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Rogê Antônio e o ano da Batgirl

“Não sei dizer quando surgiu o interesse em desenhar, pois é como se eu sempre soubesse o que iria fazer da vida, saca? É isso. Tinha de ser isso”. Ao ver a trajetória ascendente de Rogê Antônio nos quadrinhos, não há mesmo como duvidar. Em um ótimo momento da carreira, o artista gaúcho que há anos atua na DC Comics é o titular da revista Batgirl and the Birds of Prey no ano em que Barbara Gordon completa 50 anos. “Pra mim é uma honra estar participando da história da personagem neste momento em especial”. Em entrevista ao Redação Multiverso, Rogê fala das influências para esse trabalho, sua identificação com o universo Batman e as expectativas com o Rebirth.

 

Em 2017 a Batgirl completa 50 anos. Como está sendo atuar no título Batgirl and the Birds of Prey nesse momento importante da personagem?

Eu tô curtindo muito. Sempre achei a Batgirl uma personagem muito interessante, e essa roupagem mais “teen” dela funciona muto bem. Gosto da maneira como ela interage com a Black Canary e a Huntress, elas de certa forma se complementam e a personalidade de cada uma faz com que aconteçam momentos inusitados e engraçados. E eu tenho de dizer: esse novo uniforme da Batgirl é muito legal de desenhar! Pra mim é uma honra estar participando da história da personagem neste momento em especial, justo quando vai completar 50 anos.

Como é trabalhar com as roteiristas Julie e Shawna Benson? Percebe alguma diferença ou característica própria das mulheres nesse sentido? E qual a importância disso num título de super-heroínas?

Pô, eu adoro elas! São sempre muito abertas a sugestões, perguntam o que eu gostaria (e o que detestaria) desenhar… e os roteiros sempre são divertidos, com algumas cenas de ação mirabolantes onde tenho de me desdobrar pra desenhar (risos). Tenho também bastante liberdade para mudar cenas, e ainda assim manter o rumo da história. É bem interessante quando trocamos ideia sobre a personagem, até mesmo a respeito das páginas… e temos muitas coisas em comum em nossas intenções, inclusive sobre o fato de sempre evitar algo sexualizado, etc.

Qual é a sua principal referência para desenhar a Batgirl? Busca inspiração em artistas clássicos, figuras do cinema, outras mídias? Tem alguma curiosidade sobre o seu processo de criação atual?

Então, pra Batgirl and The Birds of Prey em especial, eu queria um look mais jovem e dinâmico, então juntei minhas referências habituais com alguns elementos do mangá, gosto muito de Katsuhiro Otomo, por exemplo. Acho que deu uma mistura boa que tem me agradado bastante. Inspiração da música eu sempre tive, principalmente do punk rock… a trilha sonora pra desenhar a Black Canary sempre é Ramones! Na verdade, a maioria das minhas inspirações vem de fora dos quadrinhos, mas creio que a música seja a principal.

Você já atuou em diversos títulos da “linha” Batman. Como é a identificação com esse núcleo específico? O que mais gosta nele?

O que mais gosto? O universo Batman é o meu preferido, me sinto muito à vontade desenhando qualquer personagem desse universo. Gosto de levar um clima sombrio pras páginas, e esse núcleo me permite isso, se bem que nessa revista eu tô tentando um caminho um pouco mais “leve”. Na verdade, acho que desde que trabalho com a DC, apenas uma vez eu fiz algo fora dessa linha Batman, que foi uma participação na revista Green Lantern: New Guardians, interessante, não tinha parado pra pensar nisso ainda.

O que você está achando da fase Rebirth? Como está recepção do público e pessoalmente o que espera dos rumos da DC?

É como se fosse um retorno às origens né, trazendo de volta a essência de cada personagem. Pelo menos as séries da fase Rebirth em que trabalhei (Nightwing, e agora Batgirl…) estão sendo muito bem aceitas, e o feedback tem sido muito bom.

Três obras marcantes: Qual foi o primeiro quadrinho que você leu? Qual fez com que se encantasse e decidisse se tornar desenhista? E qual foi o último que leu e renovou sua paixão pelos quadrinhos?

Ish… primeiro quadrinho? Que eu lembro, acho que eram aqueles dos Trapalhões, tipo “Didi volta para o Futuro”, mais tarde veio o interesse pelos super-heróis… E aí meus dois primeiros quadrinhos foram uma edição do Batman e outra do A Teia do Aranha. Eu não sei desde quando surgiu o interesse em desenhar, pra mim foi sempre algo natural, é como se eu sempre soubesse o que iria fazer da vida, saca? É isso. Tinha de ser isso.

Se tratando de super-heróis, eu tento ler coisas que estejam em volta do que estou desenhando, ou seja, gosto de ler Batman, pra saber o que tá rolando nas outras revistas. Mas algo que gosto MUITO, e releio de tempos em tempos, são as HQs do Guy Delisle, Pyongyang, Shenzhen, por aí vai. E a última coisa que li mesmo foi Hacktivist, de Jackson Lanzing e Colin Kelly (com os quais eu trabalhei na série Grayson), e gostei bastante!

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