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Geoff Johns e a hora do Renascimento

Para apresentar e dar o tom de sua nova fase, que retoma os conceitos clássicos da editora, a DC Comics chamou Geoff Johns para escrever uma última HQ antes de partir para chefiar a DC Films. DC Universe Rebirth #1 apresenta algumas das principais tramas e mistérios que serão trabalhados nos mais diversos títulos mensais ao longo dos próximos anos, além de apresentar a volta de um personagem que não aparecia mais desde o início da fase Novos 52, em 2011.

Geoff Johns já é bastante conhecido por ser um grande conhecedor da cronologia do Universo DC, seus roteiros costumam ser repletos de referências e saudosismo e não é raro ver o roteirista ser chamado para ajeitar alguma confusão cronológica. Com a rejeição dos Novos 52 tanto pelo público quanto pela crítica, não foi surpresa para nenhum fã o anúncio de que Johns seria o responsável por apresentar essa nova fase ao público. Porém, mais do que uma decisão segura, a escolha do roteirista se mostrou também uma decisão deveras acertada.

A história nos é apresentada através da perspectiva da versão clássica de Wally West, que tenta voltar do exílio em algum lugar fora do tempo e do espaço. A narração de Wally é usada não apenas para conduzir a trama, mas também para pontuar as principais diferenças e mudanças entre a realidade anterior a Ponto de Ignição e a atual. De certa forma, é possível afirmar que essa foi uma maneira que a própria DC encontrou para assumir os diversos erros que cometeu com os Novos 52 e plantar uma semente de esperança de que as coisas voltem a ser da forma como eram anteriormente.

Enquanto Wally visita e observa a vida de vários dos heróis da DC na esperança de que alguém se lembre dele, Johns conduz essa viagem com a apresentação de momentos nostálgicos, o que remete ao tom heroico e esperançoso das antigas e saudosas HQs da DC Comics. Essa iniciativa de trazer de volta conceitos primordiais e fundamentais para o universo DC faz com que a trama por si só já seja digna de admiração, mesmo que tudo se apresente apenas na forma de promessas. A boa qualidade do roteiro se comprova ainda mais na cena que apresenta o encontro entre Wally e Barry Allen, um momento narrado com tamanha competência emocional que é capaz de sensibilizar até o mais durão dos fãs da editora.

A arte da revista é dividida entre alguns dos grandes nomes da editora, entre eles os brasileiros Ivan Reis e Joe Prado, Phil Jimenez e Gary Frank , que assume a maioria das páginas. Frank se utiliza de um estilo artístico que lembra lendas da editora como Neal Adams e García-López, ainda que com uma personalidade própria para o traço, se mostrando uma escolha correta para o serviço. O único problema da narrativa se dá em algumas páginas onde a arte acaba comprometida devido ao excessivo número de painéis e balões, fazendo com que planos abertos em quadros pequenos fiquem um pouco rasurados, mas nada que atrapalhe a leitura como um todo. As cores, que também contam com um time de primeira, são muito bem trabalhadas, com destaque novamente para a cena do encontro entre Wally e Barry.

A trama ainda apresenta as primeiras pistas de uma possível participação dos personagens de Watchmen e da suposta responsabilidade deles na criação desse novo universo da DC. Se isso vai se concretizar e se será algo positivo ou não, só o tempo e as próximas revistas da DC poderão revelar. O que vale mencionar é que em DC Universe Rebirth, Johns sabe implementar esses momentos em pontos de virada impactantes e competentes.

DC Universe Rebirth se mostra uma revista em quadrinhos com decisões editorias conscientes, além de um trabalho de despedida extremamente significativo para Geoff Johns. Mas mais do que isso, essa é a HQ que a DC precisava e procurava para implantar essa nova fase de suas revistas. Um trabalho competente, saudosista e esperançoso para os fãs, algo que os heróis da DC sempre foram, mas após um período de esquecimento merecem mais do que nunca voltar a ser.

DC Universe Rebirth #1
Roteiro: Geoff Johns
Arte: Gary Frank, Ethan Van Sciver, Ivan Reis, Joe Prado, Phil Jimenez e Matt Santorelli
Cores: Brad Anderson. Jason Wright, Hi-Fi e Gabe Eltaeb
Editora: DC Comics
Ano de Lançamento: 2016
Número de páginas: 72
Nota do resenhista: 4,5 (de 5)

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