artigos

Legion e o rock’n roll como ingrediente surpresa

Não é todo dia que se ouve músicas nada clichês de algumas das maiores bandas da história do rock em apenas uma hora de programa de TV a cabo. E só isso já diz muito sobre como Legion promete ser uma série diferente, que não segue nenhuma das receitas prontas (e mais seguras) das adaptações de super-heróis para as telas vistas até agora.

Um dos grandes acertos da produção parece ter sido a escolha de um caminho alternativo em meio a tantos possíveis quando se fala em X-Men. Em vez de pegar carona no universo já estabelecido na mente do público, o foco em um personagem quase desconhecido evitou cobranças ou previsões, já que não havia um “modo correto” de adaptar sua história na ponta da língua dos fãs, como aconteceria em outros casos. Filho problemático de Charles Xavier nos quadrinhos, David Haller é um mutante instável e complexo, distante do perfil de um herói convencional, que possui poderes como telepatia e telecinese mas também carrega consigo fortes distúrbios psicológicos, e na trama se encontra há anos em um hospital psiquiátrico diagnosticado com esquizofrenia. E é só isso que sabemos dele quando a série começa, sem ter ideia de onde vai parar.

Essa ausência de pressão ou expectativas em torno do seu desenvolvimento – pois a verdade é que ninguém parecia dar muita bola até que o episódio piloto explodisse na tela ao som desses clássicos na semana passada – permitiu que o conceito fosse seguido com liberdade, criatividade e incrível gosto musical.

The Who e Stones em sequência

Com apenas dois minutos e meio o protagonista de Legion é apresentado em uma espécie de clipe ao som de Happy Jack, do The Who, desde o berço até a sua primeira tentativa de suicídio. A música em tom de fábula sarcástica combina com a sequência, que mostra a transformação de uma criança comum em um jovem problemático e descontrolado, e inevitavelmente faz lembrar a atmosfera dos icônicos filmes da banda, Quadrophenia e Tommy, o primeiro sobre a rebeldia e a insatisfação da adolescência e o segundo sobre um jovem traumatizado que carrega dons especiais. O próprio criador descreveu o mundo de Legion como um híbrido entre Laranja Mecânica e Quadrophenia, o que se vê tanto na estranheza provocada pelos ambientes quanto no visual sessentista destacado nas figuras da irmã e da namorada de David.

Até aí poderia ser só um feliz acaso, mas quando David Haller se apaixona e sua sensação de encantamento pela garota é embalada por She’s A Rainbow, dos Rolling Stones, logo se entende que a trilha sonora de alto nível vai ser mesmo o ingrediente surpresa de Legion. A faixa é tirada do álbum Their Satanic Majesties Request, disco de 1967 que completa 50 anos e marca a fase mais psicodélica da banda. Assim como Happy Jack, seu instrumental evoca certa inocência, mas se intercala com momentos de força e agressividade que não deixam esquecer que se tratam de canções de rock, do mesmo modo que esses momentos de leveza do episódio quase sempre precedem o caos.

Para quem é fã, além da surpresa de encontrar as bandas na trilha do primeiro episódio de uma nova série, também chama atenção a escolha nada óbvia das canções. No lugar de clássicos facilmente reconhecíveis como My Generation ou Satisfaction, as músicas selecionadas são mais específicas, e certeiras para acompanhar cada cena. É inevitável pensar que quem está por trás disso ama rock clássico e sabe exatamente o que está fazendo.

A explicação vem em uma entrevista do produtor Noah Hawley. “Eu queria ser uma estrela do rock. Eu era um cantor e compositor e tinha uma banda em Nova York, mas em um certo ponto, em meus 20 anos, percebi que meu público-alvo tinha 14 anos e eu queria contar histórias que iam um pouco mais além do que uma música pop. E quando você está em uma banda, você está preso a três outros homens imundos e sem grana e você está vivendo em uma van. Então comecei a escrever ficção”. E de repente tudo passa a fazer mais sentido.

Pink Floyd e o retrato da loucura

Mas o verdadeiro auge dessa relação da série com a música promete ser a coerente influência de Pink Floyd e sua presença com diversas referências ao longo da temporada. A primeira delas está no nome da namorada de David, Sydney “Syd” Barret. A escolha é uma bem pensada homenagem ao membro-fundador Syd Barrett, que teve grande influência sobre as inovações sonoras feitas pela banda, mas deixou o grupo em 1968 após um processo de deterioração mental agravado pelo uso de drogas como LSD. Em entrevista à Vanity Fair, Noah Hawley cita a banda como uma das referências e indica sua proximidade com o tema. “Lembro de ter dito ao compositor Jeff Russo que gostaria que o programa soasse como The Dark Side of the Moon. Esse álbum é antes de qualquer coisa um verdadeiro retrato sonoro da loucura e da doença mental”.

A própria trilha sonora original produzida para a série por Russo bebe diretamente da fonte. “Conversamos muito sobre Pink Floyd, porque somos grandes fãs e concordamos que Pink Floyd foi basicamente a trilha sonora para a esquizofrenia nos anos 1970. Então eu saí e comprei um velho sintetizador da época, o mesmo que eles usaram em The Dark Side of the Moon. Eu liguei, comecei a girar alguns botões, e fiquei tipo: ‘uau, realmente soa assim’”. Ambos já haviam trabalhado juntos nas duas temporadas da série Fargo, outra pérola inovadora que trouxe um pouco da liberdade e experimentação cinematográfica para a TV, e que também contou com uma trilha sonora repleta de rock’n roll clássico, com nomes como Black Sabbath, Fleetwood Mac, Jethro Tull e o próprio Pink Floyd.

Sabendo de tudo isso, e levando em conta que independentemente das opiniões ou gostos pessoais a série teve um episódio piloto instigante e muito bem produzido, descobrir quais serão as próximas escolhas para essa trilha sonora que não poderia ter começado melhor já é por si só um bom motivo para acompanhar Legion.


Pode vir, 2017!

Final de ano (principalmente depois de um ano difícil) se torna recheado de reclamações por todos os lados. Claro que 2016 não foi um ano fácil, mas não estou aqui para reclamar, porque apesar de todos os tropeços, se estamos aqui, é porque conseguimos nos equilibrar através dessa armadilha.

Ao invés de vomitar todos os pontos negativos e complicados eu quero é agradecer por tudo que aconteceu, se concluiu, deu certo e o que se tornou verdade em 2016. Não quero deixar o texto tão pessoal, mas também não vou ser presunçoso e falar da vida de vocês, então vamos ver aonde isso vai… Mesmo 2016 sendo um ano de crise econômica o Brasil sediou a maior comic con do mundo (CCXP 2016). Feita por nós, brasileiros, e com um beco de artistas gigante.

2Temos um número crescente de autores lançando quadrinhos e uma cena nacional forte com uma boa luz lá na frente, com esperança de vingar, romper o nicho e finalmente se tornar um mercado. Um grupo grande de fãs suportam nosso sonho de trilhar uma carreira nos quadrinhos. É perfeito? Não. Mas de que adianta vir aqui agora e citar tudo que está ruim? Veja o que foi alcançado. Em 2017, que todos tenhamos mais força para continuar isso, e naturalmente com o amadurecimento da cena e dos autores os problemas irão sendo resolvidos. Paulo Crumbim tuitou algo parecido, e eu cito ele aqui: Parabéns a você, autor(a) independente, que fez a roda girar em 2016!

crumbim

Eu olho para 2016 e fico com um sorriso no rosto. Claro, foi um ano de conquistas pessoais, novos quadrinhos e acima de tudo, aprendizado. Há um tempo havia o medo de começar a faculdade e não saber mais organizar meu tempo. Em 2016 eu comecei e já conclui dos semestres. Nunca havia saído do país. Esse ano, junto de mais outros três Two Penny Kings, fui a uma convenção no Canadá: TCAF, falei com editores e autores, fui dar a cara a tapa. Mesmo depois de Pétalas, eu continuava com medo de colocar algo no Catarse. Coloquei Escolhas esse ano, e felizmente foi financiado por queridas 700 pessoas. Continuo com medo, porém mais seguro em me deixar apostar.

escolhas-2

Nunca desenhei tanto quanto desenhei nesse ano, e mesmo assim sinto que não desenhei tanto quanto queria. Tentei participar do Inktober (brincadeira proposta pelo ilustrador Jake Parker durante o mês de outubro) e fiquei pela metade de conseguir concluir no prazo. Mas tudo bem, isso mostra que ainda preciso me organizar melhor. E vou concluir essa dívida de 2016 logo, para ir em frente com tudo limpo.  Puxa… 2016 me deu medo! E foi isso que me fez ir tanto em frente e fazer as coisas acontecerem de qualquer maneira.

Seguindo nesse sentimento, vou deixar aqui para inspirar vocês esse vídeo do Jake Parker que, na minha opinião, é como nós artistas devemos ver para evitar cairmos em chateações criativas dentro de nossas próprias cabeças.

Pode vir, 2017!

 


…E Deus criou Robert Crumb

Se fosse no tempo de Cristo, Robert Crumb seria crucificado. Atirado aos leões, queimado nas fogueiras da Inquisição, esquartejado e espalhado pelos postes da cidade, exposto em praça pública para quem o quisesse linchar, decapitado nas guilhotinas francesas após uma bela cerimônia, exorcizado em ritos estranhos, transformado em alvo de exércitos raivosos, friamente fuzilado pela opinião pública e o que mais você puder imaginar. Porque Robert Crumb é o inimigo. Ícone dos quadrinhos underground, inimigo de todas as cartilhas morais e convenções sociais, livre para repudiar a sempre perfeita América e colocar os mais respeitados homens do mundo em poses indecentes, capaz de rir na cara de presidentes, papas, primeiros-ministros e donos de multinacionais. Mas mexer com a sagrada Bíblia? Dessa vez, R. Crumb, o senhor foi longe demais.

8272

Aviso aos navegantes (de todas as religiões)

Mas e se adaptar um texto tão importante para uma mídia assim popular for, na verdade, uma maneira de trazê-lo de volta ao cotidiano não apenas para apontar suas fantasiosas incoerências, mas também reavivar em consciências tranquilas a semente da dúvida? Afinal, boa parte dos que se dizem seguidores dos preceitos religiosos não raro são os que primeiro esquecem das lições de humanidade, igualdade e dignidade que ensina pacientemente a Bíblia. Antes de falar diretamente sobre a adaptação do livro do Gênesis por Robert Crumb, é preciso dar dois avisos.

O primeiro, para aqueles que possuem suas crenças e exigem respeito: baseando-se em cada palavra do original, o autor ilustrou em riquíssimos detalhes e paisagens à altura a criação do universo e os primeiros habitantes que aqui viveram, sem buscar provocar ou sequer distorcer a realidade exposta no antigo manuscrito. Para os fãs que esperam encontrar na obra assinada pelo polêmico artista a crítica, a zombaria ou o sarcasmo tradicional dos seus outros trabalhos, é melhor esquecer isso, receber de braços abertos essa obra-prima visual a qual ele se dedicou por tanto tempo e começar a se preparar para ler a Bíblia do início ao fim – pois é exatamente isso que você vai ter vontade de fazer quando virar a última página desse Gênesis que ele reinventou.

Quando Deus criou a Terra, ela era vazia e sem forma…

…Então R. Crumb chegou, deu forma e conteúdo, expressões fortes, traços definidos e o toque de mestre que não poderia faltar: um pouco de insanidade nos olhos dos homens e, claro, algumas curvas a mais nas belas mulheres seminuas. Com duzentas páginas em papel pólen, com jeito de pergaminho, cinquenta capítulos de desenhos impecáveis em preto e branco, e também mapas, comentários do autor e notas de tradução, a luxuosa edição publicada no Brasil pela Conrad em 2009, junto com seu lançamento mundial, é uma preciosidade gráfica para colecionadores e certamente uma das publicações mais importantes dos últimos anos no mundo dos quadrinhos. Intrigante por sua temática para os que nunca ouviram falar de Crumb, o livro também é visto como um fabuloso presente pelos leitores de longa data, que compreendem o cinismo do autor após uma carreira inteira baseada em elementos decisivos do movimento contracultural vivido na década de 1960, e do qual foi ícone. As drogas, o sexo livre, a destruição do american way of life – tudo está presente em títulos como Fritz The Cat, Mr. Natural, Zap Comix e Minha Vida, sua autobiografia. E pode até não estar no Gênesis de maneira literal, mas pode acreditar, também está escrito em entrelinhas tortas.

genesis-3-1a

Cabelos bagunçados e a Bíblia debaixo do braço

O que se torna interessante ressaltar após a leitura do Gênesis não são tanto os aspectos possivelmente polêmicos da adaptação – ao redor do mundo vários padres, pastores e representantes de diferentes igrejas se manifestaram sobre a obra -, mas sim a ironia presente no fato de que, tendo como público uma parcela geralmente alheia à Bíblia e seus ensinamentos, muito mais interessada em temas subversivos (a própria expressão “quadrinhos underground” já diz tudo), Crumb obriga os tipos mais inesperados a andarem por aí com suas roupas estranhas, seus cabelos bagunçados e a Bíblia debaixo do braço. Algo como o seu golpe supremo, a maneira mais criativa de ir contra tudo que já fez e dar à luz uma obra que atesta seu enorme talento como ilustrador, sem qualquer outro artifício.

E o melhor: consegue provar de uma vez por todas que o conteúdo depende da visão de cada um, quando transforma as histórias do Gênesis – teoricamente batido e tedioso – em algo tão vivo e cercado de mitos, lendas e valiosas metáfora, que não perde para a saga de Senhor dos Anéis ou qualquer outro grande sucesso da literatura de fantasia, despertando no leitor a vontade de saber o que vai acontecer depois. Sabe mesmo por que Caim matou Abel? E o dilúvio, o que desencadeou? Babel, Esaú e Jacó, Sodoma, Gomorra e assim por diante: todas as referências presentes no cotidiano e recheadas de significados úteis, agora revisitadas e ainda mais impactantes quando transformadas em arte pelas mãos de um inconsequente Criador.

91s5kcvzrl

Por que ler o clássico

A Bíblia é o livro mais famoso e mais vendido do mundo – e Robert Crumb não é bobo nem nada. Em entrevista à Ilustrada, da Folha de S. Paulo, o artista deu sua opinião a respeito da obra. “Foi o maior projeto que já fiz. Pesquisei muito, fui detalhista, cada página me tomou dois ou três dias, por isso levei anos”, justificou. “Vi meu trabalho como o de um ilustrador, não o de alguém que estaria tirando sarro do texto. A única ironia presente ali é o fato de, com a adaptação, fazer as pessoas pararem para pensar realmente no que está escrito. E, bem… Minha conclusão é que eu não usaria o Gênesis como um guia moral”, brincou ele, tranquilamente. “A verdade é que a Bíblia não precisa ser satirizada. Ela já é totalmente louca”. Ainda que não altere uma vírgula do texto, Crumb não desperdiça qualquer chance de reforçar os aspectos mais sórdidos ou surreais da história, como a criação do mundo e do homem (e da mulher, e a cobra…), e os muitos episódios de sexo, orgia, traição, incesto, assassinato, fratricídio, filicídio, sacrifício animal e outras atrocidades. Enquanto isso, religiosos do mundo se dividem entre os que vociferam contra Crumb e os que entendem Crumb.

chamada-crumb

Ao mesmo tempo em que Mike Judge, do Instituto Cristão, acusa Crumb de retratar cenas de sexo desnecessariamente – mas parece não se incomodar com os episódios de morte, destruição e vão derramamento de sangue –, representantes da Sociedade da Bíblia veem o lado positivo de tudo isso. “Pode surpreender as pessoas, mas a Bíblia contém, sim, nudez, sexo e violência. Isso acontece porque são histórias de pessoas reais. Crumb pode tornar a Bíblia mais próxima de um público que dificilmente a leria, e nenhum pastor conseguiria o mesmo”. Independente das opiniões que ainda possam surgir sobre o autor e seu mais novo clássico da história dos quadrinhos, uma coisa é certa: ele está encrencado. Pois, caso não seja crucificado em praça pública por todas as blasfêmias que cometeu durante a sua vida (ou queime no fogo do inferno em um merecido castigo póstumo), estará condenado a passar o resto de sua velhice desenhando a Bíblia. Vamos lá, queremos ver sexo, drogas e rock’n roll em pleno Apocalipse, senhor Crumb.


Os 15 principais clones da Marvel e da DC

Por Émerson Vasconcelos e Leonardo Mello de Oliveira

Após a notícia da volta de Ben Reilly, o Aranha Escarlate original e protagonista da controversa Saga do Clone dos anos 90, em Clone Conspiracy, novo megaevento das revistas do Homem-Aranha nos Estados Unidos, a equipe do Redação Multiverso montou uma lista com alguns dos clones mais famosos e importantes dos quadrinhos. Como se pode ver, o tema já rendeu bastante nas HQs e trouxe personagens para os panteões da Marvel e da DC Comics.

Ben Reilly (Aranha Escarlate, Homem-Aranha)
ben

Clone de: Peter Parker

Ben Reilly foi o primeiro clone perfeito de Peter Parker criado pelo Chacal, com todas as características e memórias do original. Embora tenha sido considerado morto logo após sua primeira aparição, em Amazing Spider-Man #149 (1975), Ben voltou durante a Saga do Clone dos anos 90. Como Aranha Escarlate, Ben manteve uma relação familiar com Peter. Chegou a se tornar o Homem-Aranha titular durante uma fase em que, devido a um exame de DNA manipulado, passou a acreditar ser o verdadeiro sobrinho de May Parker. Ben morreu durante um confronto com o Duende Verde original, Norman Osborn, onde sacrificou a vida para salvar Peter. No momento de sua morte, quando seu corpo degenerou, ficou claro que ele sempre foi a réplica. No final de 2016, o personagem foi trazido de volta na saga The Clone Conspiracy, em publicação nos Estados Unidos, onde apareceu como o novo Chacal.

Kaine (Aranha Escarlate)kaine

Clone de: Peter Parker

Antes de Ben Reilly, Kaine foi o primeiro clone de Peter Parker criado pelo Chacal. No entanto, o processo de clonagem não deu totalmente certo, o que resultou em um ser com deformações corporais e mentais. Instável, Kaine perseguiu Ben por muitos anos, até reconsiderar suas escolhas e passar a considerá-lo um irmão. Passou muitos anos desaparecido depois da Saga do Clone da década de 1990, mas voltou a ganhar importância depois de Ilha das Aranhas, quando teve sua degeneração celular curada. Logo depois, durante uma passagem por Houston, Kaine se viu na obrigação de salvar uma garotinha, e assumiu o manto do Aranha Escarlate. Embora tivesse aparentemente morrido no final do arco Aranhaverso, quando estava transformado em um monstro aranha, a forma humana de Kaine emergiu do cadáver do monstro. Atualmente, participa de Clone Conspiracy, ajudando Peter e outros heróis Aranha na luta contra o novo Chacal.

JESSICA DREW (Mulher-Aranha, Viúva Negra)
drew

Clone de: Peter Parker

No universo Ultimate, Terra-1610, Jessica Drew é um clone feminino de Peter Parker criado pelo Dr. Octopus e por Ben Reilly. Apareceu pela primeira vez em Ultimate Spider-Man #98 (2006). Ela é um dos espécimes de uma série de clones encomendados pela CIA, que estava em busca de novos super-soldados. Como Mulher-Aranha, participou da equipe dos Supremos e foi tutora de Miles Morales, o segundo Homem-Aranha desse universo. Após o término dos Supremos, Jessica decidiu fundar o grupo dos Jovens Supremos, no qual passou a atuar como Viúva Negra. Atualmente é considerada morta desde a incursão das Terras 616 e 1610 em Guerras Secretas.

GWEN STACY
gwen

Clone de: Gwen Stacy

O primeiro clone a surgir na mitologia do Homem-Aranha foi uma cópia exata da primeira namorada de Peter Parker e surgiu em Amazing Spider-Man #142 (1975). Ela foi criada pelo Chacal (Miles Warren), que era apaixonado pela Gwen Stacy original, morta nas mãos do Duende Verde. Dois clones de Gwen se destacaram durante as histórias do Aranha: A primeira, apresentada em 1975, voltou a aparecer nas histórias e chegou a ser convencida pelo Alto Evolucionário de que era, na verdade, Joyce Delaney, uma antiga aluna de Miles Warren alterada geneticamente para se parecer com, Gwen. Essa informação foi desmentida durante a Saga do Clone da década de 1990. O outro clone da personagem a ganhar destaque foi Abby-L, o primeiro experimento bem sucedido do Chacal que fugiu logo após sua criação, por não concordar com a ideia de existirem clones. Abby-L matou sua irmã clone na saga Ilha das Aranhas, quando também morreu durante uma explosão no laboratório de Warren. Em Clone Conspiracy uma nova Gwen-clone foi apresentada.

LAURA KINNEY (X-23, Wolverine)
wolverine-3-movie-x-23-images

Clone de: Wolverine

Em uma tentativa de criar um clone do Wolverine que conseguisse suportar o implante de adamantium ao esqueleto, o programa Arma-X contratou a doutora Sarah Kinney, famosa geneticista mutante. Após não conseguir recuperar o cromossomo Y da amostra de DNA de Logan, a doutora sugeriu a criação de um clone feminino. Assim nasceu Laura Kinney, a X-23. Criada originalmente para a série animada X-Men: Evolution, migrou para os quadrinhos em 2004 e apareceu pela primeira vez em NYX #03. Após a morte de Logan, Laura assumiu o manto de Wolverine e, hoje, tem sua própria revista, além de fazer parte do grupo mutante que estrela All-New X-Men.

MADELYNE PRIOR (Rainha dos Duendes)
madelinepryor

Clone de: Jean Grey

O Sr. Sinistro acreditava que um mutante concebido pela união dos X-Men Ciclope e Jean Grey seria tão poderoso a ponto de conseguir derrotar Apocalypse. Tendo em mente o controle desse mutante, Sinistro criou um clone de Jean Grey. No entanto, o experimento não deu certo, e Sinistro o abandonou. Quando uma fagulha da Força Fênix se manifestou no clone, o vilão retomou seu plano, dando-lhe o nome de Madelyne Prior e fazendo com que se aproximasse de Ciclope no período em que Jean estava dada como morta após a saga da Fênix Negra. Os dois foram casados e tiveram um bebê, Nathan Summers, que mais tarde se tornou o Cable. Manipulada pelos demônios do limbo, Madelyne assumiu a identidade de Rainha dos Duendes, uma poderosa rival dos X-Men. Depois de algumas vezes já ter morrido e ressuscitado, Madelyne foi trazida de volta mais uma vez pelas vilãs da versão feminina da Irmandade dos Mutantes.

THADEUS THAWNE II (Inércia, Kid Zoom)
wgzaj4t

Clone de: Bart Allen (Impulso)

Considerado o Flash Reverso do velocista Impulso, o Inércia é um clone de Bart Allen criado pelo Presidente Thawne, no século XXX e que apareceu pela primeira vez em Impulse #50 (1999). Criado para odiar o Impulso e a família Allen, Thadeus Thawne II foi ensinado a pensar de forma calculista e inteligente. Sua principal missão foi substituir Bart Allen como Impulso, o que nunca conseguiu alcançar. Após se voltar contra a Galeria de Vilões, foi morto pelos ex-aliados, durante os eventos da saga Crise Final.

Lex Luthor II
ll

Clone de: Lex Luthor

No período pós-Crise nas Infinitas Terras, Lex Luthor usava um anel de kryptonita como uma espécie de demonstração de poder sobre o Superman. Como o meteorito verde é nocivo aos seres humanos, o vilão teve câncer e perdeu a mão por causa da doença. Logo depois, aparentemente morreu em um acidente aéreo. Nesta época surgiu em Metrópolis Lex  Luthor II, que se dizia um filho perdido do magnata. Só que na verdade o velho Lex tinha transferido seu cérebro para um jovem corpo clonado e assim convenceu até mesmo o Superman de que era um filantropo e chegou a namorar a Supergirl  (Matrix). Mais tarde o novo corpo começou a degenerar e a verdade veio a público. Curado, Lex seguiu no corpo clonado, mas parou de fingir ser seu próprio filho.

Bizarro
b0

Clone de: Superman

Embora tenha múltiplas versões e, por isso, muitas origens, a maioria das encarnações de Bizarro começa com a tentativa de Lex Luthor de clonar o Superman. No período pós-crise, Luthor tentou, por duas vezes, produzir uma duplicata do herói e em ambas as tentativas o resultado foi uma criatura pálida, com poderes opostos aos do Homem de Aço e personalidade infantil e violenta. Os dois clones morreram pouco depois de seus nascimentos, o primeiro em confronto direto com o Superman e o segundo em um incidente no laboratório do próprio Luthor. Mais tarde a esposa de Luthor, Erica del Portenza, criou um terceiro clone, que se autodestruiu após realizar sua missão. Na fase Novos 52, durante a saga Vilania Eterna, um novo Bizarro clone, criado por Luthor, foi apresentado. Esta versão atualmente luta ao lado de Jason Todd e Artemis em Red Hood and the Outlaws.

Kon-El (Superboy, Conner Kent)superboy-1

Clone de: Superman e LexLuthor

Criado pelo projeto Cadmus, através de uma mistura de material genético de Clark Kent com o de um doador humano, que mais tarde descobriu-se ser Lex Luthor, o Superboy foi uma peça importante da saga O Retorno do Superman. Suas aventuras no Havaí foram marcadas por um tom de aventura e comédia próprios da década de 1990. Após ser controlado por Luthor e atacar seus colegas dos Novos Titãs, se exilou em Smallville. Se redimiu poucos meses depois, ao dar a vida para impedir que Alexander Luthor e o Superboy Primordial destruíssem a Terra durante a Crise Infinita. Foi ressuscitado com ajuda da Legião dos Super-Heróis e voltou aos Titãs, equipe em que permaneceu até o reboot da DC. Na fase Os Novos 52, uma versão do Superboy clone chegou a ser apresentada, mas com origem totalmente diferente e, sem nunca ganhar o destaque de seu antecessor, acabou descartado.

Heregeherege

Clone de: Damian Wayne

Quando Tália Al Ghul percebeu que seu filho Damian Wayne não voltaria para o seu lado, fez questão de mostrar para ele que já havia começado a produção de um clone para substituí-lo. O que Damian não imaginava era que sua mãe alteraria o clone para que ele chegasse rapidamente na idade adulta e tivesse força sobre-humana. O “novo filho” de Tália se tornou seu guarda-costas e passou a ser chamado de Herege. Foi apenas na reta final da fase Corporação Batman que teve seu nome marcado na história da DC Comics. O Herege assassinou Damian Wayne em batalha e se tornou, desta forma, o segundo vilão, ao lado do Coringa, a matar um Robin. Batman espancou o assassino quase até a morte, mas quando seu capacete quebrou, e revelou a face de uma criança, Bruce Wayne desistiu de sujar suas mãos. Logo após, Tália usou sua espada para decepar a cabeça do clone.

Batman Lanterna Negroblack-lantern-batman-turns-everyone-into-a-black-lantern-1

Clone de: Bruce Wayne

Durante a Crise Final, Darkseid atingiu Batman com sua Sanção Omega e o fez ficar perdido em diversas eras. Logo depois, o vilão usou o corpo morto de um clone para que o mundo pensasse que ele havia matado o verdadeiro Cavaleiro das Trevas. O corpo foi enterrado e logo depois robado pelo vilão Mão Negra, que o usou para transformá-lo em um Lanterna Negro por poucos instantes durante a saga A Noite Mais Densa. O simples vislumbre de um Bruce Wayne zumbi desestabilizou fortemente os heróis. Mas a importancia deste clone não terminou aí. Logo após, Dick Grayson recuperou o corpo e o jogou em um Poço de Lázarus. Foi quando emergiu de lá, totalmente irracional, que os aliados do Homem Morcego perceberam que aquele não era o original e partiram em busca de Bruce Wayne.

Ragnarokrag

Clone de: Thor

Durante a saga Guerra Civil, o time de heróis liderado pelo Homem de Ferro contava com uma arma secreta: Thor. Quando o Deus do Trovão entrou no campo de batalha os dois lados do conflito ficaram estarrecidos, já que todos sabiam que o verdadeiro Thor estava morto naquele período. O que eles não sabiam era que Stark havia trabalhado por meses na construção de uma réplica meio clone, meio ciborgue do filho de Odin. Só que o plano saiu do controle e a réplica assassinou friamente o vingador Golias. Stark tirou sua criação da batalha para fazer ajustes e, quando o devolveu para luta, o viu ser destruído por Hércules. Reconstruída, a réplica se recusava a acreditar que era um clone e só acreditou nisso quando enfrentou e foi derrotado pelo Thor original, que já havia ressuscitado. Depois disso assumiu o nome de Ragnarok e fez parte dos Vingadores Sombrios e dos Thunderbolds.

Irmãs Stepford
stepford_cuckoos

Clones de: Emma Frost

As Irmãs Stepford são uma exceção nesta lista, pois ocupam uma posição, apesar de serem três pessoas. Isso acontece porque elas não funcionam exatamente como entidades separadas. O trio é fruto de uma experiência de clonagem que utilizou óvulos de Emma Frost e produziu, inicialmente, uma grande quantidade de clones. No entanto, apenas cinco delas não foram descartadas. Apresentadas inicialmente na fase de Grant Morrison em Novos X-Men, as quíntuplas Stepford eram ligadas umas às outras por um elo telepático. Na mesma duas delas faleceram e o trio restante teve seu elo fortalecido. Atualmente são parte importante do grupo de mutantes liderado por Emma Frost e Ciclope na saga Death of X.

Páreomatch_001

Clone de: Superboy

Quando o Superboy vivia no havaí, o organização secreta Agenda resolveu criar o seu próprio Garoto de Aço para iniciar um exército de clones. Para isso, clonou Kon-El utilizando um processo que quase levou o jovem herói à morte. O resultado foi Páreo, uma cópia melhorada, mais focada e com poderes mais amplos. No entanto, já no primeiro combate Superboy saiu vitorioso. Páreo reapareceu depois de algum tempo e chegou a tomar o lugar do Superboy na Justiça Jovem, enquanto o verdadeiro estava raptado pela Agenda. Depois que foi desmascarado ficou sumido até depois da Crise Infinita, quando retornou na equipe de Titãs formada por jovens delinquentes e liderada pelo Exterminador. Nesta época Páreo apresentava avançada degeneração celular e se comportava como o Bizarro. Depois disso, chegou a servir de hospedeiro para o espírito do ex-herói Jericó e foi morto pelo Superboy Primordial, que usou seus restos mortais para produzir três novos clones, que foram facilmente derrotados por Kon-El e pelos Titãs.


Melhores de 2016 que você ainda vai ouvir falar

Uma seleção de títulos (entre muitos outros) citados repetidamente em diferentes listas estrangeiras de melhores quadrinhos de 2016, como a da Amazon e outros portais influentes como Vulture, Forbes e Paste Magazine, e que têm boas chances de sair no Brasil ou repercutir por aqui em 2017.

Patience

patience_fc_colors-1

Ícone do quadrinho alternativo norte-americano, Daniel Clowes é um daqueles artistas que possuem uma bibliografia breve, mas de alto nível, e como publicam apenas de vez em quando deixam todo mundo atento quando surge um lançamento. O resultado é que Patience se encontra em todas as listas de melhores de 2016, e termina o ano com seus direitos de adaptação para o cinema adquiridos pela Focus Features. A obra publicada pela Fantagraphics traz todos os elementos característicos do autor, como o estilo claro e os personagens de visual tão excêntrico quanto suas personalidades, dessa vez com destaque para as cores exuberantes que ajudam a contar uma espécie de “história de amor de ficção científica psicodélica”. Com a trama vivida por Jack, um homem que tem a chance de viajar no tempo e reescrever a história para salvar sua esposa, Clowes oferece um de seus trabalhos mais diferentes e complexos, mas ainda assim tão carregado de crueza e nostalgia quanto seu clássico Ghost World. [Atualização: A graphic novel foi publicada pela Nemo com o título de Paciência.]

Vision

394180-_sx1280_ql80_ttd_

Depois de aparecer no cinema em Vingadores 2 e Guerra Civil, era de se esperar que Visão ganhasse destaque nos quadrinhos para aproveitar a fama, mas ninguém poderia adivinhar que seria com um dos melhores títulos do ano, diferente de tudo que a Marvel já publicou ou qualquer outra coisa vista dentro do gênero dos super-heróis, como afirma convicto Abraham Riesman, do site Vulture. A trama assinada pelo disputado roteirista Tom King traz um Visão que quer entender melhor os seres humanos, por isso forma uma família e se muda para o subúrbio, em busca do típico “sonho americano”. E é assim que o autor explora as tensões familiares que pairam entre segredos, mentiras e aparências, e podem resultar em desfechos apocalípticos tão arrasadores quanto qualquer outro conflito de super-heróis. Também sobram elogios para os desenhos de Gabriel Hernandez Walta e as cores de Jordie Bellaire, “fazendo uma conversa no refeitório da escola tão intensa quanto uma batalha no espaço”, e o fato de que a HQ consegue estar ao mesmo tempo bem situada na mitologia do personagem e acessível ao novo leitor. É possível que as 12 edições cheguem ao Brasil em encadernados através da Panini, como boa parte do material da Marvel (ainda sem anúncio oficial).

Dark Night – A True Batman Story

stl001584

Paulo Dini não precisou apelar para a ficção para escrever uma das histórias mais impactantes dos quadrinhos. Nessa espécie de autobiografia, o roteirista que ajudou a redefinir o Batman com as animações dos anos 1990 conta o trauma que viveu na época, quando foi espancado por assaltantes e chegou a passar por diversas cirurgias para reconstituir o crânio lacerado. Usando o próprio Batman e outras figuras de Gotham para retratar o período sombrio e angustiante de lenta recuperação que viveu, ele questiona o papel da ficção e sua importância em seu processo de superação e redescoberta. “Aqui estou eu escrevendo essas histórias, mas de repente estou dizendo a mim mesmo, não consigo continuar, não acredito nisso, não há mais heróis pra mim. Onde está meu herói? A resposta é: você precisa ser seu próprio herói”, resume o autor. Outro bom motivo para conferir a obra é o seu desenhista, Eduardo Risso, que encarna com perfeição o clima pesado e realista da história, interpretando a narrativa de Dini com a violência e intensidade que merece. Dark Night: A True Batman Story saiu pela Vertigo e é mais um dos títulos que podem sair no Brasil pela Panini em algum momento. [Atualização: A obra teve seu lançamento nacional anunciado pelo editor Levi Trindade durante a ComicCON RS, em agosto.]

How to Talk to Girls at Parties

how-to-talk-to-girls-at-parties

Qualquer coisa que carregue o nome de Neil Gaiman desperta atenção no meio da cultura pop. E não foi diferente com How to Talk to Girls at Parties, conto do escritor adaptado para os quadrinhos pelos irmãos brasileiros Fábio Moon e Gabriel Bá, e publicado pela Dark Horse na metade do ano. A história, que também vai virar filme estrelado por Elle Fanning, acompanha dois amigos em uma festa e o encontro com garotas estranhas que podem ser muito mais do que parecem. Segundo a Paste Magazine, os gêmeos captaram a sensibilidade do “realismo mágico” de Gaiman e tiraram algo de especial da história, com ilustrações que canalizam a euforia e o entusiasmo da juventude em traços de linhas profundas e expressivas e aquarelas emotivas. Difícil prever quem ficará responsável pela publicação da HQ no Brasil, mas com tantos elogios para dois dos maiores ícones dos quadrinhos nacionais a obra não deve demorar a chegar por aqui. [Atualização: a obra está sendo lançado pela Quadrinhos na Cia com o título Como Falar com Garotas em Festas.]

March: Book Three

march-book-three-cover-100dpi_lg

A notícia repercutiu pouco por aqui, mas nesse ano March: Book Three fez história ao se tornar o primeiro quadrinho a vencer o National Book Award, um dos mais importantes dos Estados Unidos ao lado do prêmio Pulitzer. O livro encerra a trilogia sobre a organização das marchas de Selma a Montgomery pelos direitos civis dos negros nos anos 1960, retratando toda a violência e intolerância enfrentada através do ponto de vista do autor John Lewis, organizador da marcha ao lado de nomes icônicos como Martin Luther King, e hoje deputado federal pelo estado da Georgia. Escrita em parceria com Andrew Aydin e desenhada por Nate Powell, a obra publicada pela Top Shelf tem sido descrita em resenhas americanas como uma das biografias em quadrinhos mais poderosas de todos os tempos, e uma escolha muito simbólica em um ano em que o país elegeu Donald Trump com o apoio da KKK. Por seu peso histórico e pela importância da distinção recebida, é possível que March seja publicado em outros países, se encaixando no tipo de obra que a Companhia das Letras publicaria por aqui através do selo Quadrinhos na Cia.

Sheriff of Babylon

sheriff_bab_cv1_r1_55f8b35be36d56-30857969

O representante da Vertigo nas listas de melhores de 2016 é Sheriff of Babylon, uma das obras que ainda fazem jus à sua definição de “selo adulto”. A trama de investigação sobre um misterioso assassinato ganha contornos originais ao ser situada no Iraque durante a queda do governo de Sadam Hussein, evocando ares de thriller político e militar que pouco se vê nos quadrinhos. Mas o que mais diz sobre a qualidade do título é o nome de seu roteirista, Tom King (que também aparece na lista com o aclamado Visão), que injeta tensão em cada página e transporta o leitor para o ambiente do pós-guerra junto com a fiel e também elogiada arte de Mitch Gerards. Além do talento para narrativa, nesse caso King conta com uma arma secreta: curiosamente o escritor já foi agente da CIA, e usa todo seu conhecimento de campo para fugir das ideias simplistas ao falar de um assunto moralmente complexo e cheio de contradições. A boa notícia é que Sheriff of Babylon está entre os lançamentos da Vertigo confirmados pela Panini em 2017. [Atualização: Com o nome O Xerife da Babilônia, o primeiro volume chegou às bancas brasileiras em maio.]

Paper Girls

papergirls_vol01-1

Vencedora do prêmio Eisner de melhor série estreante, Paper Girls acertou o timing e trouxe a atmosfera das aventuras dos anos 1980 antes mesmo que Stranger Things surgisse e nos fizesse mergulhar em saudosismo. A nova série do aclamado Brian K. Vaughan, de sucessos como Y: O Último Homem, Ex Machina e Saga, é protagonizada por quatro entregadoras de jornal pré-adolescentes que se envolvem em um típico mistério de ficção científica, com direito a diversas referências a clássicos oitentistas. Cliff Chiang, que também levou o Eisner de melhor desenhista pelo título, capricha em sua arte tão bela quanto inovadora, dando um clima ainda mais cool a toda essa nostalgia. Mas o trabalho é elevado pelas cores hipnotizantes de Matt Wilson, que explora todos os tons possíveis entre o azul e o rosa e consegue passar uma sensação de sonho ou lembrança de infância acolhedora, para arrematar o conjunto e fazer de Paper Girls uma das leituras mais fáceis e prazerosas do ano. A série da Image não tem editora confirmada nem previsão de lançamento no Brasil, mas saiu em Portugal pela Devir, que no Brasil publica Saga, também de Brian K. Vaughan. [Atualização: a Devir Brasil confirmou a publicação da obra e lançou o primeiro volume em março.]


Afinal, qual é o gênero (narrativo) do super-herói?

por Iuri Andréas Reblin

Há quase oitenta anos os super-heróis habitam as páginas das revistas em quadrinhos e protagonizam aventuras em filmes e séries em telas de cinema e tevê. As histórias dos super- heróis são marcadas por enredos detetivescos, cômicos, com elementos de suspense, aventura, sobrenatural, e, especialmente, elementos do gênero da ficção científica como viagens no tempo, robótica e tecnologias futuristas, invasão alienígena, incursões submarinas, apocalipse zumbi. Em outras palavras, elementos que expressam realidades não existentes que podem ou não se tornarem uma realidade no mundo em que vivemos, mas que expressam sempre nossos sonhos, medos, aspirações e percepções inspiradas no contexto em que vivemos.

Por causa da presença desses elementos de fantasia e de ficção científica, frequentemente, durante muito tempo, as histórias dos super-heróis eram atribuídas ao gênero da ficção científica. E essa associação das histórias dos super-heróis com o gênero da ficção científica foi endossada por dois fatores: pelo fato de seu primeiro representante, o Super-Homem, ter elementos de ficção científica em sua história de origem e, num sentido amplo e bem mais determinante, pelo fato de as histórias dos super-heróis em geral serem provenientes das (terem como pré-História as) pulps (antigas revistas com histórias de ficção científica de personagens como Buck Rogers, Gladiador, O Sombra, Doc Savage, Zorro, Tarzan entre outros).

411246_10150834626845039_11937280038_11441801_350518093_o

Agora, mesmo que o Super-Homem tenha sua origem calcada na ficção científica, outros personagens e outras histórias que surgiram na esteira de seu sucesso tinham outras inspirações. O Capitão Marvel, por exemplo, possui suas características básicas baseadas em elementos míticos, mágicos e religiosos. As histórias do Batman são marcadas por aspectos do suspense e do policial. O personagem Espectro possui sua premissa marcada pelo sobrenatural. Isto é, não é a presença de elementos da ficção científica em uma história que define uma história como pertencente ao gênero. Assim como não é a presença de um crime ou de uma investigação que define uma história como pertencente ao gênero policial, por exemplo.

Para participar de um ou outro gênero, uma determinada história precisa possuir ou corresponder a certas convenções primárias, isto é, possuir critérios estruturantes dos gêneros. Nessa direção, Peter Coogan e outros pesquisadores vão defender que as histórias dos super-heróis possuem características que tornam possível definir essas histórias como pertencentes não a este ou aquele gênero, mas como um gênero próprio.

818iikmup9l

Na leitura de Peter Coogan, para ser um gênero próprio um conjunto de histórias precisa corresponder a diversos critérios, internos e externos. Internamente, um gênero narrativo precisa ter 1) uma pré-história; 2) um ciclo evolutivo próprio; e 3) características primárias exclusivas. Externamente, esse gênero precisa ser reconhecido enquanto tal de modo que suas características internas estejam enraizadas no universo simbólico-cultural cotidiano, e isso se dá pelos seguintes movimentos: 1) nomeação, isto é, um gênero precisa ser nomeado; 2) paródia, isto é, um gênero precisa ter suas características primárias enraizadas de modo a possibilitar a piada; 3) imitação e 4) repetição, isto é, um gênero precisa possibilitar a reprodução num movimento de padronização e diferenciação (a permanência das características primárias e, ao mesmo tempo, o exercício de originalidade), em outras palavras, para não cair na falácia de dizer que todos os super-heróis são cópia do Super-Homem.

Claro, num sentido amplo, todos e quaisquer personagens são cópias do Super-Homem, visto que é ele que inaugura o gênero. A tensão entre avaliar se determinado personagem é cópia ou não acontece justamente na tensão entre padronização e diferenciação do gênero (é a mesma tensão que nos possibilita identificar Conan e He-Man como personagens de um mesmo gênero, mas com suas originalidades preservadas, por exemplo).

Acerca dos critérios internos, as histórias dos super-heróis possuem sua pré-história calcada nas pulps, cujas histórias e personagens já apresentavam os elementos que os super-heróis reuniriam, como o superpoder, a identidade secreta, a missão do herói voltada à questão da justiça e luta por uma nova ordem social. O ciclo evolutivo é identificado por aquilo que se convencionou chamar de “Era de Ouro”, “Era de Prata”, “Era de Bronze”. Esse ciclo, desconsideradas aqui possíveis variações (como a “Era Moderna”, “Era de Ferro”, apresentadas por alguns teóricos), comumente apresentado nas “histórias das histórias em quadrinhos”, refere-se, na verdade, ao ciclo evolutivo do gênero do super-herói (que, claro, se confunde com a própria história das histórias em quadrinhos).

web-superman-comic-1

Já a questão das características primárias requer uma reflexão à parte, a ser disposta em outro momento. As histórias dos super-heróis correspondem a todos esses critérios de modo que podemos afirmar que as histórias dos super-heróis podem ser consideradas um gênero próprio que Coogan e outros chamam de Superhero genre ou o Gênero do Super-Herói. Este é nomeado de maneira similar ao gênero policial, em que as características do gênero giram em torno do seu personagem principal. Nildo Viana, téorico de quadrinhos, por sua vez, prefere nomear o conjunto de histórias de super-heróis como o gênero da superaventura. Para Viana, Superaventura definiria melhor o gênero, porque remete à jornada do herói, característica comum no gênero da aventura, tendo o super-herói (e não o herói) como personagem central.

De todo o modo, seja “gênero do super-herói” ou “superaventura”, os super-heróis surgiram das histórias em quadrinhos, conquistaram desde cedo outras mídias como o rádio, o cinema e a televisão, e transformaram-se num fenômeno transmidiático, penetrando no imaginário comum, de modo que, gênero próprio ou não, não é mais possível conceber um universo narrativo que não tenha personagens com superpoderes para lutar por justiça, igualdade e liberdade.

Para saber mais

COOGAN, Peter. Superhero: the secret origin of a genre. Austin: MonkeyBrain Books, 2006.

REBLIN, Iuri Andréas. O alienígena e o menino. Jundiaí: Paco Editorial, 2015. Cap. 2. Tópico 2.2.2

E também a entrevista aos Quadrinheiros aqui

Coluna Iuri2Iuri Andréas Reblin é Doutor em Teologia. Autor de Para o alto e avante: uma análise do universo criativo dos super-heróis, de O Planeta Diário: rodas de conversa sobre super-heróis, quadrinhos e teologia e autor de O Alienígena e o Menino, além de co-organizador de Super-heróis, cultura e sociedade. Em 2013, sua tese sobre HQs conquistou o Prêmio Capes de Tese, reconhecimento de um dos órgãos mais significativos de avaliação dos programas de pós-graduação no país. Sim, é possível ganhar prêmio pesquisando sobre quadrinhos!


A caixa de mistério e o que há dentro dela

Por Bruno Andreotti AKA Nerdbully dos Quadrinheiros

Há alguns anos o célebre J. J. Abrams fez uma palestra para o TED. Ele ainda não tinha em seu currículo a revitalização da franquia Star Trek para o cinema, muito menos a continuação da saga Star Wars. Na época, o maior destaque do trabalho dele era a série Lost (que ainda não havia acabado) no auge do seu sucesso, o que já o gabaritava para dizer algo a respeito de narrativas.

O ponto central de sua fala é a mystery box, traduzindo literalmente, Caixa de Mistério. Sua origem está em programas de auditório dos Estados Unidos onde muitas vezes o participante poderia trocar um excelente prêmio pelo que estava dentro da caixa. E podia haver qualquer coisa dentro da caixa.

star-wars-efeitos-capa-agambiarra-e1442325810341-1170x480

O que J. J. Abrams ensina é que o segredo está em ter o controle narrativo sobre o que o público sabe e o que não sabe. E isso é um dos pontos que nos mantém interessados em uma história. E ele dá um exemplo disso utilizando (curiosamente) Star Wars:

“Você tem os droids, eles encontram uma mulher misteriosa. Quem é ela? Nós não sabemos. Caixa de mistérios! Então você encontra Luke Skywalker. Ele fica com o Droid, você vê o holograma. Você aprende. Oh, é uma mensagem, sabem? Ela quer encontrar Obi Wan Kenobi. É a sua única esperança. Mas quem diabos é Obi Wan Kenobi? Caixa de mistérios. Então ele vai e encontra Ben Kenobi. Ben Kenobi é Obi Wan Kenobi. Caramba! Sabem, – então a história mantém a gente…”

Ao abrir-se uma caixa é revelado um mistério e, com essa revelação, outra caixa com outro mistério, como uma matrioska (boneca russa), até o final da narrativa, que muitas vezes termina com uma caixa não aberta. Peter Griffin, em um dos episódios de Family Guy, diz: Um barco é um barco, mas a Caixa de Mistério pode ser qualquer coisa – até mesmo um barco! Ou seja, a Caixa de Mistério lida com dois fatores importantes: a curiosidade e a expectativa. Porque, meu caro… se você mostra uma caixa ao público, pode apostar que ele vai querer que ela seja aberta. Alguns exemplos.

Na nova série do Flash o que não faltam são grandes caixas de mistério: Quem é o Flash-Reverso? Harrison Wells é um aliado ou inimigo? E assim que esses mistérios são revelados, novas caixas: Quem é Zoom? Quem é o homem na máscara de ferro? Caixas e mais caixas. Pode ser um truque barato, mas é inegável que funciona. Porém nem sempre de maneira positiva. Se você criar uma curiosidade e expectativas muito grandes em uma narrativa, dificilmente será capaz de saciar seu público.

the-flash

Em Y – O último homem uma das grandes caixas de mistério é o motivo da extinção de todos os homens. Quando Brian K. Vaughan explica… algo se perde. A curiosidade e a expectativa de saber o motivo eram tão grandes que não seria possível dar uma explicação que agradasse a todos, pois qualquer resposta não seria satisfatória. Seguindo a lógica de Peter Griffin: enquanto é um mistério a explicação pode ser qualquer coisa e, ao abri-la, ela se torna uma coisa. As possibilidades infinitas se materializaram em apenas uma e isso jamais poderia saciar a expectativa e curiosidade de todos – no máximo de alguns –, mais ou menos como um Gato de Schrödinger. Convenhamos: um gato vivo e morto é muito mais interessante que um gato vivo ou morto.

gallerycomics_v_1900x900_20140900_y-last-man-book-1-sc_53b2fefccffe08-24374787

O próprio J. J. Abrams parece ter tido dificuldade em aprender a própria lição ao julgar pelo final de Lost (curiosamente, Brian K. Vaughan foi roteirista da série…). Nem toda caixa de mistério deve ser aberta. Em Highlander II quiseram explicar a origem dos imortais sendo alienígenas que seriam mandados à Terra como punição. Em Star Wars, no episódio I, quiseram explicar a origem da Força com as Midi-chlorians. Há uma lição a ser aprendida: alguns elementos devem permanecer misteriosos.

Em sua palestra, J. J Abrams diz: há momentos em que o mistério é mais importante que o conhecimento. Os melhores contadores de histórias sabem dosar as duas coisas.

 

capa-livro-quadrinheiros-2-1OS DOIS LADOS DA GUERRA CIVIL – livro que disseca uma das histórias mais épicas da Marvel, fazendo uma análise histórica e filosófica desse conflito. Primeiro livros dos Quadrinheiros, onde analisamos por que a postura ideológica dos super-heróis diz tanto sobre conceitos que abrangem o Estado, a Liberdade, a Segurança, a Tolerância e o Preconceito.

quadrinheiros2Os Quadrinheiros tem como missão ampliar a leitura do mundo a partir das histórias em quadrinhos. Através de reflexões aprofundadas ou comentários engraçados, conectam a nona arte a diferentes áreas do conhecimento, aliando a paixão dos fãs e o rigor de acadêmicos e pensadores. Visite o blog www.quadrinheiros.com e conheça o canal youtube.com/osQuadrinheiros.


Marvel, Star Wars e a simbiose da cultura pop

Hoje no Brasil não é difícil encontrar exemplares que adaptam o universo de Star Wars para as páginas dos quadrinhos. Além de uma coleção de 70 volumes em fase de publicação, temos à disposição duas mensais regulares, além de encadernados eventuais. Esse boom de publicações se deu muito devido ao retorno dos personagens de George Lucas ao cinema em 2015, com o lançamento de Star Wars – Episódio VII: O Despertar da Força, graças à compra da LucasFilm pela Disney. A retomada da franquia foi bem-sucedida e nesta semana estreia mais um episódio da saga, com o filme Rogue One: Uma História Star Wars.

Com a Marvel também sendo domínio da empresa do Mickey, os direitos para a produção de quadrinhos de Star Wars, antes pertencente à editora Dark Horse, voltou para a Casa das Ideias. Voltar, sim, pois antes mesmo do pioneiro Episódio IV estrear em 1977, a Marvel já trabalhava com HQs de Luke Skywalker e cia. Novamente com a rentável franquia em mãos, a editora conseguiu mais uma vez unir o útil ao agradável e explodir o mercado de HQs americano.

Na segunda metade dos anos 1970, a Marvel estava passando por mais um de seus inúmeros períodos negros no que diz respeito a finanças. George Lucas e Charles Lippincott, responsável pela divulgação do primeiro Star Wars, tinham como objetivo promover o filme através de quadrinhos e brinquedos, pois sabiam que trabalhariam com o mesmo público dos três produtos. Sem interesse por parte da DC Comics, Lippincott foi atrás da Marvel e, num de seus vários esforços para convencer Stan Lee a publicar uma HQ que adaptasse o filme, cedeu de graça os direitos de publicação. Além disso, assumiu os custos de produção dos cinco primeiros números que fossem lançados. Segundo Lippincott, não era de seu conhecimento a situação econômica da editora, que não pôde recusar tamanha oferta, mesmo que esta não colocasse muitas esperanças no projeto ainda desconhecido.

Com um roteiro preliminar do longa e algumas imagens conceituais, Roy Thomas (Conan, Vingadores), roteirista, e Howard Chaykin (American Flagg, Nick Fury), desenhista, foram os responsáveis pelas primeiras edições de Star Wars. Os dois primeiros números foram lançados dois meses antes da estreia do filme, e contavam com cenas que foram deletadas no corte final, como uma conversa entre Han Solo e Jabba, The Hutt, com um design completamente diferente do apresentado em sua primeira aparição no cinema no terceiro filme. Após 6 edições contando a história do filme, a revista continuou publicando aventuras dos protagonistas, focando nas viagens de Han Solo e Chewbacca e seus encontros com diversos alienígenas. A HQ foi um sucesso estrondoso, com suas três primeiras edições chegando a ter tiragens de, aproximadamente, 1 milhão cada, segundo dados do Comichron. Foi um dos grandes fatores que fizeram a editora sair do buraco.

Em 1987, os direitos de publicação de HQs baseadas na franquia passaram para a então iniciante Dark Horse, que depois se consagraria pelos quadrinhos que adaptavam filmes e demais mídias. Foi em 2015 que a Marvel voltou a trabalhar com Star Wars, desconsiderando o vasto universo expandido que foi desenvolvido pelas histórias da Dark Horse. Investindo pesado na franquia, a Casa das Ideias colocou alguns de seus melhores roteiristas e desenhistas para trabalhar nas séries e minisséries de “Guerra nas Estrelas”. Jason Aaron (Escalpo, Thor: O Deus do Trovão) e John Cassaday (Planetary, Surpreendentes X-Men) ficaram com a série mensal Star Wars, muito elogiada por crítica e público, chegando a 1 milhão de cópias da primeira edição no mercado direto americano. Kieron Gillen, Mark Waid e Salvador Larroca também escreveram títulos da franquia, que é figura fácil nas listas de mais vendidas do mês segundo análises de vendas dos EUA.

No Brasil, as primeiras edições produzidas pela Marvel foram publicadas em 1978 pela Editora Bloch, que recolorizou as HQs, deixando-as com cores vibrantes e extravagantes. Parte da fase clássica da Marvel também foi publicada pela Editora Abril, dentro da revista O Incrível Hulk. Em 2014, a Editora Planeta DeAgostini iniciou uma coleção de 70 volumes em capa dura e papel couchê, publicando todas as HQs de Star Wars da primeira fase pelas mãos da Marvel, além de boa parte do que foi lançado pela Dark Horse. No mesmo ano, a Panini iniciou a publicação de Star Wars Legends, que compila as últimas histórias produzidas pela Dark Horse. A editora também passou a publicar os quadrinhos da segunda fase Marvel em 2015, em duas revistas mensais: Star Wars e Star Wars: Darth Vader, além de vários encadernados com minisséries e graphic novels desse rico universo criado por George Lucas.


Capas de discos de rock por ícones dos quadrinhos

por Lucas Gonçalves e Marina de Campos

Para alguém que ama com igual intensidade o rock e os quadrinhos, ver uma capa de disco assinada por um quadrinista é meio que o “crossover” dos sonhos. Talvez porque ambos tenham esse pé eternamente fincado na adolescência e passem a sensação de que tudo é possível, desde um encontro de lendas como Janis Joplin e Robert Crumb de várias décadas atrás, até a mais recente combinação do gênero com os artistas indie Wilco e Joan Cornellà, lembrando o quanto a mistura desses dois mundos pode dar certo. Confira uma breve lista nada democrática, baseada apenas em preferências pessoais e curiosidades legais.

Janis & Crumb

cheap-thrills-87

por Marina de Campos

Uma das mais antigas parcerias do gênero, a capa do disco “Cheap Thrills” condensa todo o espírito da contracultura dos anos 1960, já que reúne Janis Joplin, a maior intérprete feminina da história do rock, e Robert Crumb, o pai dos quadrinhos underground. A colaboração só aconteceu depois que a ideia de estampar uma foto dos integrantes da banda nus numa cama foi vetada pela gravadora. Inicialmente Crumb faria a arte para a contracapa do disco, retratando cada uma das faixas (clássicos como “Summertime” e “Piece of My Heart”) em um quebra-cabeças colorido e vibrante, mas a cantora gostou tanto dos desenhos que pediu à Columbia para usar a arte na capa. Decisão certeira: “Cheap Thrills” está entre as 10 melhores capas de álbuns de todos os tempos segundo a Rolling Stone.

Anthrax & Alex Ross

anthrax-for-ll-kings

por Lucas Gonçalves

Anthrax, com toda a certeza, é a banda mais nerd do metal: Scott Ian, guitarrista e fundador da banda, é viciado em quadrinhos – tanto que até já escreveu uma minissérie do Lobo! -, nos livros do Stephen King e em filmes de terror. Tais características podem ser vistas nas capas dos álbuns “We’ve Come for You All“, “Music of Mass Destruction” e “For All Kings”, todas lindamente ilustradas por Alex Ross, artista de obras-primas como Reino do Amanhã, Marvels e Superman: Paz no Mundo, e grande amigo da banda. Quer outra prova? Então escute “I Am The Law”, cuja letra é baseada nas HQs do Juiz Dredd!

Iggy Pop & Burns

tumblr_nk0259rjyh1rhjbado1_1280

por Marina de Campos

Se você sabe que Iggy Pop é o padrinho do punk e conhece Charles Burns de Black Hole, você deve ser uma pessoa de gostos esquisitos. Os dois são lendas do cenário alternativo americano, artistas de estilo único que não encontram paralelo com outros nomes na música ou nos quadrinhos, mas foram se encontrar na capa do disco “Brick by Brick”, de 1990. Enquanto o vocalista dos Stooges é lembrado pelas performances mais viscerais e imprevisíveis do rock, Burns criou uma espécie de pop art dark grotesca e inconfundível. Ambos sempre envoltos por uma atmosfera sexual bizarra, que consegue ser chocante, atraente e incômoda ao mesmo tempo.

A descrição de Burns sobre a aprovação do trabalho é surreal quanto suas obras. “A gravadora não precisou me perguntar duas vezes. Basicamente eles disseram: faça a capa, mostre para Iggy, se ele gostar, está feito. E acontece que ele foi muito legal e normal, Allen Ginsberg estava visitando sua casa quando eu apareci, então nós nos sentamos lá e olhamos a capa, Iggy riu e eu tomei isso como um sim”. Além disso, Iggy Pop repetiu a mistura em 2009 na capa do disco Préliminaires, ilustrada pela quadrinista iraniana Marjane Satrapi. Os dois se tornaram amigos depois que o cantor deu voz ao tio da protagonista na animação de Persépolis.

Iron Maiden & Tim Bradstreet

album_iron_maiden_a_matter_of_life_and_death

por Lucas Gonçalves

Apesar de não ter nada provando que os britânicos do Iron Maiden leiam quadrinhos, temos que admitir que Bruce Dickinson, Steve Harris e o restante da banda acertaram em cheio quando chamaram Tim Bradstreet (Hellblazer, Justiceiro, Soldado Desconhecido) para ilustrar a capa do álbum “A Matter of Life and Death”. Sem contar que Derek Riggs, principal ilustrador dos álbuns da banda e o criador do Eddie, o mascote da banda, colocou a Tarde e o Batman como brincadeira na capa do CD “Somewhere in Time”.

Zappa & Liberatore

tumblr_lke9df4jqq1qhrwxqo1_1280

por Marina de Campos

Essa é uma das colaborações mais legais e significativas do gênero, por trazer o músico retratado como um personagem dos quadrinhos. Mas é claro que se tratando de Frank Zappa – artista excêntrico e controverso mesmo para o esquisito mundo do rock – era de se esperar que não fosse Batman ou Superman. Na capa de The Man From Utopia, de 1983, Zappa se transforma em uma versão de Ranxerox assinada pelo italiano Tanino Liberatore, criador do polêmico personagem. A arte reproduz um conturbado show do músico em Palermo, na Itália, com detalhes ultrarrealistas como os mosquitos atrapalhando a apresentação a céu aberto e a confusão da plateia com a polícia, que precisou usar bombas de gás lacrimogênio para afastar a multidão do palco. Retrato de caos e loucura, combinando muito bem os dois universos.

Danzig & Bisley

danzig-666-satans-child-51c1c45fb9aaa

por Lucas Gonçalves

Outro grande leitor de quadrinhos, Danzig sempre deixou seu gosto pela nona arte bem explícito em entrevistas ou em sua própria carreira. Além de já ter se oferecido para ser o Wolverine no cinema, o ex-vocalista do Misfits já escreveu algumas HQs ao lado de Simon Bisley, lendário artista de Lobo e Hellblazer, e responsável por algumas capas de disco do Danzig, como “Thrall: Demonsweatlive”, “6:66 Satan’s Child” e “The Lost Tracks of Danzig”.

Kula Shaker & Gibbons

kula-shaker-20th-anniversay-k-album-uk-tour

por Marina de Campos

O famoso desenhista de Watchmen é um fã de rock declarado, o que se vê tanto em seus trabalhos – como a HQ The Originals, que reproduz as brigas entre mods e rockers ingleses nos anos 1960 – quanto nas capas de disco que já produziu, entre elas Too Old to Rock’n Roll: Too Young to Die!, do Jethro Tull, que ainda traz uma história em quadrinhos em seu interior. Mas a obra mais intrigante do gênero é a capa de K, cultuado álbum da banda de britpop Kula Shaker que retrata diversas personalidades com essa inicial, como John Kennedy, Karl Marx, Krishna, King Kong, Martin Luther King, Grace Kelly e até Kal-El, nome original do Superman.

Alice Cooper & McKean

alice-cooper-the-last-temptation-lp

por Lucas Gonçalves

Além de ser uma das maiores estrelas do mundo do rock, Alice Cooper sempre esteve ligado aos quadrinhos – o próprio já foi personagem principal de diversas HQs. Em “The Last Temptation”, o rockstar contou com a bela capa de Dave McKean, artista de obras cultuadas como Sandman, Hellblazer e Batman: Asilo Arkham, aumentando ainda mais o clima sombrio da história do álbum conceitual. Aliás, o disco foi adaptado para uma HQ em três partes por ninguém menos que Neil Gaiman e Michael Zulli em 1994, pela Marvel Comics.

Wilco & Cornellà

f3838e90

por Marina de Campos

Por pouco Cornellà e Wilco não se cruzaram no Brasil, já que o artista espanhol esteve no país em setembro para a Bienal de Quadrinhos de Curitiba e a banda norte-americana passou com sua turnê por aqui em outubro. Mas eles se encontram em “Schmilco”, novo disco que traz na capa a arte tipicamente mórbida e nonsense do cartunista. Ícone indie, o grupo de Chicago procurou um dos ilustradores mais alternativos do momento (apesar de sua crescente e inusitada popularidade) para uma parceria que surpreendeu e agradou tanto os fãs de música quanto de quadrinhos, e lembrou a todos o quanto esse tipo de parceria pode dar certo. Além de “Schmilco” e os discos anteriores da banda disponíveis online, o público brasileiro pode encontrar o trabalho de Cornellà nas redes sociais e também em Zonzo, álbum publicado este ano pela Mino.

Satriani & Byrne

surfing

por Lucas Gonçalves

Se outros músicos da lista são leitores vorazes de quadrinhos, o mesmo não se pode dizer de Joe Satriani que, ironicamente, gravou o maravilhoso “Surfing With the Alien”, cuja capa traz ninguém menos do que o Surfista Prateado desenhado pelo mestre John Byrne! Em uma entrevista para a revista Guitar World em 2009, Satriani admitiu que a capa com o ex-Arauto de Galactus foi um “acidente” envolvendo a música-título e o gerente de produto da gravadora, Jim Kozlwski. Apesar de Satriani não conhecer nada sobre o grandioso mundo das HQs, “Surfing With the Alien” é um álbum que merece ser ouvido!


Mulher-Maravilha 75 Anos: origens e versões

por Mariana Couto

A Mulher-Maravilha acaba de completar 75 anos em pleno auge. Princesa das Amazonas, fundadora da Liga da Justiça e uma das mais poderosas defensoras da paz e da igualdade, Diana Prince surgiu em dezembro de 1941 e desde então é conhecida como o grande arquétipo das super-heroínas – e provavelmente a mais popular de todas. Sua história de origem mais clássica está prestes a ser contada no cinema, na superprodução que estreia em junho de 2017 com direção de Patty Jenkins e atuação de Gal Gadot, mas ao longo de todas essas décadas a personagem já teve seu surgimento reformulado diversas vezes, e passou por diferentes fases e versões.

[Vídeo comemorativo da DC com os visuais da Mulher-Maravilha em 75 anos]

ATENÇÃO: a lista pode conter spoilers

Origem clássica

h-g-peters-wonder-woman-number-1-1942

Criada por William Moulton Marston e H.G. Peter, Mulher-Maravilha estreou em All-Star Comics #8 em dezembro de 1941 (três anos depois de Super-Homem, e dois anos depois do Batman, que juntos formam a Trindade da DC). Marston, que também foi um dos inventores do detector de mentira, ficou convencido após estudos que as mulheres eram mais confiáveis que os homens, e deu à Mulher-Maravilha a sua arma mais conhecida: o Laço da Verdade. Em sua primeira história, o piloto americano Steve Trevor cai na Ilha Paraíso enquanto persegue um espião nazista. Diana cuida da recuperação de Steve, descobre os horrores da guerra e decide levá-lo para a América. Diana então percebe a sua missão: Levar paz à Terra.

Pós-Crise

02-pos-crise

Após a Crise das Infinitas Terras, Mulher-Maravilha ganhou uma nova origem nas mãos de George Pérez. Em Mulher-Maravilha: Entre Deuses e Mortais, as Amazonas eram reencarnações de almas de mulheres maltratadas e assassinadas desde os tempos antigos, incluindo a rainha Hipólita, que na época do seu assassinato estava grávida. Por ordem da Deusa Athena, a rainha moldou em barro uma bebê menina, que receberia a reencarnação de sua filha. Mulher-Maravilha recebeu seus poderes dos Deuses: Demiter lhe deu a força, Afrodite a beleza e bom coração, Athena a sabedoria, Artemis habilidades de caçadora e dom de comunicação com os animais, Hestia a irmandade com fogo, Hermes velocidade e poder de voo e Festus deu para a Amazona o seu Laço da Verdade.

Novos 52

03-novos52

Nessa versão escrita por Brian Azzarello, Mulher-Maravilha não veio de uma escultura de barro, mas é filha de Hipólyta e Zeus, ou seja: é uma Semideusa da Guerra e herdeira Real. Este arco é centrado em como Diana lida com múltiplas relações e responsabilidades. Afinal deve ser no mínimo complicado ser Rainha das Amazonas, membro da Liga da Justiça e Deusa da Guerra. Nesta época acontece também o romance entre a Amazona e o Superman.

Terra 3: Superwoman

04-superwoman

A personagem conhecida como Superwoman é membro do Sindicato do Crime, um análogo da Liga da Justiça. Diferente da Mulher-Maravilha, Superwoman tem outros poderes como visão de calor, e seu laço mágico tem o poder de liberar as inibições de quem esteja amarrado. É amante de Ultraman (versão do Sindicato do Crime do Superman) e tem encontros com o Coruja (versão Terra 3 do Batman).

Amazon

5450fd243b9c315955bf95f8182aee44

É a união entre a super-heroína da Marvel, Tempestade, e a Mulher-Maravilha, da DC Comics, no projeto Amálgama. Nesta versão, Ororo é uma metamutante que quase se afogou quando era criança, mas foi resgatada pela Rainha de Themyscira. Hypólita cria Ororo como Amazona, junto de sua filha Diana. Quando cresceu Ororo desenvolveu a capacidade de controlar o tempo, e aprendeu junto às Amazonas a concentrar seus poderes em um laço de raio, que obrigaria as pessoas presas por ele a falar a verdade. Quando volta para o mundo dos homens se apresenta como Mulher-Maravilha; mas logo troca seu nome para Amazona com a missão levar a paz aos homens.

Terra 9: Tangent

06-tangent

Versão Alienígena da Mulher-Maravilha. Resultado de uma engenharia genética entre duas espécies exóticas de alienígenas: uma com a força bruta e outra com poderes sônicos. Wanda é o símbolo de que os povos poderiam estar unidos, combinando os dois aspectos diversos, ponderando os pontos filosóficos em vez de optar por lutar.

Terra 19

07-terra19

Durante o século XIX, ocorre uma misteriosa explosão que mata a Rainha Victória e toda sua família, com exceção do Duque “Eddy” de Clarence, que fica incapacitado de assumir o trono. Um americano reivindica o trono e torna-se Rei Jack. A Ilha Paraíso é invadida pelo capitão Steven Trevor e seus Marinheiros reais. A Amazona Diana é sequestrada e é forçada a se casar. A agora Senhora Trevor torna-se a estrela de um espetáculo teatral. Diana consegue fugir e adota a alcunha de Mulher-Maravilha, mostrando-se uma grande heroína, liberando as mulheres oprimidas do império e derrotando o terrível Jack.

Flashpoint

08-flashpoint

Momentos antes do casamento da Mulher-Maravilha com Aquaman, a Rainha Hipólita é assassinada impedindo assim a união entre os Atlantis e as Amazonas. Mulher-Maravilha e suas Amazonas passam anos causando estragos na Europa, conquistando o Reino Unido e matando 12 milhões no processo. Anos depois, Mulher-Maravilha mata Mera, então esposa do Aquaman, iniciando-se assim uma guerra entre os povos.

Terra 11: Wonderous Man

09-terra11

Versão masculina da Mulher-Maravilha. Dane, como também era conhecido, é mais violento e agressivo do que as suas contrapartes femininas. O Wonderous Man foi expulso da Liga da Justiça por sua postura na execução de Maxwell Lord. Passou também a liderar seus irmãos, os Amazônidas, em um ataque contra o mundo Moderno.

Terra 31

10-terra31

Conhecida como a Mulher-Maravilha do Frank Miller. Neste universo Mulher-Maravilha volta à sua terra natal após os super-heróis tornarem-se foras-da-lei. Ela e Superman têm uma filha chamada Lara. Juntos participam do plano de Batman para destruir a ditadura. Essa versão é mais agressiva e com ódio maior em relação aos homens. Em TDK: III Diana mais uma vez volta a Themyscira, com o seu segundo filho com Superman, Jonathan.

DC Um Milhão

11-dc1milhao

Membro da Justice Legion Alpha. É a Mulher-Maravilha do século 853. Nesta versão uma estátua de Mármore ganha vida graças à Deusa da Verdade. Com poderes semelhantes aos da Mulher-Maravilha original com duas armas que mudam de formato, e agem de forma similar aos braceletes da Amazona.

Terra 23: Nubia

12-nubia

Diana é confrontada por uma mulher guerreira trajando uma armadura. Durante a batalha, a misteriosa guerreira derrota Diana, mas hesita em matá-la. A guerreira se apresenta como Nubia, a verdadeira Mulher-Maravilha. Hipólita afirma que havia feito dois bebês de argila, e que ambos foram trazidos à vida pelos Deuses. Mas Marte, Deus da Guerra, sequestra Nubia e a leva para a Ilha Flutuante, morada de homens e governada pela Guerreira.

Terra 22: Kingdom Come

13-kingdom-come

História de origem semelhante à versão tradicional da Mulher-Maravilha. Foi criada pelos Deuses, é imortal e mantém a juventude graças a eles. As Amazonas consideram a sua missão de trazer “Paz ao Mundo do Homem” um fracasso, fazendo com que Mulher-Maravilha comece a ser lentamente consumida por uma raiva interna, graças ao seu exílio da Ilha Paraíso. Ela namorou Superman enquanto este estava já na meia idade.

Bizarra

14-bizarra

A personagem é uma versão distorcida da Mulher-Maravilha que faz parte da Liga Bizarra e habita o planeta em forma de cubo, Htrae. Simplória, possui o laço da mentira e seu sutiã é à prova de balas. É superforte e muito lenta. Ela ama os homens e acredita que eles são superiores às mulheres (bizarro, não?!).

Terra Um

15-terra1

Há 3 mil anos, as Amazonas foram capturadas por Hercules e seus homens. Quando o semideus tenta abusar fisicamente de Hipólita, ela o mata, libertando assim as mulheres e iniciando uma revolução contra os homens. Nos tempos atuais, Mulher-Maravilha é presa e levada para Ilha Paraíso para ser julgada pelas Amazonas por ter feito contato com o mundo dos homens. Nesta versão escrita por Grant Morrison vemos a princesa Diana como curandeira e pacifista e ficamos sabendo também a sua nova origem.


Redação Multiverso é o site colaborativo de produção de conteúdo sobre quadrinhos
da Produtora Multiverso, em uma iniciativa paralela e complementar à realização da
ComicCON RS – principal convenção de quadrinhos e cultura pop do Rio Grande do Sul.