Emerson Vasconcelos

Zerar numeração ainda é uma boa ideia?

A indústria de quadrinhos de super-heróis começou a tomar a forma que tem hoje em 1938, com o surgimento do Superman. Em 80 anos, é perfeitamente compreensível que tenham sido necessários reboots e relançamentos de tempos em tempos. Afinal, os mais importantes personagens se tornaram franquias e fenômenos de merchandising, e colocar um ponto final real em suas histórias seria suicídio comercial. Por outro lado, fazer com que esses personagens envelheçam em tempo real e mudem suas características físicas relativas à idade também não é muito viável. Um Batman de mais de cem anos de idade pulando de prédio em prédio não é exatamente o que os leitores esperam.

Então, começo aqui admitindo que sim, reiniciar a cronologia, como a DC já fez algumas vezes, ou fazer ajustes cronológicos através de retcons, como é mais típico da Marvel, é necessário para o andamento da indústria. Além disso, nestes casos, quando uma mudança grande acontece, seja cronológica ou de status quo dos heróis, é justo tanto com novos quanto com antigos leitores que um novo nº 1 seja estampado na capa. Por outro lado, entendo também que numerações baixas fazem bem para o marketing em qualquer ramo do mercado editorial, não apenas de quadrinhos. Portanto, o “mix mudanças radicais + renumerações” é uma receita para o sucesso, pelo menos por algumas edições.

Agora, o que acontece quando a renumeração começa a se tornar tão frequente que nem dá tempo de alguma mudança real no status quo dos personagens realmente ocorrer entre uma e outra?

Entre 2011 a DC radicalizou e comprimiu sua cronologia em apenas cinco anos, mudando passados de personagens, apagando outros e recomeçado alguns do zero. Ali não tinha alternativa, senão zerar tudo. Foi uma aposta arriscada, que se desgastou em poucos anos e, em 2016, foi substituída pela iniciativa Renascimento, que assume o fato de que a cronologia foi alterada nos Novos 52 e incorpora isso à narrativa. Mesmo assim, é impossível esconder o gosto amargo da derrota comercial. Se a empreitada de 2011 tivesse dado certo, ela não precisaria ser desmontada. Passados quase dois anos do começo do Renascimento, a DC não estampa mais o selo na capa dos títulos, dando uma ideia de que as coisas poderão simplesmente seguir seu curso, sem um novo relançamento em poucos anos. Logo, também sem novos números #1. Infelizmente, pelo menos para quem acreditou nisso e ficou feliz, a DC já anunciou que Superman voltará ao número #1 quando Brian Bendis assumir a HQ, ainda no primeiro semestre de 2018. Não haverá mudança cronológica, até onde se sabe pelo menos, a revista continuará abordando a dinâmica familiar dos Kent, segundo o próprio Bendis, então é praticamente impossível justificar com algo além do marketing essa renumeração.

Estampar nomes de iniciativas na capa também é uma prática da Marvel desde 2012, com Marvel Now. Desde então foram diversas reinicializações, sempre voltando aos números #1 de seus principais títulos ao final de cada uma, com exceção da mais recente, Marvel Legacy, que fez o caminho inverso. Ou seja, em Legacy a editora somou os números de todos os volumes de suas HQs e passou a estampar numerações altíssimas nas capas, dando uma ideia de tradição e retomada de conceitos clássicos.  Legacy deu esperança também a leitores como eu, que pararam de acompanhar a Marvel como universo (admito, jamais larguei o Homem-Aranha e sempre dou aquela olhadinha nos títulos dos mutantes) justamente pelo excesso de novos selos, iniciativas e números #1. Ver tanto Marvel quando DC abraçando seus legados e retomando conceitos era tudo que um fã das duas editoras poderia querer. Pena que durou pouco, já que a Casa das Ideias anunciou que ainda no primeiro semestre inicia a fase Fresh Start, que sucede Legacy, com uma enxurrada de novas “primeiras edições”.

O que me incomoda em cada uma das editoras não é ter um novo número #1 ou um novo nome de iniciativa. O problema é quando isso se torna um padrão, que leva a um relançamento atrás do outro, em espaços de cinco anos, três anos, ou até menos. A mesma DC Comics que segurou uma cronologia e numerações por 25 anos, agora vai partir para o terceiro Superman #1 em menos de 7 anos.

Eu nem sei dizer quantos número #1 de cada um dos seus heróis a Marvel lançou nos últimos anos e posso lembrar de quando eles falaram, há poucos meses, do acerto que era assumir os números altos nas capas. Entendo que numa época em que as HQs concorrem com games e serviços de vídeo por streaming, os setores de marketing precisam trabalhar mais e que algumas medidas desesperadas têm que ser tomadas, mas o potencial consumidor não tem a memória tão curta.

Lembro da promessa de que a iniciativa Legacy era o melhor para o futuro da Marvel, feita pela editora há poucos meses. Aguardava ansioso pela chegada da nova fase no Brasil, mas com o anúncio de Fresh Start e, mais uma vez, o discurso de que esse é o futuro da editora, me senti enganado, e não lerei a maioria dos títulos. Portanto, um potencial consumidor não se tornará consumidor e, muito menos, leitor. Quantos mais tiveram o mesmo sentimento? Centenas? Milhares? Talvez seja hora das estratégias de marketing serem repensadas nas duas casas dos maiores heróis da cultura pop.


Mais Injustiça para Superboy/Conner Kent?

Conner Kent, o Superboy clone, também conhecido como Kon-el, ou ainda Superboy do Havaí, pelos mais saudosistas, é notavelmente um dos personagens mais injustiçados da DC Comics. Criado por Karl Kesel e Tom Grummett como um dos substitutos do Homem de Aço durante o período da Morte e Retorno do Superman, o jovem herói, apesar de possuir uma grande base de fãs, de tempos em tempos cai no limbo editorial.

Depois da reinicialização da DC com a fase Os Novos 52, Kon-El ganhou uma nova versão, com origem totalmente alterada. Em vez de um clone do Superman, ele havia sido clonado de um filh das versões futuras de Clark Kent e Lois Lane. Ele jamais foi chamado de Conner e os fãs sequer o reconheciam como o mesmo personagem.

Com a chegada da fase Renascimento a versão Novos 52 foi apagada e, mesmo com a retomada de diversos conceitos e personagens anteriores ao reboot, a versão antiga de Conner não foi retomada. Mesmo nos flashbacks da saga O Retorno do Superman, não havia registros de um Superboy clone, apenas dos outros três substitutos (Aço, Superciborgue e Erradicador). Aliás, o título de Superboy, no presente, passou a ser usado por Jon Kent, o jovem filho do casal Lane-Kent.


Enquanto muitos fãs já estavam conformados com o descarte do personagem por tempo indeterminado, os últimos meses mostraram que a editora não esqueceu do clone. Uma versão futura dele apareceu no arco Super Sons of Tomorrow e explicou ao Superman que não podia contar quem ele era, já que isso poderia causar um paradoxo na linha temporal. Como é sabido que dez anos de cronologia sumiram na fase Renascimento, voltou a esperança de que Conner pode retornar em um futuro próximo, mas ninguém esperava pelo que veio a acontecer poucas semanas depois desta aparição.

Injustiça

Enquanto a volta de Conner continua sendo apenas uma promessa na cronologia principal, a HQ digital semanal Injustice 2, que narra os acontecimentos entre os dois games de mesmo título, trouxe um retorno surpreendente. Já era sabido, desde a série anterior de Injustice, que quando o Superman se tornou um déspota e implementou seu regime, Conner o enfrentou em um embate direto. Kal-El atravessou o peito de seu clone com um soco, mas, para salvar a vida do jovem, o enviou para a Zona Fantasma.

Agora, com Superman já detido, Conner foi retirado da prisão dimensional e passou por um transplante de coração, recebendo o órgão direto do peito do falecido General Zod. Mais do que isso, ele recebe dos Kent o antigo uniforme do Homem de Aço e, logo depois da cirurgia, quando ainda devia estar em recuperação, parte para o campo de batalha ao lado de Batman e Mulher-Maravilha, estabelecendo uma nova Trindade de heróis.

No entanto, a ausência de Conner no segundo game da franquia e o fato dele entrar em batalha ainda no período pós-operatório, deixa a dúvida se a nova jornada do personagem nesta Terra alternativa é algo que vai ser duradouro ou apenas mais uma falsa esperança para os fãs. Estaria Conner Kent prestes a sofrer mais uma injustiça histórica? Ou, pelo contrário, a franquia Injustiça pode dar a Conner Kent e a seus fãs uma esperança de valorização?

Limbo

A fase atual não é a primeira que coloca Conner no limbo editorial ou à margem dos principais títulos da editora. A situação ocorreu em pelo menos outras três ocasiões. A primeira delas foi quando seu título mensal, iniciado na década de 1990, chegou ao número #100, em 2002.

Conner passou a ser visto apenas nas páginas de Justiça Jovem, também cancelada meses depois. Depois disso, se estabeleceu como um dos personagens principais nos Novos Titãs escritos Geoff Johns, onde desenvolveu ainda mais seus poderes e ganhou uma origem, que o colocava como uma peça ainda mais complexa no Universo DC. Se antes se pensava que Conner era um clone híbrido do Superman com um ex-diretor nada relevante do Projeto Cadmus, Johns revelou que na verdade metade do DNA do herói veio de Lex Luthor.

Foram três anos nos quais a importância do jovem crescia de forma exponencial na DC. Só que no mundo real a editora enfrentava uma batalha judidical pela marca Superboy, que era requerida pela família de seu criador, Jerry Siegel. Com isso, a saída encontrada foi simplesmente matá-lo na saga Crise Infinita, quando enfrentou o Superboy Primordial (que a partir daí foi chamado de Superman Primodial), para salvar o universo.

Foram mais de dois anos sem a presença de Conner e mesmo menções ao nome Superboy eram evitadas de todas as formas. Só em Legião dos Três Mundos, uma ramificação de Crise Infinita, em 2009, Conner saiu do limbo e ressuscitou, quando um acordo já estava costurado entre a DC e os Siegel.

O que se podia esperar com o que se viu logo após o retorno era uma fase brilhante. Conner passou a protagonizar um arco escrito por Geoff Johns e desenhado por Francis Manapull em Adventure Comics. A saga o restabeleceu em Smallville, agora morando com Martha Kent e lidando com a perda de Jonathan Kent, que ele já via como sua família, e que havia falecido meses antes. Paralelamente, Conner buscava respostas sobre ser mais parecido com Superman ou Lex Luthor. Após a conclusão do arco, o herói ganhou um título próprio, escrito por Jeff Lemire e desenhado por Pier Gallo. A HQ, com um tom fantasioso e psicodélico, introduzia um novo elenco de apoio e prometia aumentar ainda mais a mitologia em torno de Conner.

No entanto, Lemire precisou encerrar suas ideias de forma abrupta na edição #11, devido ao reboot, que lançou a versão Novos 52 do Superboy. Desde então, aquele clone nunca mais fez parte do universo DC, considerando que após o relançamento ele era outro personagem, inclusive com genética diferente e sem jamais assumir a identidade de Conner.


Superman ganha novo uniforme, que remete ao clássico

Um Superman redesenhado estreará em Action Comics # 1000 de abril – com a icônica cueca vermelha por cima das calças. A capa da edição, produzida pelo desenhista e co-editor da DC Jim Lee, pelo arte-finalista Scott Williams e pelo  colorista Alex Sinclair mostra uma mistura de elementos familiares com algumas nuances modernas, como os detalhes no punho, que lembram os que eram usados na início da fase Renascimento.

“Action Comics # 1000 representa um momento decisivo na história não apenas dos quadrinhos, mas também do entretenimento, da literatura e da cultura pop”, disse Lee. “Não existe uma maneira melhor de celebrar a popularidade duradoura do Superman do que possibilitar um novo olhar, que combina alguns detalhes atuais com a característica mais emblemática do seu design clássico”.

Como parte deste evento, a DC também publicará um livro de companheiro de capa dura de Action Comics, editado por Paul Levitz. Além disso, os títulos da linha de super-heróis  terão capas variantes temáticas do Superman no mês de abril.

“A milésima edição da Action Comics é um marco incrível na cultura pop e um testemunho da visão de Jerry Siegel e Joe Shuster”, disse o co-editor da DC, Dan DiDio. “Sem este livro, juntamente com a imaginação fértil de Siegel e Shuster, o lugar do super-herói na literatura poderia ter sido extremamente diferente, se não totalmente inexistente”.


CCXP: Social Comics anuncia serviço gratuito

Durante o painel do Social Comics na CCXP 2017, foram divulgadas várias novidades pelo CEO da empresa, João Paulo Sette, para a plataforma brasileira de quadrinhos digitais. O destaque vai para um plano gratuito que ela passará  a oferecer, além de vários novos lançamentos.

Foi divulgado que a versão 3.0 do aplicativo vai ter uma modalidade de conta grátis com títulos de parceiros da empresa. A plataforma também vai mudar a cada mês, com atualizações em vários níveis, e não mais uma vez por ano. Além disso, a plataforma terá filtro para crianças e existirão planos de conta com diversos perfis de acesso simultâneos. Outra novidade fica por conta do sistema de leitura, que irá possibilitar vários tipos de visualização, como de página a página e de quadro a quadro, se assemelhando a outros serviços do gênero, como o Comixology.

Para 2018, foram prometidas 236 HQs da editora Valiant e 26 novas HQs de Estranhos no Paraíso. Entre os lançamentos, teremos Rachel Rising de Terry Moore, G.I. Joe, Jem and The Holograms e The Boys, em parceria com a Devir. Além disso, haverá a ampliação das duas linhas de Transformers, a publicação de A Morte de Optimus Prime e também um aumento da linha My Little Pony.

Outro grande anúncio foi relacionado com a parceria com a editora Devir, que agora passa a fechar todos os contratos com direitos digitais. Com isso, todo o material publicado pela Devir impresso sairá também no Social Comics. Já foi prometido que o primeiro capítulo de uma HQ escrita por Greg Rucka deverá sair primeiro na plataforma e somente depois será lançada impressa. O título da HQ não foi revelado.

 


O que Bendis pode fazer pelos jovens heróis da DC?

Com o anúncio da entrada de Bendis na equipe criativa da DC Comics, depois de mais de 17 anos como um dos principais roteiristas da Marvel, rapidamente começaram as especulações a respeito de quais títulos ele pode assumir em sua nova casa. Logicamente os mais ventilados são os mais populares, que ficam entre Liga da Justiça, Superman, Mulher-Maravilha e, o mais especulado: Batman. No entanto, o repertório de histórias de Bendis permite que se pense nele atuando em outros cantos do Universo DC, especialmente quando o assunto são heróis jovens, algo que ele já mostrou que domina na concorrência.

A equipe do Redação Multiverso listou as principais franquias de jovens heróis que podem ser revitalizadas por Bendis. Aliás, é curioso notar que, na lista, a vontade de ver o roteirista atuando no universo do Batman prevaleceu, uma vez que mais da metade dos títulos listados são protagonizados por algum Robin.

Superboy (Kon-El)

Por: Émerson Vasconcelos

Embora o posto de Superboy atualmente esteja ocupado pelo filho do Superman, Jonathan Kent, a DC Comics vem reintroduzindo o conceito do clone Kon-El, que ocupou o manto a partir da década de 1990 e foi peça fundamental tanto na Justiça Jovem de Peter David quanto nos Novos Titãs de Geoff Johns. Atualmente o clone é considerado um personagem que sumiu da cronologia, desde que uma versão futura de Tim Drake chegou ao presente e percebeu que Kon não era lembrado por ninguém. Mesmo assim, a simples menção do jovem herói reascendeu as esperanças dos fãs, que esperam pelo seu ressurgimento desde o início da fase Renascimento. Com o anúncio de Bendis na DC é fácil imaginá-lo assumindo os roteiros de um título solo do jovem herói, que sempre teve um elenco de apoio adolescente e interações muito similares às que o roteirista desenvolveu para Peter Parker começo de Ultimate Spider-Man. A fase de Jeff Lemire no título do Superboy, e o período em que Geoff Johns explorou seus conflitos internos, por ser clone de Superman e Lex Luthor ao mesmo tempo, são sólidas bases para que Bendis possa fazer o que sempre fez de melhor em HQs protagonizadas por jovens heróis.

Justiça Jovem

Por: Émerson Vasconcelos

A equipe que reunia os jovens heróis da DC Comics no final da década de 1990, em uma série desenhada por Todd Nauck e escrita por Peter David, jamais foi esquecida pelos fãs, sendo lembrada com carinho mesmo após sua dissolução em 2005. Prova disso é que a animação baseada na equipe vai ganhar sua terceira temporada, após um longo hiato. Com a DC Enterteinment resgatando o time na versão animada não seria surpresa se ela recuperasse também seu espaço nas HQs. O tom leve, com personagens carismáticos e muitas vezes voltados ao humor lembra a dinâmica que Bendis estabeleceu para sua versão dos Guardiões da Galáxia. Somando esta experiência à já citada maestria do roteirista para tratar de jovens heróis, o escritor seria uma escolha perfeita para reestruturar a equipe.

Titãs

Por: Jonathan Nunes

Depois da mais recente fase de Bendis nos Jovens X-Men, imaginar o roteirista guiando uma nova fase do mais famoso grupo jovem da DC Comics não seria algo surpreendente. Além disso, a revitalização que Bendis promoveu em personagens clássicos da Marvel, vista no universo Ultimate da editora, talvez seja exatamente o que os Titãs precisam para voltar a ter destaque em novas e grandiosas aventuras, visto que os títulos protagonizados pelos jovens heróis não tem sido, nem de longe, o mesmo sucesso de público e crítica que costumavam ser antes da fase Novos 52.

Asa Noturna

Por: Jonathan Nunes

É provável que entre todos os Robins que já permearam as revistas do Batman, Dick Grayson seja o que mais fez sucesso entre o público tanto como o garoto prodígio, quanto com a identidade heroica que veio a assumir na luta solo ao crime, Asa Noturna. Porém, talvez o que ainda falte para o vigilante sejam histórias com mais profundidade e consequências, dois fundamentos que já foram vistos em diversos trabalhos de Bendis ao logo de sua trajetória nos quadrinhos. Histórias como Powers, e a própria fase do Demolidor e do Cavaleiro da Lua na Marvel, são bons exemplos disso. Ver Bendis explorando a persona de Dick Grayson em todas as suas facetas, pode ser a receita certa para um grande clássico do personagem – ainda mais se a parceria com Alex Maleev se repetir em um possível título vindouro.

Flash (Wally West)

Por: Leonardo Mello de Oliveira

Wally West se consolidou como o Flash definitivo para muitos fãs através da lendária fase de Mark Waid à frente do personagem nos anos 90. Muito disso se deu devido à personalidade carismática de Wally desenvolvida por Waid, mostrando um herói de legado que vai crescendo aos poucos. Bendis tem trabalhado com personagens de legado ultimamente, com suas criações próprias Miles Morales (Homem-Aranha) e Riri Willians (Ironheart), e mostrou que tem domínio sobre narrativas que envolvem o amadurecimento dos protagonistas. Além disso, Bendis consegue construir personagens jovens e carismáticos, que ganham o coração do público. Uma revista solo do Wally clássico nas mãos do escritor seria a oportunidade ideal de desenvolver melhor o novo Flash dentro do atual universo DC, além de apresentá-lo para uma nova geração de leitores e desenvolver toda a capacidade de um dos heróis mais adorados pelos leitores.

Robin Vermelho

Por: Leonardo Mello de Oliveira

Sendo o Robin preferido de muitos fãs e ganhando cada vez mais destaque dentro da trama maior do Universo DC, Tim Drake sem dúvida carregaria sem problemas uma revista própria com aventuras solo. Bendis tem experiência com heróis adolescentes  e geniais, visto sua larga fase à frente do Homem-Aranha Ultimate. Aliado a isso, sua capacidade em escrever histórias urbanas e de detetive como poucos, provada em obras como Alias e Demolidor, seria perfeita para desenvolver todo o potencial narrativo do Robin Vermelho. Focando de um lado nas tramas e dúvidas do lado jovem de Tim e de outro no lado obscuro das ruas protegidas pelo herói, Bendis aliaria duas de suas maiores qualidades como escritor de quadrinhos.Tim é considerado um detetive tão bom quanto o próprio Batman, e Bendis é a escolha ideal para resgatar esse conceito, que vem sendo pouco explorado nos últimos tempos.

Robin (Damian Wayne)

Por: Lucas Gonçalves

Um personagem que cairia como uma luva para Brian M. Bendis é o atual Robin, Daiman Wayne, filho de Bruce Wayne com Talia Al Ghul. Extremamente habilidoso, mas rabugento e orgulhoso, Damian é a oportunidade perfeita do Bendis não só usar seus diálogos bem humorados e inteligentes, como explorar todo o legado e a família do Batman, enriquecendo e expandindo a história do Robin criado por Grant Morrison e Andy Kubert. Outro aspecto de Damian que Bendis pode abordar é o dilema de ser o filho do Cavaleiro das Trevas e o neto de um de seus piores inimigos, o tirano Ra’s Al Ghul. Como é a vida de uma criança que foi treinada desde a infância para se tornar um guerreiro assassino e, depois, o futuro herdeiro do manto do Batman?

Besouro Azul (Jaime Reyes)

Por: Leonardo Mello de Oliveira

Jaime Reyes, o atual Besouro Azul, é um estudante de descendência mexicana que combate o crime usando uma armadura alienígena e, de quebra, conta com a ajuda de Ted Kord, um herói/cientista aposentado que já usou o título de Besouro Azul. Se você prestar atenção, verá que Jaime Reyes é quase uma junção dos últimos trabalhos do Bendis na Marvel: Homem Aranha Miles Morales, Guardiões da Galáxia e Coração de Ferro, sendo que o autor sabe como usar a seu favor temas como representatividade, heróis tecnológicos e a importância do legado. Um outro ponto a favor de Bendis no título é a volta de Ted Kord no universo DC. Mesmo não tendo indícios da existência da Liga Cômica na atual cronologia da DC, Bendis pode muito bem trazer de volta a amizade hilária de Ted com Michael Carter, o Gladiador Dourado, um dos elementos fundamentais dessa fase tão querida e engraçada. A HQ do Besouro Azul é uma ótima porta de entrada, e um belo desafio, da DC para Bendis.


Anunciado ator que vai viver Billy Batson em Shazam!

O site Hollywood Reporter anunciou nesta segunda-feira, 6, que Asher Angel, um dos protagonistas do seriado Andi Mack, da Disney Channel, vai interpretar Billy Batson no filme Shazam!, que tem data de lançamento prevista para 2019 pela DC Enterteinment.

A história do super-herói se concentra em um menino chamado Billy Batson, que pode se transformar em um super-herói adulto, proferindo a palavra mágica Shazam!. O nome é um acrônimo dos deuses do mundo antigo e figuras históricas Salomão, Hércules, Atlas, Zeus, Aquiles e Mercúrio, dos quais Batson deriva seus atributos heróicos.

Shazam tem direção de David F. Sandberg e roteiro de Henry Gayden e Darren Lemke. Zachary Levi vai interpretar o super-herói em sua forma adulta.

 


The Walking Dead da Panini terá formato diferente da versão HQM

Para desespero dos colecionadores que prezam por alinhamento de lombadas e padrão de identidade visual de suas coleções, o acabamento dos encadernados de The Walking Dead anunciados pela Panini não seguirão o mesmo formato que era seguido pela HQM.

Embora a Panini tenha anunciado que lançará a partir do volume 1 e, paralelamente, também a partir do ponto em que a HQM parou nos encadernados, muda tanto o formato quanto o título. Enquanto a HQM usava o formato 16,5x24cm, a Panini apostará no tamanho 17,26cm, o tradicional formato americano. O logotipo impresso na capa e na lombada também muda, uma vez que sai a versão nacional Os Mortos-Vivos e entra The Walking Dead.

A HQM chegou a lançar 48 edições mensais da série, em formato americano e com o título original, depois do sucesso da série de TV. No entanto, na época, manteve os volumes seguintes dos encadernados com o título traduzido, justamente para não causar transtornos aos fãs que acompanharam desde 2006 com a marca em português

The Walking Dead, a HQ que inspirou o seriado de TV, foi criada por Robert Kirkman e contou com Tony Moore como primeiro desenhista, sendo atualmente ilustrada por Charlie Adlard.

Os primeiros encadernados de The Walking Dead pela Panini tem previsão de lançamento para dezembro, na CCXP – Comic Con Experience 2017.


Filmes de heróis precisam seguir fórmula ou gênero?

Não é pecado pensar nos filmes de super-herói como um gênero cinematográfico, mas ignorar outras possibilidades para lidar com estas franquias é o caminho mais rápido para que o tema caia na repetição e logo cause um enjoo nos espectadores. O gênero super-herói pode sim ser constituído nos cinemas, mas até que ponto vale se apegar a ele? A temática permite que se trabalhe em diversos gêneros, sem necessidade de se encaixotar em uma fórmula única.

Até o momento, o que se vê são filmes que seguem três caminhos claros. Um deles começou em 1978, com o Superman de Richard Donner, e mostra um herói, ou grupo de heróis, que lida com um a ameaça e precisa sair de sua zona de conforto para enfrentá-la. Essa forma seria a base de um suposto gênero de super-heróis. Já vimos ela ser flexionada em dois formatos, um deles flerta com o drama, e foi este o usado em Superman – O Filme, por isso será chamado aqui de “fórmula Donner”. Os primeiros cinco filmes do Homem-Aranha produzidos pela Sony, por exemplo, seguem esta vertente.

O segundo caminho é o flerte com o humor, que teve tentativas fracassadas em Batman Eternamente e Batman & Robin, mas que encontrou o sucesso nas incursões da Marvel Studios e, por isso, é amplamente conhecido como “fórmula Marvel”.

Já o terceiro caminho, na verdade, é um leque de múltiplos caminhos, e, por isso, não pode ser rotulado, já que se entrelaça com vários gêneros e seriam filmes com super-heróis, mas não necessariamente seguiriam as fórmulas básicas. São os casos da trilogia Batman de Christopher Nolan e de filmes como Deadpool, Logan e, ao que parece Novos Mutantes. É justamente a existência desta terceira via, e a consistência das produções que se encaixam nela, que mostra que os super-heróis não precisam ficar presos a um único gênero e, muito menos, a uma ou duas fórmulas que o integram.

Fórmula Donner

A fórmula Donner reinou absoluta até a primeira década do século 21. As tentativas dos estúdios de se distanciar dela derraparam entre as décadas de 1980 e 1990, enquanto aquelas que apostaram no desenvolvimento dos conflitos do herói foram, com mais frequência, sucessos de bilheteria. Não raramente a vida amorosa dos protagonistas na fórmula Donner é conturbada.

A identidade secreta é uma constante e, com ela, a preocupação de manter seguras aquelas pessoas que o protagonista ama. Enquanto isso, a escalada de maldades do vilão faz com que o herói coloque sua própria vida, ou identidade secreta, em risco. Por padrão, isso resulta em sofrimento e desenvolvimento dramático.

Claro que algumas produções falharam miseravelmente em seguir esta fórmula, e filmes como Demolidor, Elektra e os filmes do Homem-Aranha dirigidos por Mark Webb são exemplos disso. Atualmente o universo cinematográfico da DC Comics tem apostado novamente neste terreno com frequência. O Homem de Aço e Mulher-Maravilha seguem à risca a estrutura da fórmula Donner, com o drama em primeiro plano e o humor entrando timidamente para quebra de tensão ou para pontuar característica de personalidade de algum personagem, seja ele principal ou não. Já Batman v. Superman pode ter problemas de montagem e de roteiro, mas o básico da fórmula Donner está ali, com a ameaça que motiva cada herói e o foco, inegavelmente exagerado nesse caso, no drama.

Fórmula Marvel

Embora a Marvel não tenha inventado a roda do sucesso para os filmes de super-herói, foi ela que conseguiu lapidar a fórmula tentada pela Warner nos anos 90 e fazê-la agradável para toda a família. No meio dos absurdos cometidos pelo diretor Joel Schumacher nos filmes do Batman, era clara a intenção de trazer a diversão para o universo dos heróis. Época errada, personagem errado, dose errada e piadas erradas, mas ainda assim uma tentativa válida. A existência destes filmes de Schumacher serviu para que Fox, Sony e Warner evitassem a proximidade demasiada de suas franquias com o humor.

Já a Marvel, por outro lado, preferiu não se intimidar e se aventurou lançando Homem de Ferro com muito humor na fórmula, mas um humor melhor distribuído e com piadas que funcionavam e eram verossímeis. Vale pontuar, no entanto, que no mesmo ano a mesma Marvel lançou O Incrível Hulk, totalmente calcado na fórmula Donner. A empresa conhecia os riscos de se aventurar em uma fórmula que já tinha sido rejeitada nos filmes do Batman e, possivelmente por isso, resolveu arriscar apenas em uma das produções. Claro que os absurdos estéticos e de diálogos dos filmes de Schumacher nunca foram seguidos pela Marvel, a semelhança está apenas na intenção de se fazer humor dentro do embate herói versus vilão.

De 2008 a 2017 a Marvel raramente se afastou de sua fórmula, o que garantiu muitos sucessos de bilheteria e uma consolidação de marca. Essa consolidação é tamanha que permitiria ao estúdio arriscar em outros formatos com certa frequência, mas até agora só vimos uma desviada de curso em Capitão América – Soldado Invernal, que se aproximou da fórmula Donner. No entanto, a preferência tem sido pisar em terreno conhecido e até mesmo personagens que, em essência, clamam por uma abordagem dramática, acabam ganhando um tom leve e, às vezes, cômico. Quem imaginaria uma abordagem bem humorada do Thor ou do Doutor Estranho em alguma mídia antes da implementação da fórmula Marvel?

Paralelamente, quem se aventurou a produzir filmes tentando seguir a fórmula Marvel fora da Marvel Studios até agora só cometeu gafes. Motoqueiro Fantasma 2, da Sony, beira o abismo (ou talvez caia nele) com suas tentativas falhas de piadas. A DC tentou duas vezes, com Lanterna Verde e depois com Esquadrão Suicida e é quase impossível determinar qual dos dois falhou mais.

Terceira via

A terceira via, que consiste basicamente em não enquadrar o filme em um “gênero super-herói” e sim buscar fórmulas estruturais de outros gêneros para produzir um conteúdo com super-heróis também começou falha. Superman 3 nada mais era do que uma comédia de Richard Pryor, com um super-herói. Só que se a fórmula Marvel permite que elementos de humor sejam incorporados em qualquer herói, desde que as piadas funcionem, não é bem assim quando se tenta incorporar o herói em um outro gênero, seja ele de comédia ou qualquer outro. Uma comédia do Superman não consegue ser nada além de ridícula, afinal, consiste em satirizar um personagem tradicionalmente sério. Só que a mesma estratégia, com o personagem correto inserido no gênero correto, pode render ótimos filmes.

A trilogia Batman de Christopher Nolan absolutamente abandona a necessidade de mostrar um filme de super-herói e se foca na estrutura de outros gênrros. Batman Begins é um filme policial que foca no combate à máfia e à banda podre da própria corporação, enquanto naquela Gotham City um herói surge, e luta com um vilão que vê a podridão da cidade como algo irreversível. A vitória de Batman não resolve os problemas apresentados no filme, apenas dá a Gordon a chance de seguir a limpeza da polícia e da cidade. Em O Cavaleiro das Trevas mais uma vez vemos um filme policial, focado dessa vez no lado humano do tira que quer se aposentar (Bruce Wayne) para viver um grande amor e no tira que quer assumir a limpeza da cidade (Harvey Dent), enquanto nenhum dos dois está preparado para enfrentar um mal diferente (Coringa). No fim, ambos pagam caro por quererem assumir um papel que não podem. O Cavaleiro das Trevas Ressurge, então, é um filme sobre como uma lenda pode inspirar um povo a conquistar a liberdade. Poderia ser um filme do Rei Arthur, mas, por acaso, é do Batman.

A Fox acertou em cheio duas vezes na inserção de heróis em outros gêneros. Deadpool é uma comédia e uma grande comédia sobre… super-heróis. O personagem sempre teve uma veia cômica e a sua tendência a quebrar a quarta parede possibilitou um filme que está para os super-heróis como Todo Mundo em Pânico está para o terror. Até mesmo a grande batalha final é uma paródia de outros filmes. A própria escolha do ator Ryan Reynolds leva a piadas sobre suas participações terríveis em filmes anteriores de super-heróis. Deadpool + Ryan Reynolds eram os elementos perfeitos para uma comédia.

Já no segundo acerto, a Fox trabalhou todo o marketing de Logan como um filme de estrada e entregou algo além disso. O que foi entregue nas telas misturou o que já se podia prever pelos trailers com um clima de western futurista e rendeu possivelmente o melhor filme com heróis de 2018. No caso de Logan vale pontuar que o estúdio poderia ter ousado mais. A inserção de uma batalha final com um vilão sem personalidade, típica dos filmes de super-herói, não era realmente necessária, embora não estrague o filme e nem o encaixote no “gênero super-herói”.

Às vezes para se marcar a inserção em um gênero é necessário ser justamente genérico, já nos materiais de divulgação, que incluem cartazes e trailers. Quem acusa Thor Ragnarok de parecer uma comédia pastelão nos trailers ou Novos Mutantes de ter um “trailer genérico de terror”, só está constatando as marcas que os estúdios quiseram evidenciar. A Marvel parece, pela primeira vez, estar indo além do gênero super-herói e abraçando o gênero comédia. Enquanto isso, a Fox segue suas experimentações e faz questão de deixar isso evidente quando lança o trailer dos mutantes mais jovens em uma sexta-feira 13, abusando dos clichês do gênero terror.

Afinal, super-herói é gênero?

Como tentei deixar claro no decorrer de todo este texto e resumo aqui, super-herói pode ser um gênero e dentro deste gênero cabem seus clichês e suas fórmulas. No entanto, este pode ser o caminho mais curto para uma saturação. O que acredito é que sim, em poucas décadas, talvez até menos de uma década, as fórmulas estarão desgastadas e veremos muito mais filmes de outros gêneros com super-heróis do que vemos hoje. Se os estúdios insistirem nas fórmulas, o risco real é de uma diminuição drástica do número de filmes, devido à saturação. Isso já aconteceu antes, quando o western se focava basicamente em mocinho versus bandido ou caubóis versus índios, em um cenário rico que poderia ter abrigado infinitos gêneros. O encaixotamento dos super-heróis em um gênero próprio é artificial, já que com eles é possível operar em qualquer tipo de história e isso já foi provado recentemente pelos exemplos citados.


Grant Morrison volta ao universo do Batman

Grant Morrison vai se juntar a Scott Snyder, Joshua Williamson e James Tynion IV no roteiro do especial Dark Knights Rising: The Wild Hunt, um tie-in de Dark Nights: Metal. O lançamento da edição está programado para fevereiro e a participação do escocês como co-roteirista foi confirmada por Snyder através de sua conta no Twitter.

A presença de Morrison no projeto não era anunciada, mas não chega a surpreender. Barbatos, o grande vilão de Dark Nights: Metal, apareceu pela última vez durante a fase em que o escocês escreveu o Homem-Morcego. Depois que Darkseid o enviou Batman de volta no tempo para destruir o presente, Bruce Wayne foi salvo com a ajuda de seus amigos, mas a energia residual do processo deu origem a Barbatos.

Dark Knights Rising: The Wild Hunt foi anunciado no início deste mês e terá Doug Mahnke e Ivan Reis trabalhando na arte. A sinopse menciona que os Cavaleiros das Trevas procuram parar um improvável time de heróis de DC, enquanto também promete revelar o papel dos Homens Metálicos, que estiveram ausentes até agora na fase Renascimento da DC Comics.

 

 


Lanterna Verde vai se ajoelhar perante Zod em janeiro?

Na edição #37 de Hal Jordan and The Green Lantern Corps, uma investigação liderada por Hal Jordan leva a Tropa dos Lanternas Verdes a um confronto direto com o kryptoniano General Zod, visto pela últimas vez recentemente nas páginas de Action Comics. A HQ, escrita por Robert Venditti e desenhada por Rafa Sandoval e Jordi Tarragona, tem previsão de lançamento para o dia 24 de janeiro de 2018. A revista traz a parte um do arco Power of Zod, que teve as seguintes capa e sinopse liberadas pela DC Comics:

Após uma recente batalha com Superman em Action Comics, o general Zod se recupera enquanto toma o controle de um mundo pequeno e subdesenvolvido. Quando Hal Jordan investiga, estabelece o caminho para um confronto entre o guerreiro de Krypton e os Lanternas mais corajosos e brilhantes da Tropa.


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