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Sidão e a Turma de casa nova

Depois de uma década batendo ponto na Rua do Curtume nº 745, onde foi a sede da Mauricio de Sousa Produções por mais de 30 anos, Sidney Gusman viveu com um misto de nostalgia e empolgação a transição para a nova casa da Turma da Mônica, algo como um “Bairro do Limoeiro” mais moderno para a equipe e também para os fãs que sempre fizeram questão de visitar os bastidores do lendário estúdio – e não perdem por esperar a renovada atração.

Jornalista e coordenador de planejamento editorial da MSP, nesse período Sidão ajudou a reinventar a marca com projetos como a coleção Graphic MSP, hoje um dos maiores fenômenos de vendas dos quadrinhos nacionais. O novo espaço promete acompanhar a expansão da empresa e dar ainda mais fôlego às suas ideias e projetos inovadores. Em um bate-papo com o Redação Multiverso, Sidney Gusman comenta a mudança que aconteceu no fim de janeiro e as expectativas com a nova sede, fala do que espera para 2017 e aproveita para fazer algumas considerações sobre o mercado de quadrinhos europeus depois de passar as férias em Portugal. Confira!

Como está sendo trabalhar na nova sede? Essa mudança de espaço acompanha a modernização e a expansão que vive a MSP?

Não sou exatamente a pessoa mais adequada para falar sobre a nova sede, mas tem muito disso que você colocou, a ideia é que a sede reflita o que a MSP é hoje, uma empresa que tá buscando se modernizar o tempo inteiro, inovar o tempo inteiro, e que fisicamente vai fazer isso agora na sede nova. É justamente esse o ponto, o primeiro dia que a gente foi pra lá, a sensação era de algo que eu não sentia há mais de 15 anos: pô, primeiro dia de aula na escola nova! E todo mundo com uma energia muito boa, os funcionários gostaram da mudança.

E assim, a empresa nem tá decorada ainda, as visitações estão temporariamente suspensas, pois vai haver uma tematização na empresa que vai ser arrasadora, a Alice Takeda que está comandando essa tematização, e vai ficar lindo, o estúdio vai ficar absolutamente lindo, se o pessoal gostava de visitar na Rua do Curtume, quando a gente começar a postar as fotos e mostrar como vai ficar o estúdio novo, vai ser desesperadora a fila para visitar a nova MSP.

[Despedida da antiga sede; hora da mudança; Sidão com Mônica na casa nova; prédio da sede da MSP]

Além da MSP, você segue com o Universo HQ, realiza oficinas de edição, participa de eventos pelo país… Em meio a tudo isso, o que espera do seu ano de 2017?

Pra 2017 eu espero um ano de muito trabalho, mais uma vez, que acho que é o que acaba movendo a minha vida, sou muito apaixonado pelo que eu faço em todas as áreas, então espero que tenha muito trabalho e muito sucesso em todas as frentes de trabalho. Os workshops e palestras que tenho ministrado estão indo muito bem, o Universo HQ vira e mexe a gente está tentando melhorar coisas aqui e ali, mas a gente vai implementar novidades esse ano porque a gente precisa disso, o Confins do Universo vai muito bem obrigado… e a MSP, com as graphics e outros projetos então, não posso nem falar, o pessoal fala que o sucesso reflete o amor pelo que você faz, e eu sei que isso ajuda, mas não pode ser só isso, né.

Você passou uma temporada em Portugal, visitou a Comic Con do Porto, voltou com muitas HQs… É possível fazer algumas comparações com o cenário brasileiro?

Fui para Portugal de férias mas visitei a Comic Con do Porto, e é uma estrutura bem menor do que a Comic Con Experience em São Paulo, bem diferente, as editoras estão presentes mas em estandes muito simples, não há toda aquela pirotecnia que existe aqui no Brasil. E o mercado português é muito menor do que o nosso, um álbum lá que vende bem, vende 2 ou 3 mil exemplares, apesar do público europeu ser um público leitor, Portugal está buscando de novo aumentar o número de leitores de banda desenhada, como eles chamam lá. Então é um mercado que voltou a crescer pois eles felizmente superaram a crise, mas ainda tem um caminho longo para recuperar números que eles já tiveram anteriormente, e que eram de fazer inveja inclusive ao Brasil.

Com o mercado nacional aquecido e novas editoras surgindo a cada dia, acredita que a publicação de mais quadrinhos europeus é um espaço a ser preenchido por aqui?

Costumo dizer que a gente nunca teve um momento tão bom para publicação de quadrinhos no Brasil porque tem de tudo sendo publicado. Está saindo muito mais quadrinho europeu agora do que já saía há alguns anos, isso por causa do trabalho da Sesi-SP, a Figura de Porto Alegre que estreou com uma grande HQ europeia, tem a Nemo, que está lançando uns quadrinhos não tão famosos depois de publicar Moebius e Pratt, está focando em graphic novels de autoras e público feminino. Então estão chegando HQs europeias aqui, mas ainda tem espaço, tem espaço pra muito mais, existem grandes séries europeias que nem arranharam aqui.

E acho sim que a gente vai ver esse momento. A Sesi-SP anunciou recentemente Blacksad, anunciou Valerian, material europeu clássico, então por que não Escorpião, As Águias de Roma, Bouncer… Por exemplo, pra mim o melhor quadrinho de 2016 foi o europeu Verões Felizes – Rumo ao Sul, é absolutamente fantástica a HQ, de um desenhista que pouca gente conhece aqui que é fenomenal, então acho que tem espaço pra mais e acho que nós veremos mais, essa é a parte mais legal de todas.

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