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João Azeitona e a travessia do Porco Pirata

Desenhista, ilustrador, colorista de histórias em quadrinhos e velho conhecido do público gaúcho, João Azeitona desbrava agora os sete mares com o lançamento de seu Porco Pirata, numa travessia que levou quase uma década da sua concepção até a publicação, que chega pela editora Mino com evento de lançamento especial dentro da festa de fim de ano da Galeria Hipotética em Porto Alegre neste domingo, dia 17.

O fanzine Adeus, Tia Chica! foi o trabalho que abriu as portas do mundo dos quadrinhos para o jovem Azeitona. Esse projeto foi o primeiro do passo-fundense a receber uma indicação para o Troféu HQMix, feito que voltaria a se repetir outras vezes. Mas nos últimos anos o cenário mudou e agora o desenhista vem trabalhando com certa frequência para as editoras americanas. Em 2013 ele coloriu a minissérie The Secret History of the Foot Clan das Tartarugas Ninja, para a editora IDW e também a nova HQ do Robocop, intitulada Lembranças da Morte, que saiu pela Boom Studios. Contudo, o mais aguardado trabalho de Azeitona vem sendo desenvolvido desde antes disso tudo sair. Estamos falando de Porco Pirata, projeto que foi financiado através do Catarse e lançado pela Editora MINO numa bela edição durante a CCXP. Confira a entrevista de Azeitona ao Redação Multiverso e conheça mais sobre o grande lançamento do artista.

Porco Pirata é um dos personagens mais antigos da tua carreira, mas que nunca havia ganhado uma HQ para chamar de sua. Quando e como ele surgiu?

Os primórdios do Porco Pirata são do tempo que eu ainda morava em Florianópolis. Mas ele começou a ganhar força depois que eu cheguei em Porto Alegre lá por volta de 2007. Sempre gostei de histórias de aventura. Os filmes clássicos das Sessões da Tarde, como Goonies, foram uma grande influência e senti a necessidade de contar uma aventura assim em quadrinhos. A história surgiu juntando várias coisas que li na época como grandes assaltos cometidos por piratas, a biografia de alguns deles, mitologia grega e uma pitada de romance (sim, teremos romance na história do Porco). Lembrando que essa história que menciono não é essa que foi publicada agora. Essa história que falo conta a origem do Porco e encaminha o futuro do personagem enquanto essa que foi publicada agora é um spin-off para que todos conheçam o personagem, seus amigos, inimigos, onde ele vive e quando ele vive.

Um ser antropomórfico que é pirata e busca dominar os sete mares. De onde vieram tuas inspirações e referências para a construção de um personagem tão específico e diferente?

Pois então, eu andava lendo bastante coisas sobre piratas na época, sempre gostei, acho que são personagens icônicos nas histórias de aventuras. Juntando com um pouco de mitologia e fantasia os primeiros esboços foram surgindo e, inclusive, falando especificamente do Porco, mudaram muito pouco desde então. Meus amigos na época entraram em contato com o personagem e começaram a me incentivar a levá-lo adiante. Aí não parou mais.

Desde o surgimento do personagem tu participou de outros projetos para editoras norte-americanas, como Robocop. O que desta experiência e vivência no mercado estadunidense tu conseguiu trazer para está publicação?

Na verdade acho que o Porco levou para essas publicações algumas coisas. Principalmente falando de arte-final. Se posso enumerar uma coisa que essa experiência lá fora trouxe para o Porco foi a certeza de que eu queria fazer uma HQ em preto e branco e não colorida.

Em um primeiro momento tu iria lançar a obra de forma independente, através de financiamento coletivo, e depois anunciou a obra pela Editora MINO. Por que essa mudança e como foi essa negociação?

A negociação foi imprescindível para que o livro fosse lançado esse ano. Sozinho eu nunca teria conseguido terminar a tempo e garantir a qualidade com que o livro saiu. Sem a ajuda de toda a equipe da Mino a edição, a revisão, o trabalho com a gráfica e a logística das entregas teriam levado muito mais tempo. Toda a experiência da Mino agilizou muito o processo como um todo e garantiu uma qualidade a publicação que faz jus a todo o meu esforço nas páginas para ter o melhor material que eu conseguisse fazer. E todos sabemos que esse livro tinha que sair esse ano. Ninguém, mais do que eu, sofreu com todo esse atraso e o lançamento do Porco Pirata representa o fim de uma época muito difícil para mim. Agora é hora da içar velas e rumar à todo pano para novos tempos, desafios e novas aventuras, para mim e para o Porco.

Apesar de nunca ter sido lançado, bastante gente já conhece o personagem, seja através das redes sociais ou de fanzines onde ele apareceu. Como tu espera que seja a receptividade do teu público e do novo público com esse trabalho?

A receptividade tem sido ótima até agora. Tenho recebido várias mensagens de colaboradores que já receberam seus pacotes e que fazem questão de mandar e de me marcar em fotos do livro no instagram e no facebook. O que tem me deixado muito menos apreensivo, pois não fazia ideia de como todos iriam responder. É ótimo quando as pessoas fazem questão de mandar uma mensagem e dividir o que acharam sobre o livro. E pela quantidade de pessoas que me perguntam como adquirir o livro acho que o público novo está, pelo menos, curioso e vamos saber o que acharam do livro em breve.

Por ser um personagem tão folclórico na tua carreira, tu deve ter bastante história para contar. Essa primeira publicação é fechada ou deixa pontas para uma possível continuação?

Sim, deixa pontas, como eu tinha dito antes, essa história publicada agora apresenta o mundo do Porco Pirata aos leitores e dá uma pincelada em suas motivações e personalidade, assim como mostra os coadjuvantes da história. A minha intenção é publicar, em um futuro próximo, a origem do Porco Pirata e seus rumos. Mas, por enquanto, quero curtir muito os lançamentos e a CCXP onde posso encontrar e conversar com todo mundo sobre o livro.

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