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Guardiões da Galáxia Vol. 2 e o coração do Universo Marvel

Poucos fãs da Marvel esperavam algo do primeiro longa protagonizado pelos Guardiões da Galáxia, lançado em 2014, porém a qualidade do trabalho liderado pelo diretor James Gunn, além de estruturar os parâmetros para o universo espacial da editora nos cinemas, fez do longa um dos maiores sucessos do MCU até o momento, sendo considerado por muitos o melhor filme da Marvel Studios. Dessa forma, a espera pelo retorno dos heróis, novamente sob a batuta de Gunn, era acompanhada por um gigantesco hype que poderia prejudicar a recepção dos espectadores. Mas Guardiões da Galáxia Vol. 2 não só cumpre com as expectativas, como também entrega o que pode ser considerado o longa mais engraçado e emotivo da Marvel até o momento.

Na trama, que se passa apenas alguns meses após o primeiro filme, Peter Quill (Senhor das Estrelas), Gamora, Rocket, Drax e Baby Groot já são conhecidos ao longo do universo pela alcunha de Guardiões da Galáxia. Após serem atacados pela raça dos Soberanos, os heróis são abordados por Ego, o pai de Peter, que os leva até seu planeta. Enquanto descobrem a verdade sobre as origens de Quill, os Guardiões precisam fugir dos Soberanos, que buscam vingança em nome da honra, e dos Ravengers, que querem adquirir a enorme recompensa que existe por suas cabeças.

Se podemos considerar os filmes do Capitão América como o lado racional do MCU, e Vingadores como a força, Guardiões da Galáxia Vol. 2 define os heróis galácticos como o coração desse universo. O modo como James Gunn trabalha de maneira cuidadosa o desenvolvimento individual de cada personagem, faz com que a interação entre eles se complemente de maneira orgânica e convincente. Bons exemplos disso são o modo como o roteiro aproxima o reservado Drax da solitária Mantis, os incompreendidos Yondu e Rocket, e as agressivas Gamora e Nebulosa, fazendo seus temores e ligações afetivas se desenvolverem de maneira sincera e sensível. Em momento algum o novo longa tem vergonha de assumir o lado sentimental abordado em seu antecessor, e faz desse aspecto um de seus pontos mais fortes.

O já costumeiro humor sagaz ainda é um componente de suma importância no filme. Fazendo com que as diversas situações hilárias apresentadas no longa, apesar de muitas vezes beirarem o absurdo, aconteçam de maneira a inspirar e envolver ainda mais o público com os personagens. Havia criado certo medo de que Baby Groot ganhasse mais atenção do que necessária, em virtude de seu apelo comercial, mas o diretor sabe usar as fofas participações do personagem de forma comedida, divertindo o espectador sem cansá-lo. As cenas de ação são bem planejadas e elevam o nível das apresentadas no primeiro longa, explorando de maneira inteligente o estilo de luta e o lado cômico de cada personagem. O único problema recorrente dessas sequências é a necessidade que a produção tem de frequentemente frear o andamento das cenas para encaixar alguma piadinha, que nem sempre vem a somar para o desenvolvimento. Apesar desses momentos não atrapalharem o filme como um todo, podem vir a incomodar os espectadores mais exigentes.

Apesar de ter consequências que ressoam através de toda a galáxia, a trama de Guardiões da Galáxia Vol. 2 é muito mais contida em relação ao universo Marvel nos cinemas. O longa foca praticamente toda sua atenção em seus heróis, deixando de lado a ameaça de Thanos para que o público possa acompanhar e se afeiçoar ainda mais aos Guardiões. Todavia, James Gunn, que é assumidamente um nerd da Marvel, não poupa em easter eggs e menções aos mais diferentes personagens e eventos envolvendo o universo espacial da editora. Alguns bastante sutis, e outros que lhe farão pular da cadeira de tanta empolgação – vide a fantástica participação de Stan Lee nesse filme, uma das melhores.

Após todo o sucesso da trilha sonora do primeiro longa, era de se esperar que esse ponto da produção ganhasse uma atenção especial em sua sequência. Apesar de a nova seleção de músicas não ser tão envolvente quanto a anterior, o principal ponto positivo é que aqui elas não apenas embalam o longa, como ganham importância vital para a trama. Várias vezes temos personagens usando as canções como maneira de desenvolver a história, e outros que até chegam a usar as letras das músicas para elucidar e justificar suas ações. As referências aos anos 80 também estão bastante vivas no longa, se tornando agora uma característica essencial de Peter Quill, que as usa para explicar de forma metafórica vários de seus pontos de vista.

Mais do que trabalhar o humor proveniente das diferentes origens e raças dos personagens que compõem o grupo, James Gunn usa essas divergências para compor e equilibrar as relações entre seus heróis. Guardiões da Galáxia Vol. 2 mergulha sem o mínimo receio ou vergonha sob a pele de seus personagens, explorando seus lados emotivos de forma a mostrar seus principais medos e qualidades. Mostrando que amigos de verdade brigam, discutem e muitas vezes são incapazes de se compreender, mas jamais lhe abandonam, independentemente do tamanho do desafio. Mostrando que amigos são a família que escolhemos.

Título Nacional: Guardiões da Galáxia Vol.2

Título Original: Guardians of the Galaxy Vol. 2

Direção: James Gunn

Roteiro: James Gunn

Ano de Lançamento: 2017

Nota do Resenhista: 4,5 (de 5)

Ps: Guardiões da Galáxia Vol. 2 não tem uma, nem duas, mas sim CINCO cenas pós créditos. Algumas importantíssimas para o desenvolvimento do MCU. Faça suas contas e tenha certeza de sair do cinema sem perder nenhuma.


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