busca

O Caçador de Marte por Eddy Barrows

Esta resenha foi escrita com base nos encadernados norte-americanos Martian Manhunter: The Epiphany e Martian Manhunter: The Red Rising

Por muito tempo considerado um dos pilares do Universo DC, J’onn J’onzz, o Caçador de Marte, perdeu seu posto de membro fundador da Liga da Justiça para o Ciborgue depois do reboot dos Novos 52. Apesar de sempre presente em uma ou outra publicação, J’onn foi colocado para escanteio por um bom tempo, até finalmente ganhar uma revista própria na iniciativa DC You, em 2015, com roteiros de Rob Willians (Esquadrão Suicida) e desenhos do brasileiro Eddy Barrows (Detective Comics).

Em The Epiphany e The Red Rising, os dois arcos que compõem todo o run, vemos J’onn revelando sua verdadeira origem e as consequências disso. Ele não é o último sua raça. Ao contrário, o Caçador foi o resultado de uma criação dos marcianos, uma arma enviada à Terra para preparar o terreno para uma grande invasão que tem como objetivo fazer a sociedade marciana viver novamente. Mas, para isso ocorrer, toda a vida terrestre tem que perecer. No meio disso tudo, quatro personagens muito diferentes e uma garotinha se veem envolvidos na invasão por algum motivo misterioso.

O roteiro de Willians se mostra muito competente e até acima da média durante o primeiro arco, The Epiphany. O escritor consegue apresentar personagens muito carismáticos que transmitem empatia facilmente, cada um de uma maneira única. É também elogiável a maneira como Willians orquestra o mistério que envolve os quatro coadjuvantes, que, por mais que sua solução pareça lógica em certo momento, prende o leitor e o faz se importar com a história. O conflito de J’onn, que o faz se questionar sobre seu papel como herói, mostra-se crível e leva a uma consequência bem inesperada. Deve-se notar o ótimo desempenho de Willians na construção e dosagem de cenas de ação, com diálogos certeiros que casam muito bem na situação.

No entanto, o nível do roteiro decai muito no segundo arco, The Red Rising. Aqui, todo o mistério dos coadjuvantes é revelado e os mesmos se tornam os principais protagonistas. Infelizmente, o escritor perde um pouco seu foco, esquecendo as várias referências muito bem casadas de ficção científica e até mesmo de terror que utilizava no primeiro arco. A exploração dos personagens e seu desenvolvimento são substituídos por tomadas medíocres de ação, com direito a um vilão extremamente estereotipado e a uma luta de robôs gigantes. Willians ainda acerta em alguns momentos, chegando até mesmo a emocionar com algumas cenas, mas o estrago foi muito grande para ser remediado. Para completar, um plot twist desnecessário faz muito da história perder seu sentido e pode fazer alguns leitores se sentirem até mesmo lesados.

Eddy Barrows é o responsável pelos desenhos de quase todas as 12 edições do run. Barrows possui uma técnica de narrativa incrível, muito ágil e dinâmica, o que faz render excelentes cenas de ação. Seu uso de luz e sombra proporciona quadros muito bonitos e com noções de profundidade realistas. O artista consegue desenhar seres humanos normais com maestria e precisão anatômica ao mesmo tempo em que cria designs bizarros e criativos para os alienígenas. Sua parceria com Eber Ferreira na arte final cria um traço bem maleável, o que é perfeito para um personagem como J’onn, que passa por diversas transformações durante a história. Um dos principais méritos de Barrows é fazer com que as figuras esquisitas, que se moldam, retorcem, derretem e alargam pareçam reais, de forma que você acredita na arte e a vê como uma perfeita retratação de como seria se aquelas criaturas existissem no mundo real.

As cores de Gabe Eltaeb harmonizam com o estilo dos desenhistas, geralmente vindo de uma paleta escura com muitos tons de verde, vermelho e roxo, as principais cores do Caçador de Marte. Diógenes Neves, Ronan Cliquet, R.B. Silva, Ben Oliver e Philip Tan também assumem a arte de algumas edições. De todos, apenas Ben Oliver destoa visivelmente do estilo de Barrows, indo para um caminho muito mais cartunesco, o que prejudica um pouco a revista visto que Oliver é o responsável pelas últimas duas edições do run.

Apesar de seus altos e baixos, a fase de Rob Willians e Eddy Barrows é uma boa pedida para quem quer uma história que mistura vários elementos e gêneros diferentes com uma boa e dinâmica arte. Além disso, é uma rara oportunidade para os fãs de J’onn J’onzz o verem protagonizando sua própria HQ. Infelizmente, o run não foi publicado no Brasil, mas pode ser adquirido através dos dois encadernados americanos, que compilam toda a fase.

Martian Manhunter: The Epiphany e Martian Manhunter: The Red Rising

Roteiro: Rob Willians e Matt Kindt

Desenhos: Eddy Barrows, Diogenes Neves, Ronan Cliquet, R.B. Silva, Ben Oliver e Philip Tan

Arte-Final: Eber Ferreira, Marc Deering, Andy Owens, Ben Oliver e Jason Paz

Cores: Gabe Eltaeb e Jeremy Cox

Letras: Tom Napolitano

Editora: DC Comics

Ano de lançamento: 2015/2016

Páginas: 160 e 144

Nota do Resenhista: 3,5 (de 5)


DC Comics anuncia crossover com Looney Tunes

Nesta quinta-feira, 16, a DC Comics anunciou através de um comunicado de imprensa o crossover entre alguns de seus mais famosos heróis com personagens do cartoon Looney Tunes. Ainda não há mais detalhes sobre o evento, mas o comunicado apresenta quatro das histórias a serem publicadas.

  • Jonah Hex e Yosemite Sam (No Brasil: Eufrazino Puxa-Briga)
  • Caçador de Marte e Marvin, o Marciano.
  • Lobo e Papa-Léguas
  • Batman e Elmer Fudd (No Brasil: Hortelino Troca-Letras)

Ainda não há informações sobre as equipes criativas, mas as artes de divulgação foram criadas por Lee Weeks (Batman e Elemer Fudd), Marc Texeira (Jonah Hex e Yosemite Sam), Aaron Lopresti (Caçador de Marte e Marvin, o Marciano) e Kelley Jones (Lobo e Papa-Léguas).

Esse não é o único encontro entre heróis da DC e personagens de um desenho animado esse ano. A editora já havia anunciado anteriormente um crossover com os personagens da Hanna-Barbera, que deve começar a ser publicado nos EUA em março. Leia aqui.

Tanto a DC Comics quanto os Looney Tunes são propriedade da Time Warner. Novas informações sobre o encontro, como equipe criativa e data de lançamento, devem ser anunciadas em breve.


Redação Multiverso é o site colaborativo de produção de conteúdo sobre quadrinhos
da Produtora Multiverso, em uma iniciativa paralela e complementar à realização da
ComicCON RS – principal convenção de quadrinhos e cultura pop do Rio Grande do Sul.