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Artistas reinterpretam The Spirit em tributo a Eisner

Claiton Silva

No ano que marca o centenário de Will Eisner, artistas de todo o Brasil se reuniram em uma homenagem baseada na reinterpretação de The Spirit, sua principal criação. O resultado pode ser conferido na exposição virtual 100 Spirits, organizada pelo ilustrador gaúcho Vilmar Rossi Jr.

Participam da iniciativa cartunistas, designers e ilustradores como Bira Dantas, Eduardo Vetillo, Will Sideralman, Jader Domingues Corrêa e Gilmar Fraga. A ação tem como objetivo ser um tributo à obra de Eisner através de releituras das famosas capas da revista que trazia o nome do personagem. “Ele é um dos quadrinistas mais influentes do século XX e se manterá neste patamar por muito tempo”, afirma Rossi.

Filho de imigrantes austro-húngaros, William Erwin Eisner nasceu em 06 de março de 1917, em Nova Iorque, no bairro do Brooklyn. Escritor, ilustrador, empresário, pesquisador e professor, Eisner criou The Spirit em 1940. A HQ narra a história de Denny Colt, detetive considerado morto, que vivia secretamente como um anônimo combatente do crime.

Arte: Silvia Boriani

O legado

A obra de Will Eisner ajudou a mudar a perspectiva sobre as histórias em quadrinhos, valorizando-a como arte. Foi a partir de seu trabalho que se cunhou a expressão graphic novel, que traduz de forma mais adequada o valor da HQ como peça gráfica e literária.

O Eisner-Iger Studio, fundado em parceria com o cartunista Jerry Iger em 1937, contou com a contribuição de nomes como Bob Kane (um dos criadores do Batman) e Jack Kirby, outra lenda dos quadrinhos, corresponsável pela criação do universo Marvel e idealizador do Quarto Mundo, na DC Comics?—?que apresenta personagens icônicos como Darkseid e os Novos Deuses.

O artista, falecido em 05 de janeiro de 2005, foi um dos principais responsáveis pelas histórias em quadrinhos se tornarem uma área de estudo. Para Rossi, suas aulas, transformadas em livros, abriram caminhos inexplorados das HQs como linguagem narrativa e como técnica. “As explorações narrativas de Eisner foram revolucionárias tanto na forma como no conteúdo”, salienta.

Arte: Zé Borba

Dialogando com outras realidades

Uma característica das ilustrações de Eisner era a diversificação do lettering?—?técnica de desenho de letras combinando formas projetadas e desenhadas com um propósito específico, sem o uso de tipos?—?da palavra Spirit nos títulos internos das histórias. “Esse foi um ponto bastante explorado nas reinterpretações. Nossas capas respeitam a obra original, mas dialogam com temas e acontecimentos atuais. Nesse contexto, o estilo do mestre representa um grande facilitador”, destaca Zé Borba, ilustrador porto-alegrense que assina duas obras na exposição.

Para Silvia Boriani, ilustradora italiana radicada em Curitiba (PR), a mistura de estilos em projetos artísticos colaborativos representa um processo amplo, que funciona como uma janela aberta a diferentes públicos. “Apesar do meu estilo de desenho ser diferente, a arte do Eisner sempre foi uma grande influência para mim. Adorei ter trabalhado na capa que fiz. Adaptar algo tão clássico e cartunesco a outro estilo e homenagear um mestre é bastante assustador e ao mesmo tempo excitante”, relata.

Todas as capas produzidas podem ser conferidas no blog https://100spirits.blogspot.com.br


Entrevista: Kim W. Andersson no Brasil!

Claiton Silva

Autor do bem recebido quadrinho de terror adolescente Alena, lançado aqui este ano pela AVEC Editora, o autor sueco Kim W. Andersson esteve no Brasil na última semana, e foi um dos convidados estrangeiros da 63ª Feira do Livro de Porto Alegre. O canal BlogBuster esteve presente e bateu um papo descontraído com o quadrinista, que vem ganhando destaque internacional com traduções de sua obra, além da adaptação de Alena para o cinema em 2015. Atualmente ele produz a aventura de ficção científica Astrid pela editora americana Dark Horse, que também tem planos de ser publicada no Brasil. Em entrevista ao canal, Kim fala sobre anti-heróis, Alan Moore e protagonistas femininas, confira.

Claiton: Antes de mais nada, peço desculpas pelo meu inglês Joel Santana. E parabéns, eu me diverti com o quadrinho. Gostei muito de Alena.

Kim: Antes de mais nada, eu já ouvi inglês pior. E muito obrigado.

C: Você é um cara muito legal.

K: Até agora!

C: O seu primeiro trabalho “Love Hurts”, uma série de contos. E li algumas matérias a respeito. A HQ ainda está para ser lançada no Brasil, esperamos que pela AVEC, o Artur é nosso amigo, um cara bacana. Fale um pouco sobre “Love Hurts”.

K: Quando eu comecei a produzir HQs, eu era como muitos outros quadrinistas iniciantes, queria criar um projeto de um grande épico, com centenas de páginas. Cheguei a ter um projeto desses, mas o meu mentor, Peter Snejbjerg, um quadrinista dinamarquês, que trabalhou em títulos como Batman, B.P.R.D., Preacher, um verdadeiro desenhista de quadrinhos…

C: Preacher é f…

K: É, né?

K: Ele me disse: faça quadrinhos pequenos. Essa é a única maneira de você aprender a criar histórias em quadrinhos. Você precisa terminar uma história para aprender com ela. E é muito mais fácil finalizar uma história pequena do que uma grande. Então eu finalmente o ouvi e criei essa história pequena chamada “Love Hurts”. E eu criei algumas limitações. Elas são todas romances, são todas histórias de horror e todas possuem uma reviravolta. Geralmente eu uso diferentes identidades de homens e mulheres e equidade de gênero, o que eu acho bastante interessante. Mas claro, como é uma história curta, não há como ir muito a fundo nos personagens, você tem que lançar mão de arquétipos, personagens que nós já meio que “conhecemos”.

C: E há mais liberdade. Eu posso imaginar o que quiser a respeito da história…

K: Sim, sim.

C: Recentemente eu li “A vida secreta de Londres”, que traz Neil Gaiman, Alan Moore e outros autores. Histórias pequenas que são como um soco no estômago. Qual a principal diferença entre escrever “Alena” e essas histórias mais curtas?

K: Antes de mais nada, eu fiz uma porção de histórias curtas antes de começar a fazer “Alena”, porque eu queria sentir que estava pronto para começar. É um esforço gigante produzir uma graphic novel, levas anos para construir um livro como esse.

C: Você disse. Um ano e meio apenas para desenhá-la.

K: Sim. Apenas para desenhar.

K: Mas é desenhar, arte-finalizar, colorir. É basicamente tudo após terminar o roteiro. Leva de um ano e um ano e meio. É louco, né? O que eu posso fazer em uma história grande, e não é possível fazer em uma curta, é abordar temas mais sérios. Porque você precisa ser mais cuidadoso quando aborda temas mais sérios. Você precisa respeitar e dar mais tempo a eles, pois eles são mais difíceis de trabalhar.

C: Você tem a necessidade de construí-los de uma forma mais crível.

K: Sim. Eu posso criar personagens que não são os personagens típicos em uma história. Eu posso realmente dar a eles personalidade, para que eles pareçam mais humanos.

C: Fugir dos estereótipos.

K: Sim, fugir dos estereótipos. O que eu também fiz nas minhas histórias mais curtas, porém de uma forma muito mais brutal. Eu apenas os subvertia. Desta vez, eu pude conhecer meus personagens de uma forma diferente. Dá muito mais trabalho, é claro, pois é tão mais extenso, mas você acaba trabalhado a partir de uma perspectiva mais profunda de você mesmo. São temas mais sensíveis. Eu sinto que quando crio uma história curta é mais como se divertir. E eu adoro criar essas histórias, elas são super inspiradoras. Eu fiz isso por anos, mensalmente. Elas eram publicadas em uma revista. Então, em um mês eu assisti muito a filmes de kung-fu. Eu estava tão envolvido com o tema que eu fiz uma HQ sobre kung-fu. Uma HQ que misturava romance, horror e kung-fu. No mês seguinte, eu estava muito envolvido com sereias. Então eu fiz uma HQ romântica de horror com sereias. Eu fazia algo que estava relacionado àquilo em que eu me envolvia na época. Era muito inspirador. E foi a melhor maneira para mim aprender a ficar bom nesse lance de fazer quadrinhos.

C: E tudo isso traz a você uma base de fãs estruturada a partir de meninas adolescentes. Alena foi uma HQ feita pensando nessas garotas?

K: Eu acho que a história de “Alena” vem crescendo dentro de mim há muito anos. Eu vinha meio que “escrevendo com a mão esquerda”, enquanto realizava outros projetos for muitos anos antes de decidir “Isso é o que eu vou fazer!” e, como você disse, “Love Hurts” se tornou popular entre as meninas adolescentes. E eu levei isso para o meu coração. E fiquei muito feliz com isso. Eu as encontrava em sessões de autógrafos e elas eram tão legais, tão queridas. Eu senti realmente uma conexão com essas garotas. Então foi algo como “Eu vou dar a vocês, garotas, uma história”. Mas é claro é apenas uma questão de gênero. Você irá apreciar tanto quanto elas. A história parte de mim e eu sou um homem. Apenas “vesti” os personagens como garotas. Bullies! Eu acho que essas experiências do bullying e equidade sexual ou orientação sexual é tão universal, se aplica tanto a garotas quanto a garotos. Simplesmente, gosto de desenhar garotas.

C: Focando no roteiro. Alena começa como um filme de adolescente normal. Nós temos a garota que possui um o trauma, nós temos os bullies e, como eu disse antes, de repente tudo fica insano! Como foi o processo?

K: Eu acho que uma das razões para que isso tenha ocorrido é o fato de que eu estava muito influenciado por filmes de horror, muitos filmes americanos de horror. E eu senti que, subconscientemente, eu estava tentando mesclar muito subgêneros diferentes de horror, e eu tentei usar muitos deles. Eu acho que “Alena” começa dentro de um desses subgêneros, como uma história de fantasmas, e então evolui para uma outra, numa espécie história de horror adolescente e assustadora.

C: Na verdade, teve uma hora em que eu achei que Josefin estava viva. “Eu disse a mim mesmo: Essa mina tá viva!”

K: E meio que tudo termina como um verdadeiro “splatter movie”. Como um clássico “splatter movie” dos anos 80, você lembra desses filmes…

C: Eu li em uma entrevista que afirmou que “Alena” foi como uma terapia.

K: Há muito de mim no livro. Definitivamente, eu acho que há algo meu em todos os personagens. É claro que eu nunca matei ninguém, espero que você perceba isso.

C: Eu espero que não.

K: Ainda. Hahaha!

K: São questões sobre as quais eu pensava em desenhar. Como eu mencionei, é uma história que eu tinha em mente. De um certo modo faz sentido, pois eu era muito jovem. É muito íntimo, foi muito terapêutico escrever. Quando fizemos o filme sobre o livro eu fui convidado a voltar e rever o roteiro e todo meu trabalho relacionado ao livro. Eu reli tudo e eu percebi que aquela era uma pessoa diferente daquela que eu sou hoje. Eu não conseguiria escrever esse mesmo livro hoje. E eu fico feliz com isso, porque acho que sou uma pessoa mais feliz agora do que quando eu escrevi a HQ. Foi muito terapêutico.

C: E como foi a experiência com o filme?

K: Foi fantástico, é claro. Foi um sonho se tornando realidade. Na verdade não, pois eu nunca ousei sonhar com isso. O que é louco ver acontecendo. O filme acabou sendo bem sucedido e eu pude fazer parte disso, trabalhando no roteiro, da escolha do elenco, do figurino, das locações. Eu participei de toda pré-produção e quando eles começaram a rodar, me afastei. “Esse filho é do diretor, agora. É responsabilidade dele produzir um belo filme”. E ele realmente o fez. Daniel di Grado é o nome dele. Ele fez um filme lindo, do qual eu me sinto muito orgulhoso. E eu pude estar no filme. Fiz uma pequena participação no filme, o que fui muito legal.

C: Nós dois compartilhamos uma paixão. Ambos amamos Alan Moore.

K: Sim, com certeza!

C: Eu fiquei muito feliz quando você disse isso, antes.

K: Sim, no painel.

C: Ele é o Deus dos quadrinhos. Falando nisso, qual a sua maior influência? Stephen King, Alan Moore, Sam Kieth… Quais os seus autores preferidos?

K: Eu não sei se eu possuo um favorito. Eu realmente amo Alan Moore. Adoro o fato de que ele possui um tremendo respeito pela mídia dos quadrinhos. Ele realmente a compreende. Eu acho que ele tem falado comigo através de seus quadrinhos. As possibilidades da mídia. As histórias que você pode contar através dos quadrinhos. A forma com a qual você as pode contar. A força que as HQs possuem. Isso as fazem ainda mais legais, mágicas e excitantes que os filmes, a literatura e as outras mídias. Os quadrinhos possuem sua própria força e eu penso que Alan Moore é muito bom no uso dessa força. Eu acho que quadrinistas deveriam fazer isso. Alguns quadrinhos, quando eu leio, penso: “Isso deveria ser um filme, um romance, deveria ser literatura. Por que eles fizeram uma HQ? Leva tanto tempo para fazer um quadrinho! Faça um livro!”

C: Alguns livros dele simplesmente são impossíveis de se tornar um filme.

K: Sim. Eles tentaram…

C: E eles falharam.

K: Eu não sei. Eu gostei de “Watchmen”, foi ok. Mas acho que se resume a esse. E ele odeia os filmes.

C: Todos nós odiamos.

K: Sim, sim. Hehehe!

C: Finalizando, vamos falar de “Astrid”. Uma saga espacial bizarra que eu espero poder ler em breve.

K: Sim! Acho que vamos publicar aqui no Brasil, com certeza.

C: Conte um pouco para nós sobre a trama principal.

K: É meio que uma mistura de “Love Hurts” e “Alena”. Eu quis pegar a excitação e a inspiração, sentimentos que eu tive quando criei “Love Hurts”, e queria ter a oportunidade de ir fundo nos personagens como o fiz em “Alena”. E em cima disso eu queria criar uma protagonista, Astrid, que você irá realmente gostar, alguém por quem você irá torcer. Ela não consegue as coisas facilmente, mas você quer que ela as conquiste. Ela é uma pessoa boa de verdade e isso não é algo fácil de escrever. Mas você não pode ser bom o tempo todo, isso a faria inverossímil, desagradável. É claro que ela possui defeitos, mas ela é batalhadora. Eu acho que consegui transmitir isso. Eu realmente amo Astrid. Ela se tornou um personagem que eu gosto de verdade.

C: Isso nos dá um pouco de esperança.

K: Sim. Eu acho que sim. É um personagem inspirador.

C: Nós já temos um monte de anti-heróis.

K: Sim, eu estou farto de anti-heróis. É uma coisa tão anos 90.

C: É um momento para heróis, também.

K: Eu acho que sim. E há, também, o fato de ela se uma mulher. Creio que nós precisamos uma boa heroína. Eu criei uma galáxia fantástica repleta de monstros e criaturas extraordinárias para ela e suas aventuras. Há também questões políticas. É uma galáxia de ficção cientifica muito instigante. Basicamente criei o meu próprio Star Wars, entende?

C: Cara, muito obrigado.

K: Eu que agradeço.

C: Espero que você aproveite a Feira do Livro. É um evento que nos dá orgulho.


14 Músicas para lembrar da sua série preferida

ATENÇÃO: Essa publicação NÃO é um “TOP alguma coisa”. Muito menos uma lista dos mais famosos temas de abertura da história da tevê. O que temos abaixo é uma seleção de músicas que comprova a importância da trilha sonora no sucesso de um seriado e/ou o quanto um som pode resumir uma história, de forma perfeita, em alguns minutos.

  1. Veronica Mars (The Dandy Warhols – We Use to Be Friends)

Com influências que vão do folk ao glam, o Dandy Warhols não soa datado mesmo depois de 20 anos de estrada. Esta música da banda de Portland caiu como uma luva na trilha sonora do seriado que contava a história da jovem detetive particular Veronica Mars?—?uma outsider dentro de seu próprio universo. Curtam, também, Bohemian like you e All The Money Or The Simple Life Honey.

2. Californication (Elton John – Rocket Man)

Ao longo da série eu imaginava qual seria a música escolhida para os momentos finais da saga de Hank Moody, tendo em vista o alto nível da trilha sonora. Nunca me passou pela cabeça que caberia a Elton John o desafio de encerrar (magnificamente) a jornada mais insana e sincera de todas. Dito isso, pausa para frear a queda de uma lágrima.

3. House M.D. (Rolling Stones – You Can’t Always Get What You Want)

Hugh Laurie é músico. Gregory House também. Durante oito temporadas fomos presenteados com uma seleção caprichada de clássicos da música. You can’t Always… era uma constante na série; uma espécie de hino da odisseia deste gênio antissocial. No entanto, agradeço ao médico mais chato do mundo por ter me apresentado a Teardrop?—?abrindo as portas para toda a obra do Massive Attack.

4. 100 Code (Seinabo Sey – Hard Time)

Música nova de uma cantora iniciante usada como tema de uma série que está em sua primeira temporada. No entanto, todos aprovados com louvor. Dona de uma voz belíssima, Seinabo Sey é uma das maiores revelações do pop escandinavo na última década. A música, do álbum For Madeleine, cria a atmosfera perfeita para a trama. Por que ela está aqui? Não há nenhum grande motivo. Apenas faz parte do meu esforço para que todos assistam a esta série.

5. Sons of Anarchy (Curtis Stigers & Forest Rangers – This Life)

A relação do Sons of Anarchy Motorcycle Club com o rock é tão intensa quanto esta música, que abre todos os episódios. Mas o que chama atenção na trilha sonora é o trabalho da banda Forest Rangers para o seriado. Vale a pena pesquisar a respeito. As releituras de Fortunate Son (Creedence Clearwater Revival), Gimme Shelter (Rolling Stones) e The Times They Are A-Changin’ (Bob Dylan) mostram um pouco da capacidade criativa dos caras.

6. Chuck (Cake – Short Skirt/Long Jacket)

Chuck Bartowski está anos luz à frente de qualquer personagem de The Big Bang Theory no quesito “este me representa”. O nerd atrapalhado que se torna espião, salva o mundo e acaba ficando com a mulher de seus sonhos não poderia ter um tema melhor do que este clássico do álbum Confort Eagle.

7. CSI (The Who – Who Are You)

Anthony E. Zuiker, criador da franquia, não poderia ser mais fã do The Who. TODAS as músicas de abertura são do grupo inglês: “Who Are You”?—?CSI: Crime Scene Investigation; “Won’t Get Fooled Again”?—?CSI: Miami; “Baba O’ Riley”?—?CSI: NY; e “I Can See For Miles”?—?CSI: Cyber. Não que a gente reclame disso!

8. Supernatural (Kansas – Carry On My Wayward Son)

A música marca o fim de cada temporada da série, como uma espécie de theme song não oficial. Poucos programas possuem uma ligação tão forte com uma canção quanto Supernatural. Os clássicos do rock, encabeçados por Carry on my wayward son, são um dos charmes do seriado do CW. Ao longo de 472 temporadas já tocou de tudo: Lynyrd Skynyrd, AC/DC, David Bowie, Scorpions, Poison, The Animals, Creedence Clearwater Revival, Bon Jovi…

9. Breaking Bad (Badfinger – My Baby Blue)

O Badfinger foi uma banda bacana, pena que muito azarada. Mesmo apadrinhada pelos Beatles, sofreu com diversos percalços. Pete Ham, seu principal compositor, se enforcou em 1975, aos 27 anos?—?conhecida como a idade da zica total. Baby Blue, que também apareceu na trilha sonora do sensacional Os infiltrados, gerou centenas de teorias pela sua reprodução no series finale, mas eu ainda prefiro achar que a escolha de Vince Gilligan tem a ver com o fato de ele ser fã da banda. E nada mais.

10. Treme (John Boutté – Treme Song)

Treme tem uma das aberturas mais estilosas da tevê gringa e uma trilha sonora de dar inveja. E não teria como fugir disso, uma vez que a trama é situada em Nova Orleans, terra de músicos lendários e polo cultural estadunidense. Composta por John Boutté, Treme Song é linda. Acompanhada visualmente, ainda mais cativante e representativa. Ah! Vale muito acompanhar a rotina da comunidade reconstruindo suas vidas após o furacão Katrina. Baita série.

11. True Blood (Jace Everett – Bad Things)

True Blood foi boa por três temporadas. Não mais do que isso. Entretanto, sua trilha sonora manteve a qualidade, apostando num mix de country, rock e blues, com algumas raras exceções. A abertura do seriado (tão boa quanto a de Treme) traz Jace Everett querendo fazer coisas más com você; coisas realmente más. Vale a pena conferir, também, as músicas do Dixie Chicks, Little Big Town, C.C. Adcock, Legendary Shack Shakers, Ryan Adams e de dezenas de músicos independentes obscuros que completam o climão caipira dos vampiros, lobisomens e outros seres bizarros de Bon Temps.

12. Anos Incríveis (Joe Cocker – A Little Help From My Friends)

Eu matava aula no primeiro grau (nome dado pelos seus antepassados ao Ensino Fundamental) para assistir, na tela da Band, a Anos Incríveis. Talvez esse tenha sido a primeira grande desculpa para fugir do colégio. Lembro de ser obrigado a não comparecer em virtude de episódios importantes de Malhação e jogos da seleção brasileira, mas nada me dava tanto prazer quanto acompanhar a história de Kevin, Paul e Winnie Cooper (aiai…). Falando sobre o que realmente interessa: Joe Cocker eternizou a série na minha memória cantando With A Little Help From My Freinds na abertura dos episódios. O resto da trilha? Descomunal. Buffalo Springfield; Crosby, Stills, Nash & Young; Marvin Gaye; Chuck Berry; The Jackson 5. Só monstros.

13. Smallville (Remy Zero – Somebody Save Me)

Número 1 no quesito “tá começando”. A gritaria da banda Remy Zero fazia com que todos nós soubéssemos que era hora de acompanhar as aventuras do Superboy. Agradeço, sempre que posso, ao SBT e ao senhor supremo Sílvio Santos, pela chance de acompanhar o seriado na minha era pré-download. Obviamente, a trilha sonora não se resumia ao “refrão chiclete” da abertura. Tinha Stereophonics, The Flaming Lips, Fuel, Gorillaz, Third Eye Blind e Weezer, entre outros. Climinha pop rock que flerta com o indie, como toda atração adolescente deve ter.

14. MacGyver (Rush – Tom Sawyer)

A Globo criou uma abertura própria para MacGyver utilizando um trecho de Tom Sawyer. E foi o suficiente. Muitos nem conhecem a banda, mas relacionam em segundos à música ao seriado, campeão de reprises e troca de canais. De gosto duvidoso?—?porém ótimo para dar boas risadas, Profissão Perigo ainda possui uma verdadeira legião de fãs. E o clássico do Rush um verdadeiro hino dos nerds que ainda sonham em vedar um vazamento nuclear com chocolate.

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Claiton Silva é jornalista, especialista em séries de TV e um dos criadores do BlogBuster, grupo responsável pela cobertura da ComicCON RS em parceria com o Redação Multiverso.


Supergirl e o melhor Superman dos últimos tempos

por Alexandre Woloski

Supergirl começou a ser exibida pela CBS em 2015, e após muitos problemas e baixa audiência a série acabou indo para o canal CW, lar das outras séries da DC. Em 2016, na estreia de sua segunda temporada, ninguém poderia imaginar o ocorrido: Supergirl bateu recorde de audiência com a estreia mais vista da história do CW.

Mas não pensem que isso se deu pelo fato de as pessoas estarem ansiosas para verem a heroína mais uma vez em ação. Longe disso, todos estavam curiosos para saber o quão desastroso seria o novo Superman, já que pelas primeiras imagens ele foi motivo de chacota. Pois digo uma coisa: queimaram a língua.

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Assisti o primeiro episódio da segunda temporada de Supergirl e tenho algo a dizer: aqui se encontra a melhor personificação do Homem de Aço dos últimos anos, tanto no cinema quanto na televisão. Claro que, sendo saudosista, não ouso comparar Tyler Hoechlin com Christopher Reeve, o melhor Superman de todos os tempos, porém, não posso me abster de elogiar a atuação e sua superioridade em relação aos demais, principalmente Brandon Routh.

Sou obrigado a concordar com a maioria dos críticos que afirmam que a série é fraca, mas, ainda assim, consegue trazer bons elementos do universo DC para a televisão. Um exemplo disso é a personificação do Caçador de Marte, que embora tenha recebido duras críticas, não foi tão ruim assim; e, mais recentemente, temos o Superman.

Tyler Hoechlin já convence em sua primeira participação, mesmo que a série tenha uma pegada bem “Malhação” de super heróis, ele consegue destoar dos outros personagens e roubar a cena. Enquanto está sob o manto do Superman, é um herói maduro e muito bem constituído naquele universo, longe das dúvidas do “ser ou não ser” do personagem, sendo uma figura respeitada e já tendo combatido inúmeros vilões icônicos, inclusive Lex Luthor.

Enquanto Clark Kent, ele é um repórter renomado e admirado por todos, bem resolvido em sua vida profissional e particular, que resolve ficar na cidade para ajudar na consolidação da heroína Supergirl. Em resumo, ele é o Superman já definido como o herói da humanidade, pulando toda aquela parte chata da sua origem, quando as dúvidas do herói acabavam atrapalhando sua vida.

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Logo de cara também podemos destacar que a cueca por cima das calças parece que realmente foi abolida pela DC, pelo menos por enquanto, a exemplo do que foi feito no cinema por Zack Snyder. Seu uniforme está diferente e lembra muito o visual do Superman dos Novos 52, o que eu ainda não consegui identificar se é bom ou ruim, só o tempo dirá.

O objetivo desse texto não é desmerecer os outros atores que representaram o Homem de Aço, porém este Superman ficou a frente de Dean Cain e Henry Cavill. Este último também é um ótimo Homem de Aço, mas por culpa do diretor, seu estilo sombrio e realista não conseguiu me comprar, embora eu tenha gostado de Batman v Superman.

Após falar tudo isso e apresentar alguns motivos pelos quais eu gostei deste Superman, chego à conclusão de que os méritos pelo sucesso do personagem no programa não são somente de Tyler Hoechlin, mas sim dos produtores da série. Apostando em um herói já completamente pronto e sem inventar muito, Andrew Kreisberg e sua turma nos deram uma personificação única do Homem de Aço.

Para resumir tudo: o que nos ganhou foi o conceito adaptado para o herói na série, e não o ator que o interpreta.

coluna-alexandreAlexandre Woloski é produtor audiovisual e um dos criadores do BlogBuster, grupo responsável pela cobertura da ComicCON RS 2016 em parceria com o Redação Multiverso. Especialista em games, atua há cerca de 10 anos na área como redator e editor em diversos sites e revistas do tema.


Top 5 melhores games baseados em quadrinhos

por Alexandre Woloski [BlogBuster]

A maioria das pessoas pensa que os games baseados em quadrinhos são muito ruins, e elas não estão totalmente erradas. Em sua grande maioria, os jogos inspirados em HQs são muito aquém do esperado. Mas para provar que nem todos os jogos são tão ruins assim, separei uma pequena lista de 5 bons jogos baseados em quadrinhos – existem mais bons jogos do que esses listados abaixo, mas para selecionar e deixar somente o que realmente vale a pena, elenquei apenas cinco.

Então pegue o seu joystick e vamos jogar!

5. Spiderman and Venom: Maximum Carnage

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Posso estar equivocado, mas aqui se encontra o melhor jogo do Homem-Aranha de todos os tempos. Há quem diga que aquele lançado para PS1 é o melhor, mas eu não concordo, apesar daquele jogo me trazer muitas lembranças boas.

O jogo foi lançado em 1994 e é uma adaptação do quadrinho Maximum Carnage, um crossover entre Homem-Aranha e Venom, lançado em 1993. A história trata do surgimento de um novo inimigo, o Carnificina (Carnage), e o Homem-Aranha tem que unir forças com o Venom para destruir essa nova ameaça. No decorrer da trama o Carnificina se alia com diversos inimigos do amigão da vizinhança como: Doppelganger (aquele Homem-Aranha de seis braços), Demogoblin, Shriek, entre outros. Pra não deixar barato, o teioso também convoca seus amigos e recebe ajuda de: Capitão América, Punho de Ferro, Gata Negra e muitos outros.

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Por ser um jogo estilo Beat’ em Up, onde você segue da esquerda para a direita descendo a porrada em todo mundo, ele teve uma receptividade muito boa, já que naquela época era o estilo que predominava nos consoles com Streets of Rage, Final Fight e Double Dragon. Mesmo que a história seja bem simples, o jogo é muito divertido e vale a pena a experiência.

Plataforma: Super Nintendo e Mega Drive

4. X-Men 2: Clone Wars

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Apesar dos mutantes terem inúmeros jogos bons ao longo do tempo, principalmente na década de 90, este, sem dúvidas é o melhor deles. Como na época os jogos estilo Beat’ em Up estavam em alta e a fórmula de adaptar quadrinhos para este estilo também, não era hora de mudar.

Lançado em 1995, X-Men 2: Clone Wars é sequência direta do jogo intitulado apenas X-Men, lançado em 1993 e baseado no desenho da TV dos anos 1990, o que podemos perceber pelas vestimentas dos personagens. Aqui, os mutantes têm a missão de derrotar o vilão Phalanx, que veio para a terra querendo dominá-la, e para isso ele capturou e clonou vários mutantes que ajudarão em sua causa.

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Para impedir Phalanx, foi reunido um seleto grupo de mutantes: Ciclope, Wolverine, Fera, Gambit, Noturno e Psylocke; além disso, eles recebem a ajuda de seu “amigo” momentâneo Magneto. Durante a jornada para derrotar o vilão, diversos rostos familiares aparecem para dificultar a missão, dentre eles estão os Sentinelas e o poderoso Apocalipse.

A jogabilidade era bem simples como todos os jogos deste estilo, mas o que era divertido aqui é que em cada fase você controlava um X-Men aleatório, sendo assim, tinha que ter uma estratégia diferente toda vez, já que cada um tinha um estilo diferente de se jogar. Apesar de parecer um jogo simples, ele não é; sendo o melhor jogo dos mutantes lançado até então.

Plataforma: Mega Drive

3. Injustice

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Já pensou colocar os vilões e heróis do Universo DC para descer na mão uns com os outros? Pois em Injustice você pode fazer isso. Lançado em abril de 2013, Injustice traz uma história totalmente independente dos quadrinhos: após a morte de Jimmy Olsen, Lois Lane e seu filho não nascido, Superman entra em surto e estabelece uma nova ordem mundial, fazendo com que os heróis e vilões lutem entre si, provocando uma grande guerra entre os aliados do Superman contra os aliados do Batman.

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A história é bem simples, mas esse nem é o ponto alto do game, até porque, em um jogo de luta, o que mais importa é a porrada. A jogabilidade é a mesma dos últimos jogos do Mortal Kombat, justamente por ser produzida por Ed Boon, um dos criadores do jogo. Entre os selecionáveis, além de Batman e Superman, podemos contar com: Aquaman, Shazam, Mulher Maravilha, Arqueiro Verde, Asa Noturna, Exterminador, Coringa, Lobo, Lez Luthor, Flash e muitos outros.

O jogo fez um grande sucesso e acabou sendo adaptado para os quadrinhos, onde a história foi melhor trabalhada e agora sim faz um grande sentido. Injustice é, sem dúvidas, um jogo indispensável para quem é fã de HQs.

Plataforma: Playstation 3, Playstation 4, PS Vita, Wii U, Xbox 360

2. TMNT IV – Turtles in Time

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Aqui, meus amigos, está o melhor jogo de estilo Beat’ em Up lançado nos anos 90. Quem viveu a infância naquela época e jogava bastante video-game, com certeza já jogou ou ouviu falar de algum jogo das Tartarugas Ninjas. Mesmo que o TMNT Arcade de 1989 seja um divisor de águas para o estilo, este aqui é, sem dúvidas, o melhor jogo das Tartarugas Ninjas lançado até hoje, bem como uma das melhores adaptações dos quadrinhos.

A maioria dos jogos antigos acabam ficando datados e envelhecem muito mal, mas este é uma das raras exceções. TMNT IV consegue se equiparar e ser tão bom quanto as grandes e milionárias franquias dos dias de hoje, tanto em termos de jogabilidade quanto na diversão proporcionada. Possibilitando jogar de até 4 pessoas, cada um assume o papel de uma das Tartarugas Ninjas: Leonardo, Rafael, Michelangelo e Donatello.

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A história não é um ponto alto, já que naquela época as tartarugas não possuíam grandes sagas para serem contadas. Ela começa com as tartarugas olhando o noticiário no domingo à noite, nele está April O’Neil relatando uma catástrofe provocada por Krang: ele roubou a Estátua da Liberdade.

As tartarugas vão para a rua ver o que está acontecendo e combater o exército de vilões que toma New York, quando repentinamente o Destruidor as lança em um portal que leva para outro tempo. Viajando em diversas eras, agora elas precisam combater as forças do Destruidor no passado e no futuro, para que, no final, elas consigam voltar ao seu tempo e devolver a Estátua da Liberdade ao seu devido lugar.

Plataforma: Super Nintendo e Arcade

1. Série Batman: Arkham

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Se eu fosse considerar os jogos da série Arkham de forma independente, esse top 5 teria espaço para apenas um outro jogo, porque com certeza os quatro games ocupariam todas as primeiras posições. Isso tudo não é por eu ser um fã do Batman, mas sim porque os jogos desta série reúnem o que há de melhor até aqui nas adaptações de quadrinhos, além de aprender com os erros do passado.

Toda a série Arkham não segue nenhuma história dos quadrinhos, embora algum arco do jogo lembre alguma saga, o jogo é totalmente independente e apenas usa os elementos possíveis do universo do Homem-Morcego. A série acabou levando as adaptações para outro patamar, trazendo uma jogabilidade nunca vista até então, o que acabou se tornando padrão e já é utilizada também em outros jogos.

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Além de ser graficamente muito bom, os desenvolvedores adicionaram um modo furtivo ao game, algo parecido com o que é visto na série Metal Gear, onde o personagem pode se camuflar, se esconder, abater e fugir dos inimigos. Estes, que são destaques por aqui, onde além do Coringa, vemos muitos vilões do universo do Batman, como Bane, Arlequina, Espantalho, Charada, Hera Venenosa, Homem Calendário e muitos outros. Ainda podemos jogar com vários personagens como Robin, Asa Noturna e Mulher-Gato.

Todos os jogos são acima da média, a prova disso é que a série tem inúmeros prêmios de melhor jogo e atualmente o Arkham Asylum faz parte do Guinness World Record como “jogo de super-herói mais aclamado pela crítica”. Fica aqui então a minha dica: se não quiser jogar os títulos anteriores desse Top 5, tudo bem, só não perca a oportunidade de jogar qualquer um da série Arkham do Batman, são todos imprescindíveis, seja você fã de quadrinho ou não.

Plataforma: Xbox 360, Xbox One, Playstation 3, Playstation 4, PS Vita, PC, Wii U, Nintendo DS, Android e IOS

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Alexandre Woloski é produtor audiovisual e um dos criadores do BlogBuster, grupo responsável pela cobertura da ComicCON RS 2016 em parceria com o Redação Multiverso. Especialista em games, atua há cerca de 10 anos na área como redator e editor em diversos sites e revistas do tema.


Redação Multiverso é o site colaborativo de produção de conteúdo sobre quadrinhos
da Produtora Multiverso, em uma iniciativa paralela e complementar à realização da
ComicCON RS – principal convenção de quadrinhos e cultura pop do Rio Grande do Sul.