Redação Multiverso

Guia dos estrangeiros no Alley da CCXP 2017

Falta muito pouco para a Comic Con Experience 2017 e, para os fãs de quadrinhos, é hora de explorar todas as possibilidades do gigantesco Artists Alley desta edição, montar o próprio roteiro e começar a se preparar para mergulhar em um universo paralelo onde seus heróis e ídolos estão ali sentados em uma mesa à sua espera.

Além dos mais de 400 artistas nacionais que materializam dentro da convenção a incrível diversidade dos quadrinhos brasileiros, o espaço ainda conta com a presença de um seleto grupo de nomes estrangeiros, acessíveis como nunca. Por isso o Redação Multiverso mapeou os quadrinistas internacionais do Artists Alley deste ano, trazendo um breve perfil e uma galeria de imagens que inclui possíveis sketches e artes originais para você cobiçar desde já (sem esquecer que deve investir uma grana e enfrentar filas inevitáveis). Ainda que incluídos nessa lista, alguns nomes como Paul Pope e Gail Simone autografam no estande da Chiaroscuro Studios em horários determinados. A lista abaixo segue a ordem alfabética, com a devida indicação da posição das mesas no mapa.

Mapa do Artists Alley CCXP 2017

Amy Chu, C19-20

Reforçando o time feminino de convidados estrangeiros da CCXP 2017, a editora e roteirista Amy Chu retorna ao evento com trabalhos como o título da Hera Venenosa, especiais da Mulher-Maravilha e passagens por revistas como Deadpool, X-Files, Red Sonja e Kiss. Amy também é uma das fundadoras da Alpha Girls Comics, editora que publica trabalhos de mulheres como Girls Night e The VIP Room.

Ariel Olivetti, A34-35

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O argentino Ariel Olivetti ilustrou nada menos do que a célebre minissérie Space Ghost, da DC Comics, que pela primeira vez imprimiu tom de realismo ao clássico herói das animações. Embora este seja certamente um marco em sua carreira, é impossível listar em poucas linhas todos os títulos relevantes nos quais trabalhou. Na DC se destacou também em O Reino (continuação direta de Reino do Amanhã), ao lado do roteirista Mark Waid, e na minissérie Superman e Batman vs. Aliens e Predadores. Seu trabalho de destaque mais recente em títulos mainstream foi publicado pela Marvel, no título Venom: Space Knight. Além disso, lançou a HQ independente HQ ICH, que foi publicada no Brasil pela Jambô Editora de forma quase simultânea ao lançamento na Argentina.

Arthur Adams, F23-24

Revire a estante, separe seus gibis dos X-Men e aproveite a presença de Arthur Adams no Alley da CCXP. Lendário desenhista de vários títulos mutantes e outros clássicos como Homem-Aranha, Hulk, Batman, Superman, Rockeeter e The Authority, ele vem ao Brasil pela primeira vez acompanhado da esposa e também artista Joyce Chin. Os dois chegaram a ser anunciados em 2016 e cancelaram a participação, mas pagam a promessa em 2017 com mesas no Alley e tudo que tem direito.

Ben Templesmith, B21-22

Ben Templesmith sabe assustar e encantar como poucas pessoas. Sua arte caricata finalizada no photoshop causa uma sensação incômoda, prendendo o leitor em um pesadelo vivo em forma de quadrinhos. Ao lado do autor Steve Nilles, Templesmith criou a premiada minissérie 30 Dias de Noite, que deu uma nova e horripilante roupagem à mitologia dos vampiros. Seu trabalho mais recente foi o primeiro arco da HQ “Gotham By Midnight”, escrita por Ray Fawkes, que revitalizou o Espectro durante a fase dos Novos 52 da DC, dando ao personagem uma aparência mais condizente com seu nome. Apesar do trabalho conhecido pelos efeitos digitais, seus sketches não ficam nada trás.

Bernard Chang, A12-13

O artista Bernard Chang já trabalhou com alguns dos maiores heróis da Marvel e da DC Comics, depois de uma longa passagem pela Valiant. Dentre os ícones que já tiveram seus títulos retratados pelo traço de Chang estão: X-Men, Novos Notantes, Cable, Superman, Supergirl e Mulher-Maravilha. Atualmente, na fase Renascimento da DC Comics, ilustra a série do Batman do Futuro, publicada periodicamente pela Panini em encadernado. Os volumes podem ser encontrados nas bancas e comic-shops e certamente estarão disponíveis nos estandes CCXP para quem quiser comprar e conseguir um autógrafo.

Bill Sienkiewicz, F01-02

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Pegue um pouco de Led Zeppelin, misture com arte moderna, um tiquinho de Neal Adams e muita, mas muita atitude. Junte isso com os melhores roteiros dos anos 1980 (como o clássico Elektra: Assassina, ao lado de Frank Miller), asse com técnicas avançadas e voilá! Assim nasce Bill Sienkiewicz, um dos desenhistas mais originais que você verá nas HQs. O artista já é nome carimbado na CCXP, mas isso não quer dizer que as filas diminuam de tamanho de um ano pro outro: pelo contrário, seus sketches em estilo inconfundível são alguns dos mais cobiçados do evento sempre que está entre os convidados.

Carlos Pacheco, B43-44

O artista espanhol Carlos Pacheco é velho conhecido dos leitores de quadrinhos de super-heróis Marvel e DC, tendo produzido dezenas de trabalhos para ambas as editores. O desenhista foi responsável por ilustrar e coescrever uma das melhores fases do Quarteto Fantástico nas últimas décadas, publicada pela Panini no começo dos anos 2000. Na DC Comics tem em seu currículo o aclamado especial JLA/JSA – Vícios e Virtudes, ao lado dos roteiristas Geoff Johns e por David S. Goyer. A HQ foi lançada pela Panini anos atrás e está prometida para breve pela Eaglemoss. Recentemente Pacheco ilustrou para a Marvel a série Occupy Avengers, ainda inédita no Brasil.

David Mack, F05-06

Fazer uma bela pintura demora muito tempo, mas para David Mack, seu processo criativo dá conta de fazer capas para diversas HQs em um único mês. Mack começou a ganhar destaque durante a sua curta fase como roteirista na mensal do Demolidor, mas foi graças às suas capas na série Alias, protagonizada por Jessica Jones, que o artista ganhou fama no meio dos quadrinhos. Com uma arte incrivelmente sensível, Mack une aquarela e colagens, criando pequenas obras-primas. Além disso, o artista é o criador das heroínas Kubiki e Echo, sendo que a última chegou a se tornar uma Vingadora durante a fase do Brian Michael Bendis nos Vingadores. Vale a pena conferir a mesa do artista e sair de lá com um print para colocar na parede.

Denys Cowan, Denys Cowan

O artista americano Denys Cowan é co-criador do Super Choque, icônico personagem da editora Milestone Media que se tornou popular com a série animada. Foi indicado ao Eisner por sua atuação na revista Questão ao lado do roteirista Dennis O’Neil, na série que reformulou o herói e o tornou um dos mais relevantes da DC Comics. Vencedor do prêmio Humanitas Award, ele também trabalhou no meio da TV em uma série de shows da Fox, ABC, Disney e Nickelodeon.

Gail Simone*

Uma das roteiristas mais premiadas presentes no evento será Gail Simone. Contudo, sua participação não deve atrair apenas leitores que conhecem seus prêmios, mas também o público que admira seu ativismo referente a igualdade de gênero. Isso porque Gail trabalha fortemente junto aos movimentos feministas e podemos enxergar isso nos seus trabalhos mais recentes na DC Comics, como Mulher-Maravilha e Batgirl. *Gail não vai estar propriamente no Alley, mas bem pertinho: ela autografa em horários programados no estande da Chiaroscuro Studios.

Glenn Fabry, B19-20

Glenn Fabry não é para todos os gostos, mas para quem gosta de quadrinhos alternativos ele é o destaque desta edição. O capista britânico famoso por imortalizar a saga de Preacher em suas 66 edições também tem no currículo títulos como Hellblazer, Thor: Vikings, Transmetropolitan, Batman, Authority, Juiz Dredd e recentemente a adaptação de Deuses Americanos para os quadrinhos. Suas lendárias capas sujas, realistas e incômodas rendem prints que são verdadeiras obras de arte underground pra colocar na parede, e apesar de seu trabalho habitual exigir pintura, texturas e muitos detalhes, seus sketches conseguem manter a essência de seu estilo único.

Humberto Ramos, C21-22

Ame-o ou deixe-o. O traço extremamente estilizado de Humberto Ramos é motivo de críticas por parte de muitos fãs que preferem um estilo mais clássico, mas ao mesmo tempo arrebata uma gigantesca legião de fãs. Seus desenhos são extremamente expressivos e o artista se destacou na DC Comics na série Impulso, protagonizada por um dos mais queridos integrantes da família Flash. Na Marvel já trabalhou com os principais heróis da editora, tendo destaque especialmente no título do Homem-Aranha, dada a sua habilidade para trabalhar com cenas que precisam expressar dinamismo e movimento. Grande parte dos números das revistas mensais do Homem-Aranha publicadas pela Panini nos últimos anos possuem desenhos de Ramos. Portanto, material para pegar autógrafo existe em abundância no mercado.

Jim Calafiore, A30-31

Alçado ao estrelato por sua longa passagem na série Exilados, que retrata a carreira de um grupo de X-Men formado por integrantes de realidades alternativas que percorrem o Multiverso, o desenhista Jim Calafiore se tornou um dos mais respeitados quadrinistas do mercado norte-americano, por ser exímio cumpridor de prazos e manter o padrão da arte. Na DC Comics fez diversos trabalhos na linha Batman, tendo assumido a arte de Batgirl e Gotham City Underground. Em seu portfólio consta também grande parte de um manual de como fazer quadrinhos, lançado no começo do século 21 pela revista Wizard.

Joyce Chin, F25-26

A desenhista Joyce Chin e seu marido Arthur Adams marcam presença na CCXP este ano depois de ter que cancelar a participação na última edição por problemas de saúde. Dessa vez a artista divide sua arte com os fãs no artists alley do evento, com um currículo que inclui títulos como Spider-Man, Hulk, Vampirella, Xena, Superman: Silver Banshee, Tomb Raider e Red Sonja, além de capas para a Marvel e DC de personagens como Thor, X-Men, Ms. Marvel, Capitão América e Mulher-Maravilha.

Marc Andreyko*

Marc Andreyko é nada menos que um dos vencedores do Eisner de 2017. O prêmio, que é uma espécie de Oscar dos quadrinhos, reconheceu o trabalho do artista como curador e editor do projeto Love is Love, graphic novel com temática LGBT produzida para apoiar as famílias das vítimas do ataque à boate Pulse, em Orlando, no ano passado. O projeto foi lançado recentemente no Brasil, então é uma boa oportunidade para adquirir e conseguir aquele autógrafo. Isso sem falar que o roteirista também tem trabalhos na DC Comics, como em Batman ’66. *Andreyko não vai estar propriamente no Alley, mas bem pertinho: ele autografa em horários programados no estande da Chiaroscuro Studios.

Matteo Scalera, F27-28

Neste ano Matteo Scalera vem como um dos representantes da ótima fase que vive a Image Comics. Além de diversas passagens por Marvel e DC Comics, atuando com personagens como Deadpool, Vingadores, Hulk e Batman, o artista é responsável pelo sucesso de Black Science, da Image, e outros títulos como Dynamo 5 e PopGun. Com um estilo próprio que vai do super colorido ao máximo de contraste em preto e branco, Scalera promete uma mesa com belos prints e quem sabe um sketch caprichado.

Paul Azaceta, B41-42

Paul Azaceta é um artista com uma carreira relativamente nova nos quadrinhos. Apesar de já ter trabalhos na Marvel, como em O Espetacular Homem-Aranha e Demolidor, Azaceta ganhou destaque quando assumiu os desenhos da HQ Outcast, de Robert Kirkman. Isso porque a obra já está sendo adaptada para o canal Cinemax – atualmente está na segunda temporada. Na série de TV temos momentos onde a arte de Azaceta é reproduzida fielmente. Na CCXP, o artista participará da programação do evento e também do Artist’s Alley. Infelizmente, Outcast ainda não está sendo publicada no Brasil, mas vale a pena buscar um autógrafo ou uma commission.

Paul Pope*

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Um dos nomes mais alternativos da lista de convidados da CCXP, Pope tem um traço tão estranho quanto atraente, que no Brasil pode ser visto nas HQs autorais 100% e Bom de Briga, mas também em sua peculiar versão do Homem-Morcego para a DC Comics em Batman Ano 100. Não deixe de pegar um sketch desse Batman bizarro se tiver a chance. *Pope não vai estar propriamente no Alley, mas bem pertinho: ele autografa em horários programados no estande da Chiaroscuro Studios.

Simon Bisley, A32-33

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Reza a lenda que seu nanquim é feito com sangue de demônio e ferro líquido, mas preferimos acreditar que Simon é apenas o desenhista mais durão dos quadrinhos, que imortalizou a versão definitiva de Lobo, passou por Hellblazer e fez até capas de discos para o macabro Danzig. O artista retorna ao Brasil após o sucesso de sua participação na CCXP do ano passado, e promete formar filas de fãs gladiadores se matando por um autógrafo.


Os filmes de heróis atingiram nossas expectativas em 2017?

No começo do ano reunimos a equipe a equipe do Redação Multiverso em um artigo para falar sobre as expectativas para as produções baseadas em super-heróis que chegariam aos cinemas neste ano. Agora que todos os sete filmes foram lançados, os mesmos colaboradores retornam para apontar suas impressões sobre Lego Batman, Logan, Guardiões da Galáxia Vol. 2, Mulher-Maravilha, Homem-Aranha: De Volta ao Lar, Thor: Ragnarok e Liga da Justiça. Os filmes estão listados por ordem de lançamento.

Fevereiro: Lego Batman

por Émerson Vasconcelos

Lego Batman foi uma grata surpresa logo no início de 2017, se firmando como o primeiro grande sucesso da DC Entertainment no ano. Embora quase tenha passado batida pelos fãs habituais de filmes de heróis antes do lançamento, a animação alcançou a aprovação da crítica e agradou a maior parte do público. O Batman apresentado originalmente no filme Uma Aventura Lego ganhou todo um ambiente próprio, com direito a aliados e vilões, apresentados em versões caricatas, mas que brincam justamente com características facilmente reconhecidas nestes personagens. Só que depois de estabelecer um universo de paródia para o Homem Morcego, o filme vai além e, de forma caótica, mistura elementos das mais variadas franquias da Warner à trama. E isso garante diversão em um nível que nenhum outro filme de herói conseguiu entregar no ano. Quer ver Voldemort e Coringa lutando lado a lado? Não perca tempo, Batman Lego é para você, assista. Para mim, de todos que chegaram aos cinemas, é o melhor filme com heróis lançado neste ano.

Março: Logan

por Marina de Campos

Ainda é cedo pra dizer se Logan vai entrar pro hall dos melhores do gênero, mas já dá pra afirmar que ele é o filme de herói que todos concordaram ser um acerto em 2017. Uma história honesta e concisa, que se distancia do clichê de destruir ou salvar o mundo para falar de pessoas, suas relações, seus traumas e os pequenos atos de coragem que dão sentido a toda uma vida.

Belo e triste como deve ser esse misto de western e road movie para lugar nenhum, Logan é uma despedida à altura da entrega de Hugh Jackman ao papel por tantos anos, que junto com o diretor James Mangold bancou o risco de um filme diferente, do jeito que imaginavam. Visual sujo, trilha sonora autêntica, mais silêncios e expressões e menos explicações, violência e perdas duras assim como na vida real – nada muito comum em Hollywood ultimamente.

Entre pontos altos e baixos, a atuação de Dafne Kneen como Laura é fascinante e entrega ainda mais do que o esperado, representando um fio de esperança para preencher o vazio deixado por Wolverine, enquanto que a inserção de um determinado vilão – único ponto de maior discórdia entre os fãs – é mesmo uma escolha duvidosa que destoa, mas não compromete o conjunto. No fim Logan consegue algo raro: ser reconhecido como uma boa adaptação dos quadrinhos, mas também como um bom filme mesmo fora do gênero.

Abril: Guardiões da Galáxia Vol. 2

por Lucas Gonçalves

Guardiões da Galáxia Vol. 2, que teve crítica escrita pelo Jonathan Nunes aqui no Redação Multiverso, foi um dos filmes mais esperados do ano, e a cada novo trailer, foto, notícia, os fãs ficavam mais e mais ansiosos com a promessa do novo longa dirigido pelo James Gunn. Não foi nenhuma surpresa o filme ter alcançado o sucesso, ganhado mais fãs e consolidado o grupo no grande escalão da Marvel, mas, infelizmente, o a produção peca no seu principal elemento: o humor. Isso quer dizer que o filme é ruim? Longe disso, Guardiões da Galáxia Vol. 2 conseguiu se superar com louvor visualmente e, principalmente, na trilha sonora , coisa que por si só já é algo memorável.

Além disso, James Gunn expande de forma orgânica e criativa o universo galáctico da Marvel, mas o único problema grave é a forma como o filme insere suas piadas. Toda ação gera um momento cômico, o que tira, em certas cenas, toda a carga dramática do momento. Não é nada fácil superar o sucesso que foi o primeiro GdG, mas se Gunn e sua equipe balancearem melhor os momentos de drama e de comédia, acredito que os próximos Guardiões da Galáxia poderão ser comparados à franquia Star Wars.

Junho: Mulher-Maravilha

por Guilherme Wunder

Talvez este longa tenha sido a única unanimidade da DC Comics em todo o seu universo até agora. Talvez não, ele foi mesmo. Apesar de não ser um filme perfeito, a produção da Warner finalmente entregou tudo o que os fãs queriam, sem tirar e nem por. Obviamente a obra não é perfeita e tem alguns problemas, seja na computação gráfica ou na construção de seu vilão.

Entretanto, pela primeira vez desde que lançou o seu universo, a DC conseguiu construir um filme coeso, mesclando muito bem os dramas com as brincadeiras e apresentando a personagem que queríamos ver. Ao meu ver, Gal Gadot entrega a Mulher-Maravilha definitiva. Isso indo contra as perspectivas e desconfianças existentes sobre a atuação da israelense. Além disso, o filme é um marco para os movimentos feministas, pois apresenta uma protagonista feminina forte e foi dirigido por uma mulher.

Julho: Homem-Aranha: De Volta ao Lar

por Leonardo Mello de Oliveira

Homem-Aranha: De Volta ao Lar conseguiu uma proeza que a franquia de filmes anterior, O Espetacular Homem-Aranha, fracassou magistralmente em atingir e a primeira trilogia de Sam Raimi nem sequer tentou fazer: apresentar um Homem-Aranha para uma nova geração com a cara de uma nova geração. O herói mostrado no filme podia ter modificações, estar tecnológico demais, mas sua essência adolescente estava lá, de uma forma atual, para que os jovens de hoje se sentissem mais representados.

E Homem-Aranha não é sobre isso mesmo, representação? Não há como não se sentir cativado pelos conflitos do Peter Parker de Tom Holland, que o interpretou com uma paixão notável, e pelo elenco de coadjuvante da escola, dignos de John Hughes. Além disso, a Marvel Studios nos apresentou um de seus melhores vilões com o Abutre de Michael Keaton, um personagem com bem mais camadas que sua contraparte nos quadrinhos, que permitiu o florescimento da característica essenciais do Cabeça de Teia: a responsabilidade acima de qualquer coisa. Uma história divertida, com reviravoltas e conflitos constantes, como uma boa história do Aranha deve ser.

Novembro: Thor Ragnarok

por Jonathan Nunes

As primeiras peças promocionais e trailers do terceiro longa do Deus do Trovão animaram o grande público de maneira quase unânime. A fotografia do filme e a direção de Taika Waititi prometiam um dos melhores filmes já produzidos pela casa das ideias no cinema, repleto de menções aos clássicos visuais de Jack Kirby. Porém, apesar de Thor: Ragnarok ser sem dúvida o melhor filme do herói nórdico da Marvel, o longa acaba se perdendo em um senso de humor que por vezes pesa na mão e pende ao exagero, deixando a trama sem a profundidade que necessita na hora em que o drama se apresenta. Thor: Ragnarok, como apontei na crítica que escrevi, no fim das contas acabou se mostrando um bom filme, que acabou perdendo a chance de ser ótimo.

Novembro: Liga da Justiça

por Émerson Vasconcelos

Um sinal claro de correção de curso do universo cinematográfico da DC, Liga da Justiça conseguiu agradar à maioria dos espectadores, embora tenha dividido a crítica. Apesar de ter sido avaliado como positivo por mais críticos quando comparado a Esquadrão Suicida e Batman v. Superman, segundo o agregador Rotten Tomatoes, o filme está longe de ser uma unanimidade para os analistas. Mesmo assim, a boa avaliação do público, exposta pelo mesmo site,  mostra que as críticas não afetaram a opinião dos fãs. No entanto, a baixa bilheteria (menos de 100 milhões de dólares nos Estados Unidos no final de semana de estreia) pode ter sido causada pelo marketing confuso que precedeu o lançamento do filme. Seria imprudente culpar a crítica, uma vez que a maioria das pessoas que assistiram avaliaram positivamente e que os filmes anteriores foram massacrados pelos críticos, e mesmo assim alcançaram números muito melhores.

Fato é que faltou Superman na divulgação para evitar um spoiler do qual todos já sabiam. Ter um ícone deste peso e não usar pode ter sido fatal para a divulgação. No saldo, como apontei na crítica que escrevi sobre o filme, Liga da Justiça é muito bom e estabelece caminhos para futuros filmes. Atingiu as minhas expectativas, mas, infelizmente, até o fechamento deste texto, ainda estava longe de atingir às expectativas financeiras da Warner, o que pode selar o destino da franquia e de todo o universo DC nos cinemas. Cruzemos os dedos!


CCXP anuncia o artista Humberto Ramos

O desenhista mexicano Humberto Ramos é o mais novo quadrinista anunciado entre as atrações da Comic Con Experience 2017. O artista surgiu nos anos 1990, com passagens pela Milestone Media, Wildstorm e DC Comics, mas seus trabalhos de maior destaque aconteceram na Marvel, em títulos como Spectacular Spider-Man, Wolverine, X-Men, New X-Men e Runaways. Nos últimos anos atuou ainda em revistas como Amazing Spider-Man e Extraordinary X-Men, e trabalhou ao lado de Mark Waid em Champions na recente iniciativa Marvel NOW!.

O quadrinista se junta a nomes como Bill Sienkiewicz, Glenn Fabry, Arthur Adams, Nicola Scott e Simon Bisley, e esterá presente nos quatro dias de evento, no Artists Alley e na programação que será divulgada em breve. a CCXP 2017 acontece no São Paulo Expo entre os dias 7 e 10 de dezembro.


NYCC: Milestone está de volta com Super Choque

Nessa quinta-feira, 5, durante um painel na New York Comic Con, a Milestone anunciou uma nova fase em parceria com a DC Comics. Entre os cinco títulos anunciados está o retorno do Super Choque em uma HQ solo.


A linha Earth M, que fará parte do Universo DC, começará a ser publicada no segundo trimestre de 2018 com Milestone #1, escrita por Reginald Hudlin e Denys Cowan, com desenhos de Ken Lashley. A HQ irá estabelecer um arco narrativo que irá abraçar todos os títulos do selo, tendo como protagonistas Icon e Rocket, dois dos primeiros heróis da Milestone.

Os títulos que irão compor o universo de Earth M foram anunciados com breves descrições. São eles:

STATIC SHOCK – Uma série mensal desenvolvida por Reginald Hudlin e Kyle Baker, focada no jovem Virgil Hawkins de 14 anos. Super Choque é um garoto que ama quadrinhos e ciência, e acaba adquirindo poderes elétricos.

DUO – Uma nova série de Earth M escrita por Greg Pak, introduzindo a incrível história de Jake e Julie Chan, um casal compartilhando o mesmo corpo pela eternidade.

LOVE ARMY – Uma minissérie sobre um exército secreto de mulheres com incríveis habilidades e super força, que vivem juradas a proteger o planeta. Roteiros de Reginald Hudlin.

EARTH M – Uma nova série de Reginald Hudlin e Alice Randall, protagonizada por um misterioso novo vigilante.

“Nós sabemos que os fãs estavam ansiosos pelo retorno da Milestone Media, e nós estamos empolgados em colaborar com Reggie e Denys para construirmos esse novo universo de Earth M. Esse mundo irá reintroduzir personagens incônicos que os fãs amam, juntamente a novos conceitos destemidos e originais, criando assim uma nova plataforma dedicada a inclusão e grande narrativas,” disse o Jim Lee, editor da DC Comics, durante o painel.

O universo de Earth M começa a ser publicado no segundo trimestre de 2018 nos EUA.


NYCC: DC revela participação de Tom Strong em novo título

A DC Comics divulgou durante a New York Comic Con um teaser de The Terrifcs, sua nova equipe, revelando a inesperada participação de Tom Strong. Criado por Alan Moore nos anos 1990, o personagem e sua família devem fazer parte da trama da revista estrelada pela nova equipe de super-heróis da DC formada por Sr. Incrível, Metamorfo, Etérea e Homem Borracha. A última aparição do herói havia sido em 2013, em uma série limitada da Vertigo.

 

Deliberadamente inspirada no Quarteto Fantástico, The Terrifcs tem roteiros de Jeff Lemire, que busca recapturar a sensação da fase clássica de Stan Lee e Jack Kirby nos quadrinhos, e desenhos do brasileiro Ivan Reis. O título chega às bancas norte-americanas em 2018.


NYCC: Grant Morrison participará de Dark Matter, nova iniciativa da DC

Durante o painel da DC Comics na New York Comic Con, a editora revelou que Grant Morrison vai se juntar a Dan DiDio e Justin Jordan nos roteiros do título Sideways, que estreia em setembro. A revista é parte da iniciativa Dark Matter, anunciada como uma linha de títulos que trará novos personagens e histórias de outros gêneros além dos tradicionais super-heróis.

Relacionado aos acontecimentos de Dark Nights: Metal, Sideways acompanha um adolescente que luta para atravessar o ensino médio após ter contato com a Dark Matter e ganhar o poder de teletransporte, enfrentando dificuldades em lidar com as consequências de seu poder e origem sombria.

Com lançamento em setembro, Sideways será escrito por Grant Morrison, Dan DiDio e Justin Jordan, com arte de Kenneth Rocafort.

 


Conheça a data da ComicCON RS 2018

A ComicCON RS 2018 já tem data: a próxima edição da maior convenção de quadrinhos e cultura pop do Rio Grande do Sul acontece nos dias 4 e 5 de agosto, no campus da Ulbra em Canoas, região metropolitana de Porto Alegre. Em 2017 o evento bateu recordes, com um público de mais de 5 mil pessoas e atrações de destaque como o desenhista espanhol José Luis García-López, a badalada estátua gigante do Hulk e os anúncios exclusivos da Panini direto da convenção.

Realizada pela produtora Multiverso desde 2011, a ComicCON RS segue o modelo das grandes convenções do gênero com uma estrutura que conta com dois palcos de debates, workshops e atividades variadas, artists alley com mais de 60 artistas independentes, espaço de expositores com estandes de lojas, editoras e livrarias, áreas de lazer e alimentação, desfiles cosplay, espaços temáticos, exposições, sessões de autógrafos e muito mais. As novidades sobre a próxima edição podem ser acompanhadas pela página oficial, www.facebook.com/comicconrs.


Quadrinhos contra o nazifascismo

introdução por Marina de Campos

Ao contrário do que alguns dizem, os quadrinhos não são lugar de escapismo. Assim como toda boa arte, refletem o mundo seja de forma literal ou em metáforas que podem sim ser bem delirantes às vezes, mas sem deixar de distrair e divertir sempre colocam no fundo da mente uma lição ou provocação. Você pode nem se dar conta disso, mas no fim das contas o seu herói (e o seu vilão) preferidos dizem muito sobre você e sua forma de ver o mundo.

A prova de que não há como dissociar os quadrinhos da realidade é que qualquer assunto que se possa imaginar já foi abordado em algumas dessas milhões de páginas publicadas em todos esses anos. Vamos lá, abra o jornal e escolha um tema: os recentes acontecimentos em Charlottesville? A sinistra nova onda de simpatizantes do nazifascismo? A ascensão de líderes de extrema-direita quando achamos que nunca mais fosse se repetir? Assuntos como supremacia branca, intolerância religiosa, homofobia e xenofobia cada dia mais em pauta, como se fosse aceitável valores assim sequer estarem em discussão?

Pois é, os quadrinhos têm tudo a ver com isso. Maus (hors concours em uma lista como essa), por exemplo, é nada menos que uma das obras-primas da nona arte, e uma verdadeira aula sobre o impacto do nazismo na vida de uma família. É claro que nem tudo são flores e, se as HQs refletem o mundo, em certos momentos refletem também o seu lado controverso, como acontece com Frank Miller e alguns pontos discutíveis de sua obra, com Holly Terror e até o clássico O Cavaleiro das Trevas.

Mas quando se coloca a história em perspectiva fica clara a posição libertária e igualitária que os quadrinhos sempre abraçaram. Não demorou para que, no meio da tensão das últimas semanas, artistas e leitores se posicionassem com diversas manifestações, entre elas a hashtag #ComicsHateNazis, espalhando pela internet imagens cheias de simbolismo e muitas ao pé da letra, com heróis literalmente socando nazistas e todas essas coisas fantásticas que só os quadrinhos podem proporcionar. Aqui vai uma seleção para lembrar de ideais pelos quais vale a pena lutar.

 

Pantera Negra

por Jonathan Nunes

Entre as edições 19 e 24 de Jungle Action (1976), coube a um dos maiores símbolos do movimento negro entrar em combate direto contra um dos mais intolerantes grupos raciais dos quais a história já teve registro. “Panther vs the Klan” traz o Pantera Negra usando suas habilidades para combater a Ku Klux Klan. Segundo relatos, Don Mcgregor, roteirista da revista na época, foi encorajado a colocar mais personagens brancos na HQ do herói, e resolveu esse problema trazendo a KKK para enfrentar o personagem. Na trama, T’Challa viaja até uma cidadezinha no interior da Georgia para investigar um aparente suicídio de uma conhecida, mas logo ele percebe que o caso vai muito além do superficial e remete ao envolvimento da Klan. Infelizmente, em virtude das baixas vendas a revista foi descontinuada e o arco não chegou a ser concluído, mas a maneira como o modus operandi da KKK é descrito na HQ continua sendo o mesmo visto nas páginas de jornais até hoje, e essa abordagem realista faz dessa uma das obras mais essenciais do Pantera Negra. Foi bom ver o herói usando a cruz em chamas, símbolo da KKK, como arma para combatê-los em uma luta, mas o peso dramático da situação segue impactante mesmo quarenta anos depois.

Hellboy

por Lucas Gonçalves

O célebre personagem criado por Mike Mignola não poderia estar de fora da lista, já que sua origem está diretamente ligada ao tema. Hellboy foi descoberto pelo professor Trevor Bruttenholm e soldados Aliados no fim de 1944, após ter sido invocado do inferno pelos nazistas juntamente com o mago Rasputin com o intuito de trazer o apocalipse à Terra. Apesar disso, o carismático demônio se rebelou e aprendeu a importância do ser humano passando a combater as forças das trevas, e até hoje luta contra nazistas, como em Hellboy e o B.P.D.P. 1952, ou ainda no crossover com Savage Dragon, onde enfrentam um gorila com o cérebro de Hitler.

Arqueiro Verde

por Leonardo Mello de Oliveira

A partir do início dos anos 1970, o Arqueiro Verde passou por uma reformulação e passou a atuar como um grande defensor de causas sociais, o que viria a marcar o personagem e a firmar-se como uma das principais características do mesmo. Esse lado do herói foi o ponto mais explorado na fase de Denny O’Neill e Neal Adams na revista do Lanterna Verde, em que Hal Jordan atravessava os EUA em uma road trip ao lado de Oliver Queen, que estava disposto a mostrar ao Lanterna todos os problemas sociais pelos quais o país passava. Assim, a dupla tinha que enfrentar inimigos como o racismo, as drogas e a exploração dos mais pobres pelos mais ricos. Depois de ser deixado pra escanteio por um período, o lado justiceiro social de Oliver voltou com força em seu título dentro da iniciativa DC Renascimento. Com roteiros de Benjamin Percy e arte de Juan Ferreyra e Otto Schmidt, a HQ apresenta o Arqueiro encarando um poderoso grupo de ricos bancários e empresários, que coordenam vários ataques a minorias pelo país. O herói luta contra o tráfico de pessoas, grupos extremistas de direita, terroristas domésticos e até em defesa de tribos indígenas.

V de Vingança

por Marina de Campos

Certamente uma das mais contundentes alegorias contra o fascismo, a obra-prima de Alan Moore e David Lloyd reimagina a Inglaterra sob um regime totalitário e um herói anarquista disposto a derrubá-lo. Assim como na vida real, os sinais estão nas entrelinhas, debaixo da falsa impressão de normalidade em que a personagem Eve vive até conhecer V. A intolerância e a perseguição a minorias aparecem em diversas passagens, como quando ele fala de música, citando desde Billie Holliday até os artistas da Motown, e insinua que a cultura negra foi totalmente apagada, ou com o relato de Valerie, que conta sua trágica história de amor homossexual em uma das sequências mais belas e duras da HQ. Um grito contra qualquer tipo de autoritarismo, V de Vingança também reforça o papel da cultura e da arte como potente arma contra a intolerância e a submissão, tanto na própria trama, com a Galeria das Sombras transformada em importante personagem para o despertar de Eve, quanto na realidade, com a icônica máscara que ganhou vida como símbolo em protestos ao redor do mundo.

As Tartarugas Ninja

por Jonathan Nunes

Em 1989 as Tartarugas Ninja tiveram um de seus embates mais complicados e mais malucos da história dos quadrinhos. Na edição número 64 de Teenage Mutant Ninja Turtles Adventures, publicada pela Archie, os heróis viajam no tempo e tem um embate com o próprio Adolf Hitler. Na trama, o cérebro de Hitler sobrevive a guerra e se transforma numa espécie de robô cibernético, viajando no tempo para evitar a derrota do Reich durante a Segunda Guerra Mundial. Uma cena que ficou conhecida na HQ, é quando Rafael acerta um violento soco no ditador querendo se vingar pelos milhões que o líder totalitário matou durante a guerra. No fim da história, em outra cena dramática, para evitar que as tartarugas tenham acesso ao seu cérebro, Hitler dá um tiro na própria cabeça, se suicidando bem em frente aos heróis.

Trindade DC

É claro que os mais tradicionais super-heróis de todos os tempos também cruzaram incontáveis vezes com o tema em suas histórias. Fortes símbolos norte-americanos, Superman, Batman e Mulher-Maravilha já enfrentaram nazistas e toda sorte de grupos extremistas, como no título Superman & Batman vs. Ku Klux Klan. Algumas outras imagens, entre centenas, falam por si só. Batman não perdoa os racistas. Sem qualquer delicadeza feminina, Mulher-Maravilha surra nazis com gosto. E ninguém ganha do Superman nos discursos sobre humanidade, paz e justiça.

Preacher

por Marina de Campos

Com seu característico humor negro e provocativo, Garth Ennis não deixa nenhum tabu da sociedade norte-americana passar ileso em Preacher. A busca do pastor Jesse Custer por um Deus que desistiu da humanidade se passa no Texas, estado sulista onde a herança dos confederados ainda é forte e a visão de extrema-direita prevalece. Por isso não é estranho que o antagonista Odin Quincannon, além de um mau caráter cheio de perversões doentias, se revele também um membro da Ku Klux Klan. Quando Jesse provoca sua ira enquanto atua como xerife da cidade de Salvation ao lado da policial negra Cindy, em Preacher #46, Odin recorre ao grupo para acabar com o problema. Steve Dillon não tem medo de desenhar cruzes em chamas, forcas, capuzes brancos e todos os rituais da tão famosa “seita cristã”, mas é claro que ele e Ennis fazem questão de debochar de cada detalhe, como na passagem que se tornou uma das mais populares da hashtag #ComicsHateNazis: “por que os maiores defensores da raça branca acabam sempre sendo os piores exemplos dela? Você! Cadê o seu maldito queixo?!”.

Jonah Hex

por Jonathan Nunes

O pistoleiro mais famoso dos quadrinhos da DC também teve seus confrontos contra grupos extremistas. Apesar de controverso, o ódio e desprezo de Jonah Hex é focado nos seres humanos em si, sem distinções de raça ou gênero. Por isso, ainda durante a Guerra Civil, Jonah percebe que os ideais dos confederados não eram os mesmos que ele defendia e abandona a causa. Ao longo dos anos seguintes, por diversas vezes o pistoleiro combateu e matou diversos intolerantes ex-membros do exército sulista. Porém, a dúvida que sempre existiu era por que Jonah Hex continuava usando o uniforme confederado mesmo após a guerra? Justin Gray e Jimmy Palmiotti deram sua versão da resposta a essa pergunta na história Seven Graves Six Feet Deep, publicada em Jonah Hex #36, de 2008. Na trama, Hex acaba vingando a morte de um grupo de negros cometida por ex-soldados sulistas. Os autores revelam ao longo das páginas que Hex usa o uniforme como uma forma de punição, pois após os horrores que cometera na guerra não se achava digno de ser tratado com respeito. Acreditava que merecia o ódio que vinha com o uniforme, e caso alguém simpatizasse com ele graças à sua vestimenta, julgava que a pessoa merecia morrer.

Capitão Marvel Jr.

por Émerson Vasconcelos

Considerado por muitos como um arremedo de super-vilão, e muitas vezes esquecido pelos leitores, que lembram muito mais do Adão Negro ou do Doutor Silvana quando pensam em adversários da Família Marvel, o Capitão Nazista e seus confrontos com o Capitão Marvel (atualmente conhecido como Shazam) têm uma grande importância na mitologia destes heróis. Em 1941, quando o Capitão Marvel ainda pertencia à Fawcett Comics, as HQs Master Comics #21 e Whizz Comics #25 mostraram como as forças de Adolf Hitler alteraram geneticamente um homem chamado Albrecht Krieger, usando um soro que visava transformá-lo em um soldado perfeito, em uma clara alusão à origem do Capitão América, apresentada um ano antes. Nas mesmas edições, Krieger, já transformado no Capitão Nazista, trava uma violenta batalha com o Capitão Marvel e com o Homem Bala. Durante a batalha, o vilão atinge um idoso chamado Jacob Freeman, que morre na hora, e seu neto, o jovem Freddy Freeman, que sofreu graves ferimentos e perdeu parte da mobilidade das pernas. É nesta ocasião que o Capitão Marvel intervém e, para conter os ferimentos de Freddy, compartilha seus poderes com o garoto, que se torna assim o Capitão Marvel Jr. Portanto, o Capitão Marvel Jr., em sua primeira versão, tem motivos pessoais para se envolver diretamente na Segunda Guerra Mundial, e não foram raras as capas em que o herói apareceu combatendo as tropas do Eixo. Vale pontuar que o sobrenome Freeman (homem livre) foi adotado por muitos judeus que nesta época chegaram a países de língua inglesa, um forte indício de que o Capitão Nazista pode não ter atingido integrantes da família por acaso. Embora a origem do Capitão Marvel Jr. tenha sido recontada algumas vezes, na década de 1990 o quadrinista Jerry Ordway mostrou mais uma vez Krieger como o responsável pelo ataque à família Freeman, embora fora do contexto da Segunda Guerra Mundial.

Blacksad

por Jonathan Nunes

Blacksad é uma elogiada série de graphic novels escrita por Juan Díaz Canales e desenhada por Juanjo Guarido, toda protagonizada por animais antropomórficos. No segundo volume, intitulado Arctic Nation, o detetive particular John Blacksad (um gato preto), começa a investigar o desaparecimento de uma garotinha. Sua investigação o leva a um confronto direto com a Nação Ártica, que nada mais é do que a versão da HQ para a Ku Klux Klan, aqui formada por animais supremacistas brancos. Conforme a investigação segue, Blacksad vai descobrindo o envolvimento de vários e importantes nomes do cenário político da cidade com a Nação Ártica, inclusive o chefe de polícia. No clímax da história, o detetive chega a se disfarçar com as vestimentas de um dos membros da seita, chegando ao ponto de lutar com os integrantes a socos e tiros, finalizando por queimar o galpão onde o clã se reunia. Assim como as demais histórias de Blacksad, a trama carrega um profundo peso sentimental e filosófico que, apesar de ser protagonizada por animais, nos faz pensar como grupos como esse ainda podem ter tantos adeptos nos dias atuais.

X-Men

por Marina de Campos

Quando se fala em tolerância e igualdade – ou o contrário disso –, nada é mais simbólico nos quadrinhos de super-heróis do que X-Men. Como a questão já se encontra na essência de sua premissa, todas as histórias nesses mais de 50 anos carregam alguma referência ou lição, mas algumas são especialmente marcantes. Em meio a centenas de personagens, a série conseguiu representar nas HQs a luta de judeus, negros, homossexuais, indígenas e todos aqueles que sofreram perseguição ao longo da história apenas por serem quem são. “Seu único crime foi terem nascido”, como diz Magneto no início de “Deus Ama, o Homem Mata”, icônica obra assinada por Chris Claremont que serviu de inspiração para o elogiado filme X-Men 2, trazendo temas como política e religião de forma dura e realista. A trama mostra um mundo nada diferente do nosso, tomado por ódio gratuito e preconceito sustentado por instituições conservadoras, que quase leva o próprio Charles Xavier a duvidar da luta pacífica. Lançado em 1982, o clássico também lança um novo olhar sobre Magneto, já que os heróis juntam forças com o lendário vilão contra o fanático religioso William Stryker e sua cruzada pelo extermínio de mutantes.

Outra passagem memorável nos quadrinhos protagonizada por ele – e que mostra que o pensamento nazifascista pode ser ultrajante até mesmo para vilões – acontece quando Magneto, mutante judeu fugido dos campos de concentração, confronta Caveira Vermelha e seu passado como servo de Hitler.

Hellblazer

por Lucas Gonçalves

Constantine costuma lidar contra todo tipo de forças do além, mas alguns fantasmas reais da sociedade sempre dão um jeito de aparecer. Seu primeiro autor, Jamie Delano, é um forte ativista de esquerda, que criticou diversas vezes grupos fascistas, principalmente nazistas e políticos de extrema-direita, em sua fase na HQ. Outros autores de peso também colocaram o mago inglês contra o fascismo, como Garth Ennis, que junto com seu famoso parceiro Steve Dillon fez o arco Fear and Loathing, em que o mago e sua namorada Kit precisam lidar com um grupo de neo-nazistas. Outra história memorável é “No Future, de Peter Milligan e Simon Bisley, onde John Constantine e nada menos que o espírito de Sid Vicious, lendário baixista da banda Sex Pistols, enfrentam o partido conservador inglês (composto por zumbis do inferno) e, claro, nazistas.

Capitão América

por Leonardo Mello de Oliveira

Vestindo os ideais americanos, o Capitão América se firmou como um dos principais personagens a lutar pela liberdade e pela igualdade. Com isso, suas histórias são, na maioria das vezes, muito políticas. Não por menos, visto que, na capa de sua primeira revista, temos o herói socando Hitler. Depois de combater o nazismo na Segunda Guerra, Steve Rogers passou por vários outros momentos de luta contra as injustiças sociais. Em suas histórias mais recentes, destacam-se três ocasiões. Em Novo Pacto, de 2002, o Capitão se vê às voltas do atentado de 11 de setembro e das consequências sociais acarretadas por ele, como o crescente preconceito com pessoas da religião muçulmana. Para a época, a história foi ousada ao tratar sobre o assunto ainda quando Nova York tentava superar o trauma. Já em Duas Américas, de 2010, temos duas versões do Capitão América, Steve e Bucky, lutando ao lado do Falcão para desmantelar um grupo de extrema direita que planeja um atentado terrorista em solo americano. Recentemente, quando Sam Wilson assumiu o manto do herói, o mesmo passou por maus momentos por não o aceitarem como Capitão, além de ser ainda mais rejeitado depois de ir contra ações que prejudicavam minorias.

 


ComicCON RS realiza sua maior edição em 2017

A principal convenção de quadrinhos e cultura pop do Rio Grande do Sul realizou a maior edição de sua história em 2017. Entre visitantes e participantes, mais de 5 mil pessoas passaram pela ComicCON RS em dois dias de programação no campus da Ulbra em Canoas. O fim de semana de tempo agradável e ensolarado contribuiu para que o público comparecesse em peso, trazendo também um número surpreendente de cosplayers caracterizados dos mais variados personagens do universo nerd, uma atração à parte nas fotos e nos desfiles.

Nos corredores da convenção, a famosa estátua do Hulk de mais de 2 metros de altura em exposição no estande da Gracom foi a sensação entre os fãs, que não perderam a chance de caprichar na pose e fazer fotos ao lado do gigante mais querido dos quadrinhos. Com personagens clássicos como Darth Vader e Luke Skywalker até os novos protagonistas da franquia, o espaço do Conselho Jedi RS dedicado a Star Wars também rendeu muitas fotos para os visitantes.

Como não poderia deixar de ser, a estrela do evento foi José Luis García-López, convidado internacional que redefiniu a figura dos super-heróis no imaginário popular com o Guia de Estilo da DC Comics, editora de ícones como Batman, Superman e Mulher-Maravilha. Residente em Nova York desde os anos 1970, o artista espanhol criado na Argentina se sentiu em casa por aqui. Sempre acompanhado de um bom mate, García-López conversou com os fãs em um compreensível misto de espanhol e português, e distribuiu autógrafos, sorrisos e apertos de mãos durante todo o tempo. Famoso pela simpatia e humildade, o desenhista participou de debates, realizou uma Masterclass onde demonstrou ao vivo seu processo criativo, e ainda fez parte do Artists Alley junto com dezenas de artistas independentes.

Nos dois palcos de program ação simultânea, um dos principais destaques foi a presença de Eddy Barrows, desenhista exclusivo da DC Comics. Além de realizar uma Masterclass lotada e participar de diversos painéis, o artista brasileiro foi homenageado pela ComicCON RS com a Medalha Renato Canini, em um momento emocionante que contou com depoimentos de seus familiares em vídeo e uma bela fala de seu colega e amigo pessoal José Luis García-López.

O palco principal também teve o encontro dos convidados nacionais Sidney Gusman e Vitor Cafaggi para um bate-papo sobre o selo Graphic MSP e a adaptação da Turma da Mônica para o cinema em seu primeiro filme versão live action. Para os colecionadores de HQs, o auge da programação foi o painel especial com anúncios exclusivos da Panini para o segundo semestre, com a presença do editor-chefe Levi Trindade. Ele divulgou em primeira mão as datas e os detalhes de publicação de mais de 40 títulos da Marvel, DC Comics, Vertigo e Star Wars, entre outros, com direito a novidades e algumas surpresas previstas para 2018.

Realizada pela produtora Multiverso desde 2011, a ComicCON RS segue o modelo das grandes convenções do gênero com uma ampla estrutura que conta com palcos de debates, workshops e outras atividades, artists alley, espaço de expositores com estandes de lojas, editoras e livrarias, áreas de lazer e alimentação, desfiles cosplay, espaços temáticos, exposições, sessões de autógrafos e muito mais. A próxima edição do evento acontece em 2018, e as novidades podem ser acompanhadas pela página oficial, www.facebook.com/comicconrs.


Graphic MSP divulga preview de Capitão Feio

Na tarde de hoje foram divulgadas as imagens do preview de Capitão Feio, próximo lançamento do selo Graphic MSP, que traz releituras de personagens do universo criado por Mauricio de Sousa assinadas por artistas nacionais.

O primeiro título da coleção dedicado a um vilão é realizado pelos gêmeos Marcelo e Magno Costa, de títulos premiados como Matinê e Oeste Vermelho. Além de sequências internas, o preview também revelou a capa oficial da edição e a apresentação assinada por Ian SBF, diretor do canal Porta dos Fundos.

Capitão Feio – Identidade tem lançamento oficial em setembro, na Bienal do Livro do Rio de Janeiro. Após o evento, o álbum que tem 96 páginas será distribuído em bancas (capa cartonada) e livrarias (capa dura).


Redação Multiverso é o site colaborativo de produção de conteúdo sobre quadrinhos
da Produtora Multiverso, em uma iniciativa paralela e complementar à realização da
ComicCON RS – principal convenção de quadrinhos e cultura pop do Rio Grande do Sul.