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Gabriel Arrais e o universo de Necromorfus

Gabriel Arrais é roteirista de quadrinhos e ficou conhecido no Brasil pela série Necromorfus. Na trama, acompanhamos a história de Douglas, um adolescente com algumas características incomuns: ele não envelhece, está preso para sempre na idade de 16 anos e pode se transformar em qualquer pessoa que já morreu, tocando em qualquer resto mortal.

O projeto teve seu primeiro volume publicado em 2014 e, inclusive, o artista esteve presente na Comic Con RS em 2016 para divulgar o seu trabalho. Em 2017, o roteirista disponibilizou seu terceiro volume no Catarse, que já ultrapassou os 174% da meta flexível, e segue em financiamento coletivo até o dia 8. O objetivo é lançar esta obra que dá continuidade ao projeto na Comic Con Experience, entre os dias 7 e 10 de dezembro, em São Paulo.

Em entrevista ao Redação Multiverso, Arrais conta um pouco sobre o surgimento deste universo criado em 2014, a experiência da produção, as expectativas para o lançamento e o que os fãs de Necromorfus podem esperar para o futuro da série. Confira!

De onde surgiu a ideia do Necromorfus?
Na época (anos 90), eu era muito viciado em X-Men, mas o poder transmorfo da vilã Mística sempre me chateava. Então pensei num personagem em que esse poder fosse mais coerente. Durante todos esses anos, a única coisa que mantive foi o nome e o poder do personagem. Após todo esse tempo na gaveta, a história ganhou muita maturidade. Na verdade eu ganhei maturidade e a história acompanhou. Quando criei o personagem, eu era um adolescente escrevendo sobre um personagem adulto. Hoje sou um adulto escrevendo sobre um personagem adolescente. Machado de Assis estava certo: o menino é o pai do homem (risos).

Agora está trabalhando no terceiro volume de Necromorfus. Em que estágio ele está?
Ele está em fase de impressão, foi enviado para a gráfica recentemente. Fica pronto no início de dezembro para ser lançado na CCXP, em São Paulo.

Você optou pelo financiamento coletivo para realizar esse projeto. Qual a importância e o termômetro que você tira com o apoio do teu público?
O apoio do público, através do financiamento coletivo, é muito importante. Ele ajudou a viabilizar parte do projeto. Tenho percebido que Necromorfus não é um quadrinho para leitores mais acostumados com o gênero de super-heróis. Os fãs mais engajados são pessoas que curtem temáticas mais adultas.

Você segue com a Korja. O que a editora te possibilita que não conseguiria sozinho?
A Korja foi o primeiro selo que acreditou no potencial de Necromorfus. E por ser um coletivo com membros em diversos estados, temos mais facilidade com a logística dos eventos.

Você está lançando este projeto na CCXP. Qual a importância do evento para os quadrinistas independentes?
Este evento, desde a sua primeira edição, consolidou-se como a maior convenção de quadrinhos do Brasil. Poder participar disto é o maior reconhecimento que um quadrinista independente pode ter. Estar ao lado dos grandes mestres nacionais e internacionais, além de um grande aprendizado é a realização do sonho de qualquer artista. O contato direto com o público de diversas regiões do Brasil, que só esse evento proporciona, também é fundamental para a evolução de futuros trabalhos.

Este terceiro volume se passa antes dos dois primeiros. Por que essa mudança na cronologia?
Precisei explicar alguns aspectos que serão fundamentais para o entendimento e desenvolvimento das futuras edições. Também para explicar um detalhe que aparece na edição 2. Além do mais, gosto de escrever de forma não linear. Em Necromorfus, o leitor sempre será surpreendido. Perguntas são levantadas, mas ao final do arco, tudo será respondido.

Tu vem construindo uma mitologia dentro de Necromorfus. Aonde pensa chegar?
Um dos pontos onde pretendo chegar é desenterrar possíveis verdades sobre grandes acontecimentos mundiais e sobre figuras históricas e entrelaçá-las com a vida do personagem principal. Com isso, pretendo chegar a novos apontamentos sobre a História como conhecemos. E ninguém melhor que Douglas para literalmente desenterrar estes novos pontos de vista.

Esse é o terceiro volume e você já está trabalhando no quarto. O que mais tem por vir quando se pensa neste universo?
No próximo volume, nos aprofundaremos mais no núcleo familiar do personagem. Com certeza, é a história com o final mais emocionante até agora. Também teremos uma edição especial com os candidatos a se tornarem o Deus da Terra durante os próximos cem anos. Ainda em relação a esse universo, também estamos trabalhando com a possibilidade de expandi-lo para outras mídias, mas as negociações ainda estão engatinhando.

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