Guilherme Wunder

João Azeitona e a travessia do Porco Pirata

Desenhista, ilustrador, colorista de histórias em quadrinhos e velho conhecido do público gaúcho, João Azeitona desbrava agora os sete mares com o lançamento de seu Porco Pirata, numa travessia que levou quase uma década da sua concepção até a publicação, que chega pela editora Mino com evento de lançamento especial dentro da festa de fim de ano da Galeria Hipotética em Porto Alegre neste domingo, dia 17.

O fanzine Adeus, Tia Chica! foi o trabalho que abriu as portas do mundo dos quadrinhos para o jovem Azeitona. Esse projeto foi o primeiro do passo-fundense a receber uma indicação para o Troféu HQMix, feito que voltaria a se repetir outras vezes. Mas nos últimos anos o cenário mudou e agora o desenhista vem trabalhando com certa frequência para as editoras americanas. Em 2013 ele coloriu a minissérie The Secret History of the Foot Clan das Tartarugas Ninja, para a editora IDW e também a nova HQ do Robocop, intitulada Lembranças da Morte, que saiu pela Boom Studios. Contudo, o mais aguardado trabalho de Azeitona vem sendo desenvolvido desde antes disso tudo sair. Estamos falando de Porco Pirata, projeto que foi financiado através do Catarse e lançado pela Editora MINO numa bela edição durante a CCXP. Confira a entrevista de Azeitona ao Redação Multiverso e conheça mais sobre o grande lançamento do artista.

Porco Pirata é um dos personagens mais antigos da tua carreira, mas que nunca havia ganhado uma HQ para chamar de sua. Quando e como ele surgiu?

Os primórdios do Porco Pirata são do tempo que eu ainda morava em Florianópolis. Mas ele começou a ganhar força depois que eu cheguei em Porto Alegre lá por volta de 2007. Sempre gostei de histórias de aventura. Os filmes clássicos das Sessões da Tarde, como Goonies, foram uma grande influência e senti a necessidade de contar uma aventura assim em quadrinhos. A história surgiu juntando várias coisas que li na época como grandes assaltos cometidos por piratas, a biografia de alguns deles, mitologia grega e uma pitada de romance (sim, teremos romance na história do Porco). Lembrando que essa história que menciono não é essa que foi publicada agora. Essa história que falo conta a origem do Porco e encaminha o futuro do personagem enquanto essa que foi publicada agora é um spin-off para que todos conheçam o personagem, seus amigos, inimigos, onde ele vive e quando ele vive.

Um ser antropomórfico que é pirata e busca dominar os sete mares. De onde vieram tuas inspirações e referências para a construção de um personagem tão específico e diferente?

Pois então, eu andava lendo bastante coisas sobre piratas na época, sempre gostei, acho que são personagens icônicos nas histórias de aventuras. Juntando com um pouco de mitologia e fantasia os primeiros esboços foram surgindo e, inclusive, falando especificamente do Porco, mudaram muito pouco desde então. Meus amigos na época entraram em contato com o personagem e começaram a me incentivar a levá-lo adiante. Aí não parou mais.

Desde o surgimento do personagem tu participou de outros projetos para editoras norte-americanas, como Robocop. O que desta experiência e vivência no mercado estadunidense tu conseguiu trazer para está publicação?

Na verdade acho que o Porco levou para essas publicações algumas coisas. Principalmente falando de arte-final. Se posso enumerar uma coisa que essa experiência lá fora trouxe para o Porco foi a certeza de que eu queria fazer uma HQ em preto e branco e não colorida.

Em um primeiro momento tu iria lançar a obra de forma independente, através de financiamento coletivo, e depois anunciou a obra pela Editora MINO. Por que essa mudança e como foi essa negociação?

A negociação foi imprescindível para que o livro fosse lançado esse ano. Sozinho eu nunca teria conseguido terminar a tempo e garantir a qualidade com que o livro saiu. Sem a ajuda de toda a equipe da Mino a edição, a revisão, o trabalho com a gráfica e a logística das entregas teriam levado muito mais tempo. Toda a experiência da Mino agilizou muito o processo como um todo e garantiu uma qualidade a publicação que faz jus a todo o meu esforço nas páginas para ter o melhor material que eu conseguisse fazer. E todos sabemos que esse livro tinha que sair esse ano. Ninguém, mais do que eu, sofreu com todo esse atraso e o lançamento do Porco Pirata representa o fim de uma época muito difícil para mim. Agora é hora da içar velas e rumar à todo pano para novos tempos, desafios e novas aventuras, para mim e para o Porco.

Apesar de nunca ter sido lançado, bastante gente já conhece o personagem, seja através das redes sociais ou de fanzines onde ele apareceu. Como tu espera que seja a receptividade do teu público e do novo público com esse trabalho?

A receptividade tem sido ótima até agora. Tenho recebido várias mensagens de colaboradores que já receberam seus pacotes e que fazem questão de mandar e de me marcar em fotos do livro no instagram e no facebook. O que tem me deixado muito menos apreensivo, pois não fazia ideia de como todos iriam responder. É ótimo quando as pessoas fazem questão de mandar uma mensagem e dividir o que acharam sobre o livro. E pela quantidade de pessoas que me perguntam como adquirir o livro acho que o público novo está, pelo menos, curioso e vamos saber o que acharam do livro em breve.

Por ser um personagem tão folclórico na tua carreira, tu deve ter bastante história para contar. Essa primeira publicação é fechada ou deixa pontas para uma possível continuação?

Sim, deixa pontas, como eu tinha dito antes, essa história publicada agora apresenta o mundo do Porco Pirata aos leitores e dá uma pincelada em suas motivações e personalidade, assim como mostra os coadjuvantes da história. A minha intenção é publicar, em um futuro próximo, a origem do Porco Pirata e seus rumos. Mas, por enquanto, quero curtir muito os lançamentos e a CCXP onde posso encontrar e conversar com todo mundo sobre o livro.


CCXP: Até o Fim, de Eric Peleias, é lançada durante evento

O roteirista Eric Peleias é um dos diversos quadrinistas brasileiros que está participando do Artist’s Alley da CCXP para fazer o lançamento oficial de uma publicação. O autor aproveitou a oportunidade do evento para apresentar ao público Até o Fim. O projeto conta com roteiro de Peleias, arte de Gustavo Borges e cores de Michel Ramalho.

Até o Fim é uma história sobre o que acontece depois que a gente morre. Será que todo mundo vai pro mesmo lugar ou o que acreditamos em vida influencia? A Lilian, a personagem principal, morreu em um acidente com outros quatro amigos e ela quer voltar pra vida dela, por isso faz um acordo. Ela tem até o nascer do Sol para definir o melhor destino para a alma de cada um dos amigos dela de acordo com o que eles acreditam.

Em entrevista com o autor do projeto, Peleias contou um pouco da sua expectativa para este lançamento. “Já temos algumas previsões, com base nos números de pré-venda, vendas online e lançamentos anteriores e estamos animadíssimos. As pessoas que já leram parecem estar gostando. É o meu primeiro trabalho tão grande que eu dividi com outros artistas e nós demos duro, mas também nos divertimos muito com o processo. Espero que essa vibração positiva contagie os leitores”, finaliza o quadrinista.


CCXP: Pablo Casado e Talles Rodrigues lançam Mayara & Annabelle Vol. 4

No Artist’s Alley da Comic Con Experience 2017 estão presentes mais de 400 artistas brasileiros, além de outros nomes internacionais. Devido a esse espaço e ao grande público presente, diversos dos quadrinistas optam por lançar seus trabalhos durante essa programação. E, entre estes nomes, está a dupla Pablo Casado e Talles Rodrigues.

Isso porque os artistas estão aproveitando a oportunidade para lançar Mayara & Annabelle Vol. 4. Quem conta um pouco mais sobre a premissa desta nova obra é Casado. “Essa é a continuação das aventuras de Mayara e Annabelle, duas funcionárias públicas que combatem demônios e outras criaturas sobrenaturais. Nesse quarto volume, elas vão para São Paulo investigar o atentado sofrido por Salgado, mentor de Mayara”, explica o autor.

Este quarto volume foi financiado através de crowdfunding, tendo atingido mais de 140% da meta estipulada. Apesar do sucesso, Pablo salienta que a atual fase está prestes a chegar ao seu fim. “O primeiro arco da série fecha no quinto volume, sem deixa para o sexto. Mas a ideia é continuar se tudo der certo. Temos um público cativo na CCXP e sempre formamos novos leitores”, finaliza o quadrinista.


CCXP: The Few and Cursed ganha terceiro volume

Um dos artistas que mais vem ganhando espaço e reconhecimento, muito graças ao seu sucesso com o financiamento coletivo, é Felipe Cagno. O roteirista formado em cinema já tem um currículo e um nome consolidado no cenário brasileiro de histórias em quadrinhos dos últimos anos. Para a Comic Con Experience (CCXP) de 2017, o artista está lançando o terceiro volume de The Few and Cursed.

A HQ, que já tem outros dois volumes publicados, retrata um velho-oeste sobrenatural pós-apocalíptico. Em 1840, mais de 90% da água do mundo desapareceu e agora, 70 anos depois, o pouco que restou da humanidade aprendeu a viver com um mínimo de água. Algumas pessoas apelaram para maldições e pactos com o inferno para sobreviverem, dando origem à Caçadores de Maldições para equilibrar a balança social. A Ruiva é uma desses caçadores de maldições, e o primeiro arco de história traz ela à caça dos terríveis Corvos de Mana’Olana.

Em entrevista ao Redação Multiverso, Cagno salientou que já planeja o final desta minissérie, mas adianta que mais coisas virão. “A saga ‘Os Corvos de Mana’Olana’ ainda vai ter mais três partes e vamos fechar a história com seis edições. Mas isso é só o começo e já temos mais dois arcos planejados com seis edições cada. Ainda tem muita coisa para contar da Ruiva e do mundo em que ela vive”, explica o autor.

Um destes projetos já foi divulgado e financiado pelo Catarse. Ele se chama As Crônicas de The Few and Cursed e traz sete curtas histórias sobre este mundo e uma história inédita da Ruiva no Egito. As histórias foram ilustradas por diversos artistas, como Luke Ross, José Luis, Pedro Mauro, Andrew Dalhouse, Adriano Di Benedetto, Sam Hart, Felipe Watanabe e Geraldo Borges.

 


CCXP: Luciano Salles lança HQ financiada pelo Catarse

O quadrinista Luciano Salles, conhecido por trabalhos como O Quarto Vivente e Limiar – Dark Matter, está participando de mais uma edição da Comic Con Experience (CCXP), evento que teve início nesta quinta-feira, 07. Durante sua participação no Artist’s Alley, Salles estará com exemplares das obras citadas acima, mas também estará com o seu mais recente trabalho, intitulado Eudaimonia.

A publicação, que saiu através de financiamento coletivo e tendo superado os 115% de sua meta,  retrata a história de Piwl-Pa-Col, que é um estranho e solitário caçador que falha na tentativa de abater “uma parte” de sua presa. Ele tem apenas uma segunda chance para o sucesso de sua caçada e, não por acaso, contará com a ajuda de uma inusitada parceira chamada Luzcia, a dona de um boteco.

Em entrevista ao Redação Multiverso, Salles conta que este trabalho surgiu de uma curiosidade do autor em pensar qual seria o caçador mais eficaz da natureza. “Fiquei basicamente pesquisando sobre os felinos e cheguei até o leopardo. Uma criatura linda, muito eficaz em suas caçadas e, por consequência, que vive em estado eudaimônico, ou seja, ele faz exatamente o que a natureza o criou para fazer. A produção foi bem dinâmica, até pelo fato que não queria lançar nada neste ano de 2017”, explica o artista.

Outro ponto destacado pelo quadrinista é a importância que eventos como a CCXP tem para o cenário dos quadrinhos, pois nem sempre quem vai lá é consumidor, mas pode acabar se tornando. “A CCXP leva, por vezes, um público que não consome somente quadrinhos. E essas pessoas passarão pelo Artist’s Alley e também podem se interessar por uma publicação entre tantas outras. Pode ser um leitor(a) que estava em repouso, a muito tempo sem ler nada e pode voltar a ler. Assim, como a CCXP, todos os eventos de quadrinhos são extremamente valiosos para o mercado”, finaliza o autor.


CCXP: Editora Draco lança Devorados

A Editora Draco vai fazer uma série de lançamentos durante a Comic Con Experience, que acontece entre os dias 7 e 10 de dezembro. Entre essas obras que vão ganhar espaço no evento está Devorados. A publicação conta com roteiros de Erick Santos Cardoso e Cirilo S. Lemos, além de conter a arte de Marcio R. Gotland. Os três artistas estarão no Artists Alley da convenção, fazendo o lançamento da obra e também vendendo outros trabalhos.

Em Devorados, o leitor é apresentado a Duran Draconian, um nobre que não poupará esforços para recuperar a honra de sua linhagem decadente. Para proteger sua esposa e bebê, ele enfrentará um ritual arriscado para entrar para a dragonaria rubra, uma força de elite que sobrevoa os campos de batalha aplicando a justiça dos homens. Este futuro pai e guerreiro superará obstáculos intransponíveis, forjará um elo inquebrável de sangue com um réptil alado selvagem e, ao encarar o seu monstro interior, descobrirá o preço definitivo para a vitória.

Em entrevista com o desenhista Marcio R. Gotland, que já esteve em outras edições do evento para lançar a série Greg: O Contador de Histórias, e que é o responsável pela arte de Devorados, conta como foi produzir um trabalho com outros artistas – em Greg, o artista é responsável por todo o processo. “Foi um trabalho árduo e com uma constante conversa com os editores e roteiristas para que houvesse sintonia entre o que é imaginado como produto final por ambos. Também foi uma experiência interessante desenhar o roteiro de outros autores”, relata o desenhista.

Gotland conta que eventos como a CCXP são de suma importância, ainda mais quando se vê a lista de lançamentos anunciados. Segundo ele, isso tem contribuído e muito na formação de uma produção mais alicerçada e para a construção de um mercado de quadrinhos nacionais. Por isso que sua expectativa é tão grande para lançar Devorados durante o evento. “Estou muito ansioso. Não vejo a hora de ficar de frente com o público e apresentar esse livro e tenho certeza, pelo resultado final, que será bem aceito”, destaca o autor.

Além do lançamento de Devorados, Gotland estará no Artists Alley com os três volumes de sua minissérie Greg: O Contador de Histórias, o sketchbook lançado pela Editora Criativo, além de prints e originais. A CCXP acontece entre os dias 7 e 10 de dezembro, em São Paulo.


CCXP: Roteirista de Graphic MSP lança obra autoral

Co-autor da Graphic MSP da Turma da Mata, Artur Fujita é um dos artistas brasileiros confirmados no Artists Alley da Comic Con Experience, que acontece entre os dias 7 e 10 de dezembro. O evento, que está em sua quarta edição – isso sem contar com a CCXP Tour – é conhecido por democratizar o espaço para lançamentos de HQs nacionais e independentes.

Fujita lança seu mais recente trabalho De Volta a Solemnia. A obra conta a história do príncipe Alex, que parte em busca de um amuleto mágico para ajudar sua mãe, a rainha Stella. Quando estava prestes a conseguir, se depara com várias versões dele mesmo. E todos com o mesmo objetivo: conquistar o trono de Solemnia. Com a ajuda do fiel cavaleiro Sir Grimmo, ele precisa encontrar um dragão poderoso, o único ser capaz de resolver essa confusão.

Nesta obra, Fujita também é o responsável pela arte da HQ, ao contrário de Turma da Mata, onde o autor dividiu os trabalhos com outros artistas e se concentrou apenas no roteiro. Em entrevista ao Redação Multiverso, o artista explicou que a produção durou cerca de seis meses, onde ele pode se dedicar exclusivamente à produção. Contudo, o autor conta que não foi um trabalho realizado completamente sozinho.

“Teve muita gente que me ajudou. Minha esposa, Mônica Pellegrini, começou me ajudando na cor base, etapa que depois foi assumida pela Mariana Calil. A Fati Gomes cuidou da revisão de texto e a Lilian Carmine fez a versão em inglês. Além disso tive contribuições importantíssimas da Marcela Godoy e do Marcelo Campos. Todos amigos queridíssimos! Mas toda a parte de roteiro, desenho, arte-final, cor final e balões foram feitos por mim. Gosto de trabalhar assim. Já estou acostumado”, salienta Fujita.

Sobre a escolha da CCXP para o lançamento, o autor explica que eventos como esse são de grande importância, principalmente para o mercado independente. Segundo ele, essa é a oportunidade que os autores têm para encontrar seus leitores e conversar sobre seus trabalhos. Além disso, Fujita contou sobre sua expectativa para este lançamento. “A expectativa de qualquer lançamento é grande, eu imagino. Nunca lancei nada na CCXP, então não sei como vai ser. Vai ter muita gente lançando coisa boa por lá, o que é ótimo para o quadrinho nacional. Além desta obra, vou levar meus dois quadrinhos anteriores: Ascensão e Queda de Big Mini, que já está no final, e Escrevendo Com o lado Esquerdo do Fígado”, finaliza o artista.


Virada Nerd + Dia do Quadrinho Grátis começa hoje

A Devir Brasil, em parceria com o Museu da Imagem e do Som (MIS) de São Paulo, realiza neste final de semana a segunda edição da Virada Nerd + Dia do Quadrinho Grátis. O evento acontece no sábado e domingo, nas instalações da MIS, e faz parte das comemorações dos 30 anos da editora no mercado nacional. Além de São Paulo, vão existir ações simultâneas acontecendo em cerca de 30 lojas que aderiram ao projeto.

Entre os estabelecimento participantes está a Nerdz, de Porto Alegre. Segundo o gerente da loja, Renan de Mello, as expectativas para o evento são positivas. “Temos mais atrações que o ano passado. Em número de público é difícil estimar. Mas sempre dá movimento, principalmente pelos quadrinhos grátis”, ressalta o gerente da Nerdz.

Entre as principais atividades estão um streaming com autores nacionais e internacionais, descontos diferenciados em publicações e a distribuição gratuita de HQs. Para este ano serão quatro obras disponibilizadas para o Dia do Quadrinho Grátis. São elas: Henshin Mangá, Paper Girls, Lumberjanes e o suplemento de RPG A Bandeira do Elefante e da Arara.

Para Christopher Kastensmidt, autor das histórias d’A Bandeira do Elefante e da Arara, relatou estar muito feliz pela participação do evento, afinal o suplemento de RPG será o primeiro da área a ser distribuido de forma gratuita no evento. “Vai para todas as lojas participantes no Brasil. Esse é o detalhe mais importante. Além disso, meu livro vai receber seu lançamento em São Paulo, que será o quarto lançamento após Fortaleza, Porto Alegre e Passo Fundo. Também terei uma palestra com SulaMoon, Gabriel Rubio e Beraldo”, conta o escritor.

Para mais informações sobre o evento, programação e lojas participantes, é só acessar a página oficial da Devir Brasil no Facebook.


Gabriel Arrais e o universo de Necromorfus

Gabriel Arrais é roteirista de quadrinhos e ficou conhecido no Brasil pela série Necromorfus. Na trama, acompanhamos a história de Douglas, um adolescente com algumas características incomuns: ele não envelhece, está preso para sempre na idade de 16 anos e pode se transformar em qualquer pessoa que já morreu, tocando em qualquer resto mortal.

O projeto teve seu primeiro volume publicado em 2014 e, inclusive, o artista esteve presente na Comic Con RS em 2016 para divulgar o seu trabalho. Em 2017, o roteirista disponibilizou seu terceiro volume no Catarse, que já ultrapassou os 174% da meta flexível, e segue em financiamento coletivo até o dia 8. O objetivo é lançar esta obra que dá continuidade ao projeto na Comic Con Experience, entre os dias 7 e 10 de dezembro, em São Paulo.

Em entrevista ao Redação Multiverso, Arrais conta um pouco sobre o surgimento deste universo criado em 2014, a experiência da produção, as expectativas para o lançamento e o que os fãs de Necromorfus podem esperar para o futuro da série. Confira!

De onde surgiu a ideia do Necromorfus?
Na época (anos 90), eu era muito viciado em X-Men, mas o poder transmorfo da vilã Mística sempre me chateava. Então pensei num personagem em que esse poder fosse mais coerente. Durante todos esses anos, a única coisa que mantive foi o nome e o poder do personagem. Após todo esse tempo na gaveta, a história ganhou muita maturidade. Na verdade eu ganhei maturidade e a história acompanhou. Quando criei o personagem, eu era um adolescente escrevendo sobre um personagem adulto. Hoje sou um adulto escrevendo sobre um personagem adolescente. Machado de Assis estava certo: o menino é o pai do homem (risos).

Agora está trabalhando no terceiro volume de Necromorfus. Em que estágio ele está?
Ele está em fase de impressão, foi enviado para a gráfica recentemente. Fica pronto no início de dezembro para ser lançado na CCXP, em São Paulo.

Você optou pelo financiamento coletivo para realizar esse projeto. Qual a importância e o termômetro que você tira com o apoio do teu público?
O apoio do público, através do financiamento coletivo, é muito importante. Ele ajudou a viabilizar parte do projeto. Tenho percebido que Necromorfus não é um quadrinho para leitores mais acostumados com o gênero de super-heróis. Os fãs mais engajados são pessoas que curtem temáticas mais adultas.

Você segue com a Korja. O que a editora te possibilita que não conseguiria sozinho?
A Korja foi o primeiro selo que acreditou no potencial de Necromorfus. E por ser um coletivo com membros em diversos estados, temos mais facilidade com a logística dos eventos.

Você está lançando este projeto na CCXP. Qual a importância do evento para os quadrinistas independentes?
Este evento, desde a sua primeira edição, consolidou-se como a maior convenção de quadrinhos do Brasil. Poder participar disto é o maior reconhecimento que um quadrinista independente pode ter. Estar ao lado dos grandes mestres nacionais e internacionais, além de um grande aprendizado é a realização do sonho de qualquer artista. O contato direto com o público de diversas regiões do Brasil, que só esse evento proporciona, também é fundamental para a evolução de futuros trabalhos.

Este terceiro volume se passa antes dos dois primeiros. Por que essa mudança na cronologia?
Precisei explicar alguns aspectos que serão fundamentais para o entendimento e desenvolvimento das futuras edições. Também para explicar um detalhe que aparece na edição 2. Além do mais, gosto de escrever de forma não linear. Em Necromorfus, o leitor sempre será surpreendido. Perguntas são levantadas, mas ao final do arco, tudo será respondido.

Tu vem construindo uma mitologia dentro de Necromorfus. Aonde pensa chegar?
Um dos pontos onde pretendo chegar é desenterrar possíveis verdades sobre grandes acontecimentos mundiais e sobre figuras históricas e entrelaçá-las com a vida do personagem principal. Com isso, pretendo chegar a novos apontamentos sobre a História como conhecemos. E ninguém melhor que Douglas para literalmente desenterrar estes novos pontos de vista.

Esse é o terceiro volume e você já está trabalhando no quarto. O que mais tem por vir quando se pensa neste universo?
No próximo volume, nos aprofundaremos mais no núcleo familiar do personagem. Com certeza, é a história com o final mais emocionante até agora. Também teremos uma edição especial com os candidatos a se tornarem o Deus da Terra durante os próximos cem anos. Ainda em relação a esse universo, também estamos trabalhando com a possibilidade de expandi-lo para outras mídias, mas as negociações ainda estão engatinhando.


Mangá de Samurai X entra em hiato após prisão do autor

O criador do mangá e anime “Samurai X”, Nobuhiro Watsuki foi preso no Japão. Segundo o Yahoo Japan, autoridades do país encontraram DVDs com vídeos de meninas nuas, de menos de 15 anos, no escritório e na casa do artista em Tóquio.

De acordo com reportagens veiculadas, as investigações apontam que Watsuki comprava pornografia infantil e assediava estudantes do ensino fundamental e médio. A polícia encontrou o conteúdo enquanto investigava outro caso. No país, condenados por posse de pornografia infantil podem enfrentar até um ano de prisão e multas que chegam a um milhão de ienes (cerca de R$ 29 mil).

O artista estava se preparando para retornar ao trabalho com o personagem nesta primavera. No entanto, a editora  Shueisha, que voltaria a publicar as histórias, emitiu uma nota adiando o retorno. “Nós ouvimos as notícias e, como empresa, isso é algo que estamos levando muito a sério”, diz o comunicado.


Redação Multiverso é o site colaborativo de produção de conteúdo sobre quadrinhos
da Produtora Multiverso, em uma iniciativa paralela e complementar à realização da
ComicCON RS – principal convenção de quadrinhos e cultura pop do Rio Grande do Sul.