamente 60 edições, a série foi publicada originalmente no Brasil em Wolverine, X-Men e X-Men Extra, todas da Panini.

Alias por Brian Michael Bendis

(colaboração de Jonathan Nunes)

A aparição de Jessica Jones nos quadrinhos pode ser até uma interessante curva no modo como as HQs eram contadas, mas com certeza foi um divisor de águas maior ainda para a carreira de seus autores. Os roteiros recheados de intrigas e segredos envolvendo os bastidores do mundo dos super-heróis criados por Bendis, somados ao traço intuitivo e inspirado de Gaydos, fizeram da revista uma das tramas mais envolventes já produzidas pela Marvel em toda sua história. Porém, apesar dos elogios de crítica e público, Jessica Jones e sua agência de investigações tiveram apenas 28 edições publicadas nos EUA. No Brasil, a Panini publicou Alias até a edição #23 na revista Marvel Max (entre 2003 e 2005) e completou a publicação em Marvel Max Especial nº1 (2005), que apresenta as cinco edições finais da HQ com o arco Bruma Púrpura, que também foi usado como inspiração para a série protagonizada por Jessica Jones na Netflix. A Panini republicou o primeiro arco num encadernado em 2010.

Demolidor por Ann Nocenti

Depois da revolução causada por Frank Miller no título do Demolidor, havia a pergunta se alguém conseguiria alcançar o nível de qualidade do escritor com o personagem. A roteirista Ann Nocenti, apesar de pouco lembrada, conseguiu chegar perto, explorando o universo do personagem com sucesso, inclusive adicionando novos coadjuvantes icônicos, como a vilã de dupla personalidade Mary Tyfoid. Focando no lado humano e no papel do Demolidor dentro da comunidade da Cozinha do Inferno, além de desenvolver os personagens a um nível psicológico intenso, Nocenti lida com o herói com maestria. Além disso, foi nesse período que John Romita Jr. começou a estilizar cada vez mais sua arte, desenvolvendo o estilo característico que conhecemos hoje. Sem dúvida uma fase que merece ganhar mais destaque. O run foi publicado no Brasil somente pela editora Abril, dentro da revista Superaventuras Marvel.

Pantera Negra por Christopher Priest

Outro título responsável por reviver a Marvel depois de sua falência, o Pantera Negra de Christopher Priest se tornou uma referência para tudo o que se faria com o personagem depois. Priest deu ao Pantera uma abordagem diferente de tudo o que já se havia feito com o rei de Wakanda, transformando-o em uma evolução da versão original de Lee e Kirby: um herói extremamente tático, que pensa muitos passos à frente de todos, forte, ágil, calado e inteligente. Para contrabalancear com ele, Priest utilizou Everett K. Ross, um agente do governo americano responsável por escoltar diplomatas estrangeiros. Ross era o narrador e alívio cômico da maioria das histórias, responsável por contrastar com o Pantera e dar destaque a sua personalidade. A fase permanece inédita no Brasil.

Quarteto Fantástico por John Byrne

Após atingir o seu auge no período da equipe Lee-Kirby, o Quarteto Fantástico não conseguia ser tão popular quanto havia sido. Até que John Byrne assume os roteiros e a arte da revista no início dos anos 80 e traz novamente a família fundamental de volta ao topo. Byrne, muito influenciado pela narrativa de Kirby, construiu histórias épicas de exploração em que a equipe passava por todos os cenários imagináveis, interagindo com boa parte de sua galeria de vilões e coadjuvantes. Tudo isso ilustrado com cenas minuciosamente detalhadas e com personagens perfeitamente caracterizados. O artista ainda trouxe algumas novidades, como a substituição do Coisa pela Mulher-Hulk. A maioria das mais de 70 edições que compõem a fase foi publicada no Brasil pela editora Abril dentro da revista do Homem-Aranha. Parte dela foi republicada pela Panini em quatro encadernados de Maiores Clássicos do Quarteto Fantástico, entre 2005 e 2008.

Inumanos por Paul Jenkins

Entre os novos títulos que compunham o selo Marvel Knights no final dos anos 90, um dos mais notáveis foi a minissérie em 12 edições dos Inumanos, escrita por Paul Jenkins e desenhada por Jae Lee. Jenkins consegue dar importância e, ao mesmo tempo, modernizar os Inumanos, que não recebiam grande destaque no Universo Marvel há anos. Através de uma trama simples envolvendo o irmão louco do monarca inumano Raio Negro, Maxímus, em mais uma tentativa de dominar a cidade de Attilan, além de apresentar todo o conceito da terrígenese e a maneira como se organiza a Sociedade Inumana, a minissérie serve tanto como porta de entrada para o universo dos peculiares heróis como um novo sopro de vida para a franquia. No Brasil, a HQ saiu apenas pela Mythos, em formato minissérie, com 4 edições.

Hulk por Peter David

Peter David ficou 11 anos responsável pela revista do Hulk, com mais de 140 edições entre a série principal, anuais, minisséries e one-shots. Com seu estilo de escrita irreverente e que pouco se leva a sério, David desenvolveu toda uma nova mitologia para o Hulk, criando conceitos que hoje são inerentes ao personagem. Entre eles, destaque para o problema de múltiplas personalidades de Banner, com as várias metamorfoses do Hulk, como o Sr. Tira Teima (Hulk cinza) e o Hulk inteligente. Durante a longa fase, vários artistas acompanharam o escritor, entre eles os astros Todd McFarlane, Dale Keown e Gary Frank, todos ainda em início de carreira. A Abril publicou o run na revista própria do Hulk e a Panini começou a republicar duas vezes, sem ter finalizado nenhuma: primeiro em um encadernado de Maiores Clássicos do Incrível Hulk com o início da fase, em 2008, e em outros três encadernados em 2014, com as 17 primeiras edições e a minissérie Futuro Imperfeito.

Wolverine por Larry Hama

Os anos 80 e 90 foram o auge para os mutantes, principalmente para o Wolverine. Depois de passar pelas mãos de mestres como Frank Miller, Chris Claremont, John Buscema e John Byrne, foi com o roteirista Larry Hama e com o desenhista Marc Silvestri que o Carcaju alcançou sua melhor fase. Os conhecimentos de guerra de Hama conseguiam dar veracidade aos fortes roteiros, e o desenho estilizado de Silvestri, com muita hachura, combinavam com as cenas de ação violentas. O roteirista se destacou por conseguir mesclar bons roteiros com doses altas de ação, além de conseguir lidar bem com as constantes mudanças pelas quais o personagem passava nas sagas dos X-Men. Apesar de Silvestri não ter ficado tanto tempo no título, Hama escreveu mais de oitenta edições de Wolverine, além de minisséries e histórias curtas. A fase foi publicada aqui pela Abril, na revista própria do Wolverine.

Thor por Walter Simonson

A revista do Thor foi uma das mais prolíficas em criatividade da dupla Lee e Kirby durante os anos 60, quando cada edição era um épico em si. Somente na década de 80 que Thor voltou ao seu auge, agora nas mãos de Walter Simonson, que roteirizou e desenhou aproximadamente 45 edições do título. Simonson trouxe elementos obscuros da mitologia nórdica, desenvolveu tramas longas e épicas e criou personagens que se tornariam clássicos no universo do Thor, como Bill Raio Beta e Malekith. O artista compreendia o herói como poucos, dando-lhe a grandiosidade que merecia e lhe cabia, tanto nas narrativas quanto na arte, que trazia traços de Kirby em seus melhores momentos. A visão única de Simonson para os cenários cósmicos, para Asgard e para os deuses e monstros míticos fizeram dele um dos mais lembrados artistas dos quadrinhos dos anos 80. A fase saiu no Brasil primeiro em Heróis da TV e Superaventuras Marvel, da Abril, e depois foi relançada na íntegra pela Panini, em 5 encadernados de Maiores Clássicos do Poderoso Thor, entre 2006 e 2012.

Justiceiro MAX por Garth Ennis

(colaboração de Jonathan Nunes)

Em uma fase em que as histórias de Frank Castle estavam sofrendo com as críticas e as baixas vendas, Garth Ennis assumiu a difícil tarefa de reinventar o personagem em uma nova série mensal. Porém, mais do que isso o autor transformou o Justiceiro num sucesso de vendas e um dos mais importantes personagens do universo Marvel. Com o título exclusivo para o público adulto, Ennis não precisou conter suas ideias, e fez de Frank Castle um personagem sanguinário ao extremo, recheando as páginas da HQ com um humor negro bastante característico do autor, arrancando Frank do mundo dos super-heróis e jogando ele de volta ao lugar de onde nunca deveria ter saído: as ruas. Ao colocá-lo enfrentando mafiosos, gangues e contrabandistas, o autor focou muito mais na personalidade e nos desafios do dia a dia de Frank, do que em sua contraparte heroica. Muitos desenhistas passaram pelo título ao decorrer da longa fase de Ennis, mas vale destacar a passagem de Steve Dillon, um dos principais responsáveis pelo sucesso do personagem. Ennis ficou no título entre as edições #01 a #60 e ainda foi responsável pelas especiais Punisher Born e The End, The Cell, The Tyger e Barracuda. No Brasil a fase de Ennis foi publicada principalmente na revista Marvel Max e em diversas edições especiais ao longo dos anos.

Cavaleiro da Lua por Doug Moench

Doug Moench provavelmente é o escritor que mais escreveu títulos obscuros da Marvel entre os anos 70 e 80. Nas páginas de Werewolf by Night, Moench apresentou Marc Spector, um mercenário que foi ressuscitado pelo deus egípcio da lua, Khonshu, após ser assassinado em uma missão. Spector decidiu voltar a Nova York e assumir outras três identidades: o milionário Steven Grant, o taxista Jake Lockley e o vigilante mascarado Cavaleiro da Lua. A fase do escritor na revista própria durou cerca de 31 edições, em que Moench criou um cenário singular para o personagem, que envolvia o crime urbano de Nova York e misticismo, indo dos mafiosos ao vodu. Sienkiewicz, ainda sem o experimentalismo que o marcaria, desenhava com inspiração em Neal Adams, com quadros dinâmicos e um uso espetacular de luz e sombra. A fase foi publicada primeiro pela RGE como Lunar, o Cavaleiro de Prata, em Almanaque Premiere Marvel, depois virando Cavaleiro da Lua na Abril, onde saiu na revista do Capitão América.

 

Confira também: 10 HQs da DC que merecem republicação no Brasil


Cinco curiosidades da trajetória da Marvel no Brasil

Em 2017 a Marvel completa 50 anos de publicação no Brasil, e o público vai ganhar de presente a chance de conhecer todos os fatos, detalhes e curiosidades dessa tão conturbada quanto fascinante história através do livro Marvel Comics: A Trajetória da Casa das Ideias no Brasil, publicação da editora Laços que ganha lançamento oficial neste fim de semana, no Festival Guia dos Quadrinhos.

A obra é assinada pelo colecionador Alexandre Morgado, que ao completar sua coleção com todas as publicações nacionais da Marvel decidiu tomar para si a monumental missão de registrar essa trajetória e mergulhar nos bastidores através de depoimentos de editores, colecionadores e entusiastas de quadrinhos como Levi Trindade, Fernando Lopes, Ota Assuncão, Helcio de Carvalho, Jotapê martins, Roberto Guedes, Daniel Lopes, Alexandre Callari, Manoel de Souza, Lilian Mitsunaga e Thales de Menezes. O livro narra a chegada da Marvel ainda nos anos 1940 com o nome de Timely, e reconstitui toda a trajetória a partir de 1967, quando passou a ser oficialmente chamada de Marvel e publicada por editoras como Ebal, Bloch, Abril e Panini.

Para dar uma ideia do que o público pode esperar do livro, o autor Alexandre Morgado dividiu com o Redação Multiverso cinco curiosidades da trajetória da Marvel no Brasil, confira!

 

Marvel Comics: A Trajetória da Casa das Ideias no Brasil tem lançamento oficial neste fim de semana, dias 8 e 9 de abril, dentro da programação do Festival Guia dos Quadrinhos, que acontece no Club Homs, Avenida Paulista, n° 735, em Sao Paulo. A obra possui 288 paginas e valor de R$ 49, e também pode ser adquirida pela internet aqui.

 

X-Men: Deus Ama, o Homem Mata e o editor-pastor

Uma das maiores curiosidades da Marvel no Brasil aconteceu em 1988 na série “Graphic Novel”, com a história dos X-Men chamada God Loves, Man Kills (Deus Ama, o Homem Mata), traduzida no Brasil como “Conflito de uma Raça”. O título original não pôde ser traduzido ao pé da letra. A explicação para esse caso é narrada pelo próprio editor do período, Leandro Luigi Del Manto. “Foi uma censura própria, pela direção da redação na época. O diretor de redação era o Cláudio Marra. Ele, além de diretor, também era pastor. E achava que não era de bom tom usar no título de uma revista popular as palavras “Deus e Mata”. A gente não tinha essa pegada religiosa que ele teve. É difícil dizer se ele estava certo ou errado, mas o título “Conflito de uma Raça” é um título tão bom quanto, que fala muito sobre a história em si. Na época, ele conversou comigo e eu até entendi o porquê da coisa. O título não foi proibido, foi apenas uma opção do diretor de redação”, revela Leandro. Anos depois a Panini republicaria a série com a tradução fiel, Deus Ama, o Homem Mata.

Punho de Ferro e o medo da censura na ditadura

Por que a Bloch publicou o personagem Punho de Ferro com o nome de Punhos de Aço? A editora ficou marcada pela sua passagem com a Marvel pelas gírias e principalmente pelas mudanças nas cores dos personagens. Mas no caso do Punho de Ferro, a mudança na cor do uniforme e a razão para a tradução do nome para Punho de Aço foram por puro receio ao período em que vivíamos naquele momento. A Bloch, como todo o país, estava vivendo em pleno regime da ditadura militar, no período do governo do presidente Ernesto Geisel. E a empresa ficou com medo de publicar um personagem de uniforme verde-amarelo com o nome de Punho de Ferro. Um personagem com esse nome, com as cores da bandeira, podia não pegar bem naquele momento. Alguém poderia acreditar que o personagem poderia ser um “brasileiro contra o sistema”. E, com certa razão, alteraram as cores do uniforme e o chamaram de Punho de Aço. A Bloch publicou somente cinco edições, de maio de 1977 a janeiro de 1978.

Wolverine quase batizado de Carcaju

O tradutor João Paulo Martins, o Jotapê, um dos mais influentes profissionais da trajetória da Marvel no Brasil, responsável por traduzir diversos personagens e por iniciar a Marvel na Editora Abril em 1979, queria porque queria batizar Wolverine pelo nome Carcaju, apelido que chegou a ser usado nos diálogos em muitas das revistas e se popularizou entre os fãs. Mas felizmente, o nome foi vetado pelo editor Hélcio de Carvalho e o herói ganhou o nome oficial de Wolverine.

Ebal aprovada pelo próprio Stan Lee

Em 1969, a Ebal publicou a primeira revista em cores da Marvel no Brasil com a coleção “Capitão América em Cores”. Essa publicação realmente é de alta qualidade, tanto nas cores quanto no papel. A fim de promover o trabalho que estava sendo feito no Brasil, o editor Adolfo Aizen enviou para os EUA a revista em cores. Essa revista acabou caindo nas mãos do próprio Stan Lee. Quando isso aconteceu, Stan entrou em contato com Aizen na Ebal, e sugeriu que a Ebal imprimisse todas as revistas da Marvel com a qualidade feita na edição em cores do Capitão. A Ebal seria responsável por rodar toda a tiragem mensal da Marvel. Mas a ideia não passou da conversa: como a Ebal pagava o papel em dólares, o projeto ficaria muito caro e Aizen acabou por não aceitar a proposta de Stan Lee. Tanto que a entrega também seria um problema, imagina a quantidade de revistas mensais indo daqui para os Estados Unidos?!

Hulk o incrível plágio de Zé Ramalho

Em 1972 a GEA (Grupo de Editores Associados) entrava no mercado de quadrinhos no Brasil. Depois de alguns personagens serem descartados pela Ebal, a nova editora publicaria algumas revistas da Marvel, entre elas a revista do Incrível Hulk. Um ponto interessante em cima disso aconteceu fora dos quadrinhos, mais precisamente na música. Essa edição lançada pela GEA corresponde à edição original The Incredible Hulk #138 de 1971, escrita por Roy Thomas e desenhada por Herb Trimpe. Nessa história, Thomas usou o poema do poeta e dramaturgo irlandês William Butler Yeats, chamado de “The Sorrow of Love”, como introdução para a história. Com a tradução em português feita pelo editorial da GEA, o músico e compositor Zé Ramalho envolveu-se em um caso de plágio com os textos dessa publicação. Zé Ramalho lançou em 1982 o disco chamado “Força Verde”. O disco que tem na abertura a música homônima traz a letra dos textos publicados pela GEA. Além do poema, Zé Ramalho usou parte do texto de Roy Thomas para criar essa música. Anos depois, o próprio Zé Ramalho confirmou que usou o texto da revista do Hulk, dizendo que sua atitude era uma “coisa de vanguarda”, e que os produtores não quiseram citar a fonte, alegando que ninguém lia as revistas, e que ninguém saberia dessa “pequena” homenagem.


Os 30 anos de Batman: Ano Um

Por Bruno Andreotti AKA Nerdbully dos Quadrinheiros

O ano de 1986 foi emblemático para a DC. A percepção da alta cúpula da editora era de que a existência de múltiplas terras tornava as narrativas complicadas demais para novos leitores, um empecilho para a renovação do público e ampliação das vendas, portanto.

Então Crise nas Infinitas Terras, escrita por Marv Wolfman e desenhada por George Perez, fez o impensável: reuniu todos os personagens da DC numa saga épica que culminou com o primeiro grande reboot da DC, abandonando o conceito de multiverso.

Como consequência, os personagens da DC deveriam ter suas origens recontadas e reapresentadas ao grande público. A fase pós-Crise foi uma das melhores em termos criativos. Pudemos ver o Homem de Aço nas mãos de John Byrne e a Mulher-Maravilha de George Perez. E com o Batman não poderia ter sido diferente.

Mas, diferentemente do que aconteceu com o Superman ou a Mulher-Maravilha, o período pós-Crise do Batman é menos lembrado por uma fase do que por obras fechadas e pontuais. Podemos citar O Cavaleiro das Trevas (1986) de Miller, A Piada Mortal (1988) de Alan Moore e Brian Bolland e Asilo Arkham (1989) de Grant Morrison e Dave McKean. Lembrando que O Cavaleiro das Trevas e Asilo Arkham nunca fizeram parte da continuidade oficial da editora (apesar de terem influenciado o cânone na época e até hoje); já a decisão de A Piada Mortal fazer parte ou não da cronologia oficial foi muito discutida até ser aceita pela cúpula da DC. O fato é que nenhuma das três fez parte das revistas regulares do personagem, prova de que suas possibilidades narrativas eram maiores do que suas amarras cronológicas.

Batman: Ano Um de Miller e David Mazzucchelli é a exceção – única que foi publicada em um título regular (Batman 404-407) em 1987, apresentando o primeiro ano de Bruce Wayne no combate ao crime como Batman e pensada para ser canônica desde o início.

Apesar do título grande parte da narrativa tem como foco o jovem Jim Gordon – ainda não comissário. É possível perceber a corrupção de Gotham muito mais por suas ações do que por Bruce Wayne, havendo até espaço para explorar o lado pessoal do personagem – prestes a ser pai e envolvido em um caso extraconjugal.

A missão de Miller em recontar o início da carreira do Homem-Morcego e de um de seus coadjuvantes mais importantes foi executada com maestria junto aos desenhos de Mazzucchelli, que imprimem ritmo à narrativa. A obra é tão influente que permaneceu na cronologia oficial do personagem até recentemente, sendo substituída apenas em 2014 em Batman: Ano Zero por Scott Snyder e James Tynion IV. É possível ver sua influência até mesmo trilogia de Chris Nolan, tendo sido adaptada para animação em 2011, produzida por Bruce Timm – responsável pela já clássica série animada dos anos 90. Numa indústria que reconta as mesmas histórias há quase 80 anos, permanecer tanto tempo na cronologia oficial só prova a relevância da obra.

Miller está entre os autores que mais contribuíram para a construção do Homem-Morcego, e pode-se dizer que contou tanto a origem quanto o fim do personagem – ainda que O Cavaleiro das Trevas tenha deixado o status de obra fechada para ter se transformado em uma franquia de qualidade um tanto duvidosa.

Se você é fã do Cavaleiro das Trevas ou do Batman, não pode deixar de ler esta que figura entre as suas melhores histórias. E se você já a conhece e por ventura esse texto lhe der aquela vontade de lê-la novamente, fique tranquilo. Esses 30 anos não a envelheceram um dia sequer.

 

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Os Quadrinheiros têm como missão ampliar a leitura do mundo a partir das histórias em quadrinhos. Através de reflexões aprofundadas ou comentários engraçados, conectam a nona arte a diferentes áreas do conhecimento, aliando a paixão dos fãs e o rigor de acadêmicos e pensadores. Visite o blog www.quadrinheiros.com e conheça o canal youtube.com/osQuadrinheiros.


Garth Ennis e a guerra: cinco grandes histórias

Explorando desde a bravura dos soldados até a matança sem sentido e a falta de humanidade das batalhas, diversos roteiristas já trouxeram o tema da guerra para os quadrinhos, mas se tem um autor que soube mergulhar nessa poça de lama e sangue foi o porra-louca do Garth Ennis. Nascido na Irlanda do Norte – palco de uma violenta guerra envolvendo o grupo terrorista I.R.A dos anos 60 até a década de 90 –, ele ficou conhecido pelo humor negro e ódio contra super-heróis e instituições religiosas, mas, verdade seja dita, seu verdadeiro brilho está na forma como consegue colocar humanidade nos personagens, seja no bom ou no mau sentido, principalmente nas histórias que tratam dos horrores de um conflito armado. Mesmo em Preacher, considerada sua obra-prima, o assunto está presente através dos flashbacks do pai de Jesse na Guerra do Vietnã. Como o autor já escreveu diversas histórias desse tema, reunimos cinco HQs de guerra de Garth Ennis que todo leitor de quadrinhos deve ler.

Justiceiro MAX: Nascido Para Matar

Desenhista: Darick Robertson

Editora: Marvel

Quando a Marvel criou o selo MAX, divisão da editora voltada para o público adulto, Ennis foi escalado para reinventar o Justiceiro e, em sua primeira história, o autor decidiu mostrar a verdadeira origem da máquina de matar chamada Frank Castle. Em “Nascido para Matar”, Ennis mostra o período em que Castle serviu o exército americano durante o conflito no Vietnã. Com a aproximação do fim da guerra, Frank entra em um dilema: sua vida teria sentido após o Vietnã? Além de retratar um dos momentos mais vergonhosos e trágicos dos Estados Unidos, Ennis deixa em aberto se Castle não é apenas um assassino em série com uma boa “desculpa” e sim um emissário da morte, ou, quem sabe, de algo mil vezes pior. Mexendo na ferida que o Vietnã foi para a história mundial, Ennis faz uma crítica perturbadora sobre a natureza da guerra e da violência humana. A minissérie foi publicada nas edições #10 a #13 da antiga mensal Marvel MAX, e, se a Panini realmente republicar a fase de Ennis no Justiceiro, quem sabe tal clássico não ganha um encadernado?

Campos de Batalha: As Bruxas da Noite

Desenhista: Russ Braun

Editora: Dynamite Entertainment

Campos de Batalha (Battlefields no original) foi uma série de minisséries ambientadas na Segunda Guerra Mundial. Cada minissérie contava com três edições e um desenhista diferente, e teve o grande mérito de fugir dos clichês das histórias ambientadas nesse período histórico. Não há mocinho ou vilão, só homens e mulheres com objetivos e visões diferentes, coisa que Ennis trabalhou de forma genial na minissérie “As Bruxas do Norte”, protagonizada por Ana Kharkova, a piloto do primeiro esquadrão de aviadoras da União Soviética, e Frau Graff, um soldado alemão que não aguenta tanta violência. Apesar de não ter existido um pelotão chamado “Bruxas do Norte”, a União Soviética teve diversas mulheres aviadoras, fato que Ennis usou muito bem sem ser machista ou apelando para soluções fáceis. Publicado em um encadernado de luxo pela Mythos Editora em abril de 2016, “Bruxas do Norte” é um ótimo exemplo de HQ que daria uma adaptação digna do Oscar.

Fury MAX: Minha Guerra Se Foi

Desenhista: Goran Parlov

Editora: Marvel

Nick Fury foi um dos poucos personagens convencionais da Marvel que Ennis utilizou em sua passagem no Justiceiro no selo MAX, o que gerou “Minha Guerra se Foi”, uma série em 12 edições onde Fury relata todos os conflitos históricos em que esteve presente. Indo desde as inúmeras tentativas da CIA de matar Fidel Castro, ao Vietnã e o Golfo, Fury testemunhou as maiores atrocidades que o tio Sam cometeu. Como em qualquer guerra, Nick teve que pagar um alto preço por ter sobrevivido tantas e tantas vezes, principalmente pelo vazio que fica na alma de um homem cuja única coisa que sabe fazer é matar. Apesar dos inúmeros palavrões e das cenas de sexo, “Minha Guerra Se Foi” deveria ser lido por todos, pois mostra que no final, não importa quem vence, os custos são altos demais. Com um dos finais mais deprimentes e corajosos em sua carreira, Ennis fez um novo clássico que, infelizmente, ainda é inédito por aqui.

Histórias de Guerra: Filhos de Israel

Desenhista: Tomas Aira

Editora: Avatar

Histórias de Guerra segue o mesmo estilo de Campos de Batalha, sendo que a grande diferença nessa série da Avatar é a mudança de confronto a cada nova minissérie. Por mais que alguns arcos sejam parecidos com histórias que o próprio autor já escreveu, Histórias de Guerra gerou algumas ótimas minisséries, entre elas “Filhos de Israel”, ambientada nos confrontos da Colina de Golan de 1973. Focada na tripulação de um tanque israelense, a HQ mostra muito bem quão difícil era (e ainda é) a complexa situação em Israel e as civilizações vizinhas. Vale ressaltar que todas as informações e curiosidades sobre os tanques de guerra, fato que Ennis domina com perfeição, enriquecem demais a história. A HQ, junto com 100% do material do autor na Avatar, continua inédita no Brasil, mas é um prato cheio para quem gosta de dados mais técnicos sobre guerras em geral.

Às Inimigo – Inferno no Céu

Desenhista: Chris Weston, Christian Alamy e Russ Heath

Editora: DC Comics

Criado por Bib Kanigher e pelo mestre Joe Kubert, o Barão Von Hammer, também conhecido como o Às Inimigo, foi um grande piloto alemão durante a primeira Guerra Mundial, e, mesmo lidando com diversas mortes, o heroico personagem sempre manteve um código de conduta. Já na versão de Garth Ennis, lançada pela DC Comics em 2001, Hammer é um piloto aposentado que volta à ativa durante a Segunda Guerra Mundial, mas tanto Hitler como os confrontos em si começam a colocar em choque suas ideias. Fã confesso de aviões de batalha, Ennis, além de entregar uma bela homenagem às HQs de guerra da era de prata, cria uma história onde nem tudo é o que parece. A reformulação do personagem foi publicada em duas edições especiais pela Opera Graphica e deixa nos leitores um gosto de quero mais, principalmente pela participação breve de um importante personagem de guerra da DC.


Apoie o talento do seu lado

Existem muitos artistas independentes talentosos por aí, mas devido a inexperiência podem acabar não chegando ao seu público alvo e desanimando antes de crescerem. Hoje quero falar o quanto a sua ajuda pode fazer diferença para estes artistas… Sim, estou falando com VOCÊ mesmo, caro leitor.

Através da internet qualquer um hoje pode expor seu material, seja ele iniciante ou muito elaborado, mas com tanto espaço fica fácil de se perder nos primeiros passos, e sem um incentivo grande, alguns talentos acabam desistindo por se intimidar diante do mercado, não acreditando no próprio taco, ou que ainda não estão prontos para isso. Dar a cara a tapa e colocar seu trabalho para todos verem não é algo simples, além de que muitas destas pessoas usam de seu tempo livre para gerar um conteúdo sem retorno imediato, por amor à camisa mesmo.

Se você possui um amigo talentoso e gosta do trabalho dele, apoie-o como você apoia os grandes artistas que você admira. Não digo para você montar um fã-clube para ele, até porque cabe a ele a função de panfletar o que faz, mas muitas vezes um compartilhamento ou uma curtida marota pode fazer toda a diferença. Seja coerente também, não precisa curtir TUDO o que a pessoa postar, apenas o que te agradar, afinal isso o ajudará a ter noção do efeito que seu trabalho está causando no público, e caso ele peça sua opinião seja sempre sincero e com dicas pertinentes (SINCERO, não cruel).

Na vida muitas coisas são conexões, e na internet isso é praticamente literal. Através das redes sociais milhares de usuários trocam e compartilham todas as formas de dados possíveis, a grande maioria coisas inúteis, falsas e bobas que acabam passando em nossa timeline ganhando um destaque que não mereciam. Por que você não aproveita e compartilha aquele conteúdo supimpa que o coleguinha fez com esmero? Se você compartilha algo bem feito de seu amigo artista, além de estar colaborando para um melhor conteúdo na rede, pode sem saber fazer aquela ponte inesperada com alguém que estava procurando um trabalho como o dele.

Seu amigo pode desenhar, escrever, ter uma banda, fotografar, fazer cover do Roberto Carlos, se ele tem um sonho e você acredita nele, faça sua parte e dê seu “Ki” para ele gerar uma grande “Genki-Dama” de sucesso. Caso ele realmente seja bom, vai dar conta do recado e crescer por si mesmo a partir disso, e tenha certeza que ele lembrará do seu apoio.


Dez HQs da DC que merecem republicação no Brasil

Se depender do número de publicações e republicações em bancas e livrarias nacionais, os leitores de histórias de super-heróis vivem uma boa época para colecionar quadrinhos. No entanto, diversas fases clássicas ainda não ganharam uma edição recente e outras jamais foram lançadas na íntegra no país. Reunimos uma lista de títulos da DC Comics assinados por grandes nomes ou que representam fases importantes e que merecem voltar às prateleiras brasileiras em breve.

Superman por John Byrne

Após o fim da Crise nas Infinitas Terras, a DC reiniciou todo seu universo, e entre os vários clássicos que surgiram, um dos mais queridos é a fase de John Byrne no Superman. A reformação começou na minissérie “O Homem de Aço” e se estendeu nas mensais do personagem da época, sendo que essa fase é reverenciada ainda hoje, até mesmo nas HQs do Superman no Rebirth da DC. Além de levar o Homem de Aço a níveis que poucos conseguiram, Byrne deu a todos os personagens coadjuvantes uma personalidade única e marcante, principalmente Lex Luthor, que deixou de ser apenas um cientista maluco e se tornou um grande empresário genial e corrupto. Essa fase foi publicada pela editora Abril e, muito tempo depois, a Mythos e a Eaglemoss republicaram  a minissérie “O Homem de Aço”, mas a fase do Byrne nas mensais do Superman nunca foi republicada.

Esquadrão Suicida por John Ostrander

Algumas coisas ruins podem gerar bons frutos, então por que não aproveitar o polêmico filme do Esquadrão Suicida para lançar a aclamada fase escrita por John Ostrander, o grande criador do grupo? Reunindo diversos vilões da editora, Ostrander escreveu 66 edições repletas de suspense, espionagem e reviravoltas. Vale lembrar que a Arlequina não existia na época, mas as personagens femininas de Ostrander superaram facilmente o restante do grupo, principalmente Amanda Waller e Barbara Gordon, a ex-Batgirl que assumiu a identidade Oráculo. O Esquadrão Suicida de Ostrander foi publicado em partes pela Abril, então, para tirar o gosto ruim que o filme deixou, a Panini poderia publicar a fase, não?

Arqueiro Verde por Mike Grell

Graças ao sucesso da série, o Arqueiro Verde ganhou uma legião de fãs brasileiros, e já que a Panini publicou a fase que o herói se junta ao Lanterna Verde em uma viagem pelo EUA, por que não publicar a as histórias feitas por Mike Grell? O autor e desenhista foi um dos primeiros a escrever uma HQ com o selo “Recomendado para leitores maduros”, o que lhe deu toda liberdade para focar em temas mais pesados, como a violência contra as mulheres, as drogas e a hipocrisia política, aumentando ainda mais a carga politizada do personagem, que sempre defendeu as causas sociais. A fase do Grell começou na minissérie “Caçadores”, publicada aqui pela Abril, sendo que algumas edições da mensal foram publicadas pela editora. Apesar da Eaglemoss ter anunciado que “Caçadores” será publicado em sua coleção, seria muito bom se a Panini publicasse toda a fase do autor.

Starman por James Robinson

A década de 1990 foi um período bem conturbado e sombrio para quase todas as HQs de heróis, mas graças aos deuses dos quadrinhos, Starman de James Robinson trouxe um pouco de brilho para a época. Diferente de quase todos os personagens listados aqui, Jack Knight nunca quis ter uma vida cheia de aventuras, mas como o sangue da família fala mais alto, o filho caçula de Ted Knight, o primeiro Starman, se vê obrigado a assumir o título e defender a sua cidade.  Aqui no Brasil, Starman foi publicado por 3 editoras diferentes, sendo que nenhuma delas terminou a série e, em 2008, a Panini  lançou o primeiro encadernado da série, mas, infelizmente, nunca mais lançou nada. Como a esperança é a última que more, fica aqui o apelo para a editora dar mais uma chance a esse incrível personagem.

Liga da Justiça por Grant Morrison

Mesmo tendo Grant Morrison – um dos maiores autores de todos os tempos – e os pesos pesados da Liga da Justiça, essa fase teve só um encadernado publicado pela Panini. O que é uma baita injustiça, pois esse é um dos melhores trabalhos do careca escocês. Brincando com os medalhões da editora e toda a mitologia da DC, Morrison mostrou que Superman, Mulher-Maravilha, Batman, Aquaman, J’onn J’onzz, Lanterna Verde (Kyle Rayner) e Flash (Wally West) são as novas versões dos deuses do Olimpo. Item mais do que essencial para todos os fãs da equipe ou simplesmente de boas histórias. Essa fase foi publicada aqui na antiga mensal Os Melhores do Mundo, pela Abril.

Batman por Doug Moench e Kelley Jones

O guardião de Gotham sempre tem um pé voltado para histórias sombrias e macabras, e a dupla Doug Moench e Kelley Jones exploraram como ninguém essa faceta do Batman. Tramas envolvendo magia negra, circo de aberrações e crimes bizarros nunca foram tão divertidas e assustadoras quanto as produzidas por Moench e Jones. Aliás, falando no desenhista, o Batman de Kelley Jones faz jus ao título de Cavaleiro das Trevas, com sua capa e orelhas que lembram muito mais um ser que saiu do inferno do que um herói de quadrinhos. Essa fase foi parcialmente publicada por aqui e é até hoje querida pelos fãs.

Hitman por Garth Ennis e John McCrea

Os irlandeses Garth Ennis e John McCrea são dois perturbados, isso é fato. Mas são dois perturbados que sabem fazer ótimas histórias de humor negro recheadas de violência, e a melhor prova disso é a série Hitman. Protagonizada por Tommy Monaghan, um mercenário de bom coração, Ennis e McCrea não poupam ninguém de Gotham, usando e abusando de piadas grotescas que fariam o pessoal do Jackass bem orgulhoso. Mesmo com as cenas escatológicas, a HQ tem diversos momentos tocantes, fazendo até mesmo o mais cruel matador de aluguel chorar. A HQ foi parcialmente publicada por diversas editoras, mas nenhuma concluiu a série.

Questão por Dennis O’Neil

Dennis O’Neil é um autor que ficou famoso por abordar temas sociais e políticos em suas histórias, mas foi na série do Questão que o autor expôs todas as suas ideias, desde a sociedade americana, a corrupção política e a situação mundial. O autor aproveitou o fato de Vic Sage trabalhar no telejornal de dia e lutar como o herói sem rosto chamado Questão à noite para tocar na ferida da América, mas apesar do forte cunho político, a HQ não chega a ser panfletária. Um fato bem curioso é que junto com a fase de Mike Grell, a fase de O’Neil no personagem também foi uma das primeiras HQs de heróis direcionada para o público adulto. A Abril publicou as primeiras edições na saudosa revista Caçadores, sendo que a Panini até chegou a publicar o primeiro volume da série, mas devido às poucas vendas, a editora nunca mais publicou nada do personagem.

O Quarto Mundo de Jack Kirby

Difícil fazer uma lista de HQs sem citar Jack Kirby. O rei foi um dos (se não “O”) maiores criadores e mentes criativas da Marvel, e na DC não foi diferente. Kirby criou toda a mitologia do Quarto Mundo, que engloba diversas HQs, entre elas os Novos Deuses, Senhor Milagre e o Povo do Amanhã, e também vários personagens interessantes, como o demônio Etrigan, Kamandi, OMAC e, principalmente, Darkseid, um dos maiores vilões da DC e dos quadrinhos. Claro, iria ser sensacional se a Panini publicasse tudo do Kirby, mas se a editora publicasse Os Novos Deuses, que foi publicado em preto e branco pela Opera Graphica, o Brasil inteiro iria agradecer.

Mulher Maravilha por Greg Rucka

A atual mensal da Mulher-Maravilha escrita por Greg Rucka é uma das mais aclamadas pelos fãs no Rebirth, principalmente pela coragem de ter mostrado que a personagem já se relacionou com outras mulheres, mas, o que poucos sabem, é que Rucka já escreveu para a personagem antes, e essa fase não deve em nada para as edições atuais. Explorando todo o potencial da amazona, Rucka fez uma passagem poderosa, deixando bem claro a sua habilidade em escrever personagens femininas. Com o filme da heroína vindo por aí, nada mais justo do que presentear os fãs com essa fase (desculpe o trocadilho) maravilhosa, que foi publicada pela Panini na mensal Superman & Batman e  em edições especiais.


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